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    <title>Global South World Brasil - Cultura</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>'Não Existe Almoço Grátis': documentário sobre cozinheiras do MTST discute fome e desigualdade</title>
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      <pubDate>Thu, 03 Sep 2026 13:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O documentário “ Não Existe Almoço Grátis ” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 3, com  sessões nas salas de 10 cidades . </p>
<p>Dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, o longa acompanha o trabalho de  três mulheres negras que coordenam uma Cozinha Solidária do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto)  no Sol Nascente, em Brasília, considerada a maior favela do país.</p>
<p>As três foram responsáveis pela  preparação de refeições para centenas de militantes que foram à posse do presidente Lula (PT)  na volta ao cargo, em 1º de janeiro de 2023.</p>
<p>O documentário parte do cenário de fome agravado durante a pandemia de covid-19 para discutir os efeitos da  ausência de políticas públicas e o papel da organização coletiva diante da desigualdade . </p>
<p>"Não Existe Almoço Grátis" também atravessa o contexto  que antecedeu a posse presidencial, marcado por ameaças de golpe e episódios de violência política, e discute ideias como meritocracia e mercantilização da fome.</p>
<p>Antes de chegar aos cinemas, o documentário foi premiado em festivais brasileiros. No Festival de Brasília, venceu o prêmio de melhor filme pelo júri popular e recebeu menção honrosa do júri oficial; na Mostra Ecofalante, levou melhor filme pela votação popular.</p>
<p>O longa-metragem terá sessões em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, João Pessoa, Penedo, Poços de Caldas, Porto Alegre e Salvador. Veja o trailer abaixo:</p>
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        <media:credit role="photographer">Divulgação/Descoloniza Filmes</media:credit>
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        <media:title>Não Existe Almoço Grátis</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Semana do Cinema tem ingressos a partir de R$ 10; confira como funciona</title>
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      <pubDate>Tue, 01 Sep 2026 15:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Entre os dias 10 e 16 de setembro, começa a  Semana do Cinema  de 2026 com preços promocionais em todo o Brasil. Os ingressos custarão  R$ 10  para sessões iniciadas antes das 17h, enquanto os filmes exibidos a partir desse horário custarão  R$ 12 , incluindo sábados e domingos.</p>
<p>A promoção é válida para as sessões tradicionais das redes participantes, mas não contempla pré-estreias, shows ou salas especiais, então quem pretende aproveitar o preço reduzido precisa ficar atento ao tipo de sessão escolhido no momento da compra. Além dos ingressos,  as redes de cinema também devem oferecer combos de pipoca e refrigerante com valores promocionais durante a semana.</p>
<p>Haverá também  combos de pipoca e refrigerante  com preços promocionais, de acordo com cada rede.</p>
<p>Entre os filmes que estarão disponíveis com preços promocionais estão sucessos de bilheteria como  Homem-Aranha: Um Novo Dia ;  A Odisseia ;  Minha Melhor Amiga , com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli;  Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor ;  Ponto Sem Retorno , de Ridley Scott; e  O Convite  e  Código: Vingança , filme de ação estrelado por Jason Statham. A programação, no entanto, pode variar de acordo com cada cinema e cidade.</p>
<p>O evento é realizado pela FENEEC (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas), com apoio da ABRAPLEX,  Ingresso.com  e Grupo Consciência. A edição anterior registrou mais de 3,9 milhões de ingressos vendidos. Desde a criação da iniciativa, mais de 26,7 milhões de pessoas já foram aos cinemas durante as edições da campanha.</p>
<h2>Como aproveitar</h2>
<p>Basta consultar a programação da rede de cinema escolhida e selecionar uma sessão participante entre 10 e 16 de setembro. </p>
<p>Para quem puder ir durante a tarde, o ingresso de R$ 10 vale para as sessões que começam até 16h59, enquanto tiver preferência pelo período noturno encontrará entradas por R$ 12, desde que a sessão não seja uma das modalidades excluídas da campanha.</p>
<h2>Semana do Cinema 2026</h2>
<p>Quando:  10 a 16 de setembro</p>
