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    <title>Global South World Brasil - América Latina</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Dificuldade de Lula pela reeleição segue tendência de ‘anti-incumbência’</title>
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      <pubDate>Fri, 09 Oct 2026 10:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A vantagem de 1,87 ponto percentual conquistada por Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições de 2026 expõe um desafio diretamente conectado ao ambiente político da América Latina. A necessidade de o petista reverter um placar desfavorável no segundo turno ocorre em meio a um histórico recente de forte rejeição aos governantes em exercício na região, na qual quem ocupa o poder tem enfrentado dificuldade para transformar a gestão pública em continuidade eleitoral.</p>
<p>Um levantamento da Bloomberg Línea que analisou as 30 eleições presidenciais mais recentes na América Latina indica que os partidos governistas foram derrotados pela oposição em 22 oportunidades, uma taxa de insucesso de 73% que atingiu indistintamente administrações de esquerda e de direita. </p>
<p>A exceção à regra de punição sistemática ao incumbente restringiu-se a pouquíssimos casos no continente, como as reconduções diretas de Nayib Bukele em El Salvador, Luis Abinader na República Dominicana, Claudia Sheinbaum no México e Daniel Noboa no Equador.</p>
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<p>A cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), aponta que o padrão regional indica uma incapacidade recorrente das gestões públicas em converter a máquina do Estado em capital político permanente. </p>
<p>"O eleitor cobra resultados e pode usar a alternância para punir quem governa, sem necessariamente aderir de maneira estável ao projeto da oposição. Por isso, derrotas de governos de esquerda e de direita são compatíveis com uma dinâmica comum de insatisfação", afirma.</p>
<p>Apesar do peso regional, a disputa no Brasil segue regras próprias. Enquanto em outros países da América Latina surgiram novos nomes para puxar o voto de protesto, a política brasileira continua dividida entre os dois grupos consolidados desde 2018: o petismo e o bolsonarismo.</p>
<p>Para o cientista político Leandro Consentino, do Observatório da Política do Insper, o fortalecimento da polarização mudou a dinâmica das reeleições no Brasil. Até 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff venceu uma disputa acirrada contra Aécio Neves, a competição ocorria em um espectro político mais próximo do centro.</p>
<p>"Existe essa dificuldade do incumbente de se manter no cargo, que já é tradicional e tem se acentuado nos últimos anos sob a turbulência política, econômica e pela polarização, que faz com que os governos sejam eleitos por margens pequenas. Essa polarização, somada a um contexto de crise de representação que a gente tem vivido, tornou a posição do incumbente muito mais frágil."</p>
<p>A situação atual é diferente dos primeiros anos da reeleição no Brasil, quando Fernando Henrique Cardoso (1998) e Lula (2006) venceram com folga. O cenário mudou a partir de 2014, com a crise econômica, os desdobramentos da Lava Jato e o crescimento da oposição de direita, que culminou na derrota de Jair Bolsonaro ao tentar se reeleger em 2022.</p>
<p>Luciana Santana aponta que a posição de presidente já não assegura a vitória eleitoral, pois a vantagem do cargo passou a conviver com uma oposição mais organizada. </p>
<p>"A aprovação de medidas do governo nem sempre se traduz em votos, já que o eleitor também considera identidade e posicionamento político. Assim, os recursos da administração pública deixaram de ser garantidores de maioria nas urnas", explica.</p>
<p>A situação do governo Lula também apresenta semelhanças com as eleições americanas de 2024, quando Kamala Harris, após substituir Joe Biden à frente da candidatura do partido Democrata, foi derrotada por Donald Trump. </p>
<p>Segundo Leandro Consentino, em ambos os casos, a insatisfação do eleitorado apareceu mesmo em cenários de indicadores macroeconômicos positivos, como crescimento do PIB e desemprego baixo.</p>
<p>"Nos dois casos, os índices econômicos não eram ruins nas planilhas. Mas, tanto nos EUA de 2024 quanto no Brasil de 2026, vimos uma sensação de mal-estar do ponto de vista da população com relação ao governo e com relação à própria economia", afirma Consentino.</p>
<p>"É importante enfatizar que inflação menor não significa retorno aos preços anteriores. O eleitor compara quanto conseguia comprar, quanto paga por moradia e serviços e quanto sobra no fim do mês. Crescimento e emprego podem melhorar enquanto permanece a sensação de perda de poder de compra", complementa Luciana Santana.</p>
<h3>O desafio histórico do segundo turno e o mapa da abstenção</h3>
<p>Desde a adoção do sistema de dois turnos pela Constituição de 1988, o candidato que terminou a primeira etapa na segunda colocação nunca conseguiu virar o placar na votação decisiva. </p>
<p>A diferença de 1,87 ponto percentual representa cerca de 2,2 milhões de votos, mas o espaço para buscar apoio direto entre as candidaturas derrotadas é reduzido, já que Lula e Flávio Bolsonaro concentraram 92,19% dos votos válidos, deixando apenas 7,81% distribuídos entre os demais concorrentes.</p>
<p>A transferência automática dessa fatia, no entanto, é vista com ceticismo no meio analítico. Levantamentos de intenção de voto do Datafolha realizados antes da votação no primeiro turno já mostravam que eleitores de nomes da terceira via -- como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) -- apresentavam uma inclinação significativamente maior a migrar para a candidatura de Flávio Bolsonaro do que para o projeto de reeleição petista.</p>
<p>Fechadas as urnas, Zema (Novo) e Caiado (PSD) declararam apoio a Flávio contra o PT. Já Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) liberaram os eleitores ou preferiram a neutralidade.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asFzKObCBBxehm3Xc.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt=""/>
<p>Com o teto para atração desse eleitorado e com partidos de centro como União Brasil, PP e Republicanos formalizando adesão à candidatura do PL, a estratégia da campanha petista passou por uma reestruturação.</p>
<p> Lula promoveu uma reformulação no comando da própria campanha após classificar a mobilização do primeiro turno como a "menos organizada" da qual participou desde 1989. O presidente escalou três lideranças com histórico de vitórias no Nordeste para integrar a coordenação decisória da campanha: o senador cearense Camilo Santana (PT), o senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT), e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).</p>
<p>A reação envolveu também uma mudança no engajamento digital. Para responder à vantagem expressiva da oposição nas plataformas digitais, a campanha montou um 'QG' em Brasília liderado por parlamentares jovens e influenciadores digitais para produzir conteúdos em formato mais direto, gravados pelo próprio presidente no cotidiano das agendas.</p>
<p>A necessidade de buscar quem não foi às urnas é apontada por Leandro Consentino como o único caminho viável para uma tentativa de virada no cenário atual. </p>
<p>"Não acho que haja muito espaço para buscar votos nas candidaturas de terceira via. Lula tem que buscar no único lugar que sobrou: aqueles que se abstiveram no primeiro turno. Tentar -- seja pela parte positiva, mostrando realizações, ou pela parte negativa, apontando ameaças do outro lado", avalia Consentino.</p>
<p>Sobre o comportamento das alianças formais e a heterogeneidade desse eleitorado disputado, Luciana Santana alerta que apoios partidários não garantem transferência automática de votos, especialmente quando a insatisfação com a política tradicional dificulta a formação de maiorias estáveis. </p>
<p>"Apoios anunciados por candidatos e partidos não transferem automaticamente seus votos. Esses conjuntos de eleitores são heterogêneos", ressalta a professora.</p>
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        <media:title>Lula delivers speech in Sao Paulo following first round of presidential election</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Guinada à direita: o que diz a imprensa internacional sobre o 1º turno</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/guinada-a-direita-o-que-diz-a-imprensa-internacional-sobre-o-1-turno</link>
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      <pubDate>Mon, 05 Oct 2026 12:07:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições não foi o único resultado que chamou a atenção da imprensa internacional. Jornais tradicionais como The Guardian, Le Monde e The Washington Post destacaram também um movimento mais amplo para a direita, identificado nas disputas pelo Congresso Nacional e pelos governos estaduais.</p>
<p>As análises salientam tanto a força demonstrada pelo campo conservador quanto as dificuldades de Lula, apesar de indicadores positivos de seu governo. A rejeição ao presidente brasileiro, desejo de mudança, segurança, valores conservadores e desgaste das instituições aparecem entre as explicações. A nova composição política também deixa uma consequência que independe de quem vencer o segundo turno em 25 de outubro: o próximo presidente terá pela frente um Congresso ainda mais inclinado à direita.</p>
<h2>The Guardian</h2>
<p>“Eleição presidencial brasileira vai ao segundo turno com Flávio Bolsonaro à frente do presidente Lula”</p>
<p>A força da direita foi além do desempenho de Flávio Bolsonaro. O  Guardian  destaca que 34 dos 54 senadores eleitos são de direita ou extrema direita e chama atenção para as vitórias de outros integrantes da família Bolsonaro e de seus aliados, entre eles Michelle e Carlos Bolsonaro para o Senado, Jair Renan para a Câmara e Tarcísio de Freitas, reeleito governador de São Paulo.</p>
