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    <title>Global South World Brasil - Bolivia</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>EUA dão mostra de como pretendem ampliar atuação na América Latina</title>
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      <pubDate>Fri, 02 Oct 2026 21:59:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os Estados Unidos deram nesta semana uma amostra de como pretendem ampliar sua atuação na América Latina para defender os interesses definidos pelo governo de Donald Trump. Em poucos dias, Washington impôs restrições de visto a autoridades latino-americanas, apoiou uma operação contra o procurador-geral da Bolívia, avançou no redirecionamento de milhões de dólares em ajuda militar para governos da região e se viu no centro de uma controvérsia sobre o financiamento de uma iniciativa voltada a questionar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil.</p>
<p>O movimento ocorre enquanto Trump busca ampliar a coordenação regional por meio do Escudo das Américas, coalizão liderada pelos EUA que reúne 18 países da América Latina e do Caribe. O Brasil não participa do grupo.</p>
<p>Por aqui, os movimentos de Washington chamam atenção de Brasília. O primeiro turno da eleição presidencial ocorre no domingo, 4. Nesta semana, Trump afirmou duas vezes que acompanha a disputa “de perto”, enquanto o governo brasileiro pediu a investigação de um possível financiamento americano a organizações no país.</p>
<p>As medidas dos últimos dias também dão sequência a uma aproximação conduzida diretamente pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Em setembro, ele visitou Colômbia, Equador e Peru – que integram o Escudo das Américas – para aprofundar a cooperação com os três governos, principalmente no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.</p>
<p>Os três países estão entre os atingidos pelas restrições de vistos anunciadas nesta segunda-feira, 28. Eles estão entre os beneficiários da mudança na destinação de recursos militares americanos.</p>
<h2>Vistos como instrumento de pressão</h2>
<p>Na segunda-feira, 28, o Departamento de Estado anunciou restrições de visto contra 27 autoridades, ex-autoridades e outras pessoas da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, além de seus familiares. A medida inclui tanto a revogação de vistos já concedidos quanto o impedimento de novas concessões.</p>
<p>Washington relacionou as restrições a acusações de corrupção, narcotráfico e ações que, segundo o governo americano, prejudicam o combate ao crime e enfraquecem instituições democráticas. Os quatro países têm atualmente governos próximos à administração Trump.</p>
<p>A maior parte dos atingidos é da Bolívia. Entre eles estava o procurador-geral Roger Mariaca, acusado pelos Estados Unidos de receber propina para facilitar atividades relacionadas ao narcotráfico e ajudar criminosos a escapar da Justiça.</p>
<p>Mariaca negou as acusações e afirmou que a medida representava pressão política. Ele também conduzia investigações que envolviam Fernando Cerimedo, estrategista político argentino que assessorou o presidente boliviano, Rodrigo Paz, e foi responsável pela estratégia digital da campanha presidencial de Javier Milei em 2023. Cerimedo diz ter trabalhado em campanhas de Jair Bolsonaro no Brasil. No país, tem vínculos com a família Bolsonaro.</p>
<p>Dois dias depois das restrições de visto dos Estados Unidos, Mariaca foi preso pelas autoridades bolivianas.</p>
<p>O governo da Bolívia o investiga por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Outras 13 pessoas foram detidas. As acusações ainda estão sob investigação.</p>
<p>A operação foi conduzida pelas autoridades bolivianas, com cooperação de agências norte-americanas. Depois da prisão, Rubio elogiou o governo Paz pelas medidas contra o narcotráfico, a corrupção e o crime organizado.</p>
<p>A sequência provocou uma crise política na Bolívia. Na quinta-feira, 2, o vice-presidente Edmand Lara, que rompeu politicamente com Paz, afirmou que estaria sendo preparado um processo para prendê-lo e disse temer pela própria vida. Lara vinha cobrando explicações sobre a prisão de Mariaca.</p>