<p>Quanto:  R$ 10 para sessões iniciadas antes das 17h e R$ 12 para sessões a partir das 17h</p>
<p>Onde:  cinemas participantes de todo o Brasil</p>
<p>O que não entra na promoção:  pré-estreias, shows e salas especiais</p>
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        <media:credit role="provider">Pexels</media:credit>
        <media:title>cinema</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>‘Grande Sertão: Veredas’: 70 anos da obra que dá voz ao Brasil profundo</title>
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      <pubDate>Sun, 26 Jul 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Obra fundamental da literatura brasileira, o romance “ Grande Sertão: Veredas ”, do escritor mineiro João Guimarães Rosa, completa 70 anos neste mês. Ambientado em uma região que compreende Minas Gerais, Goiás e Bahia, o livro transformou a geografia, a linguagem e os conflitos de um sertão marcado por jagunços e coronéis em uma narrativa de alcance universal.</p>
<p>A história é contada por Riobaldo, ex-jagunço que relembra suas travessias, batalhas, alianças e perdas. Ao reconstruir sua trajetória e a relação com o personagem Diadorim, o narrador procura compreender a existência do diabo, os limites entre o bem e o mal e a possibilidade de cada pessoa escolher o próprio destino.</p>
<p>Essas indagações estão diretamente ligadas ao território percorrido pelos personagens. O sertão não funciona apenas como cenário: condiciona os deslocamentos, impõe perigos, determina encontros e interfere na formação da consciência de Riobaldo. Rios, veredas, chapadas, fazendas, arraiais e caminhos constituem uma força central do romance.</p>
<p>O reconhecimento foi imediato. Publicado em 16 de julho de 1956 pela Livraria José Olympio Editora, “ Grande Sertão: Veredas ” recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pelo Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa, em 1956, e o Prêmio Paula Brito, em 1957. Traduzido para diversos idiomas, o romance consolidou Guimarães Rosa entre os autores centrais da literatura brasileira e ampliou internacionalmente o alcance de uma narrativa profundamente ligada à paisagem e à linguagem do sertão.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/aszbcn9dIoeD1zafE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Cena da minissérie 'Grande Sertão', da Rede Globo, exibida originalmente em 1985."/>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asuq3YDrn1LfUfcjr.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Tony Ramos faz o papel de Riobaldo, que conta a história. Bruna Lombardi interpreta Diadorim."/>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asgAiUBfacqZYKYFM.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A produção da Globo retratou guerras entre jagunços e a vida nas pequenas cidades de Minas Gerais, Goiás e Bahia."/>
<p>A obra também ganhou uma adaptação memorável da TV Globo em 1985. Com roteiro de Walter George Durst e direção de Walter Avancini, a minissérie teve Tony Ramos como Riobaldo e Bruna Lombardi no papel de Diadorim. Gravada no sertão mineiro, " Grande Sertão"  mobilizou centenas de profissionais e cerca de 1,8 mil figurantes da região para transportar à televisão as guerras entre jagunços, as paisagens e os dilemas do romance. Seus 25 episódios estão atualmente disponíveis no Globoplay.</p>
<h2>Um sertão real e imaginário</h2>
<p>Estudos já identificaram mais de 400 localidades reais citadas em “ Grande Sertão: Veredas ”, entre cidades, povoados, propriedades rurais e acidentes geográficos. Algumas correspondências ainda são discutidas, mas os rios Urucuia e São Francisco são referências incontestáveis.</p>
<p>A cartografia do romance inclui Morro da Garça, Três Marias, Curvelo, Lassance, Pirapora, São Francisco, Januária e Cordisburgo, terra natal de Guimarães Rosa. Também aparecem a Serra das Araras, em Chapada Gaúcha, e Paredão de Minas, distrito de Buritizeiro associado à batalha final do livro.</p>
<p>Parte dos caminhos percorridos por Guimarães Rosa pode ser conhecido pelos leitores. Criado em 2014, o projeto Caminhos de Rosa promove experiências pelo território que inspirou o escritor, com caminhadas, corridas, trajetos de bicicleta e travessias que incluem encontros com moradores e hospedagens em fazendas da região. Os percursos atravessam paisagens e comunidades do sertão mineiro e uma das rotas de longa distância chega à região do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, criado pelo governo federal em 1989.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asBnIP9qR8ELjWy5N.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Estação ferroviária Cordisburgo"/>