<p>O avanço no Senado tem importância especial para o bolsonarismo porque cabe à Casa julgar eventuais processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ressalta o jornal. A conquista de cadeiras na Suprema Corte foi tratada como prioridade por aliados de Jair Bolsonaro, que intensificaram os ataques ao STF após a condenação e prisão do ex-presidente.</p>
<p>Na disputa presidencial, a insatisfação com o custo de vida e a violência urbana aparece entre as explicações para o resultado. O jornal também situa a eleição brasileira no avanço recente da direita na América Latina e lembra a proximidade de Flávio com Donald Trump, que busca ampliar na região o grupo de governos alinhados a Washington.</p>
<h2>El País</h2>
<p>“Bolsonaro vence Lula no primeiro turno das eleições e se aproxima do retorno da extrema direita ao poder no Brasil”</p>
<p>A vitória de Flávio Bolsonaro é apresentada pelo  El País  como uma demonstração de força do bolsonarismo e uma “vitória crucial” da onda ultraconservadora que percorre a América Latina. O resultado fortaleceu a família Bolsonaro como principal referência da direita brasileira e mostrou que o movimento continua competitivo mesmo com Jair Bolsonaro condenado e afastado da disputa.</p>
<p>A guinada à direita apareceu também nas demais eleições. O jornal destaca a reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo e o fortalecimento do PL no Congresso, que pode aumentar a pressão por impeachment de ministros do STF e pela anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro.</p>
<p>O  El País  coloca ainda a eleição brasileira dentro da disputa sobre os rumos políticos da América Latina: ou o país decide entre acompanhar a guinada conservadora de outros países da região ou permanece, ao lado do México, como um dos principais governos progressistas. Essa escolha tem também uma dimensão geopolítica: manter a defesa do multilateralismo ou se aproximar de Trump e da aliança regional articulada por Washington.</p>
<h2>The New York Times</h2>
<p> “Lula e filho de Bolsonaro vão ao segundo turno pela Presidência do Brasil”</p>
<p>Uma vitória de Flávio Bolsonaro seria “a maior vitória até agora para a direita em ascensão na América Latina” e levaria ao poder no maior país da região um aliado entusiasmado do governo Donald Trump, afirma o  New York Times . O jornal lembra que candidatos alinhados ao presidente norte-americano venceram as últimas sete eleições na região e descreve o Brasil como “o maior prêmio restante”. Uma vitória de Lula, por sua vez, desaceleraria a marcha da direita pelo continente e complicaria os planos de Trump.</p>
<p>O presidente norte-americano aparece como personagem central da disputa mesmo sem ter declarado apoio formal a Flávio. Segundo o  NYT , seu governo trabalhou de maneiras mais sutis para favorecer o candidato, depois de usar tarifas e sanções para tentar ajudar Jair Bolsonaro durante o processo pela tentativa de golpe. Também tentou enviar uma delegação ao Brasil para investigar a integridade das eleições e, após pressão de Flávio e seus aliados, classificou as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.</p>
<p>Lula respondeu colocando a soberania no centro da campanha, acusando o governo Trump de tentar influenciar a eleição para ter acesso aos recursos naturais brasileiros e apresentando Flávio como subordinado aos interesses norte-americanos. O governo dos Estados Unidos nega que esteja interferindo na eleição.</p>
<h2>Financial Times</h2>
<p>“Dinastia Bolsonaro no Brasil se aproxima de uma volta surpreendente”</p>
<p>Pouco mais de um ano depois da prisão de Jair Bolsonaro, sua família está perto de protagonizar uma recuperação política que o  Financial Times  classifica como surpreendente. O desempenho de Flávio, porém, não significaria necessariamente uma onda de entusiasmo por sua candidatura. Analistas ouvidos pelo jornal atribuem parte importante da votação à rejeição a Lula e ao desejo de mudança.</p>
<p>Flávio chegou a essa posição apesar das dificuldades enfrentadas durante a campanha, entre elas o caso do Banco Master, conflitos dentro da própria família (em referência à crise inicial com Michelle Bolsonaro, mulher de Jair Bolsonaro) e problemas no começo para conquistar setores empresariais. Aos 45 anos, ele também se beneficiou do contraste geracional com Lula, de 80.</p>
<p>Segurança, autoridade e valores conservadores também tiveram peso, não apenas uma agenda econômica de direita. O resultado é inserido ainda em uma mudança política mais ampla na América Latina, marcada pelo avanço recente de forças conservadoras. No Brasil, mostra que o campo político construído em torno de Jair Bolsonaro continua competitivo mesmo com o ex-presidente preso e fora da disputa. Uma eventual vitória de Flávio poderia ainda abrir uma nova frente de conflito institucional, diante de sua promessa de buscar a libertação do pai.</p>
<h2>Le Monde</h2>
<p>“‘Lula pagou o preço do descontentamento dos eleitores’: no Brasil, Flavio Bolsonaro fica à frente de Lula no primeiro turno da eleição presidencial”</p>
<p>O presidente Lula chegou à eleição com desemprego em queda, redução da pobreza e diminuição do desmatamento da Amazônia, mas esses resultados não foram suficientes para neutralizar o descontentamento de parte do eleitorado. Para o  Le Monde , o presidente “pagou o preço” dessa insatisfação nas urnas.</p>
<p>Preocupações com a economia e a segurança se somaram ao desgaste das instituições. O caso do Banco Master e as controvérsias envolvendo o STF deram à campanha de Flávio Bolsonaro espaço para associar Lula à Suprema Corte e ao establishment, embora o próprio candidato do PL também esteja sob investigação relacionada ao caso.</p>
<p>A força da direita nas eleições para o Congresso e governos estaduais mostrou que a votação de Flávio faz parte de um movimento político mais amplo, enquanto a esquerda perdeu espaço em outras disputas. O resultado reforça as dificuldades que Lula enfrentaria no Congresso mesmo em caso de vitória no segundo turno.</p>
<h2>Washington Post</h2>
<p>“Bolsonaro e Lula vão ao segundo turno: cinco conclusões da eleição brasileira”</p>
<p>O jornal   reúne cinco pontos para os resultados do primeiro turno. O primeiro é o recado dos eleitores: parte dos votos em Flávio foi motivada pela rejeição a Lula, enquanto parte dos votos no presidente veio de quem pretende impedir o retorno do bolsonarismo. O segundo é o confronto entre desejo de mudança e medo da mudança: Lula precisa responder à insatisfação com o custo de vida e o endividamento, enquanto Flávio precisa convencer eleitores de que sua eleição não representaria uma volta aos ataques às instituições ocorridos após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022. O terceiro é o comparecimento: eleitores que optaram por outras candidaturas justamente por rejeitarem os dois finalistas podem decidir não votar no segundo turno.</p>
<p>A quarta questão é o que Donald Trump fará: depois das pressões exercidas por seu governo durante o processo contra Jair Bolsonaro, permanece a dúvida sobre se Washington intensificará ou reduzirá sua atuação — o Departamento de Estado nega tentativa de interferência. A quinta é a pouca presença de políticas públicas na campanha: Banco Master, STF, interferência norte-americana e ataques entre adversários ocuparam espaço que poderia ter sido dedicado a propostas, e economia e problemas cotidianos podem ganhar importância na disputa pelos eleitores ainda não alinhados a Lula ou Flávio.</p>
<h2>La Nación</h2>
<p>“Eleições no Brasil: o que está por trás do golpe sofrido por Lula e por que a aritmética favorece Flavio Bolsonaro”</p>
<p>O mapa político brasileiro “ficou inclinado à direita”, na definição do  La Nación . A rejeição ao governo Lula, mais do que uma adesão especialmente forte a Flávio Bolsonaro, estaria por trás do crescimento do candidato, mas o movimento foi além da corrida presidencial. A direita ampliou sua força no Senado e teve desempenho expressivo nas eleições estaduais.</p>
<p>É nesse quadro que entra a “aritmética”. A maior parte dos votos dos candidatos eliminados foi para nomes situados à direita, o que oferece a Flávio um universo maior de eleitores a disputar no segundo turno. Para reverter a diferença, Lula precisaria conquistar uma parcela consideravelmente maior desses votos.</p>
<p>O presidente enfrenta ainda a falta de aliados fortes em alguns dos estados mais populosos e um Congresso mais à direita. A abstenção aparece como outra frente de disputa: trazer às urnas eleitores que não votaram no primeiro turno pode abrir uma fonte adicional de votos.</p>
<p>O resultado também projeta uma discussão para além de 25 de outubro. Uma eventual derrota de Lula colocaria em primeiro plano sua sucessão e a reorganização da esquerda brasileira. E, qualquer que seja o vencedor, a composição política saída das urnas indica que a direita terá peso ainda maior na definição da agenda do próximo governo.</p>
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        <media:credit role="provider">AFP/ Evaristo Sá</media:credit>
        <media:title>flavio bolsonaro-imprensa</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>EUA dão mostra de como pretendem ampliar atuação na América Latina</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/eua-dao-mostra-de-como-pretendem-ampliar-atuacao-na-america-latina</link>
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      <pubDate>Fri, 02 Oct 2026 21:59:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os Estados Unidos deram nesta semana uma amostra de como pretendem ampliar sua atuação na América Latina para defender os interesses definidos pelo governo de Donald Trump. Em poucos dias, Washington impôs restrições de visto a autoridades latino-americanas, apoiou uma operação contra o procurador-geral da Bolívia, avançou no redirecionamento de milhões de dólares em ajuda militar para governos da região e se viu no centro de uma controvérsia sobre o financiamento de uma iniciativa voltada a questionar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil.</p>
