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    <title>Global South World Brasil - Cultura</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Mil edições depois: os segredos da longevidade do Homem-Aranha, o herói mais atormentado da Marvel</title>
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      <pubDate>Sun, 18 Oct 2026 12:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Mais de 60 anos depois de sua criação, o Homem-Aranha alcançou um marco histórico. Lançada em 30 de setembro de 2026, a edição nº 1000 de  The Amazing Spider-Man , uma das séries mais emblemáticas da Marvel, reuniu artistas e roteiristas consagrados e demonstrou que o personagem continua despertando grande interesse do público.</p>
<p>A publicação ultrapassou 400 mil encomendas antecipadas, segundo números divulgados pela Marvel, levando a editora a preparar uma segunda tiragem. A edição comemorativa conta com contribuições de nomes como Joe Kelly, Pepe Larraz, Frank Miller, Brian Michael Bendis e John Romita Jr., além de apresentar Ravage, um novo adversário do herói.</p>
<p>A história desse adolescente franzino do Queens, picado por uma aranha radioativa aos 15 anos, começou na edição nº 15 de  Amazing Fantasy , em agosto de 1962. Na época, sua criação representava uma última tentativa de salvar uma publicação em declínio. As aventuras de Peter Parker, um jovem espirituoso e ágil que precisava conciliar os problemas cotidianos com suas responsabilidades como super-herói, rapidamente se transformaram em um fenômeno mundial.</p>
<p>A chegada à milésima edição, resultado de uma contagem que reúne diferentes fases editoriais da série iniciada em 1963, vai além de uma comemoração. O marco também levanta uma questão: o que permite que os super-heróis sobrevivam, muitas vezes, a praticamente todas as outras formas de cultura popular — incluindo os heróis clássicos?</p>
<p>Para Roman Pavlyuchenko, professor e pesquisador de marketing na Universidade de Bath, no Reino Unido, o segredo da longevidade do Homem-Aranha, assim como o de inúmeros outros super-heróis, está na combinação de quatro características cultivadas ao longo de décadas pela Marvel e pela DC, as duas gigantes do gênero há quase um século.</p>
<p>Especialista em cultura de consumo, franquias de entretenimento e comportamento dos fãs, Pavlyuchenko analisou essas características em um artigo publicado originalmente no  The Conversation  e reproduzido pelo site francês  Atlantico . Para desenvolver sua análise, o pesquisador leu milhares de histórias em quadrinhos, assistiu à maioria dos filmes de super-heróis já lançados e entrevistou dezenas de fãs ao redor do mundo.</p>
<h2>1. Um super-herói imprevisível</h2>
<p>Os heróis são heróis porque sempre sabemos o que esperar deles. De Hércules a Luke Skywalker, o herói é alguém que geralmente demonstra grande integridade e princípios elevados. Quase por definição, os heróis transmitem segurança por sua constância.</p>
<p>Os super-heróis, por outro lado, fascinam justamente porque são imprevisíveis, inclusive para si mesmos.</p>
<p>O Homem-Aranha, por exemplo, abandona completamente seu papel na edição nº 50 de  The Amazing Spider-Man  e revela publicamente sua identidade na saga  Civil War , rompendo com o anonimato que havia definido o personagem durante tanto tempo.</p>
<p>Ele chega até mesmo a ser substituído, nas edições 698 a 700 de  The Amazing Spider-Man , por seu arqui-inimigo, o Doutor Octopus, que assume temporariamente o papel de um Homem-Aranha "superior", mais implacável e violento.</p>
<p>Ao longo dessas histórias, o Homem-Aranha nunca se limita a um simples arquétipo moral imutável. Trata-se, na verdade, de um personagem cujo próprio significado pode ser constantemente questionado.</p>
<p>Além disso, comparar o Homem-Aranha de diferentes épocas e versões é algo que fascina os fãs, que nunca conseguem chegar a um consenso sobre o que realmente define o personagem, para além de seu nome e de uma história de origem que já se tornou canônica.</p>
<h2>2. Identidade múltipla</h2>
<p>Originalmente, o Homem-Aranha era apenas Peter Parker. Com o tempo, porém, deixou de ser um personagem único para se transformar em um papel narrativo que diferentes personagens podem assumir simultaneamente, em histórias paralelas.</p>
<p>Ben Reilly, por exemplo, apresentado como clone de Peter Parker em  The Amazing Spider-Man  nº 149, acaba assumindo seu lugar como Homem-Aranha durante a chamada "Saga do Clone", nos anos 1990.</p>
<p>Miguel O'Hara, um cientista brilhante, reinventa posteriormente o personagem em um cenário futurista, na série  Spider-Man 2099 .</p>
<p>Existem muitas outras encarnações, incluindo Peter Porker, também conhecido como Spider-Ham (ou Porco-Aranha), um porco picado por uma aranha radioativa; Spider-Spider, uma aranha que veste o uniforme do Homem-Aranha; e até uma versão medieval britânica chamada Peter Parquagh.</p>
<p>Com o passar do tempo, o Homem-Aranha deixa de representar uma biografia única e passa a designar uma combinação transferível de poderes reconhecíveis, princípios morais flexíveis e elementos visuais característicos.</p>
<p>Para os fãs, isso confere à marca uma capacidade incomum de adaptação. Como não precisam concordar sobre a existência de um único Homem-Aranha definitivo, podem se identificar com a versão que melhor corresponde às suas preferências.</p>
<h2>3. O eterno Hamlet atormentado </h2>
<p>Quase por definição, os heróis precisam percorrer a chamada "jornada do herói": são convocados para uma aventura, transformados por uma provação e, finalmente, retornam para casa, modificados pela experiência.</p>
<p>Esse modelo narrativo permanece constante pelo menos desde Ulisses.</p>
<p>O Homem-Aranha, por outro lado, nunca retorna verdadeiramente para casa, porque as experiências que deveriam moldá-lo representam apenas o ponto de partida para novas aventuras.</p>
<p>Nas edições 121 e 122 de  The Amazing Spider-Man , por exemplo, a morte de Gwen Stacy — amiga e primeiro amor de Peter Parker — transforma para sempre a dimensão emocional de sua vida. As consequências desse acontecimento continuam sendo sentidas até a edição nº 1000.</p>
<p>Décadas depois, ele se casa com Mary Jane Watson. Mas as edições 544 e 545 de  The Amazing Spider-Man  encerram esse casamento e redefinem, mais uma vez, grande parte de sua vida adulta.</p>
<p>É nesse momento que o arco narrativo  Brand New Day  ("Um Novo Dia"), iniciado na edição 546, inaugura uma nova fase, também marcada por turbulências pessoais.</p>
<p>Nenhum desses acontecimentos representa uma transformação definitiva.</p>
<p>O Homem-Aranha simplesmente nunca pode deixar de ser o Homem-Aranha, esse "Hamlet" atormentado dos super-heróis.</p>
<p>Sua trajetória, portanto, se parece menos com um ciclo e mais com uma história de vida ininterrupta, na qual os finais aparentes se transformam continuamente em novos começos.</p>
<p>Para os fãs, essa capacidade de renovação permanente oferece uma promessa singular: os leitores mais antigos podem "envelhecer" ao lado do Homem-Aranha, enquanto os recém-chegados têm a sensação de acompanhar um verdadeiro recomeço.</p>
<h2>4. Memória infinita </h2>
<p>Os heróis tradicionais geralmente surgem com uma bagagem narrativa relativamente pequena. Suas provações e transformações mais importantes acontecem dentro de histórias com limites bem definidos e cuidadosamente construídas.</p>
<p>Cada nova história do Homem-Aranha, por outro lado, faz parte de um universo já repleto de narrativas anteriores.</p>
<p>O personagem não se limita a acumular histórias: os novos enredos constantemente recuperam, reinterpretam e entrelaçam acontecimentos do passado.</p>
<p>Essa bagagem acumulada pode, evidentemente, tornar o chamado  Spider-Verse  — ou Aranhaverso — difícil de compreender para alguns leitores.</p>
<p>Mas também recompensa a familiaridade e o envolvimento pessoal. Quanto mais alguém consome conteúdos relacionados ao Homem-Aranha, mais significados, referências e conexões se tornam evidentes, transformando uma busca às vezes trabalhosa em uma fonte de prazer e conhecimento especializado.</p>
<p>Na análise de Pavlyuchenko, a longevidade do Homem-Aranha resulta de uma arquitetura narrativa muito particular.</p>
<p>O personagem pode se contradizer, multiplicar-se em diferentes indivíduos, renascer depois de finais aparentes e recorrer indefinidamente ao próprio passado para alimentar novas histórias.</p>
<p>Essas características tornam o Aranha praticamente inesgotável: cada nova geração de fãs herda um Homem-Aranha que é, ao mesmo tempo, reconhecível como uma figura antiga e surpreendentemente novo.</p>
<p>A edição nº 1000 representa, portanto, menos um ponto de chegada do que uma demonstração de sua capacidade de continuar existindo.</p>
<p>Depois de mais de 60 anos de reinvenções constantes, talvez o maior superpoder do Homem-Aranha seja simplesmente sua capacidade de resistir ao tempo, apesar de tudo.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Mais tempo para apreciar Miró: exposição em São Paulo reúne mais de 140 obras</title>
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      <pubDate>Wed, 14 Oct 2026 16:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A exposição “Miró: Mestre das Formas”, no Museu de Arte Brasileira (MAB), na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, ganhou mais dois meses de visitação. Inicialmente prevista para terminar em 12 de outubro, a mostra foi prorrogada até 13 de dezembro. Nesta semana, o público poderá pagar meia-entrada para ver as obras do mestre espanhol Joan Miró (1893-1983), um dos grandes nomes da arte do século 20.</p>
