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    <title>Global South World Brasil - Cerrado</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Projeto do Cerrado é reconhecido pela ONU como ‘Referência de Restauração’</title>
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      <pubDate>Sun, 06 Sep 2026 15:37:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A iniciativa brasileira Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro recebeu da Organização das Nações Unidas (ONU) o título de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship), reconhecimento concedido a iniciativas consideradas exemplos de recuperação de ecossistemas em grande escala e de longo prazo.</p>
<p>Com a escolha, anunciada no fim de agosto, o Brasil se tornou o único país a ter dois reconhecimentos desse tipo. O primeiro veio em 2022, com o Pacto Trinacional pela Restauração da Mata Atlântica, iniciativa conjunta de Brasil, Argentina e Paraguai.</p>
<p>Além da iniciativa brasileira, foram reconhecidos projetos na Arábia Saudita e no Sahel, região da África onde o projeto abrange Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger. Juntos, os três assumem o compromisso de colocar quase cinco milhões de hectares em restauração até 2030.</p>
<p>As Referências da Restauração Mundial fazem parte da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas (2021-2030), liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O reconhecimento destaca iniciativas que possam servir de referência para esforços de recuperação de ecossistemas em outras partes do mundo.</p>
<h2>O que é a Araticum</h2>
<p>Criada em 2020, a Araticum, Articulação pela Restauração do Cerrado, é uma rede colaborativa que atua para promover e monitorar a restauração ecológica do bioma. A iniciativa nasceu com a meta de contribuir para a restauração de dois milhões de hectares até 2030.</p>
<p>A rede reúne mais de 180 organizações e envolve povos indígenas e quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, empresas e instituições governamentais. As ações apoiadas pela iniciativa alcançam nove estados brasileiros e incluem regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais com espécies nativas.</p>
<p>A atuação não se limita à recuperação de áreas degradadas. A Araticum faz monitoramento territorial, produz e dissemina conhecimento sobre restauração, trabalha para ampliar as áreas e os recursos disponíveis e atua na construção de políticas públicas. Também busca fortalecer as organizações locais e incluir povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares nos diferentes elos da cadeia da restauração, combinando conhecimentos tradicionais e locais com a pesquisa científica.</p>
<p>Mais de 27 mil hectares em processo de restauração já foram mapeados pela iniciativa. Sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas foram coletadas e utilizadas nas ações, contribuindo para uma cadeia produtiva que inclui coletores de sementes, viveiros, técnicos de restauração e serviços de monitoramento.</p>
<p>O trabalho combina ainda a restauração ecológica com instrumentos como pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais e planejamento territorial.</p>
<p>O esforço ganha dimensão diante da situação do Cerrado. Com mais de dois milhões de quilômetros quadrados, o bioma já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, principalmente pela conversão de terras em grande escala. A degradação afeta a biodiversidade, a disponibilidade de água, a produção de alimentos e a capacidade de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.</p>
<p>“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro”, afirmou Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum e coletora de sementes e integrante da comunidade tradicional geraizeira. Segundo ela, a escolha como Referência da Restauração Mundial reafirma a necessidade de investir na recuperação de florestas, savanas e campos nativos e no fortalecimento das organizações comunitárias que atuam na conservação.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asjkKpc5Nmcz43QVp.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A rede nasceu com a meta de contribuir para a restauração de dois milhões de hectares até 2030."/>
<h2>Brasil tem dois reconhecimentos</h2>
<p>O primeiro reconhecimento com participação brasileira ocorreu em 13 de dezembro de 2022, quando a ONU anunciou as dez primeiras Referências da Restauração Mundial.</p>
<p>Entre elas estava o Pacto Trinacional pela Restauração da Mata Atlântica, iniciativa de Brasil, Argentina e Paraguai. Na época, cerca de 700 mil hectares já haviam sido restaurados. A meta era alcançar um milhão de hectares até 2030 e 15 milhões até 2050.</p>
<p>O trabalho reúne centenas de organizações dos três países para recuperar a Mata Atlântica. As ações incluem recuperação da vegetação nativa, criação de corredores para a fauna e proteção de fontes de água.</p>
<h2>Os dez princípios da restauração</h2>