<p>O movimento ocorre enquanto Trump busca ampliar a coordenação regional por meio do Escudo das Américas, coalizão liderada pelos EUA que reúne 18 países da América Latina e do Caribe. O Brasil não participa do grupo.</p>
<p>Por aqui, os movimentos de Washington chamam atenção de Brasília. O primeiro turno da eleição presidencial ocorre no domingo, 4. Nesta semana, Trump afirmou duas vezes que acompanha a disputa “de perto”, enquanto o governo brasileiro pediu a investigação de um possível financiamento americano a organizações no país.</p>
<p>As medidas dos últimos dias também dão sequência a uma aproximação conduzida diretamente pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Em setembro, ele visitou Colômbia, Equador e Peru – que integram o Escudo das Américas – para aprofundar a cooperação com os três governos, principalmente no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.</p>
<p>Os três países estão entre os atingidos pelas restrições de vistos anunciadas nesta segunda-feira, 28. Eles estão entre os beneficiários da mudança na destinação de recursos militares americanos.</p>
<h2>Vistos como instrumento de pressão</h2>
<p>Na segunda-feira, 28, o Departamento de Estado anunciou restrições de visto contra 27 autoridades, ex-autoridades e outras pessoas da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, além de seus familiares. A medida inclui tanto a revogação de vistos já concedidos quanto o impedimento de novas concessões.</p>
<p>Washington relacionou as restrições a acusações de corrupção, narcotráfico e ações que, segundo o governo americano, prejudicam o combate ao crime e enfraquecem instituições democráticas. Os quatro países têm atualmente governos próximos à administração Trump.</p>
<p>A maior parte dos atingidos é da Bolívia. Entre eles estava o procurador-geral Roger Mariaca, acusado pelos Estados Unidos de receber propina para facilitar atividades relacionadas ao narcotráfico e ajudar criminosos a escapar da Justiça.</p>
<p>Mariaca negou as acusações e afirmou que a medida representava pressão política. Ele também conduzia investigações que envolviam Fernando Cerimedo, estrategista político argentino que assessorou o presidente boliviano, Rodrigo Paz, e foi responsável pela estratégia digital da campanha presidencial de Javier Milei em 2023. Cerimedo diz ter trabalhado em campanhas de Jair Bolsonaro no Brasil. No país, tem vínculos com a família Bolsonaro.</p>
<p>Dois dias depois das restrições de visto dos Estados Unidos, Mariaca foi preso pelas autoridades bolivianas.</p>
<p>O governo da Bolívia o investiga por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Outras 13 pessoas foram detidas. As acusações ainda estão sob investigação.</p>
<p>A operação foi conduzida pelas autoridades bolivianas, com cooperação de agências norte-americanas. Depois da prisão, Rubio elogiou o governo Paz pelas medidas contra o narcotráfico, a corrupção e o crime organizado.</p>
<p>A sequência provocou uma crise política na Bolívia. Na quinta-feira, 2, o vice-presidente Edmand Lara, que rompeu politicamente com Paz, afirmou que estaria sendo preparado um processo para prendê-lo e disse temer pela própria vida. Lara vinha cobrando explicações sobre a prisão de Mariaca.</p>
<h2>Dinheiro militar muda de destino</h2>
<p>Outro movimento mostra a mudança de prioridades da política externa americana.</p>
<p>O governo Trump decidiu levar adiante o redirecionamento de US$ 52 milhões em ajuda militar originalmente destinada a países da Europa e do Oriente Médio para Panamá, Peru, Equador e Colômbia.</p>
<p>Os recursos tinham sido destinados a Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque. Parlamentares democratas tentaram bloquear a transferência, argumentando que as verbas foram aprovadas pelo Congresso para outros objetivos.</p>
<p>O Departamento de Estado defendeu a decisão afirmando que ela está de acordo com a prioridade concedida pelo governo Trump ao Hemisfério Ocidental e com sua estratégia de combate ao narcotráfico.</p>
<p>Os quatro países beneficiados pelos recursos participam do Escudo das Américas. Em setembro, 15 integrantes concordaram em adotar medidas coletivas contra 24 organizações que Washington classificou como “narcoterroristas”. Estão na lista PCC e CV.</p>
<h2>Brasil entra no debate</h2>
<p>Enquanto Washington ampliava suas ações na região, uma reportagem do jornal britânico  The Guardian  colocou o Brasil no centro de outra controvérsia.</p>
<p>O jornal revelou que o governo Trump redirecionou recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, do Departamento de Estado, para iniciativas alinhadas a pautas conservadoras em diferentes países.</p>
<p>Entre elas está um projeto de US$ 1 milhão denominado “Combate ao lawfare e à censura no Brasil”, destinado a organizações da sociedade civil que questionam o que consideram excessos do Judiciário brasileiro e restrições à liberdade de expressão.</p>
<p>A reportagem aponta uma mudança mais ampla na utilização do fundo. Segundo o  Guardian , mais de US$ 175 milhões foram redirecionados para iniciativas que refletem prioridades ideológicas do atual governo americano. Rubio teria atuado pessoalmente para superar bloqueios no Congresso a parte dos repasses.</p>
<p>A existência do projeto não comprova que o dinheiro tenha sido utilizado para financiar candidatos ou partidos brasileiros nem, por si só, que tenha ocorrido interferência na eleição.</p>
<p>Diante das informações, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) que investiguem o caso e identifiquem eventuais responsáveis e organizações brasileiras que possam ter recebido recursos.</p>
<p>A preocupação com uma possível interferência americana também chegou ao Congresso dos Estados Unidos. Parlamentares democratas cobraram explicações do governo Trump e garantias de que Washington respeitaria a escolha dos eleitores brasileiros. O governo norte-americano nega que esteja tentando influenciar a votação.</p>
<h2>Trump acompanha eleição “de perto”</h2>
<p>É nesse ambiente que as declarações de Trump sobre o Brasil ganharam peso nesta semana.</p>
<p>Na quinta-feira, 1º, o presidente americano afirmou que a eleição brasileira é “muito importante” e disse que acompanha a disputa “muito de perto”.</p>
<p>Nesta sexta-feira, voltou ao assunto. Questionado se apoiaria Flávio Bolsonaro, não declarou apoio ao candidato e afirmou estar analisando a situação e acompanhando os acontecimentos.</p>
<p>Também nesta sexta,  os Estados Unidos suspenderam os serviços presenciais na embaixada em Brasília e nos consulados no país, alegando preocupações de segurança sem informar qual seria a ameaça . A Austrália também fechou sua embaixada em Brasília e orientou seus cidadãos a evitar instalações diplomáticas americanas.</p>
<p>Washington não relacionou oficialmente a suspensão dos serviços à eleição de domingo.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>USP é a 2ª melhor universidade da América Latina, pelo segundo ano consecutivo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/usp-e-a-2-melhor-universidade-da-america-latina-pelo-segundo-ano-consecutivo</link>
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      <pubDate>Thu, 01 Oct 2026 17:24:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Universidade de São Paulo (USP) manteve a posição de segunda melhor universidade da América Latina e do Caribe pelo segundo ano consecutivo, segundo ranking divulgado nesta quinta-feira, 1º, pela QS (Quacquarelli Symonds), empresa britânica especializada em ensino superior.</p>
<p>A Pontificia Universidad Católica de Chile permanece na liderança, enquanto a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocupa a 3ª posição. O Tecnológico de Monterrey, do México, aparece em 4º lugar, seguido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 5º.</p>
<p>O Brasil tem ainda a Universidade Estadual Paulista (Unesp) na 6ª colocação. A instituição avançou uma posição em relação à edição anterior.</p>
<p>Ao todo, o QS World University Rankings: Latin America and the Caribbean classificou 517 instituições de 27 países. O Brasil é o país com maior número de universidades no levantamento, com 137, seguido pela Colômbia, com 70, e pelo México, com 69.</p>
<p>O Brasil também concentra quatro das dez universidades mais bem classificadas. Apesar da forte presença no topo, 50 instituições brasileiras perderam posições em relação à edição anterior, enquanto 24 avançaram.</p>
<h2>As 10 melhores universidades da América Latina e do Caribe</h2>
<p>1º – Pontificia Universidad Católica de Chile — Chile2º – Universidade de São Paulo (USP) — Brasil3º – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — Brasil4º – Tecnológico de Monterrey — México5º – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — Brasil6º – Universidade Estadual Paulista (Unesp) — Brasil7º – Universidad de Chile — Chile8º – Universidad de los Andes — Colômbia9º – Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) — México10º – Universidad de Buenos Aires (UBA) — Argentina</p>
<h2>USP lidera em três indicadores</h2>
<p>A USP ficou em primeiro lugar na região em três indicadores considerados pela QS: rede internacional de pesquisa, número de artigos científicos por docente e impacto na web. A universidade também alcançou a pontuação máxima em reputação acadêmica e reputação entre empregadores.</p>
<p>O ranking regional considera critérios relacionados à reputação, pesquisa, qualificação do corpo docente, internacionalização e presença na internet. A metodologia é diferente da utilizada no ranking mundial da própria QS, por isso as colocações dos dois levantamentos não são diretamente comparáveis.</p>
<h2>Destaques recentes no cenário mundial</h2>
<p>O resultado divulgado nesta quinta-feira se soma a uma sequência de boas colocações da USP em rankings internacionais divulgados recentemente.</p>
<p>Nesta semana, a universidade entrou pela primeira vez no grupo das 150 melhores instituições do mundo no World University Rankings 2027, da britânica Times Higher Education (THE). A USP alcançou a 141ª posição, sua melhor colocação desde que o levantamento começou a ser publicado, em 2012. No ano passado, estava no grupo entre a 201ª e a 250ª posições.</p>