<p>Como promoção pela Semana das Crianças, os organizadores disponibilizaram ingressos mais baratos para visitantes de qualquer idade. As entradas custam R$ 25 até sexta-feira, 16, e R$ 30 no sábado e domingo, dias 17 e 18.</p>
<p>Inaugurada em 7 de agosto, a exposição já recebeu mais de 120 mil visitantes, segundo o Instituto Totex, responsável pela organização.</p>
<p>O acervo reúne pinturas, gravuras, litografias, esculturas, tapeçarias, fotografias e filmes, incluindo trabalhos nunca exibidos no Hemisfério Sul. São peças provenientes de três museus, 14 coleções particulares europeias e do acervo da família do artista espanhol.</p>
<h2>Destaques da exposição</h2>
<p>Entre as obras apresentadas estão “Mont-roig III” (1974), pertencente à Fundació Joan Miró, de Barcelona, “Jeune fille s’évadant” (1967), “Album 19” (1961) e “Personnages, oiseaux, étoile” (1978).</p>
<p>A exposição também apresenta tapeçarias monumentais produzidas em parceria com o artista Josep Royo, algumas com até dez metros de comprimento, além de oito peças da coleção particular da família do artista.</p>
<p>Nascido em Barcelona, Miró foi um dos principais representantes do surrealismo, movimento artístico que buscava explorar os sonhos, a imaginação e o inconsciente. Suas composições são reconhecidas pelas cores intensas, linhas livres, formas geométricas e figuras que lembram estrelas, pássaros e outros elementos da natureza.</p>
<p>Ao longo de sua trajetória, ele experimentou diferentes materiais e técnicas. Sua produção também refletiu acontecimentos políticos de sua época, especialmente a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), que o levou a viver fora do país.</p>
<p>A exposição permite acompanhar diferentes aspectos dessa produção, da experimentação gráfica às esculturas e tapeçarias, revelando como Miró construiu uma linguagem artística própria.</p>
<p>O MAB fica na rua Alagoas, 903, em Higienópolis, São Paulo. A visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 9h às 20h, com última entrada às 19h.</p>
<p>Os ingressos são vendidos com hora marcada no  site oficial da exposição  e na bilheteria do museu.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Belém atrai cerca 2,5 milhões de fiéis para o Círio de Nazaré</title>
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      <pubDate>Sun, 11 Oct 2026 16:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Atualizado em 11/10/26  Belém (PA) recebeu cerca de 2,5 milhões de pessoas neste domingo, 11, na principal procissão do Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas do mundo. Organizada pela Arquidiocese de Belém, a celebração chega à 234ª edição e reúne fiéis de diferentes regiões do Brasil e do exterior.</p>
<p>O evento ocorreu na véspera de outra data importante para os católicos brasileiros: 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. No calendário, a data é feriado nacional. As duas celebrações expressam a força da devoção mariana no país.</p>
<p>Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha 100,2 milhões de católicos em 2022, o equivalente a 56,7% da população com 10 anos ou mais. Em 2010, essa proporção era de 65%. Apesar da redução, o catolicismo continua sendo a religião com o maior número de seguidores no Brasil.</p>
<p>Na capital paraense, a preparação para o Círio mobiliza não apenas a Igreja, mas também órgãos públicos, voluntários e moradores. Segundo a Agência Brasil, quase 5 mil agentes foram destacados para a operação de segurança, que inclui policiamento, controle do trânsito, monitoramento e atendimento aos participantes.</p>
<p>A chegada dos romeiros começou antes do fim de semana. Muitos percorrem longas distâncias a pé, vindos de diferentes municípios paraenses, para agradecer graças alcançadas ou cumprir promessas. A rede oficial de acolhimento dispõe de 28 pontos de apoio distribuídos por 11 cidades, com água, alimentação, primeiros socorros e locais de descanso.</p>
<h2>O que é o Círio de Nazaré?</h2>
<p>Celebração católica dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, considerada pelos devotos a Rainha da Amazônia, o Círio tem sua origem está associada ao encontro de uma pequena imagem da santa pelo caboclo Plácido José de Souza, por volta de 1700, às margens do igarapé Murucutu, em Belém.</p>
<p>Segundo a narrativa religiosa, Plácido levou a imagem para casa, mas ela reapareceu no lugar onde havia sido encontrada. O episódio teria se repetido, levando à construção de um espaço de devoção naquele local, onde hoje se encontra a Basílica Santuário de Nazaré.</p>
<p>A primeira procissão oficial foi realizada em 1793. Desde então, o Círio cresceu e se transformou em uma celebração que ultrapassa os limites da religião, incorporando música, artesanato, gastronomia e tradições populares da Amazônia.</p>
<p>Em 2004, a festa foi registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial brasileiro. Em 2013, recebeu o reconhecimento de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).</p>
<p>A Unesco destaca a participação das famílias e a transmissão das tradições entre gerações, além da combinação de elementos religiosos e culturais que caracteriza a festa.</p>
<h2>Como será a procissão de domingo</h2>
<p>O momento mais esperado acontece no domingo, 11, com uma missa às 6h na Catedral da Sé, no centro histórico de Belém. Às 7h, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré começa a percorrer as ruas em direção à Basílica Santuário, onde ocorre uma missa de chegada por volta meio-dia.</p>
<p>Vale esclarecer que a Imagem Peregrina acompanha as procissões, mas a original permanece na Basílica. A cópia foi esculpida pelo italiano Giacomo Mussner e passou a ser utilizada em 1969, com traços que fazem referência à população amazônica.</p>
<p>Na tradição, a imagem é conduzida na berlinda, uma estrutura semelhante a um pequeno veículo cerimonial, ornamentada com flores e protegida por uma cobertura envidraçada. Ao redor dela, milhões de pessoas acompanham a procissão, muitas descalças, em sinal de devoção, agradecimento ou cumprimento de promessas.</p>
<p>O Círio não se limita à procissão principal. A programação de 2026 reúne 14 romarias, incluindo a Rodoviária, a Fluvial, a Moto Romaria, a das Crianças, a da Juventude e a da Acessibilidade.</p>
<p>No sábado, 10, a Romaria Fluvial leva a imagem pelas águas da baía do Guajará, a partir do distrito de Icoaraci, acompanhada por embarcações. À tarde, a Trasladação conduz a santa em procissão noturna até a Catedral da Sé, de onde sai no domingo.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asgYddJooxQsC36q4.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Romeiros acompanham a procissão do Círio de Nazaré."/>
<h2>A corda: um dos símbolos da festa</h2>
<p>Um dos elementos mais marcantes da procissão é a corda, segurada por milhares de devotos que caminham próximos à berlinda. Para muitos, conseguir um lugar na corda representa o cumprimento de uma promessa ou uma forma de agradecer por uma graça recebida.</p>
<p>A tradição começou em 1855, quando foi necessário utilizar uma corda para ajudar a retirar a berlinda de um atoleiro. O que surgiu como uma solução prática se transformou em um dos principais símbolos religiosos da festa.</p>
<p>Hoje, a corda representa sacrifício, união e proximidade com Nossa Senhora. O esforço físico de segurá-la e acompanhar a multidão é parte da experiência de fé dos chamados promesseiros.</p>
<p>O simbolismo é tão forte que pedaços da corda, quando distribuídos após as procissões, são guardados por devotos como lembranças religiosas. O Iphan considera a corda um dos elementos mais característicos da celebração.</p>
<h2>O manto e seus significados</h2>
<p>A cada edição, a Imagem Peregrina recebe um novo manto, apresentado aos fiéis na quinta-feira anterior ao Círio. Em 2026, a peça foi revelada no dia 8, durante uma missa na Basílica Santuário.</p>
<p>O manto deste ano tem como inspiração o tema "Maria, missionária que nos dá Jesus" e representa a visita de Maria à sua prima Isabel, episódio narrado no Evangelho de Lucas.</p>
<p>Predominam os tons de rosa e dourado, com tecido de seda, bordados, cristais e elementos de ourivesaria. A composição inclui um medalhão com o encontro entre Maria e Isabel, flores-de-lis e referências à decoração barroca da Basílica.</p>
<p>Na parte posterior, a palavra "Magnificat" faz referência ao cântico de Maria, enquanto dois corações bordados simbolizam as duas mulheres.</p>
<p>O desenho é da artista Celeste Heitman, com criação e confecção do estilista Artur Maciel. Os bordados foram executados pelo Ateliê Artur Maciel e por Tammy Yamada, e a ourivesaria ficou a cargo de Marcelo Monteiro.</p>
<h2>Muito além da procissão</h2>
<p>O Círio também é um dos acontecimentos mais importantes da cultura paraense. A festa reúne famílias, movimenta o turismo e mantém tradições transmitidas entre gerações.</p>
<p>Entre elas está o tradicional almoço do Círio, realizado após a procissão de domingo, quando famílias se reúnem para compartilhar pratos típicos da culinária regional, como o pato no tucupi e a maniçoba.</p>
<p>Outro elemento característico são os ex-votos, objetos oferecidos pelos fiéis como agradecimento por graças alcançadas. Eles podem representar casas, partes do corpo, embarcações e outros símbolos relacionados às promessas.</p>
<p>Os carros de promessas, a decoração das ruas, os altares montados em residências e estabelecimentos comerciais e o arraial de Nazaré também fazem parte da celebração.</p>
<p>A programação religiosa e cultural continua depois do domingo principal. Em 2026, as festividades se estendem até 26 de outubro, quando ocorre o Recírio, procissão que marca o encerramento do ciclo de homenagens à santa.</p>