<h2>Dinheiro militar muda de destino</h2>
<p>Outro movimento mostra a mudança de prioridades da política externa americana.</p>
<p>O governo Trump decidiu levar adiante o redirecionamento de US$ 52 milhões em ajuda militar originalmente destinada a países da Europa e do Oriente Médio para Panamá, Peru, Equador e Colômbia.</p>
<p>Os recursos tinham sido destinados a Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque. Parlamentares democratas tentaram bloquear a transferência, argumentando que as verbas foram aprovadas pelo Congresso para outros objetivos.</p>
<p>O Departamento de Estado defendeu a decisão afirmando que ela está de acordo com a prioridade concedida pelo governo Trump ao Hemisfério Ocidental e com sua estratégia de combate ao narcotráfico.</p>
<p>Os quatro países beneficiados pelos recursos participam do Escudo das Américas. Em setembro, 15 integrantes concordaram em adotar medidas coletivas contra 24 organizações que Washington classificou como “narcoterroristas”. Estão na lista PCC e CV.</p>
<h2>Brasil entra no debate</h2>
<p>Enquanto Washington ampliava suas ações na região, uma reportagem do jornal britânico  The Guardian  colocou o Brasil no centro de outra controvérsia.</p>
<p>O jornal revelou que o governo Trump redirecionou recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, do Departamento de Estado, para iniciativas alinhadas a pautas conservadoras em diferentes países.</p>
<p>Entre elas está um projeto de US$ 1 milhão denominado “Combate ao lawfare e à censura no Brasil”, destinado a organizações da sociedade civil que questionam o que consideram excessos do Judiciário brasileiro e restrições à liberdade de expressão.</p>
<p>A reportagem aponta uma mudança mais ampla na utilização do fundo. Segundo o  Guardian , mais de US$ 175 milhões foram redirecionados para iniciativas que refletem prioridades ideológicas do atual governo americano. Rubio teria atuado pessoalmente para superar bloqueios no Congresso a parte dos repasses.</p>
<p>A existência do projeto não comprova que o dinheiro tenha sido utilizado para financiar candidatos ou partidos brasileiros nem, por si só, que tenha ocorrido interferência na eleição.</p>
<p>Diante das informações, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) que investiguem o caso e identifiquem eventuais responsáveis e organizações brasileiras que possam ter recebido recursos.</p>
<p>A preocupação com uma possível interferência americana também chegou ao Congresso dos Estados Unidos. Parlamentares democratas cobraram explicações do governo Trump e garantias de que Washington respeitaria a escolha dos eleitores brasileiros. O governo norte-americano nega que esteja tentando influenciar a votação.</p>
<h2>Trump acompanha eleição “de perto”</h2>
<p>É nesse ambiente que as declarações de Trump sobre o Brasil ganharam peso nesta semana.</p>
<p>Na quinta-feira, 1º, o presidente americano afirmou que a eleição brasileira é “muito importante” e disse que acompanha a disputa “muito de perto”.</p>
<p>Nesta sexta-feira, voltou ao assunto. Questionado se apoiaria Flávio Bolsonaro, não declarou apoio ao candidato e afirmou estar analisando a situação e acompanhando os acontecimentos.</p>
<p>Também nesta sexta,  os Estados Unidos suspenderam os serviços presenciais na embaixada em Brasília e nos consulados no país, alegando preocupações de segurança sem informar qual seria a ameaça . A Austrália também fechou sua embaixada em Brasília e orientou seus cidadãos a evitar instalações diplomáticas americanas.</p>
<p>Washington não relacionou oficialmente a suspensão dos serviços à eleição de domingo.</p>
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        <media:credit role="provider">Chip Somodevilla/ Getty Images/ AFP</media:credit>
        <media:title>marco-rubio-donald-trump</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Conheça o tilcayo, primeira espécie de gato selvagem descoberta em mais de um século</title>