<p>Nesse ranking, que avaliou 2.297 instituições de 118 países, a USP foi também a universidade latino-americana mais bem colocada. A avaliação considera 18 indicadores relacionados a ensino, ambiente e qualidade da pesquisa, relação com a indústria e internacionalização.</p>
<p>No QS World University Rankings 2027, a USP ocupa a 133ª posição mundial. Já no Academic Ranking of World Universities (ARWU) 2026, elaborado pela consultoria chinesa ShanghaiRanking, ficou no grupo entre a 101ª e a 150ª posições.</p>
<p>Outro levantamento da ShanghaiRanking divulgado em setembro mostrou áreas nas quais a USP ocupa posições ainda mais altas. No Global Ranking of Academic Subjects 2026, que avaliou mais de 2 mil universidades em 57 áreas, a instituição ficou entre as 50 melhores do mundo em cinco delas: Odontologia, em 8º lugar; Ciências Agrárias, em 14º; Ciências Farmacêuticas, em 17º; Ecologia, em 23º; e Saúde Pública, em 29º.</p>
<p>A USP apareceu ainda entre as 100 melhores em outras nove áreas, entre elas Ciências Biológicas, Ciências Veterinárias, Engenharia Mecânica, Engenharia Civil, Biotecnologia e Medicina Clínica.</p>
<p>Os levantamentos adotam metodologias diferentes e, portanto, suas posições não podem ser comparadas diretamente. Enquanto alguns dão maior peso à reputação acadêmica e entre empregadores, outros se concentram mais na produção, no impacto e na qualidade da pesquisa científica.</p>
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        <media:credit role="photographer">CECILIA BASTOS Jornal da Usp</media:credit>
        <media:credit role="provider">Cecília Bastos/ USP Imagens</media:credit>
        <media:title>praça do relógio predio da reitoria</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Que países das Américas apoiam Trump na classificação de 24 grupos como terroristas, entre eles PCC e CV</title>
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      <pubDate>Wed, 23 Sep 2026 19:11:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na terça-feira, 22, com governos de 14 países da América Latina e do Caribe sua estratégia de combate a 24 organizações que Washington classifica como terroristas. Entre elas estão as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), cartéis mexicanos, como Sinaloa e Jalisco Nueva Generación, o venezuelano Tren de Aragua, gangues do Haiti e do Equador e grupos armados como o ELN, da Colômbia, e o Sendero Luminoso, do Peru.</p>
<p>A decisão foi anunciada durante a segunda reunião do Escudo das Américas, iniciativa criada pelo governo Trump em março para articular governos de direita da região em ações de combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. O encontro, organizado pelo Departamento de Estado, liderado pelo secretário Marco Rubio, ocorreu em Nova York, à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.</p>
<p>A declaração conjunta foi assinada por: Estados Unidos (Trump), Argentina (que teve a presença do presidente Javier Milei), Bolívia (Rodrigo Paz), Chile (José Antonio Kast), Colômbia, Costa Rica, Equador (Daniel Noboa), El Salvador, Guiana (Irfaan Ali), Honduras (Nasry Asfura), Panamá, Paraguai (Santiago Peña), Peru (Keiko Fujimori), República Dominicana (Luis Abinader) e Trinidad e Tobago. Os nomes entre parênteses indicam os presidentes que participaram do encontro.</p>
<p>O Escudo das Américas é composto por 19 países. Bahamas, Belize, Guatemala e Jamaica também integram a coalizão, mas não tiveram representantes para assinar a declaração do encontro de terça-feira.</p>
<p>Ao falar aos líderes presentes, Trump destacou a afinidade política do grupo e comemorou o que chamou de uma “grande mudança para a direita” na região.</p>
<p>A estratégia já envolve atuação direta das forças norte-americanas em parte da América Latina e do Caribe, com autorização de governos locais. Equador, Colômbia, Honduras, Jamaica e Guatemala autorizaram operações militares conjuntas contra grupos armados em seus territórios. A Colômbia também concordou em receber, em Medellín, uma sede regional da Americas Counter Cartel Coalition (AC3), braço operacional da iniciativa.</p>
<h2>O que os 14 países decidiram</h2>
<p>Os 24 grupos da lista já tinham sido classificados pelo governo dos Estados Unidos como terroristas estrangeiros. Na reunião de terça-feira, 22, Trump pediu aos integrantes do Escudo das Américas que os reconhecessem formalmente como ameaças comuns à estabilidade da região e aplicassem sanções às organizações.</p>
<p>Nesse ponto, surge uma diferença jurídica importante. Nos Estados Unidos, esses grupos estão formalmente classificados como terroristas. O comunicado conjunto, porém, não determina que os outros 14 países que assinaram a declaração passem a enquadrá-los da mesma maneira em suas legislações.</p>
<p>O documento ressalva que as ações serão adotadas de acordo com as leis nacionais e internacionais de cada país. As 24 organizações serão alvo das medidas independentemente de como sejam denominadas por cada governo.</p>
<p>Na prática, os 14 países aceitam ações coordenadas contra o que os Estados Unidos chamam de narcoterrorismo.</p>
<h2>Congelamento de bens e restrições de vistos</h2>
<p>Entre as medidas previstas estão congelamento de bens e ativos; restrições de imigração e vistos para integrantes, associados e apoiadores; responsabilização criminal de quem conscientemente fornecer apoio material, inclusive logístico; e outras sanções permitidas pelas legislações nacionais.</p>
<p>Os países também pretendem ampliar o compartilhamento de informações de inteligência, facilitar o acesso a tecnologias e capacidades de segurança e promover treinamento conjunto.</p>
<p>O Escudo das Américas estabelece três frentes de atuação: economia, segurança e coordenação multilateral. Na área econômica, os governos pretendem aumentar a cooperação, proteger cadeias de minerais críticos e avaliar mecanismos de controle de investimentos, entre outras ações.</p>
<p>Os signatários também decidiram solicitar uma reunião de consulta na Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a criação de um órgão baseado no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), de 1947. A intenção é avaliar medidas coletivas contra as organizações da lista.</p>
<h2>Coalizão e discurso na ONU</h2>
<p>Trump lançou o Escudo das Américas em março, nos Estados Unidos. Desde então, a coalizão foi ampliada. Chile, Colômbia e Peru estão entre as adesões mais recentes. Na reunião de Nova York, Rubio apresentou Keiko Fujimori como a integrante mais recente da iniciativa.</p>
<p>A lista das organizações ganhou dois integrantes brasileiros em maio. O governo de Trump decidiu pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas globais e pela inclusão das duas facções brasileiras entre as organizações terroristas estrangeiras.</p>
<p>A decisão foi unilateral. O governo brasileiro rejeitou a classificação de PCC e CV como grupos terroristas, sustentando que elas devem ser enfrentadas como organizações criminosas. O Itamaraty alertou que o enquadramento adotado por Washington poderia ser usado para justificar ações extraterritoriais e afirmou haver risco até de uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro.</p>
<p>A reunião do Escudo das Américas ocorreu no mesmo dia em que  Trump mencionou os cartéis em seu discurso na sessão inaugural da 81ª Assembleia Geral da ONU . O presidente comparou essas organizações ao Estado Islâmico e defendeu o uso do poder militar do país contra o que Washington considera ameaças aos Estados Unidos.</p>
<h2>Confira as 24 organizações listadas</h2>
<p>A relação adotada como alvo da primeira ação conjunta do Escudo das Américas reúne cartéis do narcotráfico, facções criminosas, gangues e grupos armados.</p>
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        <media:credit role="photographer">BRENDAN SMIALOWSKI</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP/ Brendan Smialowski</media:credit>
        <media:title>marco-rubio-trump</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Trump ameaça na ONU usar ‘poderio militar’ na América Latina</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-ameaca-usar-poderio-militar-america-latina</link>
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      <pubDate>Tue, 22 Sep 2026 18:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu nesta terça-feira, 22, diante da 81ª Assembleia Geral da ONU que está disposto a utilizar o “poderio militar sem igual” do país para assegurar seus interesses na América Latina.</p>
<p>Tais interesses passam por uma mudança de regime em Cuba, onde o governo comunista “cairá”, afirmou, e também por uma batalha sem trégua contra os cartéis de drogas, que seriam o “Estado Islâmico” da região, acrescentou Trump.</p>
<p>“Os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças contra a América ganhem terreno em nenhum lugar do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, utilizaremos nosso poderio militar sem igual para assegurar os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, disse.</p>
<p>“Os cartéis são o EI [grupo jihadista Estado Islâmico] do hemisfério” e, assim como os combatentes do EI, “deveriam ser executados, exilados ou detidos”, ressaltou o republicano.</p>
<p>O presidente chamou esses grupos de “organizações terroristas” em fevereiro do ano passado e, meses depois, iniciou uma campanha de ataques militares contra supostas embarcações usadas pelo narcotráfico, primeiro no Caribe e depois no Pacífico, com mais de 200 mortes até agora.</p>
<p>Trump defendeu esses ataques, apesar das críticas de organismos internacionais e de alguns governos da região. “Ninguém acreditava que fosse possível”, afirmou.</p>
<p>O poderio militar norte-americano não tem comparação, comentou o presidente. “Nossas ações na Venezuela são prova disso”, acrescentou.</p>