<p>Em um país onde mais da metade da população ainda se declara católica, o Círio de Nazaré permanece como uma das expressões mais visíveis da relação entre fé, identidade regional e patrimônio cultural brasileiro.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>Anne Carson, a canadense que reinventou os clássicos, ganha Nobel de Literatura</title>
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      <pubDate>Sat, 10 Oct 2026 10:27:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A escritora canadense Anne Carson, de 76 anos, ganhou nesta quinta-feira, 8, o Prêmio Nobel de Literatura. Poeta, ensaísta, tradutora e professora de literatura clássica, a autora construiu uma obra que atravessa as fronteiras entre poesia, romance, teatro e filosofia, recuperando personagens e histórias da antiguidade para tratar de questões contemporâneas, como amor, desejo, identidade e perda.</p>
<p>A Academia Sueca justificou a escolha por sua obra “ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.</p>
<p>Nascida em Toronto, em 1950, Anne é a 19ª mulher a receber o Nobel de Literatura, criado em 1901. O prêmio já foi concedido a 122 pessoas, nenhuma do Brasil.</p>
<p>A produção literária de Anne, que é filóloga, se distingue pela experimentação: poemas podem assumir a estrutura de romances, ensaios se aproximam da ficção e tragédias gregas ganham interpretações que dialogam com o presente.</p>
<p>A relação da canadense com a linguagem está no centro de sua obra. Ao longo da carreira, ela combinou a escrita de poesia com a tradução de textos clássicos e o ensino em diferentes universidades. Segundo a Fundação Nobel, praticamente toda a sua obra nasce do encontro entre o interesse da filóloga, que investiga a história e o significado das palavras, e o desejo da poeta de encontrar novos sentidos para elas.</p>
<p>A própria escritora já apontou a etimologia, estudo da origem das palavras, como ponto de partida de seu trabalho. É dessa combinação que surgem textos nos quais a tradição literária da antiguidade ganha novas interpretações e formas contemporâneas.</p>
<p>A autora também desenvolveu uma extensa carreira acadêmica, dedicando-se ao estudo do grego antigo e à tradução de obras clássicas. Entre seus trabalhos estão versões de textos de Safo, Sófocles e Eurípides.</p>
<h2>Um monstro grego transformado em personagem de uma história de amor</h2>
<p>Uma das obras mais conhecidas de Anne é “Autobiografia do vermelho”, publicada originalmente em 1998 – aqui, foi traduzida por Ismar Tirelli Neto para a Editora 34. O livro parte do mito de Gerião, um gigante de três corpos que aparece na mitologia grega como adversário de Héracles (ou Hércules, na mitologia romana).</p>
<p>Na versão da escritora, Gerião se transforma em um jovem sensível, com asas vermelhas, que enfrenta conflitos familiares, descobre sua sexualidade e se apaixona por Héracles. A narrativa aborda experiências como violência, solidão, desejo e sofrimento amoroso.</p>
<p>Escrito em versos, mas com estrutura de romance de formação, o livro exemplifica a maneira como Anne utiliza histórias antigas para explorar sentimentos e relações humanas.</p>
<p>Outra obra notória é “O ensaio de vidro”, de 1995, longo poema que acompanha uma mulher abandonada pelo companheiro durante uma visita à mãe. A narrativa se entrelaça à vida e à obra da escritora inglesa Emily Brontë, autora de “O morro dos ventos uivantes”.</p>
<p>Em “A beleza do marido”, de 2001, Anne transforma o desgaste de um casamento marcado pela infidelidade em uma sequência de 29 episódios chamados de tangos. Cada um deles começa com versos do poeta inglês John Keats.</p>
<h2>Um livro para lidar com a morte do irmão</h2>
<p>A experimentação de Anne não se limita à linguagem. Em “Nox”, publicado em 2010, a escritora criou um livro-objeto em memória do irmão Michael, morto na Dinamarca em 2000, depois de passar anos afastado da família.</p>
<p>A obra reúne fotografias, cartas, fragmentos de textos e traduções, organizados em páginas dobradas como uma sanfona e guardadas em uma caixa. A composição se desenvolve em diálogo com um poema do escritor romano Catulo, que também escreveu sobre a morte de um irmão em terras estrangeiras.</p>
<p>Em “Float”, de 2016, Anne voltou a desafiar o formato tradicional do livro ao reunir 22 pequenos volumes independentes, que podem ser lidos em qualquer ordem.</p>
<p>Já em “Wrong Norma”, de 2024, combinou textos de diferentes naturezas, aproximando literatura, artes visuais, performance e reflexão acadêmica.</p>
<p>Ao longo da carreira, a canadense também colaborou com artistas plásticos, coreógrafos e diretores de teatro e ópera, ampliando sua produção para além da página escrita.</p>
<p>Em sua trajetória, Anne conquistou importantes distinções literárias. Em 2001, tornou-se a primeira mulher a ganhar o prêmio britânico T. S. Eliot de poesia, por “A beleza do marido”. Também recebeu o Griffin Poetry Prize, uma das principais premiações dedicadas à poesia em língua inglesa.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asEjAGssoPuE0I6w6.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A escritora canadense é a 19ª mulher a receber um Nobel de Literatura. O prêmio já foi dado a 103 homens."/>
<h2>As mulheres na história do Nobel de Literatura</h2>
<p>Com o reconhecimento de Anne, chega a 19 o número de mulheres que receberam o Nobel de Literatura desde sua criação. Ao todo, 103 homens receberam o prêmio. Isso significa que as mulheres representam apenas 15,6% dos vencedores.</p>
<p>A primeira mulher a ser laureada com esse Nobel foi a sueca Selma Lagerlöf, em 1909. Entre as vencedoras estão a chilena Gabriela Mistral (1945), primeira latino-americana a conquistar o prêmio, a alemã Herta Müller (2009), a canadense Alice Munro (2013), a bielorrussa Svetlana Aleksiévitch (2015), a polonesa Olga Tokarczuk (2018) e a francesa Annie Ernaux (2022).</p>
<p>A britânica Doris Lessing recebeu o Nobel de Literatura em 2007, aos 87 anos. Na época, tornou-se a pessoa mais velha a ganhar o prêmio nessa categoria, recorde que mantém até hoje.</p>
<p>Antes de Anne, a última mulher premiada foi a sul-coreana Han Kang, em 2024, reconhecida por uma obra que aborda traumas históricos e a fragilidade da vida humana. Em 2025, o prêmio foi concedido ao húngaro László Krasznahorkai.</p>
<p>Apesar de o Brasil nunca ter recebido um Nobel de Literatura, Clarice Lispector teria sido apontada como candidata ao prêmio em 1971, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Mas isso não foi comprovado.</p>
<h2>Obras publicadas no Brasil</h2>
<p>A obra de Anne começou a chegar ao país em edições traduzidas há quase uma década. Um dos primeiros títulos foi “O método Albertine”, publicado em 2017 pelas Edições Jabuticaba, inspirado em uma personagem de Marcel Proust.</p>
<p>Em 2021, a Editora 34 lançou “Autobiografia do vermelho”. Dois anos depois, lançou “Sobre aquilo em que eu mais penso”, reunião de 11 ensaios traduzidos por Sofia Nestrovski e organizados por ela e Danilo Hora. O livro foi escolhido pela revista Quatro Cinco Um como o melhor de crítica literária daquele ano.</p>
<p>Em 2022, a Bazar do Tempo publicou “Eros, o doce-amargo”, ensaio sobre o desejo amoroso e suas contradições. Em 2024, foi a vez de “A beleza do marido”.</p>
<p>A Relicário lançou em 2022 “Falas curtas”, coletânea de textos breves em edição bilíngue. E em julho deste ano, publicou “Vidro, ironia e deus”, com tradução da escritora brasileira Adriana Lisboa. A coletânea reúne cinco poemas longos e um ensaio, entre eles “O ensaio de vidro”, um dos trabalhos mais conhecidos da canadense.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>50ª Mostra de SP celebra o cinema, a pluralidade e a memória</title>
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      <pubDate>Fri, 09 Oct 2026 20:26:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo chega à sua 50ª edição celebrando não apenas os filmes que apresenta, mas a história de uma relação construída ao longo de quase cinco décadas entre o cinema e seu público. De 15 a 29 de outubro, mais de 380 títulos de 93 países serão exibidos em 57 salas e espaços culturais da capital paulista. A programação reúne vencedores de grandes festivais internacionais, obras independentes, produções brasileiras, retrospectivas, exposições e encontros com cineastas.</p>
<p>A venda de pacotes de ingressos e passes para a Mostra se inicia neste sábado, 10, às 9h, pelo aplicativo oficial do festival e pelo site da Velox Tickets, com valores que vão de R$ 270 a R$ 640. Os ingressos avulsos, que custam de R$ 13 a R$ 32, começam a ser vendidos quatro dias antes de cada sessão. Também haverá exibições gratuitas e ingressos populares no Circuito Spcine.</p>
<p>A edição de aniversário reafirma uma característica que acompanha a Mostra desde sua criação: abrir espaço para diferentes maneiras de fazer cinema e de interpretar o mundo. Entre os destaques deste ano estão “Fjord”, do romeno Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, e “Mulher Desconhecida”, da dinamarquesa May el-Toukhy, que conquistou o Leão de Ouro em Veneza. A seleção também inclui produções que discutem desigualdade, guerra, memória, relações familiares e os conflitos das sociedades contemporâneas.</p>
<p>A abertura para convidados será na quarta-feira, 14, na Sala São Paulo, com “Tigre de Papel”, do americano James Gray – autor do cartaz da Mostra –, e o curta “Sul de Teerã”, do brasileiro Kleber Mendonça Filho. Os dois cineastas estarão presentes na sessão.</p>
