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    <title>Global South World Brasil - Boa Notícia</title>
    <link>https://www.globalsouthworld.com.br</link>
    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Os 3 fatores que levaram uma escola no interior de Pernambuco ao Ideb de 9,8</title>
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      <pubDate>Tue, 11 Aug 2026 11:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma  escola localizada no sertão de Pernambuco  alcançou um dos  maiores desempenhos do país no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) . </p>
<p>A unidade Amigos do Bem de Inajá -- localizada a mais de 300 quilômetros da capital Recife --, administrada pela ONG (Organização Não Governamental) de mesmo nome, registrou  nota 9,8  nos anos iniciais do ensino fundamental.</p>
<p>+Brasil não cumpre metas do Ideb nos anos finais do ensino fundamental e médio</p>
<p>O resultado  supera com ampla margem as médias municipal, estadual e nacional.  Nos anos iniciais do ensino fundamental, Pernambuco recebeu 5,3 no Ideb de 2025, enquanto a avaliação nacional foi de 6,3.</p>
<p>Mas o caso de Inajá não foi isolado. As quatro escolas apoiadas pela organização apresentaram desempenho de destaque no índice, refletindo um trabalho baseado em três eixos:</p>
<h2>Mais tempo na escola, menor evasão</h2>
<p>Além da nota no Ideb, outros indicadores validam o trabalho realizado na unidade, como o fluxo escolar de 100%, frequência superior a 90%, evasão praticamente inexistente e taxa de alfabetização de 98,75%, conforme as avaliações do Ideb.</p>
<p>Esse funcionamento é especialmente importante no contexto regional. Muitas das crianças e adolescentes que frequentam a Amigos do Bem vivem em casas de barro, em povoados rurais do sertão e são filhos de pais analfabetos que enfrentam desafios históricos relacionados à pobreza e à escassez de oportunidades.</p>
<p>Em adaptação a este cenário, os estudantes permanecem em período integral, recebem quatro refeições diárias, contam com acompanhamento pedagógico individualizado e transporte escolar para reduzir dificuldades que comumente levam a faltas e evasão. </p>
<p>Para Alceu Caldeira, responsável pela área educacional da instituição, os resultados são consequência de um trabalho contínuo. "Não é uma ação isolada. É um trabalho que olha para o aluno de forma completa.  Educação de qualidade exige consistência, acompanhamento e um ambiente que permita que a criança se desenvolva integralmente ", afirmou.</p>
<h2>Como o Ideb funciona</h2>
<p>O índice é calculado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), autarquia vinculada ao Ministério da Educação, que atribui  notas de zero a dez para instituições de ensino das redes pública e privada . As médias estaduais são calculadas com base nessas notas.</p>
<p>Principal indicador da qualidade da educação no Brasil,  o índice leva em conta dois componentes: a taxa de rendimento escolar e as médias de desempenho dos alunos em exames de português e matemática aplicados pelo Inep.</p>
<p>Com a divulgação dos resultados, cada instituição pode consultar suas notas para elaborar melhorias específicas; ou, no caso da rede pública, permitir que o MEC direcione sua atuação. Após a divulgação dos resultados mais recentes, a pasta anunciou ações de acompanhamento próximo dos 442 municípios que seguem com Ideb abaixo de 4,9 nos anos iniciais, com ênfase nos processos de aprendizagem.</p>
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        <media:credit role="photographer">Reprodução/Amigos do Bem</media:credit>
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        <media:title>Unidade em Inajá (PE) recebeu nota 9,8 do Ideb</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Teatro Amazonas e Theatro da Paz são reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco</title>
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      <pubDate>Mon, 27 Jul 2026 14:14:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e o Theatro da Paz, em Belém (PA), passaram a integrar a Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. O reconhecimento foi aprovado neste domingo durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial (World Heritage Committee), que analisa candidaturas de bens culturais e naturais de diferentes países.</p>