<p>Entre os presentes no grande salão da Assembleia Geral estava a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com quem estava previsto um breve encontro com Trump na própria terça-feira.</p>
<p>Forças norte-americanas capturaram e retiraram do país, em janeiro, o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, em uma audaciosa operação noturna.</p>
<p>Trump, que criou uma aliança regional de segurança, o Escudo das Américas, com governos conservadores aliados na América Latina, afirmou em várias ocasiões que agora é “a vez de Cuba”.</p>
<p>“Cuba cairá”, advertiu o presidente na tribuna da ONU.</p>
<p>“O comunismo nunca chegará aos Estados Unidos, mas a liberdade chegará a Cuba”, disse.</p>
<p>“O regime comunista está sob forte pressão, a maior que já enfrentou”, afirmou, em referência ao bloqueio de petróleo e às sanções contra o regime.</p>
<p>Pouco antes do discurso de Trump, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva,  havia criticado os “inimigos da democracia” que, em sua avaliação, tentam interferir na região .</p>
<p>“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a testemunhar a ingerência estrangeira nos processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência para incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos constitui um gesto anacrônico”, declarou Lula, que busca a reeleição nas eleições, cujo primeiro turno acontece em 4 de outubro.</p>
<h2>Irã, Groenlândia e IA</h2>
<p>Outros temas de política externa e segurança entraram no discurso de Trump – que durou 37 minutos, mais que o dobro dos 15 minutos recomendados pela ONU para cada representante. Um deles foi o conflito com o Irã, a ampliação da presença militar norte-americana na Groenlândia e a “superinteligência”, como prefere chamar a inteligência artificial.</p>
<p>•  Acordo com o Irã  – Trump voltou a afirmar que não permitirá que o país tenha uma arma nuclear e fez uma ameaça direta ao regime iraniano. Depois de dizer que os Estados Unidos deram ao país oportunidades para negociar, apresentou duas alternativas: “Será feito um acordo com o Irã que permita que eles reconstruam e criem um país muito maior do que jamais foi antes, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo? Ou eu aniquilo a República Islâmica, e faço isso rapidamente, sem lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países novamente?” O presidente norte-americano disse, porém, acreditar que um acordo será alcançado após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. “A única coisa que importa é que o Irã nunca terá uma arma nuclear.”</p>
<p>•  Petróleo da Venezuela  – O mandatário destacou que Estados Unidos e Venezuela assinaram no mês passado “o maior acordo de petróleo da história”, envolvendo 65 bilhões de barris, e afiançou que o negócio beneficiará “enormemente” os dois países. Ao falar do acordo, relacionou diretamente o negócio ao resultado da intervenção norte-americana em território venezuelano. “Quando se somam Estados Unidos e Venezuela, temos mais de 60% do petróleo do mundo. Então, talvez seja o maior acordo. Foi uma guerra, mas talvez seja o maior acordo já feito. Ao vencedor pertencem os despojos”, declarou.</p>
<p>•  Presença na Groenlândia  – Trump falou da ampliação permanente da presença militar dos Estados Unidos na Groenlândia por meio de um acordo com a Dinamarca e o governo groenlandês. O pacto mantém a soberania dinamarquesa sobre o território, mas amplia os direitos militares norte-americanos e prevê duas novas instalações, além da base que já mantêm na ilha. “Teremos capacidade total para fazer o que for necessário para defender o continente norte-americano, e também a Europa e outros lugares”, assegurou. Ele afirmou ainda que nenhum adversário dos EUA poderá estabelecer presença militar ou realizar investimentos considerados sensíveis na Groenlândia sem autorização de Washington.</p>
<p>•  Superinteligência x IA  – O presidente norte-americano afirmou que o governo passará a adotar o termo “superinteligência” em vez de “inteligência artificial” por acreditar que a palavra “artificial” faz a tecnologia parecer falsa. “Não é falsa. Na verdade, é incrível. Mas temos de ter cuidado”, afirmou. “A partir de agora, todos os documentos dos Estados Unidos e, espero, do mundo serão alterados para usar o termo muito mais preciso: ‘super’, em vez de ‘artificial’.” Ele salientou que os Estados Unidos não pretendem frear o desenvolvimento da tecnologia e disse que o país está à frente da China nessa área.</p>
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        <media:credit role="photographer">Loey Felipe</media:credit>
        <media:credit role="provider">Divulgação/ ONU / Loey Felipe</media:credit>
        <media:title>Donald-Trump-ONU</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[AFP, GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Rubio encerra viagem pela América Latina com ofensiva contra narcotráfico e influência da China </title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/rubio-encerra-viagem-pela-america-latina-com-ofensiva-contra-narcotrafico-e-influencia-da-china</link>
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      <pubDate>Thu, 10 Sep 2026 15:38:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco  Rubio , encerra nesta quinta-feira, 10, no Peru, uma viagem de três dias pela América Larina marcada pela  ofensiva contra o narcotráfico e o crime organizado . Antes do Peru, Rubio esteve na Colômbia e no Equador.</p>
<p>A agenda também expôs o objetivo da administração de Donald Trump de conter a crescente influência da China na região.</p>
<p>Hoje Rubio se reúne em Lima com a presidente peruana, Keiko Fujimori, em sua primeira visita oficial ao país como chefe da diplomacia americana. O Peru é o mais recente integrante do Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater organizações criminosas transnacionais. A Colômbia também anunciou sua entrada durante a passagem do secretário por Bogotá.</p>
<p>A viagem ocorre em um momento de aproximação política entre Washington e governos conservadores que chegaram recentemente ao poder na América do Sul. Rubio se encontrou com o colombiano Abelardo de la Espriella, que assumiu a Presidência em agosto, com o equatoriano Daniel Noboa e, agora, com Keiko Fujimori, empossada no fim de julho. Os três governos adotam posições mais próximas às defendidas por Trump em temas como segurança, imigração e combate ao narcotráfico.</p>
<h2>Frente contra o narcotráfico</h2>
<p>A segurança foi o principal ponto de convergência da viagem. Na Colômbia, Rubio anunciou o reforço da cooperação com o governo de De la Espriella, que pediu apoio americano para modernizar equipamentos usados no combate ao narcotráfico, incluindo drones, radares e aeronaves.</p>
<p> O presidente colombiano também defendeu um novo programa inspirado no Plano Colômbia, iniciativa lançada no fim dos anos 1990 que recebeu bilhões de dólares em apoio dos Estados Unidos.</p>
<p>No Equador, Rubio anunciou que pedirá ao Congresso americano US$ 45 milhões em recursos adicionais para a segurança do país e confirmou o envio de uma embarcação da Guarda Costeira e cinco barcos interceptadores para a Marinha equatoriana. Washington também pretende destinar US$ 10 milhões para ações contra mineração ilegal, recrutamento por organizações criminosas e operações de financiamento ilícito.</p>
<p>Durante a visita a Quito, Rubio classificou o grupo criminoso Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira. </p>
<p>A medida restringe o acesso da organização ao sistema financeiro americano e amplia as possibilidades de ação dos Estados Unidos contra seus integrantes. Segundo o governo americano, o grupo está envolvido com narcotráfico e outras atividades criminosas e ficou conhecido internacionalmente após a invasão de uma emissora de televisão equatoriana durante uma transmissão ao vivo, em 2024.</p>
<p>Rubio também defendeu a estratégia militar americana contra o tráfico de drogas na região. A campanha dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar drogas já matou mais de 220 pessoas em operações realizadas ao longo do último ano, segundo a Reuters. Em Quito, o secretário afirmou que Washington passou a privilegiar operações conjuntas com governos aliados, mas manteve a possibilidade de ataques militares contra embarcações consideradas ameaças.</p>
<p>O secretário americano aproveitou ainda a passagem pelo Equador para fazer críticas à esquerda latino-americana. Questionado sobre o risco de uma reação política às ações de Washington, Rubio afirmou que governos de esquerda "destruíram" países da região e associou esses grupos a organizações ligadas ao narcotráfico.</p>
<p>"Podemos enfrentar essa ameaça em parceria com outros presidentes e outros líderes desta região que pensam da mesma forma", disse Rubio, em uma referência à aproximação dos Estados Unidos com governos que compartilham sua visão sobre segurança.</p>
<h2>Disputa por influência</h2>
<p>Por trás da agenda de segurança, a viagem também serviu para reforçar a disputa de Washington com Pequim pela influência política e econômica na América Latina. Na Colômbia, Rubio tratou de acordos envolvendo minerais críticos e cooperação nuclear civil, enquanto os Estados Unidos pressionam o novo governo a reduzir a dependência de investimentos chineses em setores considerados estratégicos.</p>
<p>No Peru, a questão é ainda mais sensível, já que a China é o principal parceiro comercial do país e possui forte presença em setores como infraestrutura e mineração. Antes de chegar a Lima, Rubio criticou investimentos chineses no país e afirmou que projetos apoiados por Pequim poderiam representar riscos à transparência e à segurança de dados.</p>
<p>A própria escolha dos países visitados reforça esse componente da estratégia americana. Colômbia, Equador e Peru mantêm relações comerciais importantes com a China e, ao mesmo tempo, passaram recentemente a ser governados por líderes de direita mais próximos de Trump. Para Washington, a aproximação em áreas como defesa, energia, tecnologia e infraestrutura também pode funcionar como instrumento para reduzir o espaço ocupado por Pequim na região.</p>