<h2>Uma história que começou durante a ditadura</h2>
<p>A Mostra nasceu em 1977, por iniciativa do crítico de cinema Leon Cakoff (1948-2011), no Museu de Arte de São Paulo (Masp). O Brasil ainda vivia sob a ditadura militar, e a censura, somada às limitações do mercado de distribuição, restringia o acesso a produções de diversas partes do mundo.</p>
<p>A proposta de Cakoff era ampliar esse horizonte, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer obras que dificilmente chegariam às salas comerciais brasileiras. Filmes europeus, asiáticos, latino-americanos e africanos passaram a dividir espaço com produções independentes e experimentais, permitindo o contato com diferentes linguagens, culturas e perspectivas.</p>
<p>Ao longo das décadas, a Mostra se transformou em um dos principais eventos cinematográficos do Brasil. Sua importância ultrapassa a apresentação de filmes inéditos. O festival contribuiu para formar público para o cinema de autor, deu visibilidade a diretores ainda pouco conhecidos no país e estabeleceu um espaço de encontro entre realizadores, distribuidores, críticos e espectadores.</p>
<p>Também criou uma tradição própria de cinefilia. Os chamados "mostreiros" organizam suas agendas para assistir a vários filmes por dia, acompanham debates com diretores e fazem da Mostra uma experiência que se estende para além das salas de exibição.</p>
<p>A expansão para diferentes cinemas e centros culturais mudou a relação do festival com a cidade. Na edição de 2026, as sessões chegam a equipamentos públicos em diversas regiões de São Paulo, incluindo Centros Educacionais Unificados (CEUs). A programação também terá atividades em Belém, no Pará, e uma itinerância por dez cidades do interior paulista.</p>
<h2>Um retrato do cinema contemporâneo</h2>
<p>A programação de aniversário reúne obras que se destacaram nos principais festivais internacionais. Além de prêmios, muitos filmes compartilham o interesse por questões sociais e políticas, conflitos familiares e diferentes maneiras de representar a realidade.</p>
<p>“Fjord”, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, é dirigido pelo romeno Cristian Mungiu, conhecido por “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, também vencedor do principal prêmio francês, em 2007. Estrelado por Sebastian Stan e Renate Reinsve, o novo longa acompanha uma família envolvida em um conflito com os serviços de proteção à infância na Noruega. A recepção crítica foi marcada por elogios à construção dos dilemas morais, mas também por divergências sobre a maneira como o filme apresenta as instituições responsáveis pela proteção das crianças.</p>
<p>Outra obra premiada “Mulher Desconhecida”, de May el-Toukhy, que recebeu o Leão de Ouro em Veneza. Ambientado na Dinamarca após a Segunda Guerra Mundial, o drama acompanha uma mulher em uma sociedade marcada pelas consequências da ocupação nazista.</p>
<p>“Amor Possível”, do sul-coreano Lee Chang-dong, conquistou o Grande Prêmio do Júri em Veneza. O filme examina desigualdade econômica, desejo e relações humanas.</p>
<p>Um dos destaques é “Minotauro”, de Andrey Zvyagintsev, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes. O cineasta russo, responsável por “Leviatã” e “Sem Amor”, constrói um drama conjugal que incorpora questões relacionadas à sociedade russa e à guerra na Ucrânia.</p>
<p>“A Terra do Meu Pai”, do polonês Paweł Pawlikowski, tem uma boa média na avaliação de críticos internacionais. A obra acompanha o escritor Thomas Mann e sua filha Erika em uma viagem pela Alemanha devastada pela Segunda Guerra Mundial. A crítica destacou a concisão da narrativa, a reflexão sobre memória e culpa e a atuação de Sandra Hüller.</p>
<p>Entre os filmes espanhóis, “O Ser Querido”, de Rodrigo Sorogoyen, tem Javier Bardem no papel de um diretor de cinema cuja relação com a filha é marcada por conflitos.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/aszCdX9BaVYoxDKBS.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Um dos filmes na programação é “Amor Possível”, do sul-coreano Lee Chang-dong, que conquistou o Grande Prêmio do Júri em Veneza."/>
<h2>Diferentes linguagens e olhares</h2>
<p>Além dos filmes premiados, a Mostra apresenta produções de cineastas consagrados e títulos que exploram diferentes gêneros e formas de narrativa.</p>
<p>“O Outro Lado das Redes”, de Aaron Sorkin, retoma o universo de “A Rede Social”, filme de 2010 sobre a criação do Facebook. A nova produção reúne Jeremy Strong, Jeremy Allen White e Mikey Madison.</p>
<p>“Primetime”, produção da A24 estrelada por Robert Pattinson, também integra a programação. Mais um destaque é “Ray Gunn”, animação para adultos dirigida por Brad Bird, responsável por “Os Incríveis” e “Ratatouille”.</p>
<p>O cinema japonês terá representantes importantes. Hirokazu Kore-eda, diretor de “Assunto de Família”, vencedor da Palma de Ouro em 2018, apresenta “Look Back”, adaptação do mangá de Tatsuki Fujimoto sobre duas jovens unidas pelo interesse pelo desenho.</p>
<p>Já Ryûsuke Hamaguchi, de “Drive My Car”, participa com “O Sentido da Vida”. A presença dos dois cineastas reforça o espaço dedicado pela Mostra a diretores que exploram as relações humanas por meio de diferentes linguagens narrativas.</p>
<p>Entre as produções de maior experimentação está “I Love Boosters”, do americano Boots Riley. A sátira acompanha um grupo que furta artigos de luxo e utiliza o universo da moda para discutir consumo, exploração do trabalho e desigualdade. O diretor estará em São Paulo para apresentar o filme e participar do júri da Competição Novos Diretores.</p>
<h2>Cinema brasileiro e novos realizadores</h2>
<p>A edição comemorativa também abre espaço para produções nacionais de diferentes gêneros e formatos, além de filmes de diretores em início de carreira.</p>
<p>Um dos destaques brasileiros é “Feito Pipa”, de Allan Deberton, escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional de 2027.</p>
<p>O curta “Sul de Teerã”, de Kleber Mendonça Filho, será apresentado na cerimônia de abertura, antes do novo longa de James Gray.</p>
<p>A programação inclui “Elza”, de Eryk Rocha, “Maria de Maria”, de Luiza Shelling Tubaldini, e “O Projeto”, de Sabrina Fidalgo e Yvam Rodic, além de produções documentais e trabalhos de novos realizadores.</p>
<p>A presença brasileira se estende à seção Mostra em Série. Walter Salles apresentará dois episódios ainda em finalização de “Sócrates Brasileiro”, produção sobre o jogador do Corinthians e da seleção brasileira. A conversa com o cineasta está marcada para 23 de outubro.</p>
<p>Também integra a seção “Coligay – A Torcida Impossível”, de Paulo Machline, sobre a torcida gay do Grêmio criada durante a ditadura militar.</p>
<p>A programação inclui ainda cinco curtas realizados com apoio do Displacement Film Fund, iniciativa proposta pela atriz Cate Blanchett em parceria com o Fundo Hubert Bals, do Festival de Roterdã. Os filmes abordam experiências relacionadas ao deslocamento forçado e ao refúgio, ampliando a presença de cineastas e histórias frequentemente pouco representados no cinema internacional.</p>
<h2>A memória do cinema em retrospectivas e homenagens</h2>
<p>As comemorações dos 50 anos também recuperam obras e trajetórias importantes da história do cinema.</p>
<p>James Gray é um dos principais homenageados da edição. Além de apresentar “Tigre de Papel”, o diretor terá uma retrospectiva de sua obra e receberá o Prêmio Leon Cakoff. No dia 15, participará de uma conversa com Walter Salles após a exibição de seu novo filme.</p>
<p>O produtor português Paulo Branco, responsável por mais de 300 produções, também receberá o prêmio. Uma retrospectiva apresentará parte de sua trajetória, incluindo obras de Raúl Ruiz e Werner Schroeter.</p>
<p>Outro convidado é o cineasta indiano S. S. Rajamouli, que apresentará uma sessão especial de “RRR: Revolta, Rebelião, Revolução”, produção de 2022 que conquistou o Oscar de melhor canção original. O encontro está marcado para 19 de outubro.</p>
<p>A Mostra homenageará o diretor polonês Andrzej Wajda, que completaria 100 anos em 2026, com cópias restauradas de “Cinzas e Diamantes”, “O Bosque de Bétulas” e “Sem Anestesia”.</p>
<p>Uma das sessões especiais será dedicada a “Aurora”, clássico de 1927 dirigido por F. W. Murnau. O filme será exibido nos dias 23 e 24 de outubro, no Teatro Cultura Artística, com trilha sonora executada ao vivo pela Orquestra Jazz Sinfônica.</p>
<h2>Exposições e um acervo de cinco décadas</h2>
<p>As comemorações também ultrapassam as salas de cinema.</p>
<p>A exposição “Tempo e Movimento: Os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”, concebida pela cineasta e multiartista Daniela Thomas, apresenta documentos, cartazes e registros da trajetória do festival no Solar Fábio Prado.</p>
<p>O título da exposição recupera uma definição de cinema feita pela artista Tomie Ohtake, responsável pelo cartaz da 17ª edição da Mostra: "Para mim cinema é isso, tempo e movimento".</p>
<p>No Museu da Imagem e do Som (MIS), a exposição “STEPS – Fotografias Inéditas de Abbas Kiarostami” reúne imagens produzidas pelo cineasta iraniano. A programação inclui ainda uma conversa com seu filho, Ahmad Kiarostami, e o diretor argentino Lisandro Alonso.</p>
<p>Dois livros comemorativos recuperam a memória do evento: “Antes que eu Me Esqueça: Um Ensaio de Lembranças para os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”, de Renata de Almeida, e “50 Anos, 50 Cartazes: A História dos Cartazes da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”.</p>