<p>Essa unidade de conservação é a única no país a homenagear uma obra literária. O parque nacional preserva parte da paisagem das Gerais retratada no livro, além de proteger a biodiversidade e os recursos hídricos do Cerrado. Ampliado em 2004, ele ocupa cerca de 230 mil hectares entre Minas Gerais e a Bahia.</p>
<p>Vale explicar que as veredas são áreas úmidas que se formam em terrenos onde a água aflora, geralmente marcadas pela presença do buriti, uma palmeira de tronco alto que, na região, costuma ter entre 12 e 15 metros. No romance, essas formações orientam as travessias, oferecem abrigo e participam diretamente da experiência dos personagens.</p>
<h2>A linguagem como centro da obra</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asBrYpX5TF8cAYaXf.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A editora Companhia das Letras lançou a edição comemorativa de 70 anos"/>
<p>Se a paisagem oferece o chão do romance, é a linguagem que lhe dá existência. Guimarães Rosa combinou expressões populares, regionalismos, palavras antigas, alterações de sentido, construções sintáticas incomuns e vocábulos inventados.</p>
<p>Quando o livro foi lançado, parte da crítica reagiu com estranhamento. A fala dos personagens chegou a ser descrita como uma língua “de outro planeta”. Para o biógrafo de Guimarães Rosa, o jornalista Leonêncio Nossa, essa avaliação revelava principalmente o desconhecimento de setores da intelectualidade sobre a maneira de falar das populações do interior brasileiro.</p>
<p>Segundo o biógrafo, em entrevista dada à Agência Brasil, Rosa rejeitava a ideia de ter inventado sozinho uma língua. Ele afirmava que os vaqueiros de Minas Gerais, da Bahia e de Goiás já utilizavam muitas daquelas formas de expressão.</p>
<p>A linguagem do romance, portanto, não é uma simples transcrição da oralidade. Rosa reorganizou sons, ritmos e expressões para criar a fala de Riobaldo. O narrador hesita, repete ideias, corrige lembranças, interrompe raciocínios e muda de direção enquanto tenta atribuir sentido ao passado.</p>
<p>Nossa também observa que “nonada”, palavra que abre o livro e costuma ser tratada como criação do escritor, aparecia anteriormente em jornais brasileiros. Embora tenha produzido neologismos, Rosa também recuperou palavras que tinham deixado de circular amplamente.</p>
<p>A abertura com “nonada” antecipa um dos movimentos essenciais do romance. Uma palavra aparentemente estranha conduz o leitor a uma língua que, embora profundamente trabalhada pelo escritor, tem raízes na história e na fala do país. Rosa não apenas inventou formas de expressão: preservou e renovou uma parte do português brasileiro.</p>
<p>O escritor mineiro levou aproximadamente dez anos para concluir “Grande Sertão: Veredas”. No mesmo período, trabalhou em “Corpo de Baile”, ciclo de novelas também publicado em 1956. De acordo com Leonêncio Nossa, o romance teria surgido inicialmente como uma das histórias desse conjunto, mas ganhou dimensão suficiente para se tornar uma obra independente.</p>
<h2>Edição comemorativa</h2>
<p>A Companhia das Letras lançou uma edição especial comemorando os 70 anos, com 608 páginas. O livro tem novo projeto gráfico e capa elaborada a partir de uma obra da artista mineira Sonia Gomes. Ele traz também um ensaio inédito do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance.</p>
<p> A edição comemorativa conta ainda com depoimentos de leitores ilustres que foram fortemente influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior. Os preços da obra ficam em R$ 209,90 (livro físico) e R$ 44,90 (e-book).</p>
<p>
A celebração dos 70 anos de “ Grande Sertão: Veredas ” na Companhia das Letras inclui um audiolivro narrado pelo ator Caio Blat, com trilha sonora e entradas de viola de Ivan Vilela, já disponível nas principais plataformas de áudio.</p>
<p>
Em agosto, será realizado, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, um ciclo de debates sobre o livro. Uma biografia de João Guimarães Rosa escrita por Gustavo de Castro, poeta, escritor e professor da Universidade de Brasília (UnB), também deve ser publicada no fim do ano. O livro narra em detalhes a vida do escritor, médico e diplomata que viria a se tornar um dos nomes mais fascinantes da literatura brasileira.
