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    <title>Global South World Brasil - Clima</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Entre secas e tempestades, El Niño devasta safras e agrava crises na América do Sul e Ásia </title>
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      <pubDate>Tue, 03 Nov 2026 17:08:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Com  seca devastadora na América do Sul e chuvas torrenciais na Índia e no Nepa l, os efeitos do  El Niño  continuam se manifestando e ameaçam as safras de arroz e café a tal ponto que o Banco Mundial prevê uma  alta de 18% nos preços dos alimentos  até o próximo ano.</p>
<p>Esse fenômeno climático natural ocorre a cada dois a sete anos no Pacífico equatorial. O aquecimento das águas superficiais nessa região altera todo o clima e os ventos sobre esse oceano.</p>
<p>Em um efeito dominó, o fenômeno também afeta os regimes de chuva e as temperaturas em todo o planeta, agravando  secas, enchentes e outros eventos meteorológicos  extremos, com consequências já visíveis para as populações.</p>
<h2>Bolívia em "estado de emergência"</h2>
<p>Na Bolívia, a seca afeta pouco mais de 78 mil famílias em seis dos nove departamentos do país. Também provocou a perda de mais de 75 mil cabeças de gado, segundo o relatório mais recente do Vice-Ministério da Defesa Civil, publicado nesta semana.</p>
<p>O presidente Rodrigo Paz anunciou no sábado que decretou estado de emergência para enfrentar as intensas secas e as inundações relacionadas ao chamado "super El Niño".</p>
<p>A medida permitirá mobilizar mais recursos financeiros e equipes de resgate para as áreas críticas. "Fizemos um trabalho enorme para preservar o meio ambiente e garantir que os efeitos do super El Niño neste ano sejam os menores possíveis", afirmou Paz em uma mensagem à nação.</p>
<p>Em países vizinhos, como o Peru, o El Niño elevou as temperaturas e favoreceu incêndios florestais, que já provocaram a morte de pelo menos 12 pessoas. O fenômeno também contribuiu para a disseminação da dengue, doença tropical que causou outras 81 mortes em 2026.</p>
<p>No Chile, provocou o outubro mais chuvoso já registrado em Santiago, a capital do país.</p>
<h2>Índia "debaixo d'água"</h2>
<p>O ciclone Arnab, acompanhado de ventos fortes e chuvas torrenciais, atingiu na manhã de quarta-feira o sudeste da Índia e devastou áreas costeiras, causando três mortes e obrigando cerca de 100 mil pessoas a deixarem suas casas.</p>
<p>"Nossas casas estão inundadas e tivemos que ficar dentro d'água", afirmou Rajeshwari, de 65 anos, que informou apenas o primeiro nome após ser retirada de sua residência e levada para um abrigo próximo a Kakinada, no estado de Andhra Pradesh.</p>
<p>Os ciclones são uma ameaça recorrente no golfo de Bengala e no norte do oceano Índico. Mas a temporada de tempestades está particularmente intensa neste ano, agravada pelo El Niño.</p>
<p>"O fenômeno pode desempenhar um papel importante na amplificação dos efeitos do ciclone Arnab. As temperaturas do mar já estão acima do normal. Uma atmosfera mais quente contém mais umidade (...) e favorece precipitações mais intensas", explicou Akshay Deoras, pesquisador do Centro de Ciências Atmosféricas da Universidade de Reading, no Reino Unido.</p>
<p>O ciclone seguiu depois em direção ao Nepal, provocando fortes nevascas nas regiões mais elevadas do Himalaia e chuvas intensas até sábado.</p>
<h2>El Niño em números</h2>
<p>Os preços dos alimentos devem subir 18% entre 2025 e 2027, segundo o Banco Mundial, que atribui esse comportamento tanto às dificuldades de abastecimento provocadas pelas guerras em diferentes partes do mundo quanto aos efeitos previstos do El Niño.</p>
<p>484.500: esse é o número de mortes já provocadas por este episódio do fenômeno climático desde junho, de acordo com dados do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago.</p>
<p>O balanço é apenas provisório, já que a organização estima que outras 373 mil mortes poderão ocorrer nos próximos seis meses.</p>
<h2>Quais são as culturas mais vulneráveis ao El Niño?</h2>
<p>Não existe uma resposta única: tudo depende de cada região.</p>
<p>Mas, " do ponto de vista da segurança alimentar, as culturas que recebem maior atenção são aquelas que constituem a base da alimentação , ou seja, fontes da maior parte das calorias consumidas pelas populações dos países vulneráveis", afirmou à AFP Máximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.</p>
<p>Assim, o El Niño afeta especialmente o arroz nas regiões onde reduz as chuvas, sobretudo na Ásia, onde pode limitar o plantio e a produtividade das lavouras. O milho e o feijão, essenciais no México, na América Central e no sul da África, também ficam expostos a um risco maior de seca.</p>
<p>Até mesmo o sorgo e o milheto, muito importantes na África Oriental e, ainda assim, mais resistentes à falta de água, podem sofrer com a escassez prolongada de chuvas, destacou a FAO. A organização acrescentou que o trigo também pode ser afetado pela irregularidade das precipitações.</p>
<p>Além de comprometer a disponibilidade e elevar os custos dos alimentos nos mercados locais, essas situações podem provocar oscilações nos preços mundiais dos principais cereais - trigo, arroz, milho... - e aumentar os gastos dos países que dependem de importações.</p>
<p>A organização também acompanha de perto as culturas destinadas à exportação, especialmente o cacau e o café, que são sensíveis tanto ao excesso quanto à falta de chuvas. O excesso favorece o surgimento de doenças, enquanto a escassez prejudica a qualidade e o volume da produção.</p>
<p>Um ano de perdas nas lavouras pode, em última instância, comprometer a renda dos agricultores locais e a entrada de divisas nos países produtores, ao mesmo tempo que provoca uma alta nos preços internacionais.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="photographer">Mariana Suarez</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP</media:credit>
        <media:title>Chuva em Montevideo</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil, com informações da AFP]]></dc:creator>
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