<p>A inscrição contempla dois conjuntos arquitetônicos: o Theatro da Paz e a Praça da República, em Belém, e o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus. Segundo a Unesco, os espaços representam um testemunho excepcional do auge econômico proporcionado pelo Ciclo da Borracha, entre 1879 e 1912, período em que a Amazônia viveu uma fase de intensa prosperidade impulsionada pela exportação do látex.</p>
<p>Inspirados na arquitetura francesa e europeia e decorados com elementos que remetem à floresta amazônica, os conjuntos foram concebidos como símbolos da ambição política, econômica e urbana da época. A Unesco destaca que o Theatro da Paz, inaugurado em 1878, e a Praça da República reforçavam o papel estratégico de Belém como porto e capital do Pará, além de celebrarem a consolidação da República no Brasil.</p>
<p>Já o Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, tornou-se o principal marco das transformações urbanas promovidas em Manaus durante o auge da economia da borracha. Em conjunto com o Largo de São Sebastião, o edifício simboliza a riqueza e o prestígio alcançados pela cidade, que se consolidava como a principal capital da região amazônica.</p>
<p>Com a decisão do Comitê do Patrimônio Mundial, os dois teatros passam a integrar a lista de bens considerados de Valor Universal Excepcional, reconhecimento concedido a locais que possuem importância cultural ou natural para toda a humanidade. A inscrição amplia a presença do Brasil na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco e reforça a relevância histórica, arquitetônica e cultural da Amazônia no cenário internacional.</p>
<h2>Confira os 26 patrimônios mundiais do Brasil na Unesco:</h2>
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        <media:title>patrimônios-unesco-brasil</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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      <title>Área queimada no Brasil cai à metade em 2025 e fica 31% abaixo da série histórica</title>
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      <pubDate>Wed, 22 Jul 2026 14:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Brasil queimou 12,7 milhões de hectares em 2025, uma diminuição para quase metade em relação a 2024 e uma redução de 31% em relação à série histórica, que é de 18,4 hectares por ano. Os dados são da segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, lançado pelo MapBiomas.</p>
<p>A queda interrompe uma sequência de anos de expansão do fogo no país.</p>
<p>A Amazônia puxou a retração. O bioma queimou 3,1 milhões de hectares em 2025, a menor área da série histórica, exatamente um ano depois de registrar a maior já medida: 15,8 milhões de hectares em 2024. Ainda assim, Amazônia e Cerrado somam 86% de toda a área já atingida pelo fogo no país desde 1985.</p>
<p>O Cerrado seguiu como o bioma mais afetado em termos absolutos, com 8,7 milhões de hectares queimados em 2025 e média histórica de 9,6 milhões de hectares por ano, a maior entre os biomas. </p>
<p>O Pantanal teve a maior queda proporcional, com 121 mil hectares queimados, 85,6% abaixo da média histórica e a menor área já registrada no bioma. A Caatinga foi o único bioma acima da média em 2025, com 505 mil hectares queimados.</p>
<p>"Mais do que mostrar o quanto o Brasil queimou em um determinado ano, a série histórica do Mapbiomas Fogo permite entender como o regime de fogo está mudando ao longo do tempo", afirma Ane Alencar, diretora de Ciências do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo. </p>
<p>Em nível estadual, Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram 47% de toda a área queimada no Brasil desde 1985, com 45,1 milhões, 31,6 milhões e 20,7 milhões de hectares, respectivamente, ao longo dos 41 anos analisados. Em nível municipal, 15 municípios concentram 11% do total, com destaque para Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA).</p>
<p>O relatório traz dois indicadores inéditos: severidade potencial do fogo e intervalo de retorno. Do total queimado no país desde 1985, 64% pegou fogo mais de uma vez, e 52% das áreas com recorrência voltam a queimar em até quatro anos. Na Amazônia, 31,6% da área queimada volta a pegar fogo em até dois anos, o intervalo mais curto entre os biomas.</p>