<p>Outro legado é o lançamento de Acervo, plataforma digital com informações sobre mais de 12 mil filmes apresentados ao longo das cinco décadas. A iniciativa permite consultar parte da história da Mostra e acompanhar a evolução das cinematografias que passaram pelo festival.</p>
<h2>Mostrinha e a formação de novas gerações</h2>
<p>A terceira edição da Mostrinha, dedicada ao público infantil, terá 20 longas e um curta de 20 países. Treze produções são animações, dez contam com participação brasileira e nove têm mulheres na direção ou codireção.</p>
<p>A abertura será com “Clarice Vê Estrelas”, escrito e dirigido por Letícia Pires, baseado em seu livro. A arte do cartaz da Mostrinha é de Ziraldo (1932-2024).</p>
<p>Parte das sessões será gratuita, especialmente nos CEUs e em outros equipamentos culturais. A iniciativa amplia o alcance da Mostra e contribui para a formação de novas gerações de espectadores.</p>
<h2>Como comprar ingressos</h2>
<p>Como informado mais acima, a venda de permanentes e pacotes começa neste sábado, 10. O passe conhecido como Permanente Integral custa R$ 640 e permite o acesso a sessões em todos os dias e horários, incluindo sessões especiais. Já a Permanente Especial custa R$ 160 e vale para exibições de segunda a sexta-feira, com início até as 17h55.</p>
<p>Há um pacote de 40 ingressos por R$ 440 e outro de 20 ingressos por R$ 270. Os créditos podem ser trocados por ingressos a partir de cinco dias antes de cada sessão.</p>
<p>E existem os ingressos avulsos. De segunda a quinta-feira, custam R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia). De sexta-feira a domingo, os valores são R$ 32 (inteira) e R$ 16 (meia).</p>
<p>A compra antecipada de entradas individuais começa quatro dias antes da sessão, sempre às 9h. Os ingressos também poderão ser adquiridos no dia da exibição, conforme a disponibilidade. O cancelamento pode ser feito até quatro horas antes do início.</p>
<p>No Circuito Spcine, algumas salas oferecem ingressos a R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). A programação também inclui sessões gratuitas, especialmente em equipamentos públicos e espaços culturais.</p>
<h2>Serviço — 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</h2>
<p>Período: 15 a 29 de outubro de 2026.</p>
<p>Programação: mais de 380 títulos de 93 países, em 57 salas e espaços culturais.</p>
<p>Venda de pacotes e permanentes: a partir de sábado, 10 de outubro, às 9h.</p>
<p>Ingressos: pelo aplicativo oficial da Mostra ou pelo site  Velox Tickets .</p>
<p>Programação completa:  mostra.org .</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Cinema de rua ganha novas salas e recupera lugares históricos pelo Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/cinema-de-rua-ganha-novas-salas</link>
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      <pubDate>Wed, 30 Sep 2026 15:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Quem assistiu a “O Agente Secreto”, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, viu um cinema de rua ocupar papel de destaque na história. Inaugurado em 1952 às margens do rio Capibaribe, no Recife, o Cinema São Luiz é um dos principais cenários do filme estrelado por Wagner Moura.</p>
<p>Fora das telas, cinemas como o São Luiz ajudam a contar outra história. Depois de décadas em que boa parte deles migrou para os shopping centers, mais salas estão surgindo nas ruas de cidades brasileiras, enquanto espaços históricos são recuperados e voltam a receber público.</p>
<p>O exemplo mais recente está em São Paulo. Nesta sexta-feira, 2, a Vila Madalena ganha seu primeiro cinema de rua. Instalado na rua Girassol, o Cine Tutu nasce com 114 lugares e uma proposta que procura aproximar a experiência da tela grande e a vida do bairro.</p>
<p>Na véspera da inauguração oficial, o cinema recebe uma sessão especial do documentário “Naza”, ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza, que examina as vítimas civis das operações militares de Israel em Gaza e os sistemas por trás dos assassinatos seletivos de palestinos. A programação já está definida e os ingressos para as primeiras sessões estão à venda. Entre os títulos estão “As Dores do Mundo: Hyldon”, sobre a trajetória do cantor e compositor baiano, e “Digger”, com Tom Cruise, que faz um magnata bilionário do petróleo.</p>
<p>Idealizado por Paulo Velasco, também à frente do Cinesala, cinema de rua paulistano, no bairro de Pinheiros, o Tutu ocupa um imóvel originalmente concebido para ser um teatro, mas que permaneceu por anos sem uso. O projeto arquitetônico é de Isay Weinfeld.</p>
<p>A sala tem tela de 8,90 por 3,72 metros, projetor a laser com resolução 4K e som digital Dolby 7.1. As poltronas têm estampa floral e, antes de chegar à sala de exibição, o público atravessa espaços concebidos também para a convivência.</p>
<p>Logo na entrada fica uma unidade do Barouche, café-bar aberto mesmo para quem não vai ao cinema. Há ainda uma arquibancada com almofadas e áreas de estar. A proposta é fazer com que o público permaneça no espaço antes ou depois das sessões.</p>
<p>“O cinema de rua tem uma relação muito particular com a cidade. Você não vai apenas assistir a um filme: sai de casa, atravessa o bairro, encontra pessoas, passa pelo bar, conversa antes ou depois da sessão”, afirma Velasco. A intenção, de acordo com ele, é levar o Cine Tutu faça parte da vida na cidade e “que aproxime diferentes públicos do cinema”.</p>
<p>O Cine Tutu também tem como sócios Alfredo Setubal, sócio da Editora Todavia; Marcos Nisti, empreendedor social, sócio-fundador da Maria Farinha Filmes e vice-presidente do Instituto Alana; e Mariana Lucas, pesquisadora e professora de Cinema e Audiovisual da Faap e especialista em história e teoria do cinema, como investidores e conselheiros da iniciativa.</p>
<p>A programação reunirá produções brasileiras e internacionais, lançamentos, cinema de arte, sessões temáticas e mostras. Já no primeiro mês de funcionamento, o Tutu fará parte do circuito da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asrIo87eu0f0R1aa2.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Com 144 lugares, a sala do Cine Tutu tem assentos com estampa floral."/>
<h2>Salas de diferentes gerações em São Paulo</h2>
<p>A capital paulista mantém cinemas de rua de diferentes épocas e dimensões. O próprio Cinesala funciona em um endereço dedicado ao cinema desde 1962, quando ali foi inaugurado o Cine Fiammetta. Depois de passar por diferentes nomes e administrações, o espaço foi reformado e reaberto como Cinesala em 2014.</p>
<p>Em Perdizes, o Cine LT3 representa uma geração mais recente de pequenos cinemas de bairro. Aberto em 2022 na rua Apinajés, mantém programação de filmes brasileiros e estrangeiros em uma sala de poucas dezenas de lugares.</p>
<p>No centro, o PlayArte Multiplex Marabá preserva um endereço da antiga Cinelândia Paulistana. Inaugurado em 1945, o antigo Cine Marabá nasceu com uma única e enorme sala. Depois de uma reforma, reabriu em 2009 transformado em um complexo de cinco salas.</p>
<p>Outro endereço histórico prepara uma volta ainda mais simbólica. O antigo Cine Copan, no térreo do edifício projetado por Oscar Niemeyer, está fechado há quase quatro décadas e será transformado no Nu Cine Copan.</p>
<p>O espaço terá cerca de 440 lugares, tela LED de 17 metros e sistema de som Dolby Atmos. Neste ano, recebeu temporariamente o espetáculo “Hamlet, sonhos que virão”, antes do início das obras. A reforma começou em maio e tem conclusão prevista para junho de 2027. Só depois dessa etapa o espaço deverá entrar em funcionamento como cinema.</p>
<h2>Rio recupera cinemas de rua</h2>
<p>No Rio de Janeiro, o movimento recente tem outra característica. Em vez de se concentrar na abertura de salas privadas inteiramente novas, a cidade vem recuperando cinemas em diferentes regiões.</p>
<p>Entre eles está o CineCarioca José Wilker, inaugurado em dezembro de 2024 nas Casas Casadas, em Laranjeiras. O endereço estava sem cinema desde 2008 e voltou a funcionar com duas salas.</p>
<p>Também passaram por recuperação ou modernização espaços como o Ponto Cine, em Guadalupe; o Cine Santa, em Santa Teresa; o CineCarioca Penha e o CineCarioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão.</p>
<p>A Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) também reabriu sua sala de exibição em março de 2025 após uma ampla modernização, com novos equipamentos de projeção, áudio e iluminação.</p>
<p>As iniciativas fazem parte de um movimento da prefeitura para recuperar cinemas de rua. A RioFilme informa que sete espaços passaram por reformas, reaberturas ou modernizações nos últimos anos.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asuNQpkfraHACfGCR.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O CineCarioca José Wilker, inaugurado em dezembro de 2024 nas Casas Casadas, em Laranjeiras, retomou um espaço que estava sem cinema desde 2008."/>
<h2>Uma nova sala em Salvador</h2>
<p>Em Salvador, um dos exemplos mais recentes está longe dos tradicionais circuitos culturais do centro da cidade.</p>
<p>O Cine Lankiana foi inaugurado em janeiro de 2025 no Quilombo do Coqueiro Grande, na região de Cajazeiras. Criado pelo Instituto Audiovisual Mulheres de Odun, tem 48 lugares e programação de produções brasileiras e estrangeiras.</p>
<p>Em setembro, o espaço recebeu parte da programação da Mostra de Cinemas Africanos, com produções de países como Senegal e Quênia.</p>
<p>Com isso, a programação cultural de Salvador ganhou uma nova sala, após a cidade ter perdido grande parte de seus antigos cinemas de rua. Entre os que permanecem está o Cine Glauber Rocha, na Praça Castro Alves. O endereço abrigou o antigo Cine Guarany, inaugurado em 1919. Depois de fechar em 1998, foi recuperado e voltou a funcionar como complexo cinematográfico em 2008.</p>
