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    <title>Global South World Brasil - Democrata</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Onda azul nos EUA tem marcos históricos e impõe derrota a Trump</title>
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      <pubDate>Wed, 04 Nov 2026 14:57:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, nesta terça-feira (3) levaram ao poder representantes com trajetórias inéditas na política americana. Keisha Lance Bottoms será a primeira mulher negra a governar um estado do país, a Georgia, e Deb Haaland será a primeira mulher indígena a ocupar o mesmo cargo, governando o Novo México. No Senado, dois destaques: Peggy Flanagan como primeira mulher indígena eleita para a casa e Abdul El-Sayed, o primeiro muçulmano escolhido no voto.</p>
<p>A lista inclui ainda latinos, pessoas da comunidade LGBTQ+ e mulheres que romperam barreiras históricas. Grande parte dessas vitórias integra a chamada "onda azul", expressão usada para descrever o avanço eleitoral do partido Democrata, identificado com essa cor, que conquistou o controle das duas Casas do Congresso e impôs uma derrota política ao presidente Donald Trump, do partido Republicano.</p>
<p>Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato - ou  midterms  - acontecem dois anos depois da eleição presidencial. Desta vez, os americanos votaram para renovar as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e os governos de 36 estados. Embora a votação tenha ocorrido oficialmente em 3 de novembro, muitos eleitores já tinham votado antecipadamente, presencialmente ou pelo correio.</p>
<p>Como cada estado possui regras próprias para receber, conferir e contabilizar os votos, a apuração não termina necessariamente na noite eleitoral. Os vencedores anunciados pelos veículos de imprensa são definidos com base nos votos apurados e em projeções, enquanto a certificação oficial depende da conclusão dos procedimentos eleitorais estaduais, que podem levar dias ou semanas.</p>
<p>A onda democrata atingiu inclusive estados considerados redutos republicanos. No Senado, o partido conquistou cadeiras no Texas, Kansas e Carolina do Sul, além de obter vitórias em Ohio, Iowa e Carolina do Norte. Na Câmara, ganhou mais de duas dezenas de distritos anteriormente controlados pelos republicanos.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asayRPa5ODpcV391V.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Integrante do povo Laguna Pueblo, Deb Haaland será a primeira mulher indígena a governar um estado norte-americano. Foi eleita governadora do Novo México."/>
<p>A partir de janeiro de 2027, Trump perderá a maioria parlamentar que sustentava sua agenda no Congresso. Com o controle da Câmara e do Senado, os democratas poderão abrir investigações sobre os abusos atribuídos ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), questionar as deportações em massa, fiscalizar os gastos e a atuação dos agentes federais e impor obstáculos às políticas migratórias do governo. Também poderão investigar os impactos dos tarifaços sobre a economia americana, pressionar por mudanças na política comercial, bloquear projetos e barrar nomeações para cargos estratégicos, inclusive para a Suprema Corte. A derrota eleitoral ameaça, assim, a capacidade de Trump de avançar com algumas das principais medidas de seu segundo mandato. O presidente, entretanto, manterá o poder de veto sobre leis aprovadas pelo Legislativo.</p>
<p>O custo de vida, a inflação e os efeitos econômicos da guerra contra o Irã estiveram entre os principais fatores de insatisfação dos eleitores. Em pesquisa realizada durante a votação, 70% dos entrevistados afirmaram desejar que o Congresso estabelecesse mais limites ao poder presidencial. Às vésperas da eleição, a aprovação do governo Trump havia caído para 31%, o menor índice de seus dois mandatos, segundo pesquisa Reuters/Ipsos de 19 de outubro. No levantamento mais recente, de 2 de novembro, apenas 32% dos americanos aprovavam seu governo.</p>
<p>Frente ao resultado preliminar das eleições, Trump reagiu inicialmente pelas redes sociais, atribuindo a derrota republicana à ausência de seu nome nas cédulas. Em entrevistas posteriores, reconheceu que a alta dos combustíveis pode ter prejudicado seu partido e afirmou estar disposto a negociar com os democratas, embora tenha descartado concessões em determinadas áreas da política migratória.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asSJh4AoomJLD9EDE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Deputada estadual de origem latina, Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott. Será a primeira mulher latina a governar o Texas."/>