<p>"Na Amazônia, onde a vegetação não é adaptada ao fogo, intervalos tão curtos entre os eventos reduzem o tempo de recuperação da floresta e aumentam o risco de novos incêndios", diz Luiz Felipe Martenexen, pesquisador da equipe MapBiomas Fogo e do IPAM. Segundo ele, o processo pode comprometer a regeneração e tornar a floresta cada vez mais vulnerável ao fogo.</p>
<p>Quanto à severidade, 64% da área queimada no país teve classificação moderada ou baixa. Em Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, porém, as classes alta e muito alta já respondem por metade ou mais da área atingida.</p>
<p>O Cerrado é o bioma com maior proporção de área queimada mais de uma vez: 66% de tudo o que já queimou ali teve mais de uma ocorrência de fogo desde 1985. </p>
<p>"No Cerrado, o fogo faz parte da dinâmica natural do bioma, mas a incidência atual, marcada por eventos mais frequentes e extensos, pode ultrapassar a capacidade de recuperação da vegetação", afirma Vera Laísa Arruda, pesquisadora das equipes MapBiomas Cerrado e MapBiomas Fogo e do IPAM.</p>
<p>O levantamento mostra ainda que 71,5% de toda a área queimada no país entre 1985 e 2025 ocorreu em vegetação nativa, contra 28,5% em áreas de uso antrópico, como pastagens. Na Amazônia e na Mata Atlântica, porém, o fogo em áreas antrópicas já é predominante. Em Caatinga, Cerrado, Pampa e Pantanal, o fogo em vegetação nativa segue respondendo por mais de 80% do total.</p>
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        <media:credit role="provider">Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil</media:credit>
        <media:title>Por do sol no Rio Negro em Manaus, AM</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Um sistema brasileiro de monitoramento está ajudando o SUS a antecipar surtos</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/um-sistema-de-monitoramento-brasileiro-esta-ajudando-o-sus-a-antecipar-surtos</link>
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      <pubDate>Wed, 22 Jul 2026 14:10:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Criado por pesquisadores da Fiocruz da Bahia com apoio da Coppe/UFRJ, um dos mais importantes centros de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina, um sistema de alerta epidemiológico vem apresentando resultados promissores para o controle de surtos respiratórios. Trata-se do Aesop, que usa dados do SUS para emitir alertas e antecipar em até três semanas o aumento de casos desse tipo de doenças.</p>
<p>O novo sistema, que está em fase de implementação no Sistema Único de Saúde, foi validado no Amazonas e teve artigos divulgados em publicações científicas de prestígio internacional. Um dos estudos faz parte da edição de agosto de 2026 do  The Lancet Regional Health Americas . Outro foi divulgado pela revista  npj Digital Public Health , do grupo  Nature , em abril.</p>
<p>Antecipar um surto antes que ele vire uma crise de saúde pública é um dos maiores desafios da vigilância epidemiológica em qualquer lugar do mundo e é particularmente difícil em um país do tamanho do Brasil, onde a notificação formal de doenças costuma chegar com atraso às autoridades sanitárias. O Aesop visa diminuir esse problema.</p>
<p>O nome vem da sigla em inglês: Alert-Early System of Outbreaks with Pandemic Potential. Em português fica como Sistema de Alerta Precoce de Surtos com Potencial Pandêmico. Ele foi desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, em parceria com a Coppe/UFRJ e com apoio da Fundação Rockefeller.</p>
<p>O estudo publicado na revista  The Lancet Regional Health – Americas  trouxe os primeiros resultados de um teste em escala real do sistema. A experiência, conduzida no Amazonas, foi considerada positiva.</p>
<p>Esse sistema começou a ser desenhado em 2022, no rastro das lições deixadas pela pandemia de covid-19. O mundo descobriu, naquela época, o custo de identificar tarde demais o avanço de uma doença respiratória. Isso demonstrou a urgência da implementação de sistemas de vigilância capazes de captar sinais de alerta antes que a transmissão se intensifique.</p>