<p>A embaixada chinesa no Peru reagiu à movimentação de Rubio antes da chegada do secretário a Lima. "O hemisfério ocidental não é o 'quintal' de ninguém", afirmou a representação diplomática em uma publicação nas redes sociais.</p>
<p>*Com informações da AFP</p>
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        <media:credit role="provider">White House/Divulgação</media:credit>
        <media:title>Marco Rubio, secretário de estado dos EUA</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Trump usa força política e pressão econômica para moldar a América Latina, diz especialista</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-usa-forca-politica-e-pressao-economica-para-moldar-a-america-latina-diz-especialista</link>
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      <pubDate>Thu, 06 Aug 2026 18:55:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A América Latina vive uma guinada conservadora. Nos últimos três anos, o eleitorado da região elegeu nas urnas uma sucessão de nomes da direita: Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador, Santiago Peña no Paraguai, Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia. Com a posse de Espriella em agosto, a região soma 12 chefes de Estado de direita. No início de 2023, eram 11 países governados pela esquerda.</p>
<p>Diferentemente da safra neoliberal dos anos 1990, que teve entre seus principais nomes Carlos Menem na Argentina, Alberto Fujimori no Peru, Carlos Salinas de Gortari no México e Carlos Andrés Pérez na Venezuela, os novos líderes dependem menos de partidos e mais da própria imagem. A agenda também mudou, incorporando segurança pública e imigração como resposta a um desgaste institucional comum aos países da região, ao lado da pauta econômica que já era central nos anos 1990. Trump aparece como fiador dessas candidaturas, com apoio que varia do retórico ao financeiro.</p>
<p>O fenômeno importa ao Brasil, que em outubro vai às urnas para eleger seu próximo presidente, com Lula tentando a reeleição num cenário de polarização semelhante ao dos vizinhos. Flávio Bolsonaro mantém competitividade mesmo em meio a crises de campanha, enquanto Renan Santos, do Missão, aparece como o principal replicador do modelo de comunicação direta que rendeu resultado a Bukele e Milei.</p>
<p>Para explicar esse cenário, o  GSW Brasi l entrevistou Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM e especialista em América Latina.</p>
<p>GSW BRASIL  Nos últimos anos, a América Latina elegeu uma sequência de nomes de direita: Milei na Argentina, Noboa no Equador, Bukele em El Salvador, Santiago Peña no Paraguai, Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Espriella na Colômbia e Keiko Fujimori no Peru. Hoje são doze governos latino-americanos de direita. Como a senhora lê esse momento? Existe fôlego para essa hegemonia durar?</p>
<p>Denilde  A América Latina sempre se moveu em pêndulos políticos: passamos por uma fase mais à esquerda e agora entramos em um ciclo focado na direita. Esses novos governos compartilham uma lógica comum: refletem um desgaste profundo das instituições democráticas, decorrente de escândalos de corrupção, baixo crescimento econômico e da percepção de que as gestões anteriores não responderam às demandas da sociedade.</p>
<p>Paralelamente, há um movimento global de ascensão de grupos de direita – tanto na Europa, com o avanço da extrema-direita, quanto nos Estados Unidos, com o movimento MAGA. Há, portanto, uma confluência entre a conjuntura regional de alternância e um contexto global que fortalece esse campo no momento.</p>
<p>É difícil prever se esses governos se sustentarão, pois o eleitor latino-americano tem um perfil pragmático, que testa os governantes. Sem resultados práticos no dia a dia da população, a tendência é uma nova mudança ideológica ou a eleição de opositores. Por isso, a sustentação desta direita depende mais da entrega de resultados do que de uma identidade ideológica consolidada.</p>
<p>O Brasil exemplifica essa dinâmica. Bolsonaro venceu em 2018 e, após um governo marcado por dificuldades e respostas insatisfatórias, o eleitorado optou pelo retorno da esquerda, a despeito da forte polarização. O eleitor atua nesse papel de teste porque a América Latina ainda enfrenta fragilidade institucional e alta fragmentação política. É essa estrutura fragmentada que viabiliza alternâncias constantes no poder.</p>
<p>Ainda assim, esta nova onda pode ganhar fôlego – diferente do que ocorreu nos anos 1990. O alinhamento com um movimento forte nos Estados Unidos e a criação de alianças regionais consolidadas podem garantir maior sustentação a esses governos, em um cenário global de enfraquecimento democrático.</p>
<p>GSW BRASIL  A senhora citou a safra neoliberal dos anos 1990, que teve nomes como Menem na Argentina, Fujimori pai no Peru, Salinas de Gortari no México, Sánchez de Lozada na Bolívia, Carlos Andrés Pérez na Venezuela. O que a nova safra traz de diferente? Dá para tratá-los como um bloco único ou cada um responde a uma agenda própria, como a liberal de Milei e a securitária de Bukele?</p>
<p>Denilde  A principal diferença está na origem política. Nos anos 1990, os líderes surgiam de partidos tradicionais. Ainda que houvesse a novidade do outsider em alguns casos, a maioria operava dentro do sistema partidário. Hoje, vemos um deslocamento para uma personalização muito mais acentuada, fruto do enfraquecimento das legendas. A atenção do eleitor recai sobre os indivíduos, e não sobre as siglas.</p>
<p>Essa dinâmica reduziu a preocupação dos mandatários com a institucionalização e com a negociação política para a implementação de pautas. A centralidade do processo passou a ser a figura do candidato, operada por canais de comunicação mais ágeis e diretos, como as redes sociais.</p>
<p>A agenda política também se transformou. Se nos anos 1990 o foco era estritamente econômico – centrado no Consenso de Washington e em reformas liberais – hoje a pauta econômica divide espaço com pautas comportamentais, culturais e de um forte conservadorismo social.</p>
<p>Apesar de compartilharem o discurso personalizado, o uso da comunicação direta e uma postura antipolítica, esses líderes não formam um bloco homogêneo. Eles atuam em contextos e países com graus distintos de institucionalização, o que impõe mais amarras para uns e dá mais margem para outros. Há vertentes abertamente autocráticas, como a de Bukele, e governos que ainda dependem da busca por consensos internos para governar.</p>
<p>Suas agendas também variam: Milei prioriza a economia, enquanto Bukele foca na segurança. No entanto, temas como segurança, imigração e economia funcionam hoje mais como ferramentas de engajamento da base aliada do que como projetos estruturados de reforma política.</p>
<p>GSW BRASIL  E qual é o tamanho da influência do Donald Trump nessas eleições? Não só sobre a retórica desses eleitos, mas para o movimento em si?</p>
<p>Denilde  A influência varia conforme o país. Na Argentina, o impacto foi expressivo, sobretudo nas eleições legislativas recentes, ao reforçar o discurso de que a estabilidade econômica do país depende do apoio e dos aportes financeiros dos Estados Unidos. Na Colômbia, o apoio sinalizou que uma vitória da direita fortaleceria as relações bilaterais e a agenda de segurança.</p>
<p>Trump tem demonstrado como o alinhamento com Washington pode gerar contrapartidas aos países aliados, usando a Argentina como vitrine. Em outros cenários, observa-se uma interferência mais direta no processo eleitoral. Além da figura de Trump, o movimento MAGA atua mobilizando redes e eleitores conservadores pela região.</p>
<p>No plano retórico, Trump utiliza sua capacidade de mobilização para respaldar candidatos aliados ou pressionar adversários, indicando que recursos americanos serão direcionados a quem apoiar sua agenda. Por outro lado, governos alinhados a posições opostas enfrentam pressões diplomáticas, tarifas e sanções, como se observa nas relações com o Brasil, o México e o Canadá.</p>
<p>GSW BRASIL  Entramos na questão da segurança pública, que é um dos grandes motores argumentativos de boa parte desses líderes, especialmente o Bukele. Por que a direita consegue capturar essa pauta? Temos exemplos concretos com êxito suficiente em segurança pública para que esse grupo capture o tema?</p>
<p>Denilde  El Salvador, apesar de todas as ressalvas relativas a violações de direitos, é um modelo de exportação devido à queda drástica nos índices de criminalidade e à sensação de controle transmitida à população. Governos que adotam posturas mais duras no combate ao crime costumam transmitir uma percepção de eficiência mais imediata do que aqueles que aplicam políticas progressistas. Pesa mais para o eleitor a sensação de que o Estado retomou a ordem do que a avaliação detalhada dos métodos utilizados.</p>
<p>A direita também demonstra eficácia comunicacional ao inflar a percepção de insegurança durante os períodos eleitorais, mesmo em países com baixos índices de criminalidade. Na Colômbia, o aumento dos indicadores de violência durante a gestão Petro reforçou a narrativa de que o Estado perdeu o controle e de que abordagens progressistas são brandas.</p>
<p>Esse fenômeno é visto também na pauta migratória. Embora a América Latina não registre volumes de imigração comparáveis aos dos Estados Unidos ou da Europa, a mobilidade decorrente da crise venezuelana tornou o tema central em pleitos no Chile, na Colômbia e na Argentina. A narrativa explorada é uniforme: a acusação de que falta pulso ao Estado para gerir as fronteiras e combater ilícitos.</p>
<p>GSW BRASIL  Vemos, inclusive no Brasil, candidatos que têm o Bukele como inspiração. Esse modelo de segurança pública é replicável em paises de maiores dimensões? E qual é o perigo, pensando numa erosão democrática para a região, se esse modelo pudesse ser replicado em países de maiores dimensões?</p>