<p>As iniciativas reconhecidas como Referências da Restauração Mundial incorporam os dez princípios que orientam a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas. Eles estabelecem que a restauração:</p>
<h2>Mais dois reconhecimentos em 2026</h2>
<p>A ONU concedeu o título também ao Programa Nacional de Reflorestamento da Arábia Saudita, que pretende restaurar 2,5 milhões de hectares e plantar 215 milhões de árvores até 2030. Até junho de 2026, um milhão de hectares de terras degradadas estava em processo de restauração e 159 milhões de árvores haviam sido plantadas.</p>
<p>A terceira iniciativa escolhida foi a Iniciativa Integrada de Resiliência do Sahel, desenvolvida em Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger. Liderado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, o trabalho combina recuperação de terras, manejo de solo e água e apoio às populações locais.</p>
<p>Até junho, mais de 335 mil hectares haviam sido restaurados. A meta é alcançar 470 mil hectares até 2030. De acordo com o Pnuma, mais de 4 milhões de pessoas já foram beneficiadas pela iniciativa.</p>
<p>A Araticum, o programa saudita e a iniciativa do Sahel se somam às Referências da Restauração Mundial reconhecidas desde 2022. Ao todo, 30 iniciativas já receberam o título. Juntas, elas somam quase 20 milhões de hectares em processo de restauração e compromissos para recuperar cerca de 75 milhões de hectares até 2030.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">Pnuma/ Todd Brown</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>‘Grande Sertão: Veredas’: 70 anos da obra que dá voz ao Brasil profundo</title>
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      <pubDate>Sun, 26 Jul 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Obra fundamental da literatura brasileira, o romance “ Grande Sertão: Veredas ”, do escritor mineiro João Guimarães Rosa, completa 70 anos neste mês. Ambientado em uma região que compreende Minas Gerais, Goiás e Bahia, o livro transformou a geografia, a linguagem e os conflitos de um sertão marcado por jagunços e coronéis em uma narrativa de alcance universal.</p>
<p>A história é contada por Riobaldo, ex-jagunço que relembra suas travessias, batalhas, alianças e perdas. Ao reconstruir sua trajetória e a relação com o personagem Diadorim, o narrador procura compreender a existência do diabo, os limites entre o bem e o mal e a possibilidade de cada pessoa escolher o próprio destino.</p>
<p>Essas indagações estão diretamente ligadas ao território percorrido pelos personagens. O sertão não funciona apenas como cenário: condiciona os deslocamentos, impõe perigos, determina encontros e interfere na formação da consciência de Riobaldo. Rios, veredas, chapadas, fazendas, arraiais e caminhos constituem uma força central do romance.</p>
<p>O reconhecimento foi imediato. Publicado em 16 de julho de 1956 pela Livraria José Olympio Editora, “ Grande Sertão: Veredas ” recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pelo Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa, em 1956, e o Prêmio Paula Brito, em 1957. Traduzido para diversos idiomas, o romance consolidou Guimarães Rosa entre os autores centrais da literatura brasileira e ampliou internacionalmente o alcance de uma narrativa profundamente ligada à paisagem e à linguagem do sertão.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/aszbcn9dIoeD1zafE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Cena da minissérie 'Grande Sertão', da Rede Globo, exibida originalmente em 1985."/>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asuq3YDrn1LfUfcjr.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Tony Ramos faz o papel de Riobaldo, que conta a história. Bruna Lombardi interpreta Diadorim."/>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asgAiUBfacqZYKYFM.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A produção da Globo retratou guerras entre jagunços e a vida nas pequenas cidades de Minas Gerais, Goiás e Bahia."/>
<p>A obra também ganhou uma adaptação memorável da TV Globo em 1985. Com roteiro de Walter George Durst e direção de Walter Avancini, a minissérie teve Tony Ramos como Riobaldo e Bruna Lombardi no papel de Diadorim. Gravada no sertão mineiro, " Grande Sertão"  mobilizou centenas de profissionais e cerca de 1,8 mil figurantes da região para transportar à televisão as guerras entre jagunços, as paisagens e os dilemas do romance. Seus 25 episódios estão atualmente disponíveis no Globoplay.</p>
<h2>Um sertão real e imaginário</h2>
<p>Estudos já identificaram mais de 400 localidades reais citadas em “ Grande Sertão: Veredas ”, entre cidades, povoados, propriedades rurais e acidentes geográficos. Algumas correspondências ainda são discutidas, mas os rios Urucuia e São Francisco são referências incontestáveis.</p>
<p>A cartografia do romance inclui Morro da Garça, Três Marias, Curvelo, Lassance, Pirapora, São Francisco, Januária e Cordisburgo, terra natal de Guimarães Rosa. Também aparecem a Serra das Araras, em Chapada Gaúcha, e Paredão de Minas, distrito de Buritizeiro associado à batalha final do livro.</p>