<p>A equipe do Cidacs encontrou a resposta em uma fonte de informação que já existia, mas seguia subaproveitada: o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab), que reúne os registros de atendimento de toda a Atenção Primária à Saúde do SUS. Ou seja, a porta de entrada do sistema de saúde brasileiro, cuja cobertura é estimada em aproximadamente 75% da população brasileira, ou cerca de 160 milhões de pessoas.”</p>
<p>A lógica por trás do Aesop é simples e prática: quando um vírus respiratório começa a circular com mais intensidade em uma cidade, isso normalmente aparece primeiro nos postos de saúde, com pessoas buscando atendimento por sintomas leves a moderados. É um movimento que ocorre antes de esse aumento se refletir nas internações hospitalares, quando os casos já se agravaram. Ao monitorar esses atendimentos em tempo quase real, o sistema consegue captar o início de um surto semanas antes de ele se tornar visível pelos canais tradicionais de notificação.</p>
<h2>Como o sistema funciona</h2>
<p>O Aesop recebe, semanalmente, os dados de atendimento da atenção primária de todo o Brasil, agregados por município, data e motivo da consulta. Antes de qualquer análise, o sistema passa por uma etapa de checagem de qualidade das informações — verificando pontualidade, completude e consistência das informações — e só gera alertas para os municípios cujos dados atendem a esse padrão mínimo de confiabilidade.</p>
<p>A partir daí, três algoritmos diferentes de detecção de anomalias analisam a série de atendimentos por síndrome gripal em busca de desvios incomuns do padrão esperado. Um deles, o Modelo Misto de Inteligência Artificial e Próxima Geração (MMAING), foi desenvolvido pela própria equipe do projeto. Um alerta só é emitido quando pelo menos dois dos três algoritmos "concordam" que existe uma anomalia. A estratégia foi pensada para tornar o sistema mais confiável e reduzir alarmes falsos.</p>
<p>Os alertas chegam às autoridades de saúde municipais, estaduais e federais por meio de um painel interativo ( dashboard ), com mapas, gráficos e tabelas exportáveis, desenvolvido inteiramente com tecnologias de código aberto, o que facilita a adaptação do sistema a outros contextos e países.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as9dkUy6rQEhbaPLT.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O painel tem mapas, gráficos e tabelas exportáveis."/>
<p>O escopo do Aesop vai além da detecção estatística. Quando um padrão anormal é identificado, o sistema também pode orientar a coleta inteligente de amostras clínicas para sequenciamento genético, ajudando a identificar rapidamente o patógeno responsável — incluindo vírus ainda desconhecidos. Modelos de mobilidade terrestre, aérea e fluvial também são usados para projetar como um patógeno pode se espalhar entre regiões, apoiando gestores na alocação estratégica de recursos.</p>
<p>Mas o sistema não se limita a dados do SUS. Ele coleta informações também de farmácias (com a compra de remédios e produtos, o que permite identificar que medicamentos estão sendo mais consumidos para que tipo de problema) e mesmo das redes sociais.</p>
<h2>O teste que comprovou o potencial do sistema</h2>
<p>No caso dos dados do SUS, a prova de fogo foi realizada entre abril e julho de 2024. Foi feita uma experiência nos 62 municípios do Amazonas, um estado estratégico para esse tipo de teste, por fazer fronteira com cinco outros estados brasileiros e três países (Colômbia, Peru e Venezuela).</p>
<p>Durante as 11 semanas do piloto, os 62 municípios registraram 1,8 milhão de atendimentos de atenção primária, dos quais 6,6% estavam relacionados à síndrome gripal. O sistema emitiu 104 alertas em 41 municípios diferentes — e, semana a semana, autoridades de saúde locais confirmavam, com base em investigação de campo, se cada alerta correspondia mesmo a um surto real.</p>
<p>Os resultados foram expressivos. Considerando a confirmação de surtos na mesma semana do alerta ou na semana seguinte, o sistema detectou 62,8% dos surtos que de fato ocorreram (sensibilidade) e teve uma taxa de acerto de 95,5% ao identificar semanas sem surto (especificidade). Quando o Aesop emitia um alerta, havia 82,7% de chance de que ele correspondesse a um surto real e quando o sistema não emitia alerta, havia 88,1% de chance de que realmente não havia surto em curso.</p>