<h2>No Recife, o cinema que virou personagem</h2>
<p>A capital pernambucana se destaca pela recuperação de cinemas que fazem parte da memória da cidade. Inaugurado em 1952 na rua da Aurora, o São Luiz se tornou um dos mais emblemáticos cinemas de rua do país. Fechado por mais de dois anos para obras estruturais, reabriu em 2024. Em janeiro deste ano, passou por uma nova intervenção para recuperação do forro, modernização da climatização e melhorias de acessibilidade.</p>
<p>Em julho, voltou a manter sessões permanentes de quarta-feira a domingo. O prédio também passou a abrigar o Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano.</p>
<p>E a relação entre a sala e o cinema ganhou uma nova dimensão com “O Agente Secreto”. Ambientado no Recife de 1977, o filme – que entrou na disputa do Oscar – transformou o São Luiz em parte da própria narrativa. O personagem interpretado por Carlos Francisco trabalha como projecionista, e o interior da sala aparece em momentos importantes da história.</p>
<p>Recife prepara ainda a retomada de outro cinema de rua. O Teatro Apolo, no Recife Antigo, deverá voltar a receber sessões de cinema até o fim de 2026.</p>
<p>O espaço ganhou uma sala de exibição em 1996, mas as sessões foram interrompidas em 2016 por problemas técnicos. O projeto de recuperação prevê obras e novos equipamentos para que o cinema volte a funcionar uma década depois.</p>
<p>Os exemplos de São Paulo, Rio, Salvador e Recife mostram que as salas de cinema oferecem mais do que títulos de filmes: são acessos para uma relação maior com a vida do bairro e da cidade.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>Brasil tem seis pré-indicados ao Oscar e encara cenário desafiador</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/brasil-tem-6-finalistas-na-corrida-por-indicacao-ao-oscar-e-encara-cenario-mais-desafiador</link>
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      <pubDate>Sat, 12 Sep 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Desde 2025, o cinema brasileiro atravessa um período que críticos de cinema e pesquisadores da área têm  classificado como auge de sua participação em premiações.</p>
<p>A inédita vitória de "Ainda Estou Aqui" no Oscar de melhor filme internacional e, em 2026, a indicação de "O Agente Secreto" à mesma estatueta foram acompanhados de inesperados prêmios de atuação no Globo de Ouro -- para Fernanda Torres e Wagner Moura -- e colocaram o cinema brasileiro definitivamente no mapa dessa indústria.</p>
<p>Para o próximo ano, no entanto, as perspectivas dão  menos razão para otimismo . Na terça-feira, 9, Academia Brasileira de Cinema anunciou os seis filmes pré-selecionados para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de 2027.</p>
<h2>Veja a lista</h2>
<p>Após essa definição, a comissão responsável se reunirá novamente em 16 de setembro para anunciar e indicar um único longa-metragem à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Esse título, ao lado de representantes das outras nações, concorre a uma das cinco vagas na categoria.</p>
<p>No mercado cinematográfico, o período entre a submissão do título e a seleção pelos votantes do Oscar é conhecido pela intensa campanha realizada por equipes de produção, estúdios e distribuidoras. É este ponto que revela as dificuldades brasileiras.</p>
<p>Nos dois últimos anos, os  indicados do país tinham diretores reconhecidos internacionalmente -- Walter Salles, de "Ainda Estou Aqui", e Kleber Mendonça Filho, de "O Agente Secreto -- e trajetórias sólidas em festivais internacionais, que são considerados "termômetros" para a  premiação mais popular do cinema mundial. </p>
<p>O longa de Kleber, por exemplo, venceu os prêmios de melhor direção e ator no Festival de Cannes meses antes do Oscar. Por esta ótica, as principais apostas recaem sobre "Feito Pipa", exibido no Festival de Berlim, e "Vicentina Pede Desculpas", que estará em competição no Festival de Toronto.</p>
<p>Este segundo, inclusive, garantiu distribuição e estreará mundialmente em novembro na Netflix. O serviço de streaming assegura, além de maior visibilidade, recursos para uma participação robusta em eventos da indústria nos Estados Unidos, onde estão concentrados os votantes da Academia.</p>
<p>O fator foi essencial para as últimas campanhas brasileiras. "Ainda Estou Aqui", com orçamento de produção estimado em R$ 45 milhões, teve investimento robusto para levar elenco e diretor a noites de estreia e programas de entrevistas nos EUA, além da distribuição da Sony Pictures Classics. </p>
<p>"O Agente Secreto", por sua vez, contou com distribuição internacional da Neon, vencedora do Oscar de Melhor Filme com o americano "Anora", em 2025, e o sul-coreano "Parasita", cinco anos antes.</p>
<p>Comentarista do Oscar na TV Globo e especialista na temporada de premiações, o crítico Waldemar Dalenogare afirmou ao jornal O Globo que este é um "ano diferente"  para o cinema brasileiro em relação aos dois anteriores. "Existia uma expectativa gigantesta de indicações e amplo apoio das distribuidoras nos EUA", relembrou.</p>
<p>Para 2027, a bússola indica outras direções. Ao contrário dos últimos dois anos, nenhuma produção brasileira foi incluída pela Variety, principal revista americana do segmento,na projeção mais recente da lista de cinco indicados a melhor filme internacional. No site Spoiler Movies, principal veículo brasileiro a fazer essa projeção, também não.</p>
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        <media:credit role="photographer">PATRICK T. FALLON</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP</media:credit>
        <media:title>Walter Salles sobe ao palco do Oscar para receber estatueta por 'Ainda Estou Aqui': reconhecimento inédito para o Brasil</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>'Não Existe Almoço Grátis': documentário sobre cozinheiras do MTST discute fome e desigualdade</title>
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      <pubDate>Thu, 03 Sep 2026 13:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O documentário “ Não Existe Almoço Grátis ” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 3, com  sessões nas salas de 10 cidades . </p>
<p>Dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, o longa acompanha o trabalho de  três mulheres negras que coordenam uma Cozinha Solidária do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto)  no Sol Nascente, em Brasília, considerada a maior favela do país.</p>
<p>As três foram responsáveis pela  preparação de refeições para centenas de militantes que foram à posse do presidente Lula (PT)  na volta ao cargo, em 1º de janeiro de 2023.</p>
<p>O documentário parte do cenário de fome agravado durante a pandemia de covid-19 para discutir os efeitos da  ausência de políticas públicas e o papel da organização coletiva diante da desigualdade . </p>
<p>"Não Existe Almoço Grátis" também atravessa o contexto  que antecedeu a posse presidencial, marcado por ameaças de golpe e episódios de violência política, e discute ideias como meritocracia e mercantilização da fome.</p>
<p>Antes de chegar aos cinemas, o documentário foi premiado em festivais brasileiros. No Festival de Brasília, venceu o prêmio de melhor filme pelo júri popular e recebeu menção honrosa do júri oficial; na Mostra Ecofalante, levou melhor filme pela votação popular.</p>
<p>O longa-metragem terá sessões em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, João Pessoa, Penedo, Poços de Caldas, Porto Alegre e Salvador. Veja o trailer abaixo:</p>
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        <media:credit role="photographer">Divulgação/Descoloniza Filmes</media:credit>
        <media:credit role="provider">Divulgação/Descoloniza Filmes</media:credit>
        <media:title>Não Existe Almoço Grátis</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Semana do Cinema tem ingressos a partir de R$ 10; confira como funciona</title>
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      <pubDate>Tue, 01 Sep 2026 15:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Entre os dias 10 e 16 de setembro, começa a  Semana do Cinema  de 2026 com preços promocionais em todo o Brasil. Os ingressos custarão  R$ 10  para sessões iniciadas antes das 17h, enquanto os filmes exibidos a partir desse horário custarão  R$ 12 , incluindo sábados e domingos.</p>
<p>A promoção é válida para as sessões tradicionais das redes participantes, mas não contempla pré-estreias, shows ou salas especiais, então quem pretende aproveitar o preço reduzido precisa ficar atento ao tipo de sessão escolhido no momento da compra. Além dos ingressos,  as redes de cinema também devem oferecer combos de pipoca e refrigerante com valores promocionais durante a semana.</p>
<p>Haverá também  combos de pipoca e refrigerante  com preços promocionais, de acordo com cada rede.</p>
<p>Entre os filmes que estarão disponíveis com preços promocionais estão sucessos de bilheteria como  Homem-Aranha: Um Novo Dia ;  A Odisseia ;  Minha Melhor Amiga , com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli;  Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor ;  Ponto Sem Retorno , de Ridley Scott; e  O Convite  e  Código: Vingança , filme de ação estrelado por Jason Statham. A programação, no entanto, pode variar de acordo com cada cinema e cidade.</p>
<p>O evento é realizado pela FENEEC (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas), com apoio da ABRAPLEX,  Ingresso.com  e Grupo Consciência. A edição anterior registrou mais de 3,9 milhões de ingressos vendidos. Desde a criação da iniciativa, mais de 26,7 milhões de pessoas já foram aos cinemas durante as edições da campanha.</p>
