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    <title>Global South World Brasil - Donald Trump</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>EUA apresentam acusação contra Maduro por tortura</title>
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      <pubDate>Thu, 08 Oct 2026 18:04:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os Estados Unidos apresentaram, nesta quinta-feira, 8, acusações de tortura contra o ex-líder  venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que se somam ao processo judicial que o casal já enfrenta após ser detido em Nova York.</p>
<p>Maduro e Cilia foram acusados de narcotráfico e tráfico de armas, depois de serem capturados em uma operação militar norte-americana em Caracas, no dia 3 de janeiro, e transferidos para uma prisão no Brooklyn.</p>
<p>Os dois estão presos no Centro de Detenção Metropolitano desde então. Ambos se declararam inocentes das acusações anteriores.</p>
<p>No dia da captura, Donald Trump publicou em sua rede social, Truth Social, uma  fotografia de Maduro com os olhos cobertos, usando abafadores de ruído e um agasalho cinza . O presidente norte-americano disse no post que o venezuelano estava a bordo do navio militar USS Iwo Jima.</p>
<p>Um relatório do tribunal divulgado nesta quinta-feira mostra que ambos agora também enfrentam a acusação de conspiração para cometer tortura e observa que "infligiram intensa dor e sofrimento físico e mental" às pessoas.</p>
<p>O suposto objetivo era "reprimir e punir a oposição política, silenciar a dissidência (...), preservar e proteger o poder e a autoridade dos membros da conspiração e intimidar, assediar e neutralizar os seus oponentes, inclusive por meio de sequestros".</p>
<p>Os promotores detalham casos aparentes de vítimas não identificadas, incluindo cidadãos norte-americanos, que foram submetidos a choques elétricos, afogamento simulado e espancamentos enquanto estavam detidos na Venezuela.</p>
<p>O casal será julgado em Nova York em junho do ano que vem.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Truth Social - @realDonaldTrump</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[AFP, GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Autorregulação da IA nos EUA dá ‘carta branca’ a big techs, alerta especialista</title>
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      <pubDate>Wed, 30 Sep 2026 22:39:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O anúncio do governo dos Estados Unidos e de big techs da Inteligência Artificial (IA) de criar uma autorregulação voluntária com controles de segurança para o desenvolvimento da tecnologia, após encontro realizado na terça-feira, 29, representa uma “carta branca” para a indústria do setor com riscos para a saúde pública e para a democracia dos países.</p>
<p>Essa é a avaliação do sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e autor de obras sobre tecnologias digitais. “O que o Trump fez foi entregar completamente e de modo irresponsável o controle democrático do desenvolvimento da IA para a própria corporação que a desenvolve. Isso é um risco gigantesco”, avaliou.</p>
<p>Dentre as medidas anunciadas no acordo firmado na Casa Branca, feito com a OpenAI, Meta, Anthropic, Google, Nvidia e X, está a implementação de “controles internos” para monitorar os modelos de IA para “garantir que seus modelos não invadam ou acessem sistemas técnicos de maneiras não intencionais”.</p>
<p>“Isso já é feito. Todo o processo de treinamento de IA requer um controle robusto. O monitoramento interno já é feito. Tudo isso não agrega nada de importante para regulamentar e controlar usos e desenvolvimentos indevidos do aprendizado de máquina e do aprendizado profundo”, completou Amadeu.</p>
<p>Outra medida é o estabelecimento de parceria com um auditor ou avaliador externo independente para que as companhias verifiquem se os controles e os sistemas de monitoramento estão funcionando adequadamente. O professor da UFABC contesta essa proposta. “Até que ponto esse auditor externo pago pela própria empresa vai fazer críticas e sugestões que vão criar descontentamento do conselho de acionistas das empresas?”, questionou.</p>
<h2>Benefícios frágeis</h2>
<p>O especialista em governança de IA Ettore Arpini, fundador da organização Plures, que apoia a formação de profissionais para atuação em IA, destacou à Agência Brasil que o acordo voluntário das IAs pode criar benefícios reais.</p>
<p>Porém, alerta que o compromisso pode ser abandonado quando as proteções se tornarem comercialmente prejudiciais.</p>
<p>Arpini cita o exemplo da Moratória da Soja na Amazônia, que foi um acordo voluntário que envolveu empresas do setor para não plantar soja na Amazônia e evitar o desmatamento do bioma. “Isso deu certo por 20 anos, de forma voluntária, até que mudou o ambiente político e econômico e as empresas que faziam parte saíram do acordo e a moratória morreu”, disse.</p>
<p>(Em agosto deste ano, porém, o STF reconheceu a validade da Moratória da Soja.)</p>
<h2>Saúde Pública</h2>
<p>Amadeu destaca que a IA traz riscos ambientais (devido ao alto consumo de energia e água), de violação de privacidade (devido à capacidade de vigilância em massa de populações), assim como riscos à democracia e à saúde pública.</p>
<p>Ele explica que várias pesquisas realizadas na indústria farmacêutica, em parceria com big techs por meio de modelos de IA, podem envolver riscos para a saúde da população e, por isso, precisam de regulação do Estado.</p>
<p>“Sabemos que, quando o uso de IA fica sob controle apenas de investidores, isso traz um risco gigantesco para experimentos e ações que coloquem em risco a saúde pública”, comentou.</p>
<p>Entre os riscos, o especialista cita a possibilidade de o uso da IA levar as pessoas a tomar medicamentos por conta própria ou mesmo fazer diagnósticos com uso da máquina.</p>
<p>“Quando nós estamos tratando de fenômenos ligados à saúde pública e que incluam a parceria de grandes big techs com indústrias químicas e de fármacos, é um risco muito grande e, portanto, precisa de uma regulamentação estatal democrática”, concluiu.</p>
<h2>Temor social</h2>
<p>O governo Trump tem rejeitado impor limites ao desenvolvimento da IA, mesmo diante de pedidos da própria indústria e pressão social interna.</p>
<p>Pesquisa de opinião realizada pela Ipsos e Reuters revelou que 73% da população dos EUA acreditam que as empresas de IA não tomam medidas suficientes para impedir os danos da tecnologia para a sociedade e 39% acreditam que a IA está tendo um impacto negativo na sociedade.</p>
<p>Um dos riscos apontados é que os sistemas banalizem ataques cibernéticos por meio da invasão de sistemas de outras empresas e instituições. Outros riscos associados à IA são os impactos sobre o mercado de trabalho ou o uso “malicioso” da tecnologia por criminosos para aplicar golpes cibernéticos.</p>
<h2>Democracia</h2>
<p>A IA ainda pode ser usada para influenciar a opinião pública por meio da manipulação da informação que circula nas redes sociais, segundo o International AI Safety Report 2026, elaborado por 100 especialistas de mais de 30 países.</p>
<p>“Diversos estudos laboratoriais demonstraram que a interação com sistemas de IA pode levar a mudanças mensuráveis nas crenças das pessoas”, aponta o relatório.</p>
<p>Outro risco apontado é em relação ao desenvolvimento de armas químicas e biológicas.</p>
<p>“Sistemas de IA de uso geral podem fornecer informações sobre o desenvolvimento de armas biológicas e químicas, incluindo detalhes sobre patógenos e instruções de laboratório de nível especializado”, diz o relatório internacional.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/ Salvador Rios</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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      <title>Que países das Américas apoiam Trump na classificação de 24 grupos como terroristas, entre eles PCC e CV</title>
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      <pubDate>Wed, 23 Sep 2026 19:11:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na terça-feira, 22, com governos de 14 países da América Latina e do Caribe sua estratégia de combate a 24 organizações que Washington classifica como terroristas. Entre elas estão as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), cartéis mexicanos, como Sinaloa e Jalisco Nueva Generación, o venezuelano Tren de Aragua, gangues do Haiti e do Equador e grupos armados como o ELN, da Colômbia, e o Sendero Luminoso, do Peru.</p>
<p>A decisão foi anunciada durante a segunda reunião do Escudo das Américas, iniciativa criada pelo governo Trump em março para articular governos de direita da região em ações de combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. O encontro, organizado pelo Departamento de Estado, liderado pelo secretário Marco Rubio, ocorreu em Nova York, à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.</p>
<p>A declaração conjunta foi assinada por: Estados Unidos (Trump), Argentina (que teve a presença do presidente Javier Milei), Bolívia (Rodrigo Paz), Chile (José Antonio Kast), Colômbia, Costa Rica, Equador (Daniel Noboa), El Salvador, Guiana (Irfaan Ali), Honduras (Nasry Asfura), Panamá, Paraguai (Santiago Peña), Peru (Keiko Fujimori), República Dominicana (Luis Abinader) e Trinidad e Tobago. Os nomes entre parênteses indicam os presidentes que participaram do encontro.</p>
<p>O Escudo das Américas é composto por 19 países. Bahamas, Belize, Guatemala e Jamaica também integram a coalizão, mas não tiveram representantes para assinar a declaração do encontro de terça-feira.</p>
