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    <title>Global South World Brasil - Cazé TV</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Cazé TV avança sobre a Globo na briga pela audiência na Copa </title>
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      <pubDate>Fri, 19 Jun 2026 22:05:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Rede Globo transmitiu integralmente a Copa do Mundo entre 1970, quando o Brasil foi tricampeão, e 2022. No intervalo, por meio do sublicenciamento e de pacotes inferiores, emissoras concorrentes na televisão aberta — como a Bandeirantes — e canais por assinatura — caso da ESPN Brasil — também exibiram a maior competição do futebol mundial para os brasileiros, mas em um meio dominado pela principal empresa de comunicação do país.</p>
<p>Para a edição de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, tudo mudou. O pacote que inclui os 104 jogos do torneio foi adquirido pela Cazé TV, que transmite a Copa no YouTube e em plataformas como Amazon Prime Video e Disney+. A Globo ficou com um pacote secundário, que dá direito a exibir 55 partidas na televisão aberta, na TV por assinatura — com o SporTV — e no serviço de streaming Globoplay.</p>
<p>A conta ainda incluiu um pacote alternativo, adquirido em parceria entre o SBT e a NSports, com 32 partidas sem exclusividade — em um modelo similar ao que o próprio canal e a Bandeirantes fizeram em edições passadas.</p>
<p>Os primeiros resultados da estratégia ficaram evidentes. A transmissão do jogo entre Brasil e Haiti na sexta, 19, consagrou a Cazé TVV com o recorde mundial de audiência simultânea no YouTube, atingindo pico de 15,7 milhões de aparelhos conectados ao mesmo tempo. A força do canal digital já se mostrava expressiva antes mesmo de a bola rolar, quando mais de 11 milhões de dispositivos já aguardavam o início da partida. No dia 16, o canal já havia cravado 12,7 milhões de aparelhos quando mostrou com exclusividade a estreia da seleção Argentina contra a Argélia às 22h, horário nobre da televisão brasileira.</p>
<p>A transmissão do jogo da Argentina, por sinal, contou com uma provocação da Cazé TV à Globo. Nos minutos iniciais, o narrador Luís Felipe Freitas ironizou a ausência da gigante concorrente na transmissão, afirmando que a audiência estava “procurando no controle remoto” onde assistir aos atuais campeões do mundo, mas precisaria mudar para o YouTube para alcançar o objetivo.</p>
<p>Lionel Messi e seus companheiros venceram por 3 a 0 e a transmissão da Cazé TV atingiu o pico de 11 milhões de aparelhos conectados simultaneamente, resultado inferior apenas à estreia do Brasil em empate contra Marrocos, em 13 de junho, quando o pico de 12,7 milhões de dispositivos estabeleceu o recorde mundial de visualização simultânea, ao vivo, no YouTube. </p>
<p>No momento em que os argentinos jogavam, a Globo exibia “Quem Ama Cuida”, novela do horário nobre, que liderou a programação televisiva com média de 22,8 pontos no PNT (Painel Nacional de Televisão), conforme reportou o site TV Pop. </p>
<p>Ao longo do segundo tempo, porém, a soma dos streamings — que inclui os aparelhos de televisão conectados (CTV) ao YouTube — chegou a alcançar 20,65 pontos no PNT e assumir a liderança da programação. O número não engloba os celulares que estavam sintonizados na Cazé TV para acompanhar a partida.</p>
<p>Ao contrário da disputa das últimas décadas, por uma audiência distribuída no mesmo meio de consumo — a televisão —, e da expectativa de rivalidade com os serviços de streaming por assinatura, a Globo encontra na concorrência com a Cazé TV o confronto com uma plataforma gratuita e consolidada no país. De acordo com um estudo divulgado no final de 2025 pela Kantar Ibope Media, o YouTube é o streaming mais consumido na TV dos brasileiros, alcançando mais de 80 milhões de usuários. </p>
<h2>Ringue aberto</h2>
<p>Desde o início da competição, as duas empresas têm apostado em exaltar seus próprios trunfos e desqualificar elementos da concorrente. Durante o empate sem gols entre Espanha e Cabo Verde, na tarde de segunda-feira, 15, Casimiro Miguel, sócio e símbolo da Cazé TV, brincou que a Globo estava “passando novelas” durante a partida.</p>
<p>Por sua vez, a emissora carioca promoveu uma campanha incentivando a aquisição de antenas digitais para assistir aos jogos na televisão aberta e poder “gritar gol na hora certa”, em referência ao delay — termo em inglês para nomear o atraso na exibição da ação — das plataformas digitais.</p>