<h2>Como aproveitar</h2>
<p>Basta consultar a programação da rede de cinema escolhida e selecionar uma sessão participante entre 10 e 16 de setembro. </p>
<p>Para quem puder ir durante a tarde, o ingresso de R$ 10 vale para as sessões que começam até 16h59, enquanto tiver preferência pelo período noturno encontrará entradas por R$ 12, desde que a sessão não seja uma das modalidades excluídas da campanha.</p>
<h2>Semana do Cinema 2026</h2>
<p>Quando:  10 a 16 de setembro</p>
<p>Quanto:  R$ 10 para sessões iniciadas antes das 17h e R$ 12 para sessões a partir das 17h</p>
<p>Onde:  cinemas participantes de todo o Brasil</p>
<p>O que não entra na promoção:  pré-estreias, shows e salas especiais</p>
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        <media:credit role="provider">Pexels</media:credit>
        <media:title>cinema</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>‘Grande Sertão: Veredas’: 70 anos da obra que dá voz ao Brasil profundo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/grande-sertao-veredas-70-anos-da-obra-que-da-voz-ao-brasil-profundo</link>
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      <pubDate>Sun, 26 Jul 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Obra fundamental da literatura brasileira, o romance “ Grande Sertão: Veredas ”, do escritor mineiro João Guimarães Rosa, completa 70 anos neste mês. Ambientado em uma região que compreende Minas Gerais, Goiás e Bahia, o livro transformou a geografia, a linguagem e os conflitos de um sertão marcado por jagunços e coronéis em uma narrativa de alcance universal.</p>
<p>A história é contada por Riobaldo, ex-jagunço que relembra suas travessias, batalhas, alianças e perdas. Ao reconstruir sua trajetória e a relação com o personagem Diadorim, o narrador procura compreender a existência do diabo, os limites entre o bem e o mal e a possibilidade de cada pessoa escolher o próprio destino.</p>
<p>Essas indagações estão diretamente ligadas ao território percorrido pelos personagens. O sertão não funciona apenas como cenário: condiciona os deslocamentos, impõe perigos, determina encontros e interfere na formação da consciência de Riobaldo. Rios, veredas, chapadas, fazendas, arraiais e caminhos constituem uma força central do romance.</p>
<p>O reconhecimento foi imediato. Publicado em 16 de julho de 1956 pela Livraria José Olympio Editora, “ Grande Sertão: Veredas ” recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pelo Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa, em 1956, e o Prêmio Paula Brito, em 1957. Traduzido para diversos idiomas, o romance consolidou Guimarães Rosa entre os autores centrais da literatura brasileira e ampliou internacionalmente o alcance de uma narrativa profundamente ligada à paisagem e à linguagem do sertão.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/aszbcn9dIoeD1zafE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Cena da minissérie 'Grande Sertão', da Rede Globo, exibida originalmente em 1985."/>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asuq3YDrn1LfUfcjr.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Tony Ramos faz o papel de Riobaldo, que conta a história. Bruna Lombardi interpreta Diadorim."/>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asgAiUBfacqZYKYFM.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A produção da Globo retratou guerras entre jagunços e a vida nas pequenas cidades de Minas Gerais, Goiás e Bahia."/>
<p>A obra também ganhou uma adaptação memorável da TV Globo em 1985. Com roteiro de Walter George Durst e direção de Walter Avancini, a minissérie teve Tony Ramos como Riobaldo e Bruna Lombardi no papel de Diadorim. Gravada no sertão mineiro, " Grande Sertão"  mobilizou centenas de profissionais e cerca de 1,8 mil figurantes da região para transportar à televisão as guerras entre jagunços, as paisagens e os dilemas do romance. Seus 25 episódios estão atualmente disponíveis no Globoplay.</p>
<h2>Um sertão real e imaginário</h2>
<p>Estudos já identificaram mais de 400 localidades reais citadas em “ Grande Sertão: Veredas ”, entre cidades, povoados, propriedades rurais e acidentes geográficos. Algumas correspondências ainda são discutidas, mas os rios Urucuia e São Francisco são referências incontestáveis.</p>
<p>A cartografia do romance inclui Morro da Garça, Três Marias, Curvelo, Lassance, Pirapora, São Francisco, Januária e Cordisburgo, terra natal de Guimarães Rosa. Também aparecem a Serra das Araras, em Chapada Gaúcha, e Paredão de Minas, distrito de Buritizeiro associado à batalha final do livro.</p>
<p>Parte dos caminhos percorridos por Guimarães Rosa pode ser conhecido pelos leitores. Criado em 2014, o projeto Caminhos de Rosa promove experiências pelo território que inspirou o escritor, com caminhadas, corridas, trajetos de bicicleta e travessias que incluem encontros com moradores e hospedagens em fazendas da região. Os percursos atravessam paisagens e comunidades do sertão mineiro e uma das rotas de longa distância chega à região do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, criado pelo governo federal em 1989.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asBnIP9qR8ELjWy5N.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Estação ferroviária Cordisburgo"/>
<p>Essa unidade de conservação é a única no país a homenagear uma obra literária. O parque nacional preserva parte da paisagem das Gerais retratada no livro, além de proteger a biodiversidade e os recursos hídricos do Cerrado. Ampliado em 2004, ele ocupa cerca de 230 mil hectares entre Minas Gerais e a Bahia.</p>
<p>Vale explicar que as veredas são áreas úmidas que se formam em terrenos onde a água aflora, geralmente marcadas pela presença do buriti, uma palmeira de tronco alto que, na região, costuma ter entre 12 e 15 metros. No romance, essas formações orientam as travessias, oferecem abrigo e participam diretamente da experiência dos personagens.</p>
<h2>A linguagem como centro da obra</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asBrYpX5TF8cAYaXf.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A editora Companhia das Letras lançou a edição comemorativa de 70 anos"/>
<p>Se a paisagem oferece o chão do romance, é a linguagem que lhe dá existência. Guimarães Rosa combinou expressões populares, regionalismos, palavras antigas, alterações de sentido, construções sintáticas incomuns e vocábulos inventados.</p>
<p>Quando o livro foi lançado, parte da crítica reagiu com estranhamento. A fala dos personagens chegou a ser descrita como uma língua “de outro planeta”. Para o biógrafo de Guimarães Rosa, o jornalista Leonêncio Nossa, essa avaliação revelava principalmente o desconhecimento de setores da intelectualidade sobre a maneira de falar das populações do interior brasileiro.</p>
<p>Segundo o biógrafo, em entrevista dada à Agência Brasil, Rosa rejeitava a ideia de ter inventado sozinho uma língua. Ele afirmava que os vaqueiros de Minas Gerais, da Bahia e de Goiás já utilizavam muitas daquelas formas de expressão.</p>
<p>A linguagem do romance, portanto, não é uma simples transcrição da oralidade. Rosa reorganizou sons, ritmos e expressões para criar a fala de Riobaldo. O narrador hesita, repete ideias, corrige lembranças, interrompe raciocínios e muda de direção enquanto tenta atribuir sentido ao passado.</p>
<p>Nossa também observa que “nonada”, palavra que abre o livro e costuma ser tratada como criação do escritor, aparecia anteriormente em jornais brasileiros. Embora tenha produzido neologismos, Rosa também recuperou palavras que tinham deixado de circular amplamente.</p>
<p>A abertura com “nonada” antecipa um dos movimentos essenciais do romance. Uma palavra aparentemente estranha conduz o leitor a uma língua que, embora profundamente trabalhada pelo escritor, tem raízes na história e na fala do país. Rosa não apenas inventou formas de expressão: preservou e renovou uma parte do português brasileiro.</p>
<p>O escritor mineiro levou aproximadamente dez anos para concluir “Grande Sertão: Veredas”. No mesmo período, trabalhou em “Corpo de Baile”, ciclo de novelas também publicado em 1956. De acordo com Leonêncio Nossa, o romance teria surgido inicialmente como uma das histórias desse conjunto, mas ganhou dimensão suficiente para se tornar uma obra independente.</p>
<h2>Edição comemorativa</h2>
<p>A Companhia das Letras lançou uma edição especial comemorando os 70 anos, com 608 páginas. O livro tem novo projeto gráfico e capa elaborada a partir de uma obra da artista mineira Sonia Gomes. Ele traz também um ensaio inédito do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance.</p>
<p> A edição comemorativa conta ainda com depoimentos de leitores ilustres que foram fortemente influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior. Os preços da obra ficam em R$ 209,90 (livro físico) e R$ 44,90 (e-book).</p>
<p>
A celebração dos 70 anos de “ Grande Sertão: Veredas ” na Companhia das Letras inclui um audiolivro narrado pelo ator Caio Blat, com trilha sonora e entradas de viola de Ivan Vilela, já disponível nas principais plataformas de áudio.</p>
<p>
Em agosto, será realizado, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, um ciclo de debates sobre o livro. Uma biografia de João Guimarães Rosa escrita por Gustavo de Castro, poeta, escritor e professor da Universidade de Brasília (UnB), também deve ser publicada no fim do ano. O livro narra em detalhes a vida do escritor, médico e diplomata que viria a se tornar um dos nomes mais fascinantes da literatura brasileira.