<p>Em 72% dos surtos confirmados, o Aesop forneceu o primeiro sinal às autoridades de saúde. Isso quer dizer que o sistema "chegou na frente" na maior parte das vezes. E em 56% dos casos, o alerta efetivamente influenciou decisões concretas de resposta, como reforço da comunicação de risco, distribuição de testes e equipamentos de proteção, e melhor coordenação entre os níveis municipal, estadual e federal de gestão em saúde.</p>
<p>Segundo informações do Cidacs, durante a operação no Amazonas, o sistema chegou a detectar um surto de síndrome gripal três semanas antes do aumento dos casos, tempo suficiente para uma resposta local rápida e planejada, em vez de reativa.</p>
<h2>Política pública</h2>
<p>Passado o teste no Amazonas, o Aesop deixou a etapa exclusivamente experimental e entrou em fase de adoção nos estados. Ao longo de 2026, o Ministério da Saúde, em articulação com a Rede de Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Rede Cievs), vem conduzindo oficinas de implementação assistida em estados de todas as regiões do país. Esse movimento de capilarização nacional já passou por Mato Grosso, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Tocantins, São Paulo, Rio Grande do Norte e Pernambuco, entre outros.</p>
<p>Além da vigilância de síndromes respiratórias, o sistema pode ser aplicado a outros quadros. Um estudo mostrou desempenho promissor do Aesop na detecção precoce de surtos de dengue, usando a mesma lógica de dados administrativos da atenção primária. É um indício de que a ferramenta pode ser adaptada para monitorar outras síndromes relevantes para a saúde pública brasileira, como diarreicas.</p>
<p>O sistema também tem uma dimensão molecular: por meio de métodos metagenômicos, o Aesop já colaborou na identificação de mais de 330 patógenos respiratórios, aprimorando diagnósticos moleculares com redução de custo e tempo de análise.</p>
<h2>As farmácias como fontes de dados</h2>
<p>Enquanto o piloto no Amazonas testou o Aesop em campo, o estudo publicado na  npj Digital Public Health  demonstrou a capacidade de escala do sistema. O trabalho testou o uso combinado de dados de venda de medicamentos isentos de prescrição, vendidos livremente em farmácias, junto aos dados de atenção primária.</p>
<p>A ideia por trás dessa iniciativa é aproveitar mais um tipo de informação que o país já produz em grande volume, sem gerar nenhuma carga extra para o sistema de saúde: é comum que o consumo de remédios de venda livre, como paracetamol,  vitamina C e descongestionantes, aumente antes mesmo de as pessoas procurarem uma unidade de saúde. Desse modo, ele funciona também como um sinal precoce do início de um surto respiratório.</p>
<p>Os pesquisadores utilizaram dados fornecidos pela IQVIA, empresa que cobre mais de 95% do varejo farmacêutico brasileiro, cruzando as vendas de seis medicamentos associados ao tratamento de síndrome gripal com os registros de atendimento da atenção primária e com as internações hospitalares por doenças respiratórias.</p>
<p>Foram analisados quase três anos de dados semanais (de novembro de 2022 a junho de 2025) em 510 regiões que cobrem todo o território brasileiro, identificando 746 picos de internação por doenças respiratórias ao longo do período. Os resultados reforçam a robustez da abordagem: os dados de venda de medicamentos conseguiram antecipar 56,6% desses picos de internação, com uma a três semanas de antecedência, enquanto os dados de atenção primária anteciparam 59,5% — desempenho ligeiramente superior, mas próximo o suficiente para confirmar que as duas fontes se complementam.</p>
<p>Em 76,7% das regiões do país, pelo menos uma das duas fontes de dados apresentou alta precisão. E quase um terço das regiões (28%) teve bom desempenho nas duas fontes simultaneamente. Em outras palavras, onde um tipo de dado falha ou está indisponível, o outro tende a compensar.</p>
<p>Para os pesquisadores, a abordagem baseada em vendas de farmácia é particularmente promissora para regiões com infraestrutura de saúde pública mais frágil, justamente as mais vulneráveis a surtos respiratórios. Como os dados de venda já são coletados rotineiramente para fins comerciais, o método oferece uma forma de estender a vigilância epidemiológica a áreas onde os registros de atendimento em saúde são mais escassos ou menos confiáveis.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asb4PbMT8ZBRuqlcA.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Um estudo científico mostrou como o sistema recorreu a dados de venda de remédios nas farmácias para antecipar surtos."/>
