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    <title>Global South World Brasil - Bolsa Família</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Lula repete antecessores e reajusta Bolsa Família às vésperas de eleição</title>
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      <pubDate>Thu, 17 Sep 2026 20:13:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente  Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  anunciou nesta quinta-feira, 17, um reajuste de  15,04% nos valores do Bolsa Família . O piso do benefício subirá de  R$ 600 para R$ 691 por família , enquanto o valor médio pago deverá chegar a cerca de R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos na folha de outubro, a partir do dia 19.</p>
<p>O reajuste ocorre a  17 dias  do primeiro turno da eleição presidencial , que terá o petista como candidato à reeleição. Lula vive um momento eleitoral delicado e chegou a ser  ultrapassado por Flávio Bolsonaro (PL) em  intenções de voto para o segundo turno . A rodada mais recente da pesquisa BTG/Nexus mostrou um  recuo na preferência pelo mandatário entre beneficiários do Bolsa Família, de 56% para 51% .</p>
<p>O governo, por sua vez, afasta a hipótese eleitoreira e atribui a correção à  inflação acumulada medida pelo INPC entre março de 2023, quando o atual programa foi relançado, em agosto de 2026 . </p>
<p>A tese é compartilhada por Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-secretário da Fazenda de São Paulo. " O reajuste recompõe a inflação, respeita a LRF [Lei de Responsabilidade Fiscal] e a Lei Eleitoral. Não se trata de conceder benefício novo, mas de neutralizar a perda real ", afirmou. </p>
<p>De fato, o piso de R$ 600 estava congelado desde  março de 2023, quando Lula relançou o Bolsa Família e substituiu o Auxílio Brasil . Na ocasião, o governo manteve o mínimo de R$ 600 estabelecido no ano anterior pela gestão de Jair Bolsonaro (PL).</p>
<p>Com a correção, o Palácio do Planalto considera que recompõe os 15,04% de inflação acumulada desde a reformulação e resgata o poder de consumo perdido pelos beneficiários. A legislação permite a atualização dos valores para preservar o poder de compra, embora a interpretação do governo seja de que a regra autoriza, mas não obriga, a correção periódica. </p>
<h3>O fator eleição</h3>
<p>As circunstâncias do reajuste têm precedentes. Em 2022,  Bolsonaro aumentou de R$ 400 para R$ 600 o piso  do então Auxílio Brasil  poucos meses antes do pleito. Naquele ano, o Planalto também trabalhou pela aprovação da chamada  PEC Kamikaze , que permitiu a ampliação de gastos sociais em período eleitoral. Bolsonaro aparecia em desvantagem nas pesquisas contra Lula, para quem acabou derrotado nas urnas.</p>
<p>Em 2014, ano em que Dilma Rousseff (PT) disputava a reeleição, o governo anunciou em abril um reajuste de 10% no Bolsa Família. O anúncio se deu  após uma  queda de seis pontos percentuais da petista em pesquisa Datafolha . Presidenciáveis à época, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) criticaram o reajuste. </p>
<p>Em 2008,   durante o segundo mandato de Lula, o governo federal reajustou em média 8% os benefícios do programa a cerca de três meses das eleições municipais. Na época, a justificativa foi a necessidade de compensar a inflação, especialmente a alta dos alimentos. </p>
<h2>Munição para a oposição</h2>
<p>Flávio Bolsonaro classificou o reajuste anunciado pelo oponente como "ilegal" e afirmou que a medida teria motivação eleitoral . Líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) acusou o governo de fazer uma "pedalada fiscal"; o argumento  é que o reajuste não constava da proposta de Orçamento de 2027 enviada ao Congresso em agosto. </p>
<p>Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que o reajuste "escancara o uso eleitoreiro" do Bolsa Família por Lula . "A dívida do país está no vermelho. É um desgoverno que rifa o futuro do país sem o menor pudor", escreveu o presidenciável nas redes sociais.</p>
<p>Renan Santos (Missão) acusou o petista de cometer um crime eleitoral e prometeu processá-lo . "Lula faz caridade com o bolso alheio e usa isso para comprar votos. A lei eleitoral não permite a alteração de benefícios sociais em ano eleitoral", afirmou em vídeo.</p>
<h2>Pressão nas contas públicas</h2>
<p>Afora questões eleitorais, a estimativa do Planalto é que o reajuste provocará um impacto de  R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026  e de aproximadamente  R$ 22 bilhões em 2027 . O Ministério do Planejamento afirma que os recursos poderão ser acomodados no Orçamento por meio de remanejamentos, sem alteração das metas fiscais. </p>
<p>O bloco governista defende, ainda, a tese de que a ampliação dos pagamentos do benefício gera um efeito de consumo imediato no mercado. Pesquisa do Banco Mundial sobre o Bolsa Família encontrou efeitos positivos sobre consumo e emprego formal nas localidades onde o programa se expandiu, com um  multiplicador estimado em 2,16 sobre a economia local. </p>
<p>Ao mesmo tempo, a expansão relevantes dos gastos públicos pressiona o Planalto quanto aos reajustes do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) e pode provocar um efeito negativo nos mercados. Nesta quinta-feira, o dólar passou a subir e o Ibovespa chegou a cair após o anúncio, movimento atribuído por analistas à preocupação com o impacto fiscal e sobre a demanda.</p>
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        <media:title>Lula sanciona lei</media:title>
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