<p>Ao falar aos líderes presentes, Trump destacou a afinidade política do grupo e comemorou o que chamou de uma “grande mudança para a direita” na região.</p>
<p>A estratégia já envolve atuação direta das forças norte-americanas em parte da América Latina e do Caribe, com autorização de governos locais. Equador, Colômbia, Honduras, Jamaica e Guatemala autorizaram operações militares conjuntas contra grupos armados em seus territórios. A Colômbia também concordou em receber, em Medellín, uma sede regional da Americas Counter Cartel Coalition (AC3), braço operacional da iniciativa.</p>
<h2>O que os 14 países decidiram</h2>
<p>Os 24 grupos da lista já tinham sido classificados pelo governo dos Estados Unidos como terroristas estrangeiros. Na reunião de terça-feira, 22, Trump pediu aos integrantes do Escudo das Américas que os reconhecessem formalmente como ameaças comuns à estabilidade da região e aplicassem sanções às organizações.</p>
<p>Nesse ponto, surge uma diferença jurídica importante. Nos Estados Unidos, esses grupos estão formalmente classificados como terroristas. O comunicado conjunto, porém, não determina que os outros 14 países que assinaram a declaração passem a enquadrá-los da mesma maneira em suas legislações.</p>
<p>O documento ressalva que as ações serão adotadas de acordo com as leis nacionais e internacionais de cada país. As 24 organizações serão alvo das medidas independentemente de como sejam denominadas por cada governo.</p>
<p>Na prática, os 14 países aceitam ações coordenadas contra o que os Estados Unidos chamam de narcoterrorismo.</p>
<h2>Congelamento de bens e restrições de vistos</h2>
<p>Entre as medidas previstas estão congelamento de bens e ativos; restrições de imigração e vistos para integrantes, associados e apoiadores; responsabilização criminal de quem conscientemente fornecer apoio material, inclusive logístico; e outras sanções permitidas pelas legislações nacionais.</p>
<p>Os países também pretendem ampliar o compartilhamento de informações de inteligência, facilitar o acesso a tecnologias e capacidades de segurança e promover treinamento conjunto.</p>
<p>O Escudo das Américas estabelece três frentes de atuação: economia, segurança e coordenação multilateral. Na área econômica, os governos pretendem aumentar a cooperação, proteger cadeias de minerais críticos e avaliar mecanismos de controle de investimentos, entre outras ações.</p>
<p>Os signatários também decidiram solicitar uma reunião de consulta na Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a criação de um órgão baseado no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), de 1947. A intenção é avaliar medidas coletivas contra as organizações da lista.</p>
<h2>Coalizão e discurso na ONU</h2>
<p>Trump lançou o Escudo das Américas em março, nos Estados Unidos. Desde então, a coalizão foi ampliada. Chile, Colômbia e Peru estão entre as adesões mais recentes. Na reunião de Nova York, Rubio apresentou Keiko Fujimori como a integrante mais recente da iniciativa.</p>
<p>A lista das organizações ganhou dois integrantes brasileiros em maio. O governo de Trump decidiu pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas globais e pela inclusão das duas facções brasileiras entre as organizações terroristas estrangeiras.</p>
<p>A decisão foi unilateral. O governo brasileiro rejeitou a classificação de PCC e CV como grupos terroristas, sustentando que elas devem ser enfrentadas como organizações criminosas. O Itamaraty alertou que o enquadramento adotado por Washington poderia ser usado para justificar ações extraterritoriais e afirmou haver risco até de uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro.</p>
<p>A reunião do Escudo das Américas ocorreu no mesmo dia em que  Trump mencionou os cartéis em seu discurso na sessão inaugural da 81ª Assembleia Geral da ONU . O presidente comparou essas organizações ao Estado Islâmico e defendeu o uso do poder militar do país contra o que Washington considera ameaças aos Estados Unidos.</p>
<h2>Confira as 24 organizações listadas</h2>
<p>A relação adotada como alvo da primeira ação conjunta do Escudo das Américas reúne cartéis do narcotráfico, facções criminosas, gangues e grupos armados.</p>
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        <media:credit role="photographer">BRENDAN SMIALOWSKI</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP/ Brendan Smialowski</media:credit>
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      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Trump ameaça na ONU usar ‘poderio militar’ na América Latina</title>
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      <pubDate>Tue, 22 Sep 2026 18:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu nesta terça-feira, 22, diante da 81ª Assembleia Geral da ONU que está disposto a utilizar o “poderio militar sem igual” do país para assegurar seus interesses na América Latina.</p>
<p>Tais interesses passam por uma mudança de regime em Cuba, onde o governo comunista “cairá”, afirmou, e também por uma batalha sem trégua contra os cartéis de drogas, que seriam o “Estado Islâmico” da região, acrescentou Trump.</p>
<p>“Os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças contra a América ganhem terreno em nenhum lugar do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, utilizaremos nosso poderio militar sem igual para assegurar os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, disse.</p>
<p>“Os cartéis são o EI [grupo jihadista Estado Islâmico] do hemisfério” e, assim como os combatentes do EI, “deveriam ser executados, exilados ou detidos”, ressaltou o republicano.</p>
<p>O presidente chamou esses grupos de “organizações terroristas” em fevereiro do ano passado e, meses depois, iniciou uma campanha de ataques militares contra supostas embarcações usadas pelo narcotráfico, primeiro no Caribe e depois no Pacífico, com mais de 200 mortes até agora.</p>
<p>Trump defendeu esses ataques, apesar das críticas de organismos internacionais e de alguns governos da região. “Ninguém acreditava que fosse possível”, afirmou.</p>
<p>O poderio militar norte-americano não tem comparação, comentou o presidente. “Nossas ações na Venezuela são prova disso”, acrescentou.</p>
<p>Entre os presentes no grande salão da Assembleia Geral estava a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com quem estava previsto um breve encontro com Trump na própria terça-feira.</p>
<p>Forças norte-americanas capturaram e retiraram do país, em janeiro, o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, em uma audaciosa operação noturna.</p>
<p>Trump, que criou uma aliança regional de segurança, o Escudo das Américas, com governos conservadores aliados na América Latina, afirmou em várias ocasiões que agora é “a vez de Cuba”.</p>
<p>“Cuba cairá”, advertiu o presidente na tribuna da ONU.</p>
<p>“O comunismo nunca chegará aos Estados Unidos, mas a liberdade chegará a Cuba”, disse.</p>
<p>“O regime comunista está sob forte pressão, a maior que já enfrentou”, afirmou, em referência ao bloqueio de petróleo e às sanções contra o regime.</p>
<p>Pouco antes do discurso de Trump, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva,  havia criticado os “inimigos da democracia” que, em sua avaliação, tentam interferir na região .</p>
<p>“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a testemunhar a ingerência estrangeira nos processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência para incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos constitui um gesto anacrônico”, declarou Lula, que busca a reeleição nas eleições, cujo primeiro turno acontece em 4 de outubro.</p>
<h2>Irã, Groenlândia e IA</h2>
<p>Outros temas de política externa e segurança entraram no discurso de Trump – que durou 37 minutos, mais que o dobro dos 15 minutos recomendados pela ONU para cada representante. Um deles foi o conflito com o Irã, a ampliação da presença militar norte-americana na Groenlândia e a “superinteligência”, como prefere chamar a inteligência artificial.</p>
<p>•  Acordo com o Irã  – Trump voltou a afirmar que não permitirá que o país tenha uma arma nuclear e fez uma ameaça direta ao regime iraniano. Depois de dizer que os Estados Unidos deram ao país oportunidades para negociar, apresentou duas alternativas: “Será feito um acordo com o Irã que permita que eles reconstruam e criem um país muito maior do que jamais foi antes, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo? Ou eu aniquilo a República Islâmica, e faço isso rapidamente, sem lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países novamente?” O presidente norte-americano disse, porém, acreditar que um acordo será alcançado após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. “A única coisa que importa é que o Irã nunca terá uma arma nuclear.”</p>
<p>•  Petróleo da Venezuela  – O mandatário destacou que Estados Unidos e Venezuela assinaram no mês passado “o maior acordo de petróleo da história”, envolvendo 65 bilhões de barris, e afiançou que o negócio beneficiará “enormemente” os dois países. Ao falar do acordo, relacionou diretamente o negócio ao resultado da intervenção norte-americana em território venezuelano. “Quando se somam Estados Unidos e Venezuela, temos mais de 60% do petróleo do mundo. Então, talvez seja o maior acordo. Foi uma guerra, mas talvez seja o maior acordo já feito. Ao vencedor pertencem os despojos”, declarou.</p>