</p>
<p>Outra novidade é que o livro ganhará novas traduções em 2027. Em inglês, a australiana Alison Entrekin responde pelo trabalho de “ Vastlands: The crossing ”, título que substituirá a da versão de 1963, “ The devil to pay in the backlands ”. O alemão Berthold Zilly responde por “ Großer Sertão: Querungen ”.   </p>
<h2>Quem foi Guimarães Rosa</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asMBBtEsMiV2NISeE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Guimarães Rosa em fotos de um acervo digital"/>
<p>João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Filho de Florduardo Pinto Rosa e Francisca Guimarães Rosa, mudou-se aos 10 anos para Belo Horizonte. Formou-se em medicina em 1930 e trabalhou como médico antes de ingressar na carreira diplomática.</p>
<p>Sua estreia literária ocorreu em 1929, com a publicação do conto “ O mistério de Highmore Hall ” na revista O Cruzeiro. Em 1936, a coletânea de poemas “ Magma ”, que permaneceria inédita durante sua vida, recebeu o Prêmio Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>Como diplomata, trabalhou em Hamburgo, Bogotá e Paris e representou o Brasil em conferências internacionais. Posteriormente, ocupou diferentes funções no Ministério das Relações Exteriores e assumiu, em 1962, a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras.</p>
<p>A consagração literária começou com “ Sagarana ”, publicado em 1946. A coletânea renovou o regionalismo brasileiro ao trabalhar com paisagens e materiais de origem local por meio de uma linguagem experimental e de temas universais.</p>
<p>Em 1956, Rosa publicou “ Corpo de Baile ” e “ Grande Sertão: Veredas ”.  Com “ Primeiras estórias ”, de 1962, recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil.</p>
<p>Guimarães Rosa foi eleito para a Cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras em 8 de agosto de 1963, na sucessão de João Neves da Fontoura. Adiou a posse por quatro anos e foi recebido por Afonso Arinos de Melo Franco em 16 de novembro de 1967. Morreu três dias depois, aos 59 anos.</p>
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        <media:title>parque nacional grande sertao</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>'Noites Brancas': como o clássico de Dostoiévski virou pop no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/noites-brancas-como-o-classico-de-dostoievski-virou-pop-no-brasil</link>
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      <pubDate>Sat, 25 Jul 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um romance clássico publicado na Rússia ganhou espaço entre suspenses joviais e tramas adaptadas para os cinemas e ingressou em listas dos livros mais vendidos de livrarias, lojas digitais e acervos gratuitos. A título de hoje, ‘Noites Brancas’, de Fiódor Dostoiévski, cumpre os critérios para ser classificado como literatura pop no Brasil — quase dois séculos após sua publicação original, em 1848.</p>
<p>No levantamento que a revista Veja publica semanalmente com os títulos mais vendidos do país, o russo ficou em primeiro lugar entre as obras de ficção na semana de 17 de julho e, em 24 de julho, na segunda posição.</p>
<p>A lista mais recente conta ainda com ‘Memórias do Subsolo’, obra-prima do autor russo, na 15ª posição. Os dois romances, publicados no século XIX, dividem espaço com tramas contemporâneas de suspense, histórias de forte apelo entre os jovens e que inspiraram adaptações cinematográficas, como ‘O Massacre da Família Hope’, ‘A Hipótese do Amor’ e ‘Verity’.</p>