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      <pubDate>Fri, 18 Sep 2026 10:21:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma nova espécie de gato selvagem acaba de entrar para a lista de felinos conhecidos pela ciência. Encontrado nos Yungas bolivianos, região de florestas montanhosas na transição entre os Andes e a Amazônia, o  Leopardus tilcayo  é a primeira espécie de felino descoberta em mais de um século, segundo estudo publicado na revista científica Current Biology.</p>
<p>A descoberta é resultado de um trabalho internacional com forte participação brasileira. Entre os pesquisadores está Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O estudo também envolve instituições como Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Instituto Pró-Carnívoros e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Genômica da Biodiversidade. Eizirik é um dos autores seniores da pesquisa.</p>
<p>O tilcayo é um felino pequeno. O corpo mede entre 42,5 e 50,5 centímetros e a cauda, de 25 a 26,5 centímetros. A pelagem é marrom-clara, mais escura no dorso, com grandes manchas irregulares, do marrom-escuro ao preto, que lembram as de um leopardo.</p>
<p>O nome nasceu na região. Tilcayo é a denominação usada pela população local para se referir ao animal. Os pesquisadores decidiram preservá-la como nome da nova espécie em reconhecimento à sua importância cultural e regional.</p>
<p>O animal que foi referência para a descrição científica é um macho adulto capturado vivo em 2021 nas proximidades do vilarejo de Arapata, no departamento de La Paz, a 1.570 metros de altitude. Posteriormente, ele foi conduzido ao santuário de vida selvagem Senda Verde, da Bolívia.</p>
<h2>DNA revelou uma espécie diferente</h2>
<p>A aparência, sozinha, não era suficiente para mostrar que se tratava de uma espécie até então desconhecida. Transitam pela região os chamados gatos-tigre, pequenos felinos muito semelhantes entre si, com diferenças discretas nas proporções do corpo e nos desenhos da pelagem.</p>
<p>Os pesquisadores analisaram genomas completos de 38 indivíduos do gênero  Leopardus , incluindo material obtido de espécimes preservados em museus. A comparação genética mostrou que os animais dos Yungas bolivianos formavam uma linhagem própria, diferente das demais.</p>
<p>As análises indicam que a linhagem do tilcayo se separou daquela que deu origem a outros gatos-tigre há cerca de 1,4 milhão de anos. Os pesquisadores relacionam essa história evolutiva às mudanças climáticas e geográficas ocorridas nos Andes durante o Pleistoceno. A fragmentação das florestas montanhosas pode ter contribuído para o isolamento das populações e sua diferenciação ao longo do tempo.</p>
<p>Ainda não se sabe exatamente qual é a área de distribuição da nova espécie. Até agora, os registros confirmados geneticamente estão restritos aos Yungas da Bolívia.</p>
<h2>Cinco espécies de gatos-tigre</h2>
<p>A descoberta do tilcayo faz parte de um resultado mais amplo. O estudo concluiu que o complexo dos gatos-tigre reúne cinco espécies distintas:  Leopardus guttulus ,  Leopardus emiliae ,  Leopardus pardinoides ,  Leopardus tigrinus  e o recém-descoberto  Leopardus tilcayo .</p>
<p>Duas delas têm ocorrência no Brasil. O  Leopardus guttulus  é nativo da Mata Atlântica, enquanto o  Leopardus emiliae  ocorre na Caatinga e no Cerrado. O trabalho traz novas evidências genômicas que sustentam o reconhecimento do  L. emiliae  como uma espécie própria.</p>
<p>A pesquisa também descreveu uma nova subespécie encontrada no Peru, o  Leopardus tigrinus antisuyo . “Antisuyo” faz referência a Antisuyu, uma das quatro grandes regiões administrativas do Império Inca, que abrangia parte dos Andes.</p>
<p>A nova classificação também pode contribuir para a preservação desses pequenos felinos. Ao identificar espécies e subespécies distintas, os pesquisadores fornecem uma base para que cada uma seja estudada e tenha suas necessidades de conservação avaliadas separadamente.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Current Biology / Paola Nogales-Ascarrunz</media:credit>
        <media:title>tilcayo-felino-bolivia</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>Após 52 dias de bloqueios: entenda a crise econômica que atinge os trabalhadores da Bolívia</title>