<h2>“Pela primeira vez...”</h2>
<p>Apesar da predominância democrata, as conquistas históricas de representatividade não ficaram restritas ao partido. Os republicanos também elegeram candidatos que romperam barreiras raciais e de gênero, mostrando que as mudanças no perfil dos governantes americanos ultrapassam a divisão partidária.</p>
<h3>Governadores</h3>
<p>Keisha Lance Bottoms — Geórgia | Democrata</p>
<p>Ex-prefeita de Atlanta, entre 2018 e 2022, e ex-assessora do presidente Joe Biden, tornou-se a primeira mulher negra eleita governadora na história do país. Derrotou o empresário republicano Rick Jackson e encerrou uma sequência de 83 governadores brancos e homens na história da Geórgia, estado profundamente marcado pela segregação racial e pelas lutas por direitos civis.</p>
<p>Deb Haaland — Novo México | Democrata</p>
<p>Integrante do povo indígena Laguna Pueblo, será a primeira mulher indígena a governar um estado norte-americano. Deb já havia feito história em 2018, quando se tornou uma das primeiras indígenas eleitas para a Câmara dos Representantes. Em 2021, foi a primeira indígena a assumir um ministério federal, ao comandar o Departamento do Interior durante o governo Biden.</p>
<p>Gina Hinojosa — Texas | Democrata</p>
<p>Deputada estadual de origem latina, derrotou o republicano Greg Abbott, que tentava conquistar seu quarto mandato. Será a primeira mulher latina a governar o Texas, segundo estado mais populoso dos EUA. Sua vitória também encerra mais de três décadas de domínio republicano no governo estadual.</p>
<p>Xavier Becerra — Califórnia | Democrata</p>
<p>Filho de imigrantes mexicanos, foi procurador-geral da Califórnia e secretário de Saúde e Serviços Humanos no governo Biden. Será o primeiro latino eleito governador do estado. O último governador de origem latina havia sido Romualdo Pacheco, que assumiu o cargo por sucessão em 1875, há mais de 150 anos.</p>
<p>David Crowley — Wisconsin | Democrata</p>
<p>Ex-deputado estadual e dirigente do condado de Milwaukee, tornou-se o primeiro negro eleito governador de Wisconsin. Antes de disputar o governo estadual, construiu sua carreira política em Milwaukee, cidade marcada por profundas desigualdades raciais e econômicas.</p>
<p>Byron Donalds — Flórida | Republicano</p>
<p>Deputado federal e aliado de Donald Trump, tornou-se o primeiro negro eleito governador da Flórida. Conservador, recebeu o apoio do presidente durante a campanha e sucederá Ron DeSantis, impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Sua eleição foi uma das conquistas republicanas em uma noite marcada pelo avanço democrata.</p>
<p>Marsha Blackburn — Tennessee | Republicano</p>
<p>Senadora desde 2019 e integrante da ala conservadora do Partido Republicano, será a primeira mulher a governar o Tennessee. Marsha já havia sido a primeira mulher eleita para o Senado pelo estado e agora alcança outro marco na política local.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asxQmxC5CY82fcGcY.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Médico epidemiologista e ex-diretor de Saúde de Detroit, Abdul El-Sayed será o primeiro muçulmano eleito para o Senado. Ele venceu em Michigan."/>
<h3>Senadores que ampliam a diversidade no Congresso</h3>
<p>Peggy Flanagan — Minnesota | Democrata</p>
<p>Integrante da comunidade indígena White Earth Ojibwe, será a primeira mulher indígena eleita para o Senado dos Estados Unidos. Antes da eleição, ocupava o cargo de vice-governadora de Minnesota, onde desenvolveu políticas voltadas à infância, às famílias e às comunidades indígenas. Derrotou a republicana Michele Tafoya, ex-repórter esportiva.</p>
<p>Abdul El-Sayed — Michigan | Democrata</p>
<p>Médico epidemiologista e ex-diretor de Saúde de Detroit, tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado americano. Filho de imigrante egípcio, construiu sua carreira na saúde pública e defende a ampliação do acesso aos serviços médicos. Derrotou o republicano Mike Rogers em uma campanha na qual sua religião também foi alvo de ataques políticos.</p>
<p>Chris Pappas — New Hampshire | Democrata</p>