<p>•  Presença na Groenlândia  – Trump falou da ampliação permanente da presença militar dos Estados Unidos na Groenlândia por meio de um acordo com a Dinamarca e o governo groenlandês. O pacto mantém a soberania dinamarquesa sobre o território, mas amplia os direitos militares norte-americanos e prevê duas novas instalações, além da base que já mantêm na ilha. “Teremos capacidade total para fazer o que for necessário para defender o continente norte-americano, e também a Europa e outros lugares”, assegurou. Ele afirmou ainda que nenhum adversário dos EUA poderá estabelecer presença militar ou realizar investimentos considerados sensíveis na Groenlândia sem autorização de Washington.</p>
<p>•  Superinteligência x IA  – O presidente norte-americano afirmou que o governo passará a adotar o termo “superinteligência” em vez de “inteligência artificial” por acreditar que a palavra “artificial” faz a tecnologia parecer falsa. “Não é falsa. Na verdade, é incrível. Mas temos de ter cuidado”, afirmou. “A partir de agora, todos os documentos dos Estados Unidos e, espero, do mundo serão alterados para usar o termo muito mais preciso: ‘super’, em vez de ‘artificial’.” Ele salientou que os Estados Unidos não pretendem frear o desenvolvimento da tecnologia e disse que o país está à frente da China nessa área.</p>
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        <media:credit role="provider">Divulgação/ ONU / Loey Felipe</media:credit>
        <media:title>Donald-Trump-ONU</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[AFP, GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Combates no Iêmen deixam 46 mil deslocados e agravam crise humanitária</title>
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      <pubDate>Sat, 12 Sep 2026 16:11:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pelo menos 46 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas desde a retomada, na semana passada, dos combates entre os houthis, movimento político e armado apoiado pelo Irã que controla parte do Iêmen, e forças pró-governo no sudoeste do país. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU, o número de deslocados estava “aumentando de forma alarmante a cada hora”.</p>
<p>A nova onda de deslocamentos ocorre em meio a uma ofensiva dos houthis pela costa do Mar Vermelho. Na sexta-feira, 11, o grupo avançou por cidades e ilhas da região e passou a controlar o estratégico estreito de Bab el-Mandeb.</p>
<p>O avanço começou com a tomada de Mokha, importante cidade portuária da província de Taiz. Os houthis seguiram, então, para o sul, ocupando Dhubab, a ilha de Perim e outras áreas costeiras.</p>
<p>Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e está em uma das principais rotas marítimas entre a Ásia e a Europa. A posição conquistada pelos houthis aumenta a preocupação com a navegação internacional e amplia os efeitos potenciais do conflito para além do Iêmen.</p>
<h2>Famílias fogem novamente</h2>
<p>Após a tomada de Mokha, moradores foram vistos deixando a cidade com seus pertences. Em três distritos de Taiz — Maqbanah, Jabal Habashi e Al Ma’afer — vilarejos inteiros ficaram vazios à medida que os combates se aproximaram de áreas habitadas. A estrada entre Mokha e Taiz, importante para o abastecimento, também teria sido interrompida.</p>
<p>“As famílias estão sendo obrigadas a fugir pela segunda ou terceira vez desde o início deste conflito, praticamente sem nada”, afirmou Amy Pope, diretora-geral da OIM. Segundo ela, a expansão dos combates também dificulta a chegada de assistência humanitária.</p>
<p>A nova escalada atinge um país que já enfrenta uma grave crise humanitária. Segundo informações apresentadas ao Conselho de Segurança da ONU, mais de 22 milhões de pessoas precisam de assistência no Iêmen e mais de 18 milhões enfrentam insegurança alimentar aguda.</p>
<p>Novos deslocados estão chegando às províncias de Lahj e Aden, enquanto há relatos de pessoas seguindo para o norte, em direção a Ibb. A OIM afirma que os estoques de emergência já estão reduzidos depois das recentes operações de socorro às vítimas de enchentes. Entre as necessidades mais urgentes estão abrigo, alimentos, água, itens domésticos, assistência médica e serviços de proteção.</p>
<h2>Sistema de saúde sob pressão</h2>
<p>A escalada também agrava a situação do sistema de saúde. Pelo menos 14 civis, entre eles duas crianças, foram mortos ou feridos desde o início de setembro, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha). A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou ainda 67 mortes e 288 feridos entre 6 e 24 de agosto em sete províncias.</p>
<p>Apenas 60% das unidades de saúde do Iêmen estão plenamente operacionais. Hospitais de Marib, Hadramaut e Taiz recebem um fluxo crescente de pacientes com traumas, pressionando serviços de emergência, centros cirúrgicos e unidades de terapia intensiva.</p>
<p>No Hospital Geral de Marib, os serviços de maternidade e obstetrícia foram temporariamente suspensos para liberar recursos para o atendimento dos feridos. O número de mortos também ultrapassou a capacidade do necrotério.</p>
<h2>Tensão com os sauditas e pedido de apoio aos EUA</h2>
<p>A ofensiva também aumentou a tensão entre os houthis e a Arábia Saudita. Em reunião do Conselho de Segurança da ONU, o representante saudita declarou que ataques com mísseis e drones contra Abha, Khamis Mushait, Jazan e Najran, em 8 de setembro, deixaram 73 civis feridos, entre eles mulheres e crianças.</p>
<p>Neste sábado, 12, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os houthis procuraram seu governo e sinalizaram que não querem um confronto direto com Washington. “Eles não querem que nós os ataquemos”, disse Trump a jornalistas em Dublin.</p>
<p>O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, procurou Trump em busca de apoio militar americano contra os houthis, mas o presidente decidiu não envolver diretamente os Estados Unidos na ofensiva. Washington ofereceu apoio de inteligência à Arábia Saudita.</p>
<p>Trump também afirmou que o Irã provavelmente está por trás do ataque ao oleoduto que liga campos produtores de petróleo no leste da Arábia Saudita ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. A estrutura chegou a ser temporariamente fechada. Até o momento, ninguém reivindicou a responsabilidade pelo ataque.</p>
<p>Os houthis afirmaram que pretendem manter Bab el-Mandeb aberto à navegação, com exceção de embarcações ligadas à Arábia Saudita.</p>
<h2>Uma guerra que se arrasta desde 2014</h2>
<p>Os houthis tomaram Sanaa, a capital, em 2014, expulsando da cidade o governo reconhecido internacionalmente. Desde então, enfrentam forças do governo iemenita, apoiadas pela Arábia Saudita. A relativa calmaria que predominava desde 2022 se desfez com a intensificação dos confrontos em diferentes frentes.</p>
<p>A OIM pediu às partes envolvidas que garantam acesso humanitário seguro e contínuo e protejam trabalhadores, instalações e meios utilizados nas operações de ajuda.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Rubio encerra viagem pela América Latina com ofensiva contra narcotráfico e influência da China </title>
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      <pubDate>Thu, 10 Sep 2026 15:38:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco  Rubio , encerra nesta quinta-feira, 10, no Peru, uma viagem de três dias pela América Larina marcada pela  ofensiva contra o narcotráfico e o crime organizado . Antes do Peru, Rubio esteve na Colômbia e no Equador.</p>
<p>A agenda também expôs o objetivo da administração de Donald Trump de conter a crescente influência da China na região.</p>
<p>Hoje Rubio se reúne em Lima com a presidente peruana, Keiko Fujimori, em sua primeira visita oficial ao país como chefe da diplomacia americana. O Peru é o mais recente integrante do Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater organizações criminosas transnacionais. A Colômbia também anunciou sua entrada durante a passagem do secretário por Bogotá.</p>
<p>A viagem ocorre em um momento de aproximação política entre Washington e governos conservadores que chegaram recentemente ao poder na América do Sul. Rubio se encontrou com o colombiano Abelardo de la Espriella, que assumiu a Presidência em agosto, com o equatoriano Daniel Noboa e, agora, com Keiko Fujimori, empossada no fim de julho. Os três governos adotam posições mais próximas às defendidas por Trump em temas como segurança, imigração e combate ao narcotráfico.</p>
<h2>Frente contra o narcotráfico</h2>
<p>A segurança foi o principal ponto de convergência da viagem. Na Colômbia, Rubio anunciou o reforço da cooperação com o governo de De la Espriella, que pediu apoio americano para modernizar equipamentos usados no combate ao narcotráfico, incluindo drones, radares e aeronaves.</p>
<p> O presidente colombiano também defendeu um novo programa inspirado no Plano Colômbia, iniciativa lançada no fim dos anos 1990 que recebeu bilhões de dólares em apoio dos Estados Unidos.</p>
<p>No Equador, Rubio anunciou que pedirá ao Congresso americano US$ 45 milhões em recursos adicionais para a segurança do país e confirmou o envio de uma embarcação da Guarda Costeira e cinco barcos interceptadores para a Marinha equatoriana. Washington também pretende destinar US$ 10 milhões para ações contra mineração ilegal, recrutamento por organizações criminosas e operações de financiamento ilícito.</p>
<p>Durante a visita a Quito, Rubio classificou o grupo criminoso Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira. </p>
<p>A medida restringe o acesso da organização ao sistema financeiro americano e amplia as possibilidades de ação dos Estados Unidos contra seus integrantes. Segundo o governo americano, o grupo está envolvido com narcotráfico e outras atividades criminosas e ficou conhecido internacionalmente após a invasão de uma emissora de televisão equatoriana durante uma transmissão ao vivo, em 2024.</p>