<p>Conforme os dados da Bookinfo, que agrega informações fornecidas pelas principais redes de livrarias do país, 12.102 unidades de ‘Noites Brancas’ foram comercializadas no país em 2026 — os dados foram consultados em 23 de julho —, o que dá ao título o status de 16º mais vendido no ano entre as obras de ficção.</p>
<p>O fenômeno é reforçado pela variedade de acesso. No MEC Livros, plataforma lançada pelo Ministério da Educação em abril que disponibiliza edições digitais de livros de forma gratuita, ‘Noites Brancas’ é a segunda obra preferida dos usuários, com 3.376 empréstimos.</p>
<p>O russo ficou atrás apenas de ‘Torto Arado’, de Itamar Vieira Júnior — com 3.704 empréstimos. Quando considerados os números da tradução alternativa do romance, que teve 1.040 empréstimos, ‘Noites Brancas’ é a obra mais emprestada na plataforma.</p>
<h2>Nas graças da geração Z</h2>
<p>Não é a primeira vez que um clássico ganha o interesse dos leitores brasileiros séculos após ser publicado. Mas alguns fatores ajudam a explicar porque especificamente ‘Noites Brancas', um romance melancólico que narra o encontro entre um jovem solitário e uma mulher que aguarda seu marido em São Petesburgo, se popularizou no país.</p>
<p>Embora a narrativa pareça pouco conectada aos interesses dos jovens de 16 a 24 anos, que representam cerca de 41% dos usuários do TikTok no Brasil, a rede social de vídeos curtos é fundamental para completar esse quebra-cabeça.</p>
<p>Em 24 de julho, uma busca da reportagem do  Global South World Brasil  pelo termo ‘Noites Brancas’ na plataforma resultou, nas 10 primeiras publicações apresentadas, em uma soma de 227,1 mil curtidas.</p>
<p>Todos esses conteúdos foram publicados por mulheres — que representam 61% do mercado consumidor literário no Brasil, segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, publicada em abril de 2026 — e parte deles por perfis de ‘Booktokers', como são identificados os produtores de conteúdos sobre literatura nas redes sociais.</p>
<p>A popularidade na plataforma não foi fruto de estratégia publicitária. Em entrevista ao site PublishNews, Eliete Cotrim, gerente comercial da Editora 34, que publica ‘Noites Brancas’ no país, afirmou ter descoberto o interesse dos mais jovens pela obra na Bienal do Rio de 2025, quando ela já havia ‘viralizado’ no TikTok.</p>
<p>“A gente demorou meses para entender o que estava acontecendo. Eles [jovens] abriam o celular e mostravam os vídeos. Foi assim que descobrimos: o TikTok havia descoberto a literatura russa para uma nova geração”, afirmou.</p>
<p>Ao longo dos meses seguintes, nas graças dos ‘Booktokers’ e das gerações de jovens leitores, o clássico russo expandiu essa onda de popularidade para além das fronteiras da plataforma — e impulsionou o interesse dos brasileiros por seu autor.</p>
<p>Conforme os dados do Google Trends, ferramenta que permite comparar o interesse do público por um termo em diferentes períodos, as buscas por ‘Noites Brancas’ no site de buscas cresceram 70% neste ano, no Brasil, em relação a 2025.</p>
<p>No mesmo período de comparação, ‘Fiódor Dostoiévski’ foi 30% mais buscado pelos usuários brasileiros do que no último ano.</p>
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        <media:credit role="photographer">DIMITAR DILKOFF</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP</media:credit>
        <media:title>Dostoiévski</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Com viés antibolsonarista, documentário sobre CPI da Covid estreia nos cinemas</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/documentario-sobre-cpi-da-covid-chega-aos-cinemas-com-lado-e-criticas-a-atuacao-de-bolsonaro</link>