<p>Denilde  A replicação do modelo salvadorenho é improvável em países com sistemas judiciários mais complexos e independentes, pois a estratégia de Bukele exige uma centralização quase absoluta do Poder Executivo e a supressão de garantias no sistema prisional. O Equador tentou implementar medidas semelhantes por dispor de mecanismos mais centralizadores, o que gerou um processo visível de erosão democrática.</p>
<p>Em países onde os freios e contrapesos institucionais ainda operam, há barreiras claras a esse tipo de ação. No Brasil, por exemplo, como a segurança pública é gerida primordialmente pelos estados, a aplicação de um modelo nacional unificado e centralizado enfrenta limitações constitucionais.</p>
<p>Por isso, o que se observa é uma adaptação retórica e pontual: a defesa de forças policiais com maior liberdade para o uso da força e o endurecimento das condições prisionais. A inspiração no modelo serve como demonstração de autoridade e controle, sem que haja necessariamente a replicação integral da estrutura autocrática de El Salvador.</p>
<p>GSW BRASIL  A senhora falou do Milei e da questão da imigração. Por que isso funciona como arma política para esse tipo de eleitor?</p>
<p>Denilde  Funciona porque se conecta a um sentimento mais amplo de Insegurança – não apenas física, mas econômica e trabalhista. Atribuir essas incertezas a fatores externos tem forte apelo narrativo. Ao amplificar esses temores, esses governos se apresentam como os únicos capazes de restaurar a ordem.</p>
<p>Demandas por empregos e por serviços públicos, como saúde e educação, são frequentemente apresentadas como recursos disputados com a população estrangeira. No caso de Milei, o uso da pauta migratória cumpre dois papéis: estimula o sentimento nacionalista ("nós contra eles") e desvia a atenção das dificuldades econômicas que seu governo ainda tenta equacionar.</p>
<p>As realidades regionais, contudo, são distintas. Colômbia e Chile absorveram contingentes migratórios substancialmente maiores do que a Argentina. Ainda assim, a pauta é instrumentalizada para mover o debate público para um terreno de apelo emocional, poupando a gestão de desgastes em tópicos centrais, como a economia.</p>
<p>GSW BRASIL  Olhando para esse movimento na América Latina, é provável que o Brasil reproduza o mesmo resultado dos vizinhos nas urnas ou, pelas características particulares do Brasil, podemos ver um movimento completamente diferente dos nossos vizinhos?</p>
<p>Denilde  Há um traço comum em quase toda a região: processos eleitorais extremamente polarizados e decididos por margens muito estreitas, refletindo sociedades divididas. Esse é o cenário esperado para o pleito brasileiro. A candidatura associada ao bolsonarismo, representada por Flávio, demonstra resiliência por se ancorar na polarização entre os sentimentos anti-PT e antidireita.</p>
<p>Sob essa ótica, o Brasil segue a tendência regional. A diferença reside na complexidade do nosso sistema político: o tamanho do eleitorado, o número de partidos e a força das alianças estaduais e do Congresso – que detém fatia expressiva do orçamento – impõem uma dinâmica própria.</p>
<p>Outra variável relevante neste ciclo é o peso da agenda externa: a presença de Milei no apoio à candidatura de oposição e a atuação mais ostensiva de setores norte-americanos para influenciar o debate político local inserem um componente internacional mais acentuado do que o observado em 2022.</p>
<p>GSW BRASIL  Quais foram os maiores erros dos governos anteriores de esquerda que culminaram nessa nova remodelagem da estrutura política em toda a América Latina?</p>
<p>Denilde  Apontaria dois fatores centrais. O primeiro é a incapacidade de enfrentar a corrupção e o uso indevido de recursos públicos, o que consolida a percepção de que o sistema político tradicional é conivente com essas práticas, alimentando o discurso antipolítica.</p>
<p>O segundo foi a falha em entregar respostas materiais rápidas à população. Embora os indicadores socioeconômicos tenham mostrado avanços em determinados períodos, esses ganhos não se traduziram em uma percepção consistente de melhoria na qualidade de vida. Esse descompasso entre estatísticas e a realidade percebida fragilizou a defesa do modelo social e econômico tradicional.</p>
<p>Ademais, as forças de direita adaptaram-se com maior agilidade aos novos ecossistemas digitais de comunicação, utilizando estratégias de engajamento direto e mobilização que os partidos tradicionais — tanto de esquerda quanto de centro — não conseguiram acompanhar, resultando em um forte distanciamento das bases populares.</p>
<p>GSW BRASIL  Sobre essa disparidade entre dados e percepção, vemos acontecer com alguns índices, principalmente econômicos, aqui no Brasil. O problema é majoritariamente comunicação?</p>
<p>Denilde  A comunicação é central, mas a questão vai além do volume de propaganda: trata-se do formato e do canal. Governos tradicionais enfrentam dificuldades para traduzir medidas institucionais em uma linguagem acessível para o ecossistema digital atual.</p>
<p>Existe também um descompasso estrutural. O rito democrático tradicional é lento, pautado por negociações e pesos e contrapesos, enquanto a expectativa da sociedade atual é por respostas imediatas. Essa assimetria gera desconfiança e afasta, em especial, as gerações mais jovens dos canais institucionais de debate.</p>
<p>Figuras políticas mais jovens, de diferentes espectros ideológicos, capturam essa dinâmica com mais facilidade. Para lideranças consolidadas, como o presidente Lula, reconfigurar uma linguagem política estruturada ao longo de décadas representa um desafio substancialmente maior.</p>
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        <media:credit role="provider">JIM WATSON / AFP</media:credit>
        <media:title>Trump</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Milei volta a atacar Lula e reabre crise diplomática entre Argentina e Brasil</title>
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      <pubDate>Mon, 03 Aug 2026 14:03:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer duras críticas ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo, 2, reativando a tensão diplomática entre os dois países. Em entrevista ao canal LN+, o líder argentino voltou a chamar Lula de "ladrão" e "corrupto", além de reiterar a tese de que o governo brasileiro financiou uma campanha de desinformação contra a Argentina.</p>
<p>Durante o programa, Milei foi questionado sobre as declarações feitas no final de julho durante sua participação como convidado de honra da convenção nacional do PL, em São Paulo, no  evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.</p>
<p>No discurso de cerca de 30 minutos, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”, “ladrão” e “lixo socialista”, associou o kirchnerismo ao projeto do PT e defendeu o avanço de uma “onda azul” na região.</p>
<p>"A pergunta é: eu menti? Ele é um ladrão, é um corrupto. Foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente", declarou o presidente argentino ao canal LN+.</p>
<p>Milei classificou de "espontâneos" os xingamentos direcionados a Lula durante o recente discurso no Brasil. "Chamar um ladrão de ladrão é um ato muito mais leve do que o próprio ato de roubar", afirmou.</p>
<h2>Alegações de interferência regional</h2>
<p>O mandatário argentino acusou diretamente o governo brasileiro de ingerência política na América Latina. Citando declarações de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Milei afirmou que Lula teria investido cerca de US$ 1 bilhão para atacá-lo politicamente. "Se há alguém que interfere politicamente na região, esse alguém é Lula", sustentou.</p>
<p>Segundo Milei, a alegada "campanha anti-argentina" das últimas semanas foi movida por recursos externos, principalmente vindos de Brasília, para alavancar ataques em redes sociais com o apoio de influenciadores e atores. Ele acrescentou que o financiamento também teria tido origem em outros países:</p>
<h2>Reação brasileira</h2>
<p>As declarações de Milei em São Paulo no final de julho desencadearam uma crise diplomática que começou com a convocação para consultas do embaixador do Brasil na Argentina, em razão "das ofensas proferidas" pelo presidente argentino. O Brasil também convocou o embaixador argentino para manifestar seu "repúdio" e pedir explicações pelas "agressões" do presidente Milei contra Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que também foi alvo de ofensas por parte do presidente argentino. </p>
<p>Ao longo da semana, a Argentina tentou reduzir a tensão provocada pelo incidente diplomático. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, ressaltou que, da parte de seu governo, não há qualquer possibilidade de romper relações com o país vizinho e principal parceiro comercial. As novas declarações de Milei ainda não foram comentas por Lula ou pelo governo.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ YouTube/ La Nacion</media:credit>
        <media:title>milei-la-nacion</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Como Bukele reescreve a cartilha da manutenção no poder na América Latina</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/bukele-manutencao-do-poder-na-america-latina</link>
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      <pubDate>Wed, 29 Jul 2026 20:10:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A confirmação da candidatura de Nayib Bukele a um terceiro mandato consecutivo em El Salvador reforça a mecânica de centralização do Executivo no país. Depois de abrir caminho na Constituição por meio de uma Assembleia Legislativa  dominada por seu partido, o Nuevas Ideas,  e de um Judiciário alinhado aos seus interesses, o mandatário salvadorenho consolidou o arcabouço legal para sua permanência indefinida no poder.</p>
<p>Do outro lado, as duas forças tradicionais que alternaram a hegemonia no país por três décadas – a Aliança Republicana Nacionalista (Arena) e a Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) – ensaiam nomes sem chance real de vencer nas urnas.</p>