<p>Rubio também defendeu a estratégia militar americana contra o tráfico de drogas na região. A campanha dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar drogas já matou mais de 220 pessoas em operações realizadas ao longo do último ano, segundo a Reuters. Em Quito, o secretário afirmou que Washington passou a privilegiar operações conjuntas com governos aliados, mas manteve a possibilidade de ataques militares contra embarcações consideradas ameaças.</p>
<p>O secretário americano aproveitou ainda a passagem pelo Equador para fazer críticas à esquerda latino-americana. Questionado sobre o risco de uma reação política às ações de Washington, Rubio afirmou que governos de esquerda "destruíram" países da região e associou esses grupos a organizações ligadas ao narcotráfico.</p>
<p>"Podemos enfrentar essa ameaça em parceria com outros presidentes e outros líderes desta região que pensam da mesma forma", disse Rubio, em uma referência à aproximação dos Estados Unidos com governos que compartilham sua visão sobre segurança.</p>
<h2>Disputa por influência</h2>
<p>Por trás da agenda de segurança, a viagem também serviu para reforçar a disputa de Washington com Pequim pela influência política e econômica na América Latina. Na Colômbia, Rubio tratou de acordos envolvendo minerais críticos e cooperação nuclear civil, enquanto os Estados Unidos pressionam o novo governo a reduzir a dependência de investimentos chineses em setores considerados estratégicos.</p>
<p>No Peru, a questão é ainda mais sensível, já que a China é o principal parceiro comercial do país e possui forte presença em setores como infraestrutura e mineração. Antes de chegar a Lima, Rubio criticou investimentos chineses no país e afirmou que projetos apoiados por Pequim poderiam representar riscos à transparência e à segurança de dados.</p>
<p>A própria escolha dos países visitados reforça esse componente da estratégia americana. Colômbia, Equador e Peru mantêm relações comerciais importantes com a China e, ao mesmo tempo, passaram recentemente a ser governados por líderes de direita mais próximos de Trump. Para Washington, a aproximação em áreas como defesa, energia, tecnologia e infraestrutura também pode funcionar como instrumento para reduzir o espaço ocupado por Pequim na região.</p>
<p>A embaixada chinesa no Peru reagiu à movimentação de Rubio antes da chegada do secretário a Lima. "O hemisfério ocidental não é o 'quintal' de ninguém", afirmou a representação diplomática em uma publicação nas redes sociais.</p>
<p>*Com informações da AFP</p>
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        <media:credit role="provider">White House/Divulgação</media:credit>
        <media:title>Marco Rubio, secretário de estado dos EUA</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>María Corina questiona acordo de petróleo entre Venezuela e EUA</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/maria-corina-questiona-acordo-de-petroleo-entre-venezuela-e-eua</link>
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      <pubDate>Fri, 04 Sep 2026 17:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, questionou o acordo de petróleo entre Estados Unidos e o governo interino de Delcy Rodríguez e ressaltou que as riquezas naturais da Venezuela pertencem à população, e não a um governo que considera ilegítimo.</p>
<p>Em vídeo divulgado na quinta-feira, 3, María Corina disse que esperou alguns dias para se pronunciar porque procurou reunir o máximo possível de informações sobre o acordo. Mesmo assim, afirmou que seu verdadeiro alcance ainda não está claro.</p>
<p>“Quem assina? O que realmente está sendo assinado? Quem coloca esse dinheiro? Quem dá as garantias? Como os venezuelanos serão beneficiados?”, questionou.</p>
<p>Anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump – e por Delcy – em 28 de agosto, o acordo prevê que os Estados Unidos tenham controle majoritário sobre uma nova empresa que administrará 17 campos de petróleo venezuelanos. São cerca de 65 bilhões de barris, equivalentes a aproximadamente 21% das reservas comprovadas do país.</p>
<p>María Corina afirmou compreender a “tristeza” e a “raiva” de venezuelanos diante da sensação de que outros estariam decidindo sobre os recursos do país em nome da população, mas sem consultá-la.</p>
<p>“O patrimônio do nosso solo não pertence a um regime ilegítimo. Pertence ao povo venezuelano”, declarou.</p>
<p>Ela defendeu a importância dos Estados Unidos para a recuperação econômica venezuelana. Segundo María Corina, o país é o principal parceiro de que a Venezuela necessita para desenvolver plenamente seu potencial estratégico.</p>
<p>Essa relação, acrescentou, torna ainda mais importante que os acordos sejam conduzidos com transparência, legalidade e eficiência.</p>
<h2>"Precisamos de muito mais do que dinheiro"</h2>
<p>O petróleo, nas palavras de María Corina, representa somente uma parte da reconstrução necessária na Venezuela. “Precisamos de investimentos colossais, mas também de muito mais do que dinheiro”, explicou.</p>
<p>Ela argumentou que, diante da atual fragilidade institucional do país, nenhum setor poderá funcionar isoladamente. A recuperação da indústria petrolífera depende também de eletricidade, infraestrutura, portos, segurança pessoal e jurídica, educação, tecnologia e de um sistema financeiro capaz de sustentar os investimentos.</p>
<p>Para María Corina, a Venezuela precisa ainda de um marco legal transparente, instituições técnicas independentes, licitações públicas e abertas, regras tributárias competitivas e estáveis, segurança jurídica e mecanismos de arbitragem internacional.</p>
<p>Além disso, a líder opositora afirmou que somente um governo democrático, com credibilidade e legitimidade, poderá oferecer a estabilidade necessária para investimentos dessa dimensão.</p>
<p>“Sabemos que não há desenvolvimento possível sem instituições sólidas e sem um governo eleito pelo voto popular”, disse.</p>
<p>María Corina também mencionou a eleição presidencial de 28 de julho de 2024, ressaltando que naquele dia “a nação falou com clareza”. A oposição venezuelana sustenta que Edmundo González venceu aquela disputa contra Nicolás Maduro.</p>
<p>Ela acrescentou que o país precisa recuperar simultaneamente suas instituições, serviços e condições para receber investimentos de longo prazo.</p>
<p>“Venezuela vale muito mais do que seu petróleo”, afirmou ao encerrar a mensagem.</p>
<h2>Para Trump, eleições vão levar mais tempo</h2>
<p>O vídeo de María Corina foi publicado um dia depois de Trump dizer que não considera a Venezuela preparada para realizar eleições.</p>
<p>Questionado a esse respeito na quarta-feira, 2, na Casa Branca, o presidente norte-americano respondeu que ainda é cedo para convocar os venezuelanos às urnas.</p>
<p>“Acho que eles ainda não estão prontos. É muito cedo. Nós os tiramos de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o novo governo”, disse.</p>
<p>O presidente afirmou que os Estados Unidos querem eleições e que Delcy Rodríguez também deseja realizá-las, mas insistiu que o país ainda não está preparado.</p>
<p>“Nós queremos [eleições] e eles querem. Delcy quer, mas ainda não estão prontos”.</p>
<p>Trump não se referiu a uma possível data para a realização da votação.</p>
<p>No mesmo dia, Delcy disse que haverá eleições, mas evitou indicar quando. “Eu não defino datas”, afirmou. Segundo a presidente interina, “haverá um processo eleitoral, mas nas condições em que a Venezuela estiver preparada”.</p>
<p>Delcy acrescentou que o trabalho de seu governo é fazer com que o país esteja pronto “quando chegar a hora de realizar seu processo eleitoral”.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Instagram</media:credit>
        <media:title>maria corina</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Acordo dá aos EUA controle sobre 21% das reservas de petróleo da Venezuela</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/eua-controle-reservas-petroleo-venezuela</link>
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      <pubDate>Wed, 02 Sep 2026 22:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um acordo entre Estados Unidos e Venezuela dará aos norte-americanos  controle majoritário sobre 17 campos que concentram 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo — cerca de 21% de todo o volume conhecido no subsolo venezuelano.</p>
<p>O acerto foi anunciado nesta sexta-feira, 28, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Pouco depois, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou o acordo em comunicado publicado em seu perfil no Instagram.</p>
<p>Trump afirmou na rede Truth Social que os Estados Unidos garantiram o “controle majoritário” de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas venezuelanas, em uma parceria com o setor privado e “sem qualquer custo para o contribuinte norte-americano”.</p>
<p>A Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas, uma das maiores do mundo.  O país, no entanto, produz atualmente cerca de 1,25 milhão de barris por dia.</p>
<h2>17 campos e US$ 100 bilhões em investimentos</h2>
<p>No comunicado veiculado no Instagram, Delcy declarou que o acordo permitirá “aumentar consideravelmente a produção de petróleo com a participação de operadores privados”.</p>
<p>Conforme o comunicado, estão previstos o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com potencial comprovado de 65 bilhões de barris, mais de US$ 100 bilhões em investimentos e mais de US$ 209 bilhões em tributos para o Estado venezuelano.</p>
