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    <title>Global South World Brasil - Culture</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>8 estrelas da Copa que apoiaram publicamente direitos LGBTQIAP+ – e por que isso ainda é tabu</title>
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      <pubDate>Thu, 25 Jun 2026 16:09:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Copa do Mundo de 2026 é a maior da história: 1.248 jogadores inscritos. Nenhum deles é abertamente gay ou bissexual.</p>
<p>Em quase 100 anos de torneio, apenas dois atletas tornaram pública a homossexualidade – ambos só depois de pendurar as chuteiras. O primeiro foi o francês Olivier Rouyer, companheiro de Michel Platini na seleção da França de 1978. O segundo foi o alemão Thomas Hitzlsperger, que disputou o Mundial de 2006 e revelou a orientação sexual só após a aposentadoria.</p>
<p>Nesta Copa, encontramos 8 jogadores com declarações públicas sobre o tema. O que cada um deles disse? </p>
<p>Manuel Neuer (Alemanha)   Capitão alemão no Catar-2022 e um dos líderes da seleção nesta copa, o goleiro tentou usar a braçadeira arco-íris do movimento One Love sob a manga, driblando a proibição da Fifa. A seleção alemã divulgou nota: "Queríamos usar nossa braçadeira de capitão para nos posicionar sobre os valores que defendemos na seleção da Alemanha: diversidade e respeito mútuo." </p>
<p> Antes disso, na Eurocopa de 2020, o goleiro já usava uma braçadeira arco-íris inspirada na campanha Rainbow Laces da Stonewall, gesto que a Uefa chegou a investigar e depois validou como símbolo de diversidade, não político.   </p>
<p>Leon Goretzka (Alemanha)</p>
<p>O meio-campista é descrito como um dos jogadores mais vocais do futebol europeu na pauta LGBTQIAP+. Em 2021, fez coração com as mãos para a torcida da Hungria após marcar contra o adversário, em protesto à lei anti-LGBT do país, e publicou nas redes a mensagem "spread love" (espalhe amor). </p>
<p>Em 2022, rebateu o embaixador do Mundial do Catar, Khalid Salman, que chamara a homossexualidade de dano mental. "É muito opressivo. Essa é uma imagem de homem que vem de outro milênio. Deixa a gente sem acreditar que algo assim possa ser dito por um embaixador da Copa do Mundo pouco antes do torneio."</p>
<p>Harry Kane (Inglaterra)</p>
<p>O craque da seleção inglesa fazia parte do grupo de  seleções europeias que prometeu usar a braçadeira One Love. Diante da ameaça de cartão amarelo pela Fifa, a Inglaterra recuou junto aos demais.</p>
<p>Bruno Fernandes e Marcus Rashford (Portugal e Inglaterra) À época, colegas de Manchester United participaram da campanha "Love United", lançada pelo clube em apoio à comunidade LGBTQIAP+. A campanha reuniu jogadores e funcionários do United para afirmar que o futebol é para todos e que ninguém deve ser excluído do esporte. </p>
<p>Patrick Berg (Noruega)</p>
<p>Em maio de 2024, durante partida do Bodø/Glimt contra o Kristiansund, Berg confrontou um torcedor que gritava xingamentos homofóbicos contra o time. O torcedor foi banido do estádio. Em entrevista a uma TV norueguesa, Berg disse: "Vejo  como positivo quando algo que acontece numa arena de futebol pode contribuir para que nós, como sociedade, fiquemos melhores em nos apoiar e ajudar uns aos outros. A gente sempre pode se posicionar quando as coisas saem dos limites do que se pensa ser aceitável numa sociedade."</p>
<p>Borja Iglesias (Espanha)   É o caso mais robusto da lista. O atleta pinta as unhas em jogos como símbolo de inclusão desde 2023 e protagonizou uma campanha irônica com a frase "Sou Borja Iglesias e sou heterossexual", questionando por que ninguém estranha alguém declarar a heterossexualidade, mas a homossexualidade ainda ser tabu no futebol. </p>
<p>Em janeiro de 2026, voltou a ser alvo de insultos homofóbicos em jogo contra o Sevilla. O Celta de Vigo, clube onde joga, organizou um ato de torcedores com unhas pintadas em solidariedade. Em março de 2026, ao jornal L'Équipe, disse que o entristece, no século 21, ainda ser tão difícil para jogadores homossexuais declarar a orientação publicamente.</p>
<p>Jackson Irvine (Austrália)</p>
<p>Talvez a declaração mais longa e pessoal da lista, feita via FIFPRO antes do Catar-2022: "Tenho família e amigos que fazem parte da comunidade LGBTQIAP+, um grupo de pessoas que, por muito tempo, foi imensamente marginalizado e discriminado. Quero falar por eles. Sejamos claros: a homofobia no futebol ainda é um problema." Ele também integra a PFA Australia, que organiza a Pride Cup no país.</p>
<h2>Por que isso é tabu</h2>
<p>A explicação não vem de torcedor nem de comentarista, mas de quem viveu o problema por dentro.</p>
<p>"É matematicamente impossível que não existam jogadores homossexuais em todos os principais campeonatos do mundo. Eles existem, e são muitos", diz Eric Najib, jogador e técnico do Stonewall FC, clube londrino fundado por gays que sofriam preconceito em outros times.</p>
<p>Josh Cavallo, australiano que em 2021 se tornou o primeiro jogador profissional ativo abertamente gay do futebol masculino, descreve o ambiente como hostil e diz receber múltiplas ameaças de morte por dia.</p>
<p>Cavallo compara a lógica do tabu à pressão por desempenho em campo: "No mundo normal do futebol, se você erra um chute a gol ou faz algo errado em campo, a torcida grita com você. Eu acho que é parecido em termos de sexualidade. As pessoas não querem ser o alvo, e é por isso que elas não querem se assumir."</p>
<p>O recorte histórico ajuda a entender o silêncio. Justin Fashanu foi o primeiro jogador profissional a se assumir gay ainda em atividade, em 1990; suicidou-se oito anos depois. Passaram-se mais de 30 anos até outro jogador profissional britânico repetir o gesto: o jovem Jake Daniels, do Blackpool, em 2022, citando o próprio Cavallo como inspiração.</p>
<p> Para Aslie Pitter, fundador do Stonewall FC, a explicação é econômica antes de cultural: "O futebol é uma carreira curta, e jogadores temem perder patrocínios e contratos." O contraste com o futebol feminino, onde a presença de atletas e treinadoras assumidamente LGBTQIP+ é comum, reforça que o problema não é o esporte em si, mas a cultura hipermasculina do futebol masculino de elite. </p>
<p>Há também a camada institucional: mesmo o gesto simbólico de uma braçadeira foi vetado pela Fifa no Catar-2022 sob ameaça de sanção. </p>
<p>O padrão se repete em 2026, com o "Jogo do Orgulho" em Seattle gerando protesto das federações do Irã e do Egito, países onde a homossexualidade é crime. </p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ @jacksonirvine_</media:credit>
        <media:title>australiano</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
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