<p>Como a tecnologia por trás da ferramenta é toda de código aberto, o modelo desenvolvido no Brasil pode, em tese, ser replicado por outros países que também possuam sistemas de saúde com registros administrativos centralizados. No entendimento dos pesquisadores, o Aesop pode se tornar componente de uma futura rede regional ou global de vigilância e resposta a patógenos.</p>
<p>O projeto já dialoga com estratégias internacionais recentes de fortalecimento da vigilância respiratória, como o  Mosaic Respiratory Surveillance Framework  da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Estratégia de Inteligência Epidemiológica para o Fortalecimento do Alerta Precoce de Emergências em Saúde, aprovada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).</p>
<h2>Ferramenta ainda em construção</h2>
<p>Os responsáveis pelo projeto são transparentes sobre os pontos que ainda precisam de ajuste. O piloto no Amazonas foi relativamente curto — 11 semanas —, o que limita a avaliação de variações sazonais de longo prazo. Também falta, segundo os pesquisadores, uma definição operacional padronizada do que efetivamente conta como "surto", algo que a equipe do Aesop identificou como prioridade para as próximas etapas do projeto.</p>
<p>Outro fator a ser considerado é a qualidade dos dados recebidos dos municípios, que varia entre as localidades. Ainda assim, o Aesop mostra que é possível usar os próprios dados do SUS a favor da antecipação, e não apenas como registro histórico.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/Tamanna Rumee</media:credit>
        <media:title>produtos de farmácia</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Brasil pode superar os EUA na liderança das exportações agrícolas</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/brasil-pode-superar-os-eua-na-lideranca-das-exportacoes-agricolas</link>
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      <pubDate>Tue, 21 Jul 2026 15:10:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Brasil pode ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador agrícola do mundo ainda em 2026. Em 2025, os norte-americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas, de acordo com o Departamento de Agricultura do país. O Brasil vendeu aproximadamente US$ 169 bilhões, segundo dados do Ministério da Agricultura. A diferença foi, portanto, de US$ 2 bilhões. Em 2021, os norte-americanos exportavam US$ 56 bilhões a mais que os brasileiros.</p>
<p>A possibilidade de os produtores brasileiros assumirem a dianteira nesse campo foi apontada nesta terça-feira, 21, pelo jornal britânico   Financial Times , que analisou a perda de espaço dos produtores norte-americanos e o avanço brasileiro no comércio internacional.</p>
<p>No primeiro semestre de 2026, as vendas externas do agronegócio brasileiro aumentaram 6% e alcançaram o recorde de US$ 87 bilhões. Esse é o maior valor para os primeiros seis meses do ano desde o início da série histórica, em 1997. Mantida essa trajetória, o Brasil poderá assumir a liderança mundial neste ano.</p>
<p>O país já ocupa posições de destaque nas exportações de soja, carne bovina, carne de frango, café, açúcar e suco de laranja. Além disso, em 2024, ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior exportador mundial de algodão.</p>
<h2>China mudou o destino de suas compras</h2>
<p>Analistas ouvidos pelo  Financial Times  em Iowa, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, e no Mato Grosso apontam a guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump, em 2018, como um dos fatores centrais dessa mudança.</p>
<p>Naquele ano, Washington impôs tarifas sobre produtos chineses, e Pequim retaliou com uma taxa adicional de 25% sobre a soja norte-americana. O produto dos Estados Unidos perdeu competitividade na China, que transferiu parte das compras para o Brasil.</p>