<p>Delcy afirmou que os recursos contribuirão para “a recuperação e modernização de nossa indústria” e para o crescimento econômico do país. De acordo com ela, o objetivo é colocar as reservas venezuelanas “a serviço do desenvolvimento nacional”, com geração de empregos e aumento da renda dos trabalhadores.</p>
<p>O país ainda enfrenta os  efeitos dos terremotos de 24 de junho, que deixaram mais de 6,3 mil mortos . O Banco Mundial estima que  a reconstrução da Venezuela poderá custar até US$ 50 bilhões .</p>
<h2>Como será o controle dos EUA</h2>
<p>Os 65 bilhões de barris não serão transferidos para os Estados Unidos. O número representa o petróleo que se estima existir no subsolo dos campos incluídos no acordo.</p>
<p>O  Washington Post  reportou ter ouvido de autoridades do governo que  os Estados Unidos serão sócios majoritários de uma nova empresa petrolífera que terá contratos de 100 anos para atuar nos campos venezuelanos . O arranjo dará aos norte-americanos controle sobre uma parcela significativa das reservas do país.</p>
<p>Os termos jurídicos e financeiros do acordo não foram tornados públicos. O anúncio de Trump não identificou os 17 campos nem detalhou todas as empresas privadas que participarão do projeto.</p>
<p>A dimensão do negócio também aparece no comunicado venezuelano. Enquanto Trump enfatiza o controle norte-americano sobre as reservas,  Delcy apresenta o acordo como uma forma de atrair capital para recuperar a indústria petrolífera do país.  Ela defendeu que a iniciativa facilitará “um importante fluxo de investimentos” para reconstruir a infraestrutura estratégica do setor.</p>
<h2>Petróleo venezuelano ganha importância para os EUA</h2>
<p>O acordo ocorre em meio à  crise no mercado de energia provocada pela  guerra contra o Irã, iniciada há seis meses por Estados Unidos e Israel.  O conflito reduziu drasticamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás, e mantém os preços dos combustíveis pressionados.</p>
<p>O barril do Brent permanece em torno de US$ 90, cerca de 25% acima do nível anterior à guerra. O impacto é maior sobre os combustíveis: nos Estados Unidos, o preço da gasolina subiu aproximadamente 30% em um ano.</p>
<p>O acerto entre Venezuela e Estados Unidos acontece também em mais um cenário de pressão sobre Trump, a poucos meses das eleições legislativas de novembro. O presidente enfrenta desgaste na opinião pública.</p>
<p>Trump declarou que o negócio “mais que duplica” as reservas petrolíferas norte-americanas. Os 65 bilhões de barris, porém, não devem ser confundidos com a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos.</p>
<p>A reserva estratégica é formada por petróleo já extraído e armazenado pelo governo para situações de emergência.</p>
<p>Desde a operação militar norte-americana que capturou Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, e o levou para os Estados Unidos, Washington vem ampliando sua influência sobre o setor petrolífero venezuelano.  O petróleo ocupa papel central na relação estabelecida entre o governo Trump e a administração interina de Delcy.</p>
<p>Matéria atualizada 02/09/2026 às 19h52</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>O Brasil tem um lugar especial no tarifaço de Trump. Como isso está funcionando?</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/o-brasil-tem-um-lugar-especial-no-plano-de-tarifas-de-trump-como-isso-esta-funcionando</link>
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      <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Seis meses após a Suprema Corte dos Estados Unidos declarar inconstitucionais as tarifas drásticas originais de Donald Trump, as taxas revisadas redefiniram os termos do comércio internacional.</p>
<p>A decisão deveria ser um marco de recomeço. Em vez disso, a Casa Branca reconstruiu quase toda a barreira tarifária sobre diferentes bases legais em questão de cinco meses e, em alguns casos, elevou ainda mais os patamares. </p>
<p>Para os exportadores do Global South, a diferença prática tem sido menos sobre a alíquota paga e mais sobre a certeza de que as taxas vieram para ficar.</p>
<p>A maioria dos economistas concorda que as medidas configuram um cenário em que "todos perdem".</p>
<p>"Em geral, tarifas são ruins para todos. São ruins para os Estados Unidos e ruins para o resto do mundo”, observa Marcelo Estêvão, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF). “Assim como os preços mais altos do petróleo, elas constituem um choque, mas o impacto desse choque varia de país para país".</p>
<p>Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte derrubou as tarifas recíprocas do "Dia da Libertação", impostas em abril de 2025. A equipe do presidente Trump reagiu imediatamente com novas medidas.</p>
<p>O efeito líquido, segundo o Budget Lab da Universidade Yale, é uma taxa tarifária estatutária média dos EUA de 11% em 11 de agosto de 2026, a caminho de atingir 11,8% até o final do ano – patamar próximo ao registrado antes da intervenção da Suprema Corte. </p>
<p>Desconsiderando o pico de 2025, o Budget Lab aponta que esse é o nível mais alto desde o início da década de 1940.</p>
<p>E quando a maior economia do mundo levanta barreiras, poucos países saem ilesos.</p>
<p>A atualização de julho de 2026 do  World Economic Outlook  do FMI projeta o crescimento global em 3,0% em 2026, com uma recuperação para 3,4% em 2027 — contra uma média de 3,5% no biênio 2024-2025. </p>
<p>O crescimento do volume do comércio mundial deve cair para 3,5% este ano, ante os 5,0% registrados em 2025.</p>
<h2>Brasil: alvo específico e em adaptação</h2>
<p>Em princípio, as nações mais afetadas são grandes exportadores cujos líderes se recusaram a se alinhar ao presidente dos Estados Unidos.</p>
<p>Perto do topo da lista está o Brasil, enfrentando uma alíquota nominal de até 37,5%, a mais alta entre as grandes economias, fora a China. </p>
<p>Por ser um país que registra déficit comercial com os EUA, o Brasil também é um caso único, porque suas tarifas originais foram explicitamente vinculadas a eventos políticos, e não comerciais. No caso, o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>
<p>As medidas impactam de forma desigual. Cerca de dois terços das exportações brasileiras para os EUA escapam totalmente dos novos impostos. Café, suco de laranja, carne bovina, cacau, aeronaves, petróleo e minério de ferro foram todos excluídos para proteger os consumidores estadunidenses.</p>
<p>O que permanece sob alcance das tarifas é a produção industrial de maior valor agregado: máquinas, equipamentos elétricos, pneus, açúcar, vestuário, granito e ouro.</p>
<p>Em certos setores, o impacto tem sido severo.</p>
<p>"Para nós, o tarifaço é um problema estrutural e extremamente significativo", explica André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). "Em alguns casos, está inviabilizando a continuidade da produção."</p>
<p>Isso ocorre porque o Brasil não é atingido apenas pelo impacto direto dos custos mais altos para exportar. </p>
<p>O país também sofre à medida que fabricantes chineses, enfrentando desafios semelhantes, redirecionam sua produção e inundam o mercado brasileiro, a ponto de as importações responderem agora por metade do consumo interno.</p>
<p>A Abiquim estima que as tarifas custem à indústria US$ 133 milhões por ano. A situação seria ainda pior, segundo Cordeiro, se não fossem as medidas governamentais para manter tarifas sobre importações chinesas e apoiar o setor por meio do programa de suporte financeiro Brasil Soberano.</p>
<p>Outro setor fortemente atingido foi o de calçados, cujas empresas brasileiras já enfrentavam uma concorrência acirrada com fabricantes do Vietnã, Indonésia e China. </p>
<p>Em julho, a indústria importou mais do que vendeu para o exterior pela primeira vez desde o início dos registros, há 29 anos. As exportações caíram 18% em valor nos primeiros sete meses de 2026.</p>
<p>"Diante da perspectiva de queda nas exportações, tornou-se ainda mais urgente a adoção de salvaguardas e outros instrumentos de defesa comercial para proteger o mercado interno do aumento expressivo e prejudicial das importações", disse Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), ao  Global South World .</p>
<p>Esses números afetam empresas e trabalhadores diariamente. Os líderes de ambos os grupos setoriais pediram ao governo que amplie as medidas de apoio já existentes para proteger os empregos.</p>
<h2>A guinada para o Oriente</h2>
<p>Embora outros setores também tenham sofrido perdas expressivas, a economia em geral demonstrou relativa resiliência, à medida que os exportadores encontraram novos mercados fora dos Estados Unidos.</p>
<p>O redirecionamento foi rápido e mensurável. No primeiro semestre de 2026, os EUA absorveram apenas 9,4% das exportações brasileiras – a menor fatia desde o início da série histórica em 1997, abaixo dos 12,1% registrados um ano antes. </p>
<p>As vendas para os EUA caíram 13%, somando US$ 17,4 bilhões, mesmo com o crescimento de 11,5% nas exportações totais do Brasil. China, Índia e Marrocos registraram fortes altas como destinos das exportações brasileiras.</p>
<p>"O impacto no PIB e na inflação foi o menor possível", nota Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. "A diversificação é necessária. O Brasil não pode continuar dependente dos Estados Unidos. Não vejo isso como algo prejudicial. Pelo contrário, penso que é positivo para o Brasil."</p>
<p>Agostini afirma que a competitividade do Brasil no comércio global permite ao país encontrar novos compradores para os bens que não seguem mais rumo ao Norte.</p>