<p>Parte dos caminhos percorridos por Guimarães Rosa pode ser conhecido pelos leitores. Criado em 2014, o projeto Caminhos de Rosa promove experiências pelo território que inspirou o escritor, com caminhadas, corridas, trajetos de bicicleta e travessias que incluem encontros com moradores e hospedagens em fazendas da região. Os percursos atravessam paisagens e comunidades do sertão mineiro e uma das rotas de longa distância chega à região do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, criado pelo governo federal em 1989.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asBnIP9qR8ELjWy5N.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Estação ferroviária Cordisburgo"/>
<p>Essa unidade de conservação é a única no país a homenagear uma obra literária. O parque nacional preserva parte da paisagem das Gerais retratada no livro, além de proteger a biodiversidade e os recursos hídricos do Cerrado. Ampliado em 2004, ele ocupa cerca de 230 mil hectares entre Minas Gerais e a Bahia.</p>
<p>Vale explicar que as veredas são áreas úmidas que se formam em terrenos onde a água aflora, geralmente marcadas pela presença do buriti, uma palmeira de tronco alto que, na região, costuma ter entre 12 e 15 metros. No romance, essas formações orientam as travessias, oferecem abrigo e participam diretamente da experiência dos personagens.</p>
<h2>A linguagem como centro da obra</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asBrYpX5TF8cAYaXf.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A editora Companhia das Letras lançou a edição comemorativa de 70 anos"/>
<p>Se a paisagem oferece o chão do romance, é a linguagem que lhe dá existência. Guimarães Rosa combinou expressões populares, regionalismos, palavras antigas, alterações de sentido, construções sintáticas incomuns e vocábulos inventados.</p>
<p>Quando o livro foi lançado, parte da crítica reagiu com estranhamento. A fala dos personagens chegou a ser descrita como uma língua “de outro planeta”. Para o biógrafo de Guimarães Rosa, o jornalista Leonêncio Nossa, essa avaliação revelava principalmente o desconhecimento de setores da intelectualidade sobre a maneira de falar das populações do interior brasileiro.</p>
<p>Segundo o biógrafo, em entrevista dada à Agência Brasil, Rosa rejeitava a ideia de ter inventado sozinho uma língua. Ele afirmava que os vaqueiros de Minas Gerais, da Bahia e de Goiás já utilizavam muitas daquelas formas de expressão.</p>
<p>A linguagem do romance, portanto, não é uma simples transcrição da oralidade. Rosa reorganizou sons, ritmos e expressões para criar a fala de Riobaldo. O narrador hesita, repete ideias, corrige lembranças, interrompe raciocínios e muda de direção enquanto tenta atribuir sentido ao passado.</p>
<p>Nossa também observa que “nonada”, palavra que abre o livro e costuma ser tratada como criação do escritor, aparecia anteriormente em jornais brasileiros. Embora tenha produzido neologismos, Rosa também recuperou palavras que tinham deixado de circular amplamente.</p>
<p>A abertura com “nonada” antecipa um dos movimentos essenciais do romance. Uma palavra aparentemente estranha conduz o leitor a uma língua que, embora profundamente trabalhada pelo escritor, tem raízes na história e na fala do país. Rosa não apenas inventou formas de expressão: preservou e renovou uma parte do português brasileiro.</p>
<p>O escritor mineiro levou aproximadamente dez anos para concluir “Grande Sertão: Veredas”. No mesmo período, trabalhou em “Corpo de Baile”, ciclo de novelas também publicado em 1956. De acordo com Leonêncio Nossa, o romance teria surgido inicialmente como uma das histórias desse conjunto, mas ganhou dimensão suficiente para se tornar uma obra independente.</p>
<h2>Edição comemorativa</h2>
<p>A Companhia das Letras lançou uma edição especial comemorando os 70 anos, com 608 páginas. O livro tem novo projeto gráfico e capa elaborada a partir de uma obra da artista mineira Sonia Gomes. Ele traz também um ensaio inédito do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance.</p>
<p> A edição comemorativa conta ainda com depoimentos de leitores ilustres que foram fortemente influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior. Os preços da obra ficam em R$ 209,90 (livro físico) e R$ 44,90 (e-book).</p>
<p>
A celebração dos 70 anos de “ Grande Sertão: Veredas ” na Companhia das Letras inclui um audiolivro narrado pelo ator Caio Blat, com trilha sonora e entradas de viola de Ivan Vilela, já disponível nas principais plataformas de áudio.</p>
<p>
Em agosto, será realizado, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, um ciclo de debates sobre o livro. Uma biografia de João Guimarães Rosa escrita por Gustavo de Castro, poeta, escritor e professor da Universidade de Brasília (UnB), também deve ser publicada no fim do ano. O livro narra em detalhes a vida do escritor, médico e diplomata que viria a se tornar um dos nomes mais fascinantes da literatura brasileira.