<p>Nos primeiros seis meses do ano comercial 2018/2019, as importações chinesas de soja americana caíram de 24,4 milhões para 2,7 milhões de toneladas, enquanto as compras do produto brasileiro aumentaram de 14,2 milhões para 25,7 milhões. As relações comerciais e as rotas de abastecimento criadas desde então se consolidaram.</p>
<p>Dados da plataforma de comércio internacional da ONU, a UN Comtrade, mostram que, em 2016, a China comprava volumes semelhantes de soja brasileira e norte-americana. Depois da disputa tarifária, as trajetórias se distanciaram. Em 2025, o Brasil vendeu mais de 80 milhões de toneladas de soja ao mercado chinês, enquanto as exportações norte-americanas do grão para o país asiático ficaram abaixo de 10 milhões de toneladas.</p>
<p>As relações comerciais, a capacidade de processamento e as rotas de transporte construídas desde então se consolidaram, dificultando a recuperação dos fornecedores dos Estados Unidos. As novas disputas tarifárias promovidas por Trump em seu segundo mandato ampliaram a incerteza enfrentada pelos agricultores norte-americanos.</p>
<p>O governo dos Estados Unidos, porém, contesta a avaliação de declínio. O Departamento de Agricultura projeta exportações de US$ 174 bilhões nos 12 meses encerrados em setembro de 2026 e afirma estar trabalhando para abrir mercados. O país continua sendo o maior exportador mundial de milho, mas sua participação nesse comércio caiu de 68%, há duas décadas, para aproximadamente 30% atualmente.</p>
<h2>Produção elevada e margens menores nos EUA</h2>
<p>A reportagem do  Financial Times  destaca que os Estados Unidos continuam capazes de produzir grandes safras. O problema está na combinação de preços baixos, perda de mercados externos, custos elevados e crescente dependência de subsídios governamentais.</p>
<p>Estimativas da American Farm Bureau Federation, uma das principais organizações de representação dos agricultores e pecuaristas norte-americanos, indicam prejuízos de US$ 138 por acre no cultivo da soja, US$ 167 no milho, US$ 145 no trigo e US$ 406 no algodão.</p>
<p>Com isso, mesmo propriedades altamente produtivas enfrentam dificuldades para obter lucro. O cenário pode acelerar a concentração das terras em fazendas maiores e reduzir ainda mais o número de agricultores no país.</p>
<h2>Ascensão brasileira começou antes das tarifas</h2>
<p>O  Financial Times  ressalta que o avanço do Brasil não é apenas consequência da política comercial norte-americana. A transformação vem sendo construída ao longo de décadas por meio da expansão territorial, da correção de solos pobres em nutrientes e do desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima tropical.</p>
<p>De acordo com a reportagem, o país, que ainda dependia de importações para alimentar sua população na década de 1970, tornou-se um dos principais fornecedores de alimentos do mundo. A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas mais que dobrou em 13 anos e atingiu 346,1 milhões de toneladas em 2025.</p>
<p>Uma das vantagens é a possibilidade de obter duas safras no mesmo terreno durante o ano. Em áreas irrigadas, podem ser realizadas até três colheitas. No Mato Grosso, mais da metade das terras cultivadas recebe uma segunda plantação, geralmente de milho ou algodão, depois da colheita da soja. O cultivo contínuo permite dividir os custos fixos entre diferentes safras e melhorar as margens das propriedades.</p>
<p>Apesar da expansão, os produtores brasileiros não estão livres de dificuldades. O jornal britânico aponta os juros elevados, a queda dos preços de algumas commodities e a dependência de fertilizantes importados entre os principais riscos.</p>
<p>O Brasil compra no exterior aproximadamente 85% dos fertilizantes de que necessita. Os preços desses produtos aumentaram com a guerra entre Estados Unidos e Irã, elevando os custos de produção.</p>
<p>Em relação ao Mato Grosso, pesquisadores da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, estimaram que o lucro da soja caiu para US$ 10 por acre na última colheita, o menor nível em duas décadas. Ainda assim, o Brasil entrou no atual período de instabilidade em uma posição mais favorável, com presença dominante no mercado chinês de soja e uma estrutura de produção capaz de sustentar sua expansão internacional.</p>
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