<p>No fim das contas, o maior perdedor dessa guerra comercial pode ser os próprios Estados Unidos. O Budget Lab de Yale estima que as tarifas atualmente em vigor custam à família norte-americana média cerca de US$ 1.100 por ano.</p>
<p>"Politicamente, o tiro saiu pela culatra para Donald Trump. Ele atacou a democracia brasileira e viu que não há nada que a desestabilize. O resultado foi altamente negativo, e é por isso que seus índices de rejeição vêm aumentando", conclui Agostini.</p>
<p>Estêvão, do IIF, concorda: "A situação não é boa para a América Latina, mas creio que seja pior para os Estados Unidos no longo prazo. Alianças e relações econômicas estão mudando. Se a região continuar sendo empurrada nessa direção, os países terão um incentivo ainda maior para diversificar sua dependência."</p>
<h4>Leia também: </h4>
<p>Lula e Trump conversam sobre tarifaço e acertam retomada de negociações</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>estados-unidos-brasil</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Duncan Hooper, Carlos Eduardo Vasconcellos, Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Lula e Trump conversam sobre tarifaço e acertam retomada de negociações</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/lula-trump-tarifaco-retomada-negociacoes</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/lula-trump-tarifaco-retomada-negociacoes?feed=Donald%20Trump</guid>
      <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 17:27:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O  presidente Luiz Inácio Lula da Silva  telefonou na manhã desta sexta-feira, 21, para o  presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.  Um dos temas da conversa, que durou  uma hora e 20 minutos , foi o tarifaço. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a ligação “transcorreu em tom amistoso e cordial”.</p>
<p>No fim de julho foram  impostas novas tarifas ao Brasil após investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos  (USTR, na sigla em inglês). Lula enfatizou, na conversa ao telefone, que  as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas.</p>
<p>Lula comentou que  as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos . Ele afirmou, de acordo com a nota do Planalto, que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. O presidente reiterou também a importância de trabalharem juntos “para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”.</p>
<p>A nota diz que Trump concordou com a necessidade de  preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.</p>
<p>O USTR anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros nos termos da investigação aberta pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O tarifaço passou a valer no dia 22 de julho. Depois, impôs outra de 12,5%, que entrou em vigor no dia 24. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a alíquota chega a 37,5%.</p>
<p>Entre os produtos taxados nesta nova onda de tarifas estão  calçados, máquinas e equipamentos, móveis, açúcar e etanol.</p>
<h2>Combate ao crime organizado</h2>
<p>O presidente brasileiro manifestou o interesse na  cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado.  Lula afirmou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Ressaltou que o país tem instrumentos para enfrentar as facções sem precisar de classificação especial para designá-las.</p>
<p>Na conversa, Lula disse que há planos de t ransformar 138 presídios em prisões de segurança máxima . Também mencionou a criação do  Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia , em Manaus, que reúne oficiais dos países amazônicos.</p>
<p>Por sua vez, Trump teria se disposto a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar andamento aos entendimentos na área.</p>
<p>Além disso, de acordo com a nota, os dois presidentes – que se encontraram pessoalmente na Casa Branca em maio – trocaram  impressões sobre conflitos como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio . Ambos teriam concordado sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para as questões entre Rússia e Ucrânia.</p>
<p>Trump comentou sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã – que completará seis meses na próxima sexta-feira, 28. E Lula lamentou a  inoperância do Conselho de Segurança da ONU . Ele propôs a convocação de uma reunião extraordinária da entidade para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. Conforme a nota do Palácio do Planalto, o presidente brasileiro declarou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.</p>
<h2>Reciprocidade</h2>
<p>No dia 13 de agosto, o governo federal anunciou a  abertura formal do processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade . Ela foi sancionada no ano passado, após Trump impor o primeiro tarifaço ao país.</p>
<p>A abertura não significa que o país tenha decidido aplicar imediatamente medidas de retaliação contra produtos norte-americanos. </p>
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    <item>
      <title>Com Lei da Reciprocidade, Brasil inicia processo para reagir a tarifas dos EUA</title>
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      <pubDate>Fri, 14 Aug 2026 15:40:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O governo federal anunciou na noite de quinta-feira, 13, a abertura formal do  processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos contra exportações brasileiras será respondida com base na  Lei da Reciprocidade . Ela foi sancionada no ano passado, após o presidente Donald Trump impor o primeiro tarifaço ao país.</p>
<p>A abertura não significa que o Brasil tenha decidido aplicar imediatamente contratarifas ou outras medidas de retaliação contra produtos norte-americanos. Neste momento, o governo inicia uma análise formal para verificar se as medidas dos EUA justificam a adoção de respostas previstas na legislação brasileira.</p>
<p>O Palácio do Planalto informou que o procedimento foi iniciado a partir do  compartilhamento do pedido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) com os demais integrantes de seu Comitê-Executivo de Gestão.  Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores notificará o governo dos Estados Unidos e solicitará a abertura de consultas diplomáticas.</p>
<p>Essas consultas, segundo comunicado do governo, “visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais".</p>
<p>O governo de Donald Trump anunciou no dia 15 de julho que aplicaria uma  tarifa adicional de 25%,  com entrada em vigor no dia 22 de julho. Depois,  impôs outra de 12,5% , que entrou em vigor no dia 24. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a alíquota chega a 37,5%.</p>
<p>Foram taxados exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.</p>
<p>Em vigor desde o fim do mês passado,  as tarifas atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras ao mercado norte-americano , de acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.</p>
<p>Ao podcast  Não Inviabilize , o  presidente Luiz Inácio Lula da Silva  declarou nesta sexta-feira, 14: "Entramos com a Lei da Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa. Mas estou muito tranquilo. Estou preparado para debater defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra".</p>
<h2>Lei de Reciprocidade</h2>
<p>Aprovada no ano passado, justamente em reação ao primeiro tarifaço de Trump, a Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.</p>
<p>Dentre as possíveis medidas, o país poderá impor tributos ou taxas, acabar com isenções ou redução de valores de tarifas de importação, ou ainda restringir importações de bens ou serviços.  Pela lei, as contramedidas devem ser, na medida do possível, aplicadas na mesma proporção do prejuízo econômico causado por outro país ou bloco econômico ao Brasil.</p>
<p>"As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", prossegue a nota emitida pelo Planalto.</p>
<h2>OMC</h2>
<p>O governo federal já havia apresentado um  pedido de consultas por meio do sistema de solução de controvérsias na Organização Mundial do Comércio (OMC),  argumentando que as tarifas aplicadas são "inconsistentes" com as regras definidas pela entidade. Na segunda-feira, 10, os Estados Unidos aceitaram o pedido participar das consultas na OMC.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Ascom/ Casa Civil</media:credit>
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      <title>Estreito de Ormuz em compasso de espera; ameaças rondam acordo</title>
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      <pubDate>Tue, 04 Aug 2026 16:17:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo, entraram em fase decisiva, mas ainda há muitas incertezas quanto a um acordo. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que há possibilidade de um acordo com o Irã ser alcançado ainda nesta terça-feira, 4, ou na quarta-feira, 5. Ao mesmo tempo, declarações de líderes dos dois países e divergências sobre o controle da passagem mostram que o entendimento ainda está longe de ser garantido.</p>
<p>"Estamos em negociações com os iranianos, e acho que há uma chance de chegarmos a um acordo para abrir o estreito e avançarmos em direção a uma situação mais normalizada neste conflito", disse Bessent em entrevista à CNBC.</p>
<p>O principal impasse continua sendo quem exercerá autoridade sobre a via marítima. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters nesta terça-feira, 4, Teerã negocia com Omã um modelo que lhe daria controle sobre todo o tráfego de entrada de navios comerciais no estreito, além de visibilidade sobre as embarcações que deixam a região e poder para intervir quando considerar necessário.</p>