</p>
<p>Outra novidade é que o livro ganhará novas traduções em 2027. Em inglês, a australiana Alison Entrekin responde pelo trabalho de “ Vastlands: The crossing ”, título que substituirá a da versão de 1963, “ The devil to pay in the backlands ”. O alemão Berthold Zilly responde por “ Großer Sertão: Querungen ”.   </p>
<h2>Quem foi Guimarães Rosa</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asMBBtEsMiV2NISeE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Guimarães Rosa em fotos de um acervo digital"/>
<p>João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Filho de Florduardo Pinto Rosa e Francisca Guimarães Rosa, mudou-se aos 10 anos para Belo Horizonte. Formou-se em medicina em 1930 e trabalhou como médico antes de ingressar na carreira diplomática.</p>
<p>Sua estreia literária ocorreu em 1929, com a publicação do conto “ O mistério de Highmore Hall ” na revista O Cruzeiro. Em 1936, a coletânea de poemas “ Magma ”, que permaneceria inédita durante sua vida, recebeu o Prêmio Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>Como diplomata, trabalhou em Hamburgo, Bogotá e Paris e representou o Brasil em conferências internacionais. Posteriormente, ocupou diferentes funções no Ministério das Relações Exteriores e assumiu, em 1962, a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras.</p>
<p>A consagração literária começou com “ Sagarana ”, publicado em 1946. A coletânea renovou o regionalismo brasileiro ao trabalhar com paisagens e materiais de origem local por meio de uma linguagem experimental e de temas universais.</p>
<p>Em 1956, Rosa publicou “ Corpo de Baile ” e “ Grande Sertão: Veredas ”.  Com “ Primeiras estórias ”, de 1962, recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil.</p>
<p>Guimarães Rosa foi eleito para a Cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras em 8 de agosto de 1963, na sucessão de João Neves da Fontoura. Adiou a posse por quatro anos e foi recebido por Afonso Arinos de Melo Franco em 16 de novembro de 1967. Morreu três dias depois, aos 59 anos.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Fronteira agrícola do país, Matopiba ameaça o Cerrado</title>
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      <pubDate>Fri, 19 Jun 2026 21:37:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma região que reúne porções fronteiriças de quatro estados está entrando cada vez mais no radar do brasileiro. É Matopiba, considerada hoje a principal fronteira agrícola em expansão no país. O nome da área é a junção das siglas desses quatro estados: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.</p>
<p>Oficializada por decreto federal em 2015, a região compreende 337 municípios que somam cerca de 73 milhões de hectares. Nos últimos anos, produtores rurais foram atraídos para a região por uma combinação estratégica: topografia plana, que favorece a mecanização do plantio, e o baixo custo da terra em comparação a polos consolidados do Centro-Sul.</p>
<p>Com terras mais baratas e o desenvolvimento de pacotes tecnológicos adaptados às condições locais, o Matopiba viu sua produção de grãos, especialmente soja, milho e algodão, aumentar exponencialmente. Hoje, a região responde por mais de 35 milhões de toneladas anuais. De acordo com o Ministério da Agricultura, a projeção é de que os quatro estados atinjam uma produção de quase 48 milhões de toneladas em 2033.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asHycBinz370An5jB.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Mapa do Brasil mostra o Matopiba"/>
<h2>O impacto ambiental no Cerrado</h2>
<p>A expansão acelerada do agronegócio, contudo, preocupa os ambientalistas. Em 2025, o Cerrado – o segundo maior bioma do Brasil e a maior savana tropical da América do Sul – concentrou 55% dos 984.794 hectares de área desmatada do país.</p>
<p>Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, divulgado pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) no final de maio, o Matopiba respondeu por 392 mil hectares desmatados, centralizando 40% de todo o desmatamento do país e 70% da perda de vegetação nativa no Cerrado.</p>
<p>O levantamento aponta que todos os 10 municípios mais desmatados do bioma estão localizados na região.</p>
<p>"O mundo não tolera mais o desmatamento porque compromete, junto às mudanças climáticas, a produção de alimentos", alertou André Guimarães, diretor executivo do IPAM.</p>
<p>Para Guimarães, a lógica de ocupação precisa ser invertida para garantir a sustentabilidade do próprio negócio. “O Matopiba deveria ser visto como um repositório estratégico de vegetação nativa para estabilizar o clima e garantir chuva para a agricultura, e não como uma fronteira de expansão do desmatamento. Ao mesmo tempo, é preciso criar mecanismos de incentivo e compensação para as pessoas que ajudam a conservar a vegetação nativa da região”, analisou.</p>
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        <media:title>Agronegócio-Bahia</media:title>
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