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      <pubDate>Wed, 01 Jul 2026 19:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Após quase dois meses de bloqueios, milhares de trabalhadores em toda a Bolívia enfrentam perdas econômicas cada vez maiores e uma incerteza crescente, com suas atividades diárias e fontes de renda seriamente interrompidas.</p>
<p>Os protestos, que duraram 52 dias, foram liderados pela Central Obrera Boliviana (COB) e pela Federação de Camponeses de La Paz. Os manifestantes exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz, sob a acusação de que ele não atendeu às suas demandas desde que assumiu o cargo, há quase oito meses. Os prolongados bloqueios nas estradas restringiram severamente a mobilidade e as cadeias de suprimentos, desacelerando a atividade econômica em todo o país, especialmente nos centros urbanos como La Paz.</p>
<p>No setor de turismo, o impacto foi imediato e duro. Edson Muraña, líder indígena e guia de turismo da comunidade de Lipez, em Potosí – lar do famoso Salar de Uyuni –, contou que “os turistas pararam de vir” já na primeira semana. Os cancelamentos em massa interromperam planos de viagem e operações das agências, gerando um efeito cascata em todo o setor, principalmente para quem depende diretamente do fluxo de visitantes.</p>
<p>Em La Paz, o setor de turismo e hotelaria reflete a gravidade da crise. Segundo Helga Cisneros, presidente da Câmara Departamental de Hotéis, as taxas de ocupação despencaram. O setor já havia caído de cerca de 70% em 2019 para aproximadamente 35% a 38% nos últimos anos, mas a situação piorou drasticamente durante os bloqueios. No início de junho, a ocupação dos hotéis chegou a apenas 4%, recuperando-se levemente para 7% nas semanas seguintes – um quadro que revela a quase paralisia do turismo na cidade.</p>
<p>As perdas econômicas foram substanciais. Cisneros informou que, em nível nacional, o setor acumula prejuízos estimados em cerca de 2,7 bilhões de bolivianos, o equivalente a aproximadamente 270 milhões de dólares na cotação oficial atual. Embora o número seja nacional, La Paz – um dos principais destinos turísticos do país – responde por uma parcela significativa desses prejuízos, devido aos altos índices de cancelamento e à forte queda no número de visitantes.</p>
<p>“Junho registrou cancelamentos de cerca de 95%”, destacou Cisneros, acrescentando que maio já havia sido marcado por interrupções generalizadas. Essa queda acentuada na demanda deixou muitos estabelecimentos sem receita justamente em um período que costuma ser importante para a recuperação.</p>
<p>A situação do emprego também se fragilizou. O setor de hotelaria, que emprega grande número de mulheres e jovens, precisou colocar muitos trabalhadores em licença por falta de movimento. Com custos operacionais altos – salários, contas de luz, água e impostos –, várias empresas já estudam demissões para conseguir se manter.</p>
<p>Paralelamente, trabalhadores informais dos mercados locais relatam instabilidade diária. Vendedores falam de dificuldades no abastecimento e de preços que oscilam bastante, com a disponibilidade de mercadorias variando de um dia para o outro. Mesmo assim, a maioria diz que a prioridade é continuar trabalhando, já que seu sustento depende da renda diária.</p>
<p>Em âmbito nacional, os setores empresariais estimam que os danos à economia possam chegar a 3 bilhões de dólares, o equivalente a cerca de 5,5% do PIB do país. A Confederação de Empresários Privados da Bolívia cobrou do governo a implementação de um plano de apoio emergencial para as empresas em dificuldade, além da aprovação de uma lei que previna novos bloqueios nas estradas.</p>
<p>Embora os bloqueios tenham sido gradualmente suspensos, o governo decretou estado de emergência e ordenou que forças militares e policiais desobstruíssem as vias. Após quase dois meses de interrupções, a Bolívia enfrenta agora o desafio de estabilizar sua economia, enquanto trabalhadores de diversos setores seguem cobrando condições para retomar suas atividades e recuperar o sustento.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lucía Aliaga]]></dc:creator>
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