<p>Pela proposta em discussão, a autorização para saída dos navios seria concedida por Omã, mas apenas após notificação às autoridades iranianas. A mesma fonte afirmou que o Irã dificilmente aceitará qualquer alternativa que não preserve esse nível de controle. No fim de semana, Teerã informou que o plano conjunto com Omã havia entrado na etapa final de negociações.</p>
<p>Os Estados Unidos, por outro lado, defendem que a navegação seja restabelecida sem restrições e rejeitam qualquer arranjo que reconheça soberania exclusiva iraniana sobre a rota, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.</p>
<h2>Guerra de versões</h2>
<p>Enquanto diplomatas tentam destravar as negociações, Washington e Teerã mantêm discursos conflitantes. Na segunda-feira, 3, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, salientou que as conversas representam a "última chance" para que o Irã aceite um acordo. Ele chegou a dizer que pretendia dar a Teerã "todas as últimas chances antes da decapitação" e acusou a liderança iraniana de enviar sinais contraditórios ao solicitar reuniões reservadas enquanto negava publicamente qualquer negociação.</p>
<p>Trump também declarou que o bloqueio ao Estreito de Ormuz seria mantido até que houvesse um entendimento ou a "rendição total" do governo iraniano. Nesta terça-feira, 4, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o país defenderá seu território, mas não pretende ampliar a guerra no Oriente Médio.</p>
<h2>Estoques de mísseis aumentam pressão</h2>
<p>Outro fator reforça a pressão por uma solução diplomática. Segundo reportagem da Reuters, o exército dos Estados Unidos consumiu grande parte de seus estoques de mísseis táticos de longo alcance durante os cinco meses de guerra contra o Irã.</p>
<p>Entre as armas mais utilizadas estão os ATACMS e os Precision Strike Missile (PrSM), sistemas empregados em ataques de precisão e considerados estratégicos também para outros cenários militares, como um eventual confronto envolvendo a China.</p>
<p>De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias, líderes militares norte-americanos vêm alertando a Casa Branca há semanas sobre a redução dos estoques de munições de alta precisão e de sistemas defensivos, como os interceptadores Patriot. Uma autoridade do governo, contudo, contestou que esse tenha sido o principal motivo para a suspensão de uma nova ofensiva de grande escala, atribuindo a decisão também à pressão exercida por aliados dos Estados Unidos no Golfo.</p>
<p>Aparentemente, as negociações seguem em andamento e ainda não há consenso sobre o futuro do Estreito de Ormuz nem sobre o modelo de gestão da rota marítima.  </p>
<h2>Mudanças de postura de Trump após suas ameaças contra o Irã</h2>
<p>Donald Trump fez algumas das ameaças públicas mais agressivas de ação militar já feitas por um presidente dos Estados Unidos na história recente. No entanto, também voltou atrás em muitas delas.</p>
<p>As declarações do presidente republicano sobre a guerra contra o Irã mudaram de forma dramática e rápida em várias ocasiões desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.</p>
<p>Ele declarou repetidamente vitória ao afirmar que as capacidades militares iranianas tinham sido completamente derrotadas, para depois alterar o cronograma da guerra ou ameaçar Teerã com novos ataques.</p>
<p>Em 17 de junho, Trump elogiou os novos líderes iranianos como "muito inteligentes" e "muito menos radicalizados" do que seus antecessores, mortos em ataques aéreos americanos e israelenses.</p>
<p>No entanto, o presidente norte-americano demonstrou frustração em 8 de julho quando disse que "não queria mais lidar com eles" porque "são lixo".</p>
<p>A AFP reuniu alguns exemplos de ameaças de Trump contra o Irã e de como ele posteriormente suavizou sua posição.</p>
<p>21 de março</p>
<p>"Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos atacarão e destruirão suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR DELAS!"</p>
<p>A ameaça de Trump, publicada em sua plataforma Truth Social, causou impacto porque um ataque deliberado contra usinas de energia, consideradas infraestrutura civil essencial, é amplamente visto como crime de guerra.</p>
<p>23 de março</p>
<p>Dois dias depois, Trump prorrogou o prazo em cinco dias, citando "conversas muito boas e produtivas" com o Irã. Em seguida, suspendeu o "período de destruição das usinas de energia por 10 dias", até 6 de abril, alegando que havia negociações diplomáticas em andamento.</p>
<p>5 de abril</p>
<p>Com o prazo da prorrogação de 10 dias chegando ao fim, Trump publicou uma mensagem repleta de palavrões no Domingo de Páscoa:</p>
<p>"Abram a porra do estreito, seus bastardos malucos, ou vão viver no inferno."</p>
<p>Ele concluiu a mensagem dizendo: "Louvado seja Alá."</p>
<p>7 de abril</p>
<p>"Toda uma civilização morrerá esta noite, para jamais ser recuperada", anunciou Trump em uma publicação que muitos interpretaram como uma ameaça de aniquilar o Irã e sua população de cerca de 90 milhões de habitantes.</p>
<p>7 de abril, horas depois</p>
<p>"Aceito suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas", disse Trump, ao aprovar uma proposta de trégua apresentada pelos mediadores da guerra após conversar com líderes do Paquistão.</p>
<p>11 de junho</p>
<p>"Os Estados Unidos atacarão o Irã... MUITO DURAMENTE ESTA NOITE" e "em algum momento em um futuro não muito distante tomaremos a ilha de Kharg" e outras instalações da infraestrutura petrolífera, publicou Trump na Truth Social.</p>
<p>11 de junho, cinco horas depois</p>
<p>Cinco horas depois, Trump afirmou que "cancelou os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite", citando avanços nas negociações para alcançar um acordo destinado a encerrar a guerra.</p>
<p>Em junho, foi assinado um acordo provisório para pôr fim aos combates, mas, um mês depois, o conflito voltou a se intensificar.</p>
<p>O Irã atacou instalações americanas no Oriente Médio, enquanto Washington bombardeou defesas costeiras iranianas e passou a incluir entre seus alvos pontes e outras infraestruturas.</p>
<p>31 de julho</p>
<p>"Nós vamos atingi-los com muita força, e eles sabem que, em algum momento, vão dizer: 'Não aguentamos mais isso'", afirmou Trump durante uma reunião de gabinete na sexta-feira.</p>
<p>1º de agosto</p>
<p>"O Irã e outros países do Oriente Médio acabaram de nos pedir para adiar qualquer ataque", disse Trump. Ele acrescentou que "os parâmetros de um acordo foram aceitos".</p>
<p>A imprensa estatal iraniana negou categoricamente que a República Islâmica tivesse feito tal pedido.</p>
<p>Com AFP</p>
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        <media:title>USS Delbert D. Black (DDG 119) Fires a Tomahawk Land Attack Missile</media:title>
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    </item>
    <item>
      <title>Ceticismo com o futuro marca os 250 anos dos EUA em meio aos arroubos de Donald Trump</title>
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      <pubDate>Sun, 05 Jul 2026 16:34:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O aniversário de 250 anos dos Estados Unidos, celebrado neste 4 de julho de 2026, ocorre sob a sombra de um profundo ceticismo popular. Segundo dados recentes do Pew Research Center, 69% dos cidadãos rejeitam a atual trajetória do país e se dizem insatisfeitos com os rumos nacionais. Esse cenário de descontentamento levanta o debate entre historiadores e analistas políticos sobre se a potência enfrenta um ciclo histórico de crises — como os observados nos marcos de 1876 e 1976 — ou se vivencia uma ruptura institucional definitiva. </p>
<p>Em meio a esse cenário, a comemoração da independência na noite de sábado, 4, no National Mall, em Washington, foi emblemática do momento em que a nação mais rica e poderosa do planeta se vê. Em seu discurso comemorativo feito a uma plateia formada basicamente por apoiadores (muitos deles radicais suprematistas), o presidente Donald Trump  reforçou o caráter divisionista, polarizador e bélico de seu gestão. Trump classificou os Estados Unidos como a "maior conquista da história da humanidade", atacou opositores políticos, rotulando-os como "comunistas", e citou as guerras da Coreia e do Vietnã como exemplos de combate a essa ideologia. O presidente também mencionou operações militares contra Irã e Venezuela. O discurso teve duração de cerca de 45 minutos.</p>
<h2>Confiança saturada</h2>
<p>A atual atmosfera de pessimismo contrasta drasticamente com o Bicentenário de 1976. Naquela época, o fim da Guerra do Vietnã foi recebido como um alívio que preservou o otimismo da população. Historiadores apontam que a sucessão ininterrupta de conflitos armados desde então saturou a confiança pública. Além disso, o próprio feriado da independência parece ter perdido o caráter unificador de outrora, sendo preterido por celebrações de teor mais comunitário, como o Dia de Ação de Graças. A percepção geral é de que os melhores anos da América ficaram para trás, e o otimismo para o futuro imediato estagna na marca dos 50%.</p>
<p>A governança contemporânea é apontada como o principal catalisador desse distanciamento. O estilo altamente polarizador do presidente Donald Trump tem tensionado o tecido social e impedido os tradicionais discursos de unidade nacional. Críticos e defensores convergem em um ponto: o país passa por um realinhamento partidário drástico. O antigo modelo bipartidário do pós-guerra, caracterizado por alas moderadas em ambos os espectros, deu lugar a uma dinâmica de "tudo ou nada". O Partido Republicano consolidou-se em uma vertente puramente conservadora, enquanto o Partido Democrata tornou-se dominado por correntes progressistas e liberais.</p>