<p>De acordo com uma comparação realizada pelo jornalista Allan Simon, especializado em transmissões esportivas, o delay da Cazé TV é de 12 a 20 segundos em relação à TV linear. O atraso se dá porque as transmissões televisivas ocorrem por meio de um broadcast, que codifica o sinal captado no estádio e envia com mais rapidez às antenas e aparelhos. No streaming, a transmissão depende de um sistema individual para cada conexão, o que leva mais tempo. O resultado disso, na prática, é o momento em que um vizinho grita gol antes do outro, como a Globo relatou em sua campanha publicitária.</p>
<p>Além do menor delay, a emissora carioca aposta no hábito do espectador brasileiro ao exaltar a tradição de mais de 50 anos cobrindo a Copa. Em participação no evento Web Summit Rio 2026, no início de junho, o diretor de conteúdo e esporte da Globo, Renato Ribeiro, resumiu a importância do torneio para a empresa em uma “tradição” que se tornou “fenômeno cultural” no país por meio da televisão.</p>
<p>Exaltar a tradição é, por si, uma resposta à concorrência. Em 2022, quando nasceu exclusivamente no YouTube e justamente para transmitir a Copa, a Cazé TV herdou os direitos de transmissão digital que tinham sido abdicados pela Globo na negociação com a Fifa, organizadora do evento. O potencial de retorno ainda era considerado inferior ao dos direitos televisivos.</p>
<p>Empresa especializada em negociações do tipo, a Live Mode — cujos donos, Edgar Diniz e Sérgio Lopes, são sócios de Casimiro Miguel na Cazé TV — adquiriu esses direitos por um valor considerado simbólico e apressou-se para se associar a Miguel, então produtor de conteúdo na TNT Sports, e montar a própria estrutura de transmissão. </p>
<p>Em entrevista à revista Exame, Diniz relatou que a Live Mode mostrou à Fifa ser capaz de “fazer diferente” na transmissão e levar o principal torneio de futebol do mundo ao público nativo digital brasileiro. Na ocasião, a Globo ainda transmitiu o torneio integralmente, mas já se sabia que isso mudaria em quatro anos — por decisão financeira da direção da emissora, o pacote adquirido para 2026 foi menor.</p>
<p>O “fazer diferente” consistiu em ofertar transmissões mais irreverentes, distantes do modelo tradicional da emissora carioca, que historicamente produziu coberturas jornalísticas. O estilo não é unânime e desagrada a parte do público, mas é consistente especialmente entre os mais jovens — 80% da audiência da Cazé TV tem até 44 anos.</p>
<p>Fato é que, consolidada no segmento, a Cazé TV se adaptou ao status de principal transmissora da Copa aos brasileiros. Em quatro anos de intervalo, adquiriu outros eventos esportivos, estreou programas de debate e tirou profissionais de canais conhecidos pelo jornalismo esportivo — casos do comentarista Fernando Campos, que veio da ESPN, e do repórter Fred Caldeira, oriundo da TNT Sports.</p>
<p>Mesmo que não admita a ameaça, a Globo se esforça para manter — ou retomar — o protagonismo. Conforme apuração da coluna Outro Canal, do jornal Folha de S. Paulo, a empresa quer voltar a transmitir todos os jogos da Copa em 2030. Para isso, apostou no envio de 130 profissionais para cobrir a atual edição — delegação consideravelmente superior às concorrentes — e garantiu visibilidade ao torneio na programação, com entradas em programas de auditório e telejornais. Nas mídias digitais, sem os direitos de transmissão, a emissora aposta em parcerias com influenciadores e nos formatos da Ge TV, vertical lançada em 2025 para produção de conteúdo no YouTube.</p>
<p>Por sua vez, a Cazé TV reitera a máxima de que a Globo “passa novelas” ao apostar em uma programação completa — e linear — dedicada ao torneio. Em dias cheios de jogos, o canal faz transmissões ao vivo das 9h30, com o programa de debates Geral Cazé TV, até horas após o encerramento da última partida, com a exibição da Live da Madrugada. Os formatos já são conhecidos do público da plataforma.</p>
<p>Antes menosprezados pela maior empresa de comunicação do país, os direitos de transmissão digital — e tudo que vem com eles — agora ditam os rumos do futuro da maior competição do futebol mundial no Brasil.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
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