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      <pubDate>Fri, 03 Jul 2026 21:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>“Anatomia do Caos”, documentário que estreou na quinta-feira, 2, nos cinemas brasileiros, destaca o papel dos senadores responsáveis pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19 para que a pandemia não fizesse ainda mais vítimas no país.</p>
<p>O coronavírus matou cerca de 693 mil pessoas no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), que durou de 2019 a 2022. Ao  Global South World Brasil,  a diretora Dandara Ferreira atribuiu à investigação parlamentar responsabilidade parcial pelo fracasso na tentativa de reeleição do ex-presidente, ainda que não tenha gerado responsabilização judicial -- o relatório final pediu o indiciamento de 65 pessoas pela atuação na pandemia, mas as investigações foram arquivadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República).</p>
<p>"Há um sentimento de injustiça, claro. Bolsonaro foi preso [por uma tentativa de golpe de Estado], mas não foi punido [pela pandemia]", disse Dandara. "Ao mesmo tempo, a CPI provocou a aceleração na compra de vacinas, paralisou um esquema de corrupção que estava em curso e foi muito responsável pelo resultado das eleições de 2022. Não 'terminou em pizza'", concluiu.</p>
<p>Vale lembrar que, na contramão de entidades científicas e da OMS (Organização Mundial da Saúde), o ex-presidente se opôs à vacinação, ao uso de máscaras e ao isolamento social. Durante seu governo, o Brasil -- sétima população do mundo -- tornou-se o segundo país com maior número de vítimas fatais da Covid-19.</p>
<h2>Documentário tem abordagem unilateral</h2>
<p>Ao longo de 85 minutos, a produção intercala registros das sessões em que integrantes do alto escalão do governo federal, médicos que defenderam o tratamento precoce contra o coronavírus e empresários aliados de Bolsonaro foram interrogados na CPI, declarações agressivas do então chefe do Executivo e entrevistas realizadas nos gabinetes do Senado, onde  Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) -- presidente e vice da CPI -- detalham os trabalhos em curso.</p>
<p>Dandara relatou à reportagem que o acesso aos políticos foi fruto de uma relação de confiança com os parlamentares, construída durante os mais de cinco meses de filmagens, e da percepção de que o trabalho da CPI precisava ser divulgado.</p>
<p> Ao mesmo tempo, atribuiu a uma decisão narrativa a escolha de não abrir o microfone a aliados de Bolsonaro. "Os apoiadores do governo optaram por obstruir [as investigações] e negar obviedades que estavam sendo denunciadas. Eu adoraria, inclusive, que eles tivessem levado a CPI a sério e explicassem o atraso para a compra de vacinas, a descrença na ciência, a falta de empatia com os mortos e suas famílias. Se isso tivesse acontecido, eu poderia ouvi-los. Mas todo filme tem um lado, ainda que pareça neutro. Eu não escondo o lado do meu filme, que é favorável à ciência", concluiu.</p>
<p>"Anatomia do Caos" engrossa uma lista que já conta com títulos como  "Apocalipse nos Trópicos" (2025, disponível na Netflix), de Petra Costa, e "O Processo" (2018, também disponível na Netflix), de documentários  que registram episódios recentes da política nacional. Ao  Global South World Brasil , a diretora classificou o próprio filme como uma obra sobre a necessidade de preservação da memória.</p>
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        <media:title>Anatomia do Caos</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
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