<p>Essa fratura refletiu-se na organização do jubileu de 250 anos. A iniciativa oficial, batizada de  Freedom 250 , enfrentou boicotes de estados liderados por democratas, que acusam a Casa Branca de instrumentalizar o 4 de julho. A oposição aponta para uma personalização sem precedentes das festividades, exemplificada por grandes comícios no National Mall e pela cunhagem de moedas de ouro com a efígie do mandatário — o que críticos classificam como um flerte com contornos monárquicos. Por outro lado, analistas alinhados ao governo minimizam os boicotes como disputas partidárias ordinárias, argumentando que a maioria dos americanos enxerga a data apenas como um feriado tradicional de lazer.</p>
<h2>Pessimismo entre os jovens</h2>
<p>O fosso geracional é outro fator crítico na erosão do pacto social. A juventude americana, historicamente associada ao idealismo e à liderança de movimentos de progresso, desligou-se do relato nacional. Pesquisas demográficas indicam que apenas 43% dos jovens com menos de 30 anos acreditam na melhoria das relações raciais no país, em comparação a 58% entre os mais idosos. O otimismo jovem quanto à eficácia do governo federal também despencou para 37%. Esse distanciamento é alimentado por fatores econômicos, como a crise de habitação e a concentração de riqueza nas mãos de bilionários, tornando o tradicional "Sonho Americano" financeiramente inalcançável. Em resposta, as alas jovens da esquerda têm se radicalizado ideologicamente, adotando pautas antisionistas e discursos de matriz socialista que colidem frontalmente com as gerações mais velhas.</p>
<p>No cenário internacional, as divisões internas projetam instabilidade e afetam a credibilidade diplomática de Washington. A política externa norte-americana na região do Oriente Médio, por exemplo, tem sido descrita como caótica. A recente assinatura de um protocolo de acordo em Versalhes com o governo do Irã — cujo cumprimento exige um hiato de 60 dias — gerou insatisfação generalizada: falhou em acalmar o eleitorado doméstico que rejeita gastos militares externos, minou a confiança de Israel na liderança americana e não trouxe garantias efetivas contra o programa nuclear de Teerã. Enquanto assessores presidenciais garantem que o governo mantém níveis recordes de aprovação e que agirá militarmente no Estreito de Ormuz se necessário, aliados europeus já começam a buscar maior autonomia de defesa devido ao descrédito em relação às garantias de assistência mútua da OTAN.</p>
<p>Apesar do diagnóstico de crise institucional, os Estados Unidos mantêm um paradoxo psicológico que historicamente garante a sua resiliência. Enquanto o desespero coletivo com as instituições atinge índices recordes, 54% dos americanos declaram-se individualmente felizes e esperançosos com o próprio futuro. Especialistas associam essa blindagem emocional ao forte senso de individualismo arraigado desde 1776, onde o fracasso econômico ou social não é visto como uma condenação definitiva, mas como um preâmbulo para a reinvenção pessoal. A grande incógnita para os próximos anos é saber se essa capacidade individual de recuperação será suficiente para suturar as fraturas estruturais de uma nação dividida entre a centro-direita e a centro-esquerda.</p>
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        <media:title>250 anos dos Estados Unidos</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Livro analisa a independência americana, que comemora 250 anos sob Donald Trump</title>
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      <pubDate>Fri, 03 Jul 2026 21:31:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os Estados Unidos comemoram seu 250 anos de independência em um momento inusitado. Em várias de suas metrópoles, times e torcidas vindos de países dos quatro cantos do mundo (entre eles, o Brasil) celebram a maior Copa de Mundo da Fifa já realizada —  e atualmente prestes a começar a fase de oitavas de finais. </p>
<p>Em Washington, o presidente Donald Trump tentou preparar um cenário para uma festa estrondosa, mas que não parece estar dando muito certo. Sua reforma do espelho de água em frente ao Memorial de Abraham Lincoln foi um desastre e a festa que está realizando já há alguns dias no Mall tem atraído apenas uma ínfima parte do público esperado. </p>
<p>Nesse cenário, cabe uma reflexão sobre o que foi a independência dos Estados Unidos e seu significado para a história ocidental como conhecemos hoje.</p>
<p>Tal análise pode ser encontrada em um livro recém-lançado na França, escrito por um dos maiores especialistas do país. Trata-se de " 1776: O ano americano"  ("1776: L'année américaine", EditoraTallandier, 616 páginas ainda sem previsão de tradução ou lançamento no Brasil). </p>
<p>No livro, o historiador Bertrand Van Ruymbeke, professor de civilização e história americanas na Universidade Paris 8 e membro sênior do Instituto Universitário da França, um dos maiores especialistas franceses em relações transatlânticas entre a Europa e a América do Norte, entrega uma obra que foge do romance heroico e linear para mergulhar nas entranhas de um dos movimentos políticos mais complexos da história moderna. No livro, o leitor é convidado a abandonar o mito do "rio calmo e longo" e a encarar a história em sua escala mais crua e documental.</p>
<p>Em " 1776: O ano americano" , Van Ruymbeke abre a narrativa com o início da carreira de Benjamin Franklin e a explosiva Boston Tea Party, em 1773. O verdadeiro trunfo do autor está em sua perspectiva transatlântica. A abordagem não se isola no solo americano; ela costura um intrincado tabuleiro de xadrez diplomático que conecta os bastidores inflamados da Filadélfia, os gabinetes obstinados de Londres e os salões calculistas de Versalhes. </p>
<p>É nesse vaivém geográfico que descobrimos como a independência americana foi moldada tanto pelo idealismo dos colonos quanto pelo pragmatismo francês — personificado por Charles Gravier de Vergennes, ministro de Luís XVI, que viu na revolta a oportunidade perfeita para sangrar economicamente a rival Inglaterra.</p>
<h2>Detalhamento e erudição</h2>
<p>O grande mérito da obra reside no seu rigor quase cirúrgico. Van Ruymbeke não reconstrói o período com base em generalizações históricas, mas sim através da multiplicação e cruzamento meticuloso de fontes primárias compostas por diários oficiais, relatórios confidenciais, correspondências íntimas entre partidários e opositores do movimento separatista e relatos de diplomatas, pessoas comuns e espiões que operavam nas sombras.</p>
<p>Figuras colossais como Thomas Jefferson, John Adams, George Washington e o rei George III são analisadas sob uma ótica humana e multifacetada. No entanto, tamanha precisão científica cobra o seu preço do leitor comum. O livro exige uma atenção sustentada e fôlego. São 548 páginas de uma exegese densa de memórias e recortes de imprensa da época, sustentadas por impressionantes 68 páginas de referências bibliográficas e índices. Não se trata de uma leitura de aeroporto, mas de uma verdadeira suma informativa sobre os anos de fricção que antecederam o 4 de julho.</p>
<p>Com isso, "1776: O ano americano" consolida-se imediatamente como uma nova obra de referência historiográfica. Ao destrinchar os laços de todos os atores envolvidos — sem esquecer praticamente nenhum —, Van Ruymbeke entrega um ensaio brilhante, embora assumidamente direcionado a um público iniciado, advertido e apaixonado por história política. Quem se dispuser a vencer a densidade de suas páginas fechará o volume com a certeza de ter testemunhado, através dos olhos de especialistas, o momento exato em que o destino do mundo ocidental mudou de rumo.</p>
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        <media:title>Independência americana</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Piscinão do Trump: reforma milionária em monumento dos EUA vira dor de cabeça</title>
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      <pubDate>Tue, 23 Jun 2026 18:55:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O espelho d'água do Lincoln Memorial, um dos principais monumentos de Washington, nos EUA, tem gerado problemas para o governo de Donald Trump.</p>
<p>Poucos dias após uma reforma de  14 milhões de dólares  conduzida pelo Departamento do Interior, a tinta utilizada na pintura começou a descascar e se misturar com algas que se proliferaram no local.</p>
<p>Essa combinação  resultou em uma água turva de cor acinzentada, muito diferente do azul translúcido que havia sido planejado.</p>
<p>A referência para o novo azul desejado por Trump e sua equipe foi a cor da própria bandeira americana, já que a reforma foi feita como parte das comemorações dos 250 anos da independência do país.</p>
<h2>Trump acusa 'vandalismo'</h2>
<p>Em resposta às críticas, Donald Trump afirmou, sem provas, que o espelho d'água foi vandalizado e que “muitas pessoas” já haviam sido presas por isso. "Produtos químicos foram colocados ilegalmente na água", escreveu Trump em sua rede social Truth Social.</p>
<p>Uma das prisões divulgadas foi a do canoísta olímpico canadense David Hearn, no último dia 19. Hearn negou as acusações e afirmou que apenas tocou o revestimento do monumento. "Toquei a extremidade de um revestimento azul, mas não removi, não rasguei ou causei qualquer dano  ao espelho d'água", detalhou o canoista.</p>
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