<p>Deputado federal desde 2019, será o primeiro homem assumidamente gay a ocupar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos. Pappas, que é casado com o advogado Vann Bentley, derrotou o ex-senador republicano John E. Sununu. Sua eleição amplia a presença LGBTQ+ na Casa, que recebeu sua primeira senadora assumidamente lésbica, Tammy Baldwin, em 2013.</p>
<p>Juliana Stratton — Illinois | Democrata</p>
<p>Advogada negra e vice-governadora de Illinois, conquistou a cadeira deixada pelo democrata Dick Durbin. Com sua eleição, Illinois será o primeiro estado representado simultaneamente por duas mulheres não brancas no Senado, já que a outra cadeira pertence a Tammy Duckworth, de ascendência tailandesa.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asvg1KzSx3LayQVBj.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O democrata Chris Pappas, deputado federal desde 2019, será o primeiro homem assumidamente gay a ocupar uma cadeira no Senado. Foi eleito por New Hampshire. "/>
<h2>Novos representantes também fazem história no Legislativo</h2>
<p>As eleições de meio de mandato também levaram novos representantes à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e aos legislativos estaduais. Entre os eleitos estão a primeira mulher indígena a representar Nova York no Congresso, a primeira mulher da geração Z a chegar à Câmara federal e o primeiro brasileiro eleito para o Legislativo da Flórida.</p>
<h3>Deputados federais</h3>
<p>Claire Valdez — Nova York | Democrata</p>
<p>Integrante do povo indígena Ysleta del Sur Pueblo, tornou-se a primeira mulher indígena eleita para representar Nova York na Câmara dos Representantes. De orientação progressista e ligada ao movimento sindical, conquistou uma cadeira pelo 7º distrito do estado.</p>
<p>Melat Kiros — Colorado | Democrata</p>
<p>Nascida na Etiópia, migrou aos 11 meses para os EUA com a família. Advogada de 29 anos, ela se tornou a primeira mulher da geração Z eleita para o Congresso norte-americano. Conquistou a cadeira pelo 1º distrito, que inclui Denver, depois de derrotar nas primárias democratas Diana DeGette, deputada havia quase 30 anos.</p>
<p>Adam Hamawy — Nova Jersey | Democrata</p>
<p>Médico e veterano do Exército norteamericano, tornou-se o primeiro muçulmano eleito para representar Nova Jersey no Congresso. Cirurgião especializado em reconstrução plástica, participou de missões médicas em zonas de conflito, incluindo a Faixa de Gaza.</p>
<p>Jeremy Moss — Michigan | Democrata</p>
<p>Senador estadual e defensor dos direitos LGBTQ+, tornou-se o primeiro homem assumidamente gay eleito deputado federal por Michigan. Conquistou a cadeira pelo 11º distrito, após construir sua carreira política no Legislativo estadual.</p>
<p>Denise Powell — Nebraska | Democrata</p>
<p>Tornou-se a primeira pessoa de origem latina eleita para representar Nebraska no Congresso americano. Venceu a disputa pelo 2º distrito, que inclui Omaha, principal cidade do estado.</p>
<h3>Legislativos estaduais</h3>
<p>Bentley Hudgins — Geórgia | Democrata</p>
<p>Eleito deputado estadual pelo Distrito 90, tornou-se o primeiro parlamentar estadual abertamente transgênero e não binário da Geórgia. Sua vitória ocorre em um estado onde os direitos das pessoas trans têm sido objeto de disputas legislativas.</p>
<p>Aber Kawas — Nova York | Democrata</p>
<p>Filha de refugiados palestinos e organizadora comunitária, tornou-se a primeira mulher palestina muçulmana eleita para o Legislativo estadual de Nova York. Conquistou uma cadeira no Senado estadual, ampliando a representação de americanos de origem árabe e muçulmana na política local.</p>
<p>Felipe Sousa-Lazaballet — Flórida | Democrata</p>
<p>Nascido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, chegou aos Estados Unidos aos 14 anos e passou 15 anos sem documentação migratória regular. Naturalizado americano em 2021, foi eleito deputado estadual pelo Distrito 42, na região de Orlando. Tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar uma cadeira no Legislativo da Flórida, estado que adotou medidas rígidas de controle da imigração.</p>
<p>Com esses resultados, as eleições de 2026 combinam dois movimentos: a mudança no equilíbrio político nacional e a chegada de representantes com trajetórias inéditas a posições de poder. Em um país que completa 250 anos de independência, o resultado evidencia transformações na composição de instituições historicamente dominadas por homens brancos, mesmo que os partidos continuem profundamente divididos sobre as políticas que esses representantes deverão implementar.</p>
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