</p>
<p>Outra novidade é que o livro ganhará novas traduções em 2027. Em inglês, a australiana Alison Entrekin responde pelo trabalho de “ Vastlands: The crossing ”, título que substituirá a da versão de 1963, “ The devil to pay in the backlands ”. O alemão Berthold Zilly responde por “ Großer Sertão: Querungen ”.   </p>
<h2>Quem foi Guimarães Rosa</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asMBBtEsMiV2NISeE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Guimarães Rosa em fotos de um acervo digital"/>
<p>João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Filho de Florduardo Pinto Rosa e Francisca Guimarães Rosa, mudou-se aos 10 anos para Belo Horizonte. Formou-se em medicina em 1930 e trabalhou como médico antes de ingressar na carreira diplomática.</p>
<p>Sua estreia literária ocorreu em 1929, com a publicação do conto “ O mistério de Highmore Hall ” na revista O Cruzeiro. Em 1936, a coletânea de poemas “ Magma ”, que permaneceria inédita durante sua vida, recebeu o Prêmio Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>Como diplomata, trabalhou em Hamburgo, Bogotá e Paris e representou o Brasil em conferências internacionais. Posteriormente, ocupou diferentes funções no Ministério das Relações Exteriores e assumiu, em 1962, a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras.</p>
<p>A consagração literária começou com “ Sagarana ”, publicado em 1946. A coletânea renovou o regionalismo brasileiro ao trabalhar com paisagens e materiais de origem local por meio de uma linguagem experimental e de temas universais.</p>
<p>Em 1956, Rosa publicou “ Corpo de Baile ” e “ Grande Sertão: Veredas ”.  Com “ Primeiras estórias ”, de 1962, recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil.</p>
<p>Guimarães Rosa foi eleito para a Cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras em 8 de agosto de 1963, na sucessão de João Neves da Fontoura. Adiou a posse por quatro anos e foi recebido por Afonso Arinos de Melo Franco em 16 de novembro de 1967. Morreu três dias depois, aos 59 anos.</p>
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        <media:credit role="provider">Parque Nacional Grande Sertão Veredas</media:credit>
        <media:title>parque nacional grande sertao</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>'Noites Brancas': como o clássico de Dostoiévski virou pop no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/noites-brancas-como-o-classico-de-dostoievski-virou-pop-no-brasil</link>
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      <pubDate>Sat, 25 Jul 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um romance clássico publicado na Rússia ganhou espaço entre suspenses joviais e tramas adaptadas para os cinemas e ingressou em listas dos livros mais vendidos de livrarias, lojas digitais e acervos gratuitos. A título de hoje, ‘Noites Brancas’, de Fiódor Dostoiévski, cumpre os critérios para ser classificado como literatura pop no Brasil — quase dois séculos após sua publicação original, em 1848.</p>
<p>No levantamento que a revista Veja publica semanalmente com os títulos mais vendidos do país, o russo ficou em primeiro lugar entre as obras de ficção na semana de 17 de julho e, em 24 de julho, na segunda posição.</p>
<p>A lista mais recente conta ainda com ‘Memórias do Subsolo’, obra-prima do autor russo, na 15ª posição. Os dois romances, publicados no século XIX, dividem espaço com tramas contemporâneas de suspense, histórias de forte apelo entre os jovens e que inspiraram adaptações cinematográficas, como ‘O Massacre da Família Hope’, ‘A Hipótese do Amor’ e ‘Verity’.</p>
<p>Conforme os dados da Bookinfo, que agrega informações fornecidas pelas principais redes de livrarias do país, 12.102 unidades de ‘Noites Brancas’ foram comercializadas no país em 2026 — os dados foram consultados em 23 de julho —, o que dá ao título o status de 16º mais vendido no ano entre as obras de ficção.</p>
<p>O fenômeno é reforçado pela variedade de acesso. No MEC Livros, plataforma lançada pelo Ministério da Educação em abril que disponibiliza edições digitais de livros de forma gratuita, ‘Noites Brancas’ é a segunda obra preferida dos usuários, com 3.376 empréstimos.</p>
<p>O russo ficou atrás apenas de ‘Torto Arado’, de Itamar Vieira Júnior — com 3.704 empréstimos. Quando considerados os números da tradução alternativa do romance, que teve 1.040 empréstimos, ‘Noites Brancas’ é a obra mais emprestada na plataforma.</p>
<h2>Nas graças da geração Z</h2>
<p>Não é a primeira vez que um clássico ganha o interesse dos leitores brasileiros séculos após ser publicado. Mas alguns fatores ajudam a explicar porque especificamente ‘Noites Brancas', um romance melancólico que narra o encontro entre um jovem solitário e uma mulher que aguarda seu marido em São Petesburgo, se popularizou no país.</p>
<p>Embora a narrativa pareça pouco conectada aos interesses dos jovens de 16 a 24 anos, que representam cerca de 41% dos usuários do TikTok no Brasil, a rede social de vídeos curtos é fundamental para completar esse quebra-cabeça.</p>
<p>Em 24 de julho, uma busca da reportagem do  Global South World Brasil  pelo termo ‘Noites Brancas’ na plataforma resultou, nas 10 primeiras publicações apresentadas, em uma soma de 227,1 mil curtidas.</p>
<p>Todos esses conteúdos foram publicados por mulheres — que representam 61% do mercado consumidor literário no Brasil, segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, publicada em abril de 2026 — e parte deles por perfis de ‘Booktokers', como são identificados os produtores de conteúdos sobre literatura nas redes sociais.</p>
<p>A popularidade na plataforma não foi fruto de estratégia publicitária. Em entrevista ao site PublishNews, Eliete Cotrim, gerente comercial da Editora 34, que publica ‘Noites Brancas’ no país, afirmou ter descoberto o interesse dos mais jovens pela obra na Bienal do Rio de 2025, quando ela já havia ‘viralizado’ no TikTok.</p>
<p>“A gente demorou meses para entender o que estava acontecendo. Eles [jovens] abriam o celular e mostravam os vídeos. Foi assim que descobrimos: o TikTok havia descoberto a literatura russa para uma nova geração”, afirmou.</p>
<p>Ao longo dos meses seguintes, nas graças dos ‘Booktokers’ e das gerações de jovens leitores, o clássico russo expandiu essa onda de popularidade para além das fronteiras da plataforma — e impulsionou o interesse dos brasileiros por seu autor.</p>
<p>Conforme os dados do Google Trends, ferramenta que permite comparar o interesse do público por um termo em diferentes períodos, as buscas por ‘Noites Brancas’ no site de buscas cresceram 70% neste ano, no Brasil, em relação a 2025.</p>
<p>No mesmo período de comparação, ‘Fiódor Dostoiévski’ foi 30% mais buscado pelos usuários brasileiros do que no último ano.</p>
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        <media:credit role="photographer">DIMITAR DILKOFF</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP</media:credit>
        <media:title>Dostoiévski</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Com viés antibolsonarista, documentário sobre CPI da Covid estreia nos cinemas</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/documentario-sobre-cpi-da-covid-chega-aos-cinemas-com-lado-e-criticas-a-atuacao-de-bolsonaro</link>
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      <pubDate>Fri, 03 Jul 2026 21:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>“Anatomia do Caos”, documentário que estreou na quinta-feira, 2, nos cinemas brasileiros, destaca o papel dos senadores responsáveis pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19 para que a pandemia não fizesse ainda mais vítimas no país.</p>
<p>O coronavírus matou cerca de 693 mil pessoas no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), que durou de 2019 a 2022. Ao  Global South World Brasil,  a diretora Dandara Ferreira atribuiu à investigação parlamentar responsabilidade parcial pelo fracasso na tentativa de reeleição do ex-presidente, ainda que não tenha gerado responsabilização judicial -- o relatório final pediu o indiciamento de 65 pessoas pela atuação na pandemia, mas as investigações foram arquivadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República).</p>
<p>"Há um sentimento de injustiça, claro. Bolsonaro foi preso [por uma tentativa de golpe de Estado], mas não foi punido [pela pandemia]", disse Dandara. "Ao mesmo tempo, a CPI provocou a aceleração na compra de vacinas, paralisou um esquema de corrupção que estava em curso e foi muito responsável pelo resultado das eleições de 2022. Não 'terminou em pizza'", concluiu.</p>
<p>Vale lembrar que, na contramão de entidades científicas e da OMS (Organização Mundial da Saúde), o ex-presidente se opôs à vacinação, ao uso de máscaras e ao isolamento social. Durante seu governo, o Brasil -- sétima população do mundo -- tornou-se o segundo país com maior número de vítimas fatais da Covid-19.</p>
<h2>Documentário tem abordagem unilateral</h2>
<p>Ao longo de 85 minutos, a produção intercala registros das sessões em que integrantes do alto escalão do governo federal, médicos que defenderam o tratamento precoce contra o coronavírus e empresários aliados de Bolsonaro foram interrogados na CPI, declarações agressivas do então chefe do Executivo e entrevistas realizadas nos gabinetes do Senado, onde  Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) -- presidente e vice da CPI -- detalham os trabalhos em curso.</p>
<p>Dandara relatou à reportagem que o acesso aos políticos foi fruto de uma relação de confiança com os parlamentares, construída durante os mais de cinco meses de filmagens, e da percepção de que o trabalho da CPI precisava ser divulgado.</p>
<p> Ao mesmo tempo, atribuiu a uma decisão narrativa a escolha de não abrir o microfone a aliados de Bolsonaro. "Os apoiadores do governo optaram por obstruir [as investigações] e negar obviedades que estavam sendo denunciadas. Eu adoraria, inclusive, que eles tivessem levado a CPI a sério e explicassem o atraso para a compra de vacinas, a descrença na ciência, a falta de empatia com os mortos e suas famílias. Se isso tivesse acontecido, eu poderia ouvi-los. Mas todo filme tem um lado, ainda que pareça neutro. Eu não escondo o lado do meu filme, que é favorável à ciência", concluiu.</p>
<p>"Anatomia do Caos" engrossa uma lista que já conta com títulos como  "Apocalipse nos Trópicos" (2025, disponível na Netflix), de Petra Costa, e "O Processo" (2018, também disponível na Netflix), de documentários  que registram episódios recentes da política nacional. Ao  Global South World Brasil , a diretora classificou o próprio filme como uma obra sobre a necessidade de preservação da memória.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>Anatomia do Caos</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
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