<p>O movimento segue uma lógica que marcou a história recente da América Latina. O roteiro, aplicado por Hugo Chávez e Nicolás Maduro na Venezuela e por Daniel Ortega na Nicarágua com suas especificidades e semelhanças, é em grande parte  apoiado na captura do Poder Judiciário, na degradação da oposição tradicional e na instrumentalização da aprovação popular como um salvo-conduto para contornar os freios e contrapesos democráticos.</p>
<p>A diferença nos casos latino-americanos de enfraquecimento democrático costuma estar na capacidade de reação das instituições. O sucesso de Bukele em aparelhar o Estado contrasta, por exemplo, com a tentativa frustrada de Álvaro Uribe na Colômbia, em 2010, em obter o terceiro mandato consecutivo.</p>
<p>Uribe colidiu com uma Corte Constitucional colombiana independente e institucionalmente densa, que barrou o plebiscito presidencial ao apontar vícios  e violações ao princípio de pesos e contrapesos. Em El Salvador, a sequência foi oposta.</p>
<p>Ao conquistar a maioria absoluta no Congresso em 2021, Bukele destituiu os magistrados da Sala Constitucional do Supremo Tribunal e o procurador-geral. Neutralizados os contrapesos, o Judiciário reconfigurado chancelou a reinterpretação constitucional que permitiu sua candidatura em 2024 e pavimentou o caminho jurídico para sua permanência no poder.</p>
<p>É importante reconhecer, porém, que Bukele se mantém com apoio popular substancial. Antes de sua presidência, El Salvador era considerado um dos países mais violentos do mundo, com taxa de homicídios que chegou a 106 por 100 mil habitantes em 2015 e ainda registrava 53,1 em 2018. </p>
<p>Sob seu governo, o índice despencou para 2,4 por 100 mil em 2023 e atingiu 1,9 em 2024, segundo dados da Polícia Nacional Civil de El Salvador (PNC) – uma redução superior a 98% em menos de uma década. Esse resultado concreto em segurança pública explica, em grande parte, sua aprovação acima de 80%.</p>
<p>Bukele também se destaca pelo uso estratégico das redes sociais, onde consegue contornar a mídia tradicional e se comunicar diretamente com a população.</p>
<p>Para Leandro Consentino, professor de relações internacionais do Insper, esse tipo de engrenagem revela a permanência do personalismo político na região.</p>
<p>"O DNA do caudilhismo e do continuísmo na América Latina continua presente, aparecendo à esquerda ou à direita. Independe de ideologia", aponta o analista. Segundo ele, o governante salvadorenho tira proveito de um cenário global favorável a figuras autoritárias e antipolíticas.</p>
<p>"Ele tenta solapar o regime democrático por dentro da estrutura, instrumentalizando a questão da violência para obter aprovação de forma bastante questionável do ponto de vista institucional. O componente liberal da democracia fica manco quando se solapam direitos e garantias fundamentais", afirma Consentino.</p>
<h2>Três modelos de autocracia</h2>
<p>Embora utilizem ferramentas semelhantes, a mecânica da retenção do poder assumiu matizes distintos na Venezuela, na Nicarágua e em El Salvador, que envolvem o tipo de coerção aplicada, a natureza da base social e o nível de fechamento do regime.</p>
<p>A cientista política Regiane Bressan, professora da Unifesp especializada em América Latina, aponta que a sobrevivência desses governos deriva de reconfigurações internas e de burocracias locais, e não de orientações ideológicas exógenas. </p>
<p>"A distinção entre os três regimes reside nos mecanismos de legitimação, na base de sustentação e no arranjo coercitivo empregado em cada caso", explica Bressan.</p>
<p>No modelo salvadorenho, o pilar do governo é a combinação de uma massa despartidarizada e Forças Armadas hipertrofiadas pela pauta da segurança urbana, com forte apoio também de igrejas evangélicas e uso intensivo de redes sociais para comunicação direta com a população.</p>
<p>Na Venezuela, até a prisão de Maduro em ação articulada pelos Estados Unidos, o arranjo dependia diretamente da cúpula militar e do controle da renda petroleira, sob eleições hipercontroladas.</p>
<p>Já na Nicarágua de Daniel Ortega, o ecossistema político derivou para um fechamento totalitário, centrado em um núcleo familiar dinástico, destaca a professora.</p>
<p>Os casos também apresentam diferenças econômicas e de classe. Enquanto o continuísmo chavista se ancorou em setores populares e na redistribuição de renda do petróleo em um país com forte tradição de mobilização de classe, o fenômeno Bukele surgiu num contexto de violência urbana que cruzava divisões classistas tradicionais, atingindo a população como um todo.</p>
<p>No campo das estratégias de controle e comunicação, Bressan destaca que sobressai no governo salvadorenho "a conversão da comunicação estatal em uma engenharia de propaganda digital centralizada, baseada em algoritmos, desqualificação do jornalismo profissional e na introdução do Bitcoin como moeda no país".</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asLwclSFbyZwF9p1Y.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no poder desde 2007 e um dos representantes do continuísmo na América Latina."/>
<h2>Os riscos da "democracia delegativa"</h2>
<p>Tanto em El Salvador quanto nos casos venezuelano e nicaraguense, a ascensão do continuísmo foi precedida por décadas de corrupção, desgaste de siglas tradicionais e ineficiência do Estado em responder a crises sociais profundas.</p>
<p>A ruína da Arena e da FMLN em El Salvador não resultou primariamente de perseguições governamentais, mas de uma implosão endógena, conforme explica Regiane Bressan. A incapacidade de conter as  maras  – gangues transnacionais (como a MS-13 e o Barrio 18) que por décadas controlaram territórios, extorquiram a população e ditaram a rotina do país – e a falta de renovação de quadros criaram o vácuo ocupado pela retórica de Bukele.</p>
<p>A dinâmica de desgaste do sistema partidário tradicional e a consequente ascensão de alternativas autocráticas ou antipolítica não se restringem à América Central. No ecossistema político sul-americano, o Brasil também oferece um exemplo de erosão institucional.</p>
<p>"Basta fazer uma analogia de como partidos políticos desgastados levaram à emergência do bolsonarismo, e como o bolsonarismo presente desgastou parte das forças políticas – sobretudo ao centro, que minguaram durante esse processo", analisa Consentino.</p>
<p>"Aqui, no Brasil, temos tentativas de aproximação com esse modelo debatidas hoje pelo candidato Renan Santos, do Missão. Parte do que ele exibiu inspirado no Bukele violaria fortemente a nossa Carta Constitucional de 1988", alerta o professor do Insper.</p>
<p>Acontece que a busca por resultados imediatos em áreas cruciais, como a segurança pública, introduziu uma distorção no conceito de legitimidade. Apoios populares maciços – no caso salvadorenho, alimentados por um estado de exceção permanente e prisões em massa – tendem a anestesiar a percepção do desmonte institucional, explicam os analistas.</p>
<p>Ao trocar garantias legais por sensação de segurança, a sociedade abre espaço para a "democracia delegativa". Segundo a professora Regiane, o conceito cunhado pelo cientista político argentino Guillermo O'Donnell descreve governos onde a popularidade momentânea do líder passa por cima das regras do jogo e dos direitos da oposição.</p>
<p>"Trata-se de uma legitimidade de base puramente carismática e de desempenho, que fragiliza a previsibilidade institucional e a perenidade do Estado Democrático de Direito.”</p>
<p>Vale notar que, historicamente, a esquerda latino-americana também recorreu com frequência ao continuísmo – como observado nos projetos de Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador, além dos já mencionados Chávez, Maduro e Ortega. Muitas vezes a justificava-se a concentração de poder como necessária para enfrentar elites conservadoras e projetos neoliberais.</p>
<p>Mas o desgaste desse modelo esbarra em limites estruturais. Como aponta a professora da Unifesp, a derrota sofrida por Morales e o esgotamento do MAS (partido  Movimiento al Socialismo ) na Bolívia "evidenciam os limites incontornáveis enfrentados em uma sociedade civil etnicamente fraturada e institucionalmente mobilizada".</p>
<h2>O novo alerta</h2>
<p>No cenário internacional, a sobrevivência desses governos depende de reduzir a dependência externa. Bukele equilibra essa conta atraindo investimentos chineses em infraestrutura e, ao mesmo tempo, evita romper com os Estados Unidos para não sofrer sanções econômicas.</p>
<p>Para Consentino, dificilmente um país de grande porte conseguirá copiar a receita de Bukele ao pé da letra, já que o modelo depende de um território pequeno e de um colapso social muito específico. O perigo real para a América Latina, aponta o cientista político, é a consolidação da ideia de que as regras democráticas são um obstáculo para combater o crime.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/aspDc5JLdM1k8KnHE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O presidente da Argentina, Javier Milei, e o senador Flávio Bolsonaro no lançamento da candidatura do brasileiro na convenção do Partido Liberal, em São Paulo, em 25 de julho."/>
<p>Hoje, a atenção na América do Sul se concentra na Argentina de Javier Milei, onde a gestão de uma crise macroeconômica vem acompanhada de testes constantes aos limites constitucionais. Para Regiane Bressan, o cenário inspira cuidado: "Há um risco real de aceleração na concentração de poder, legitimada pela urgência econômica".</p>
<p>Já Consentino avalia que, no cenário sul-americano recente, Milei se projeta como a liderança mais distante dos cânones da democracia liberal. O desfecho do experimento argentino, pondera o cientista político, dependerá de como as instituições do país reagirão às pressões do Executivo nos próximos anos.</p>
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        <media:credit role="provider">MARVIN RECINOS / AFP</media:credit>
        <media:title>Bukele</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Sobrevivente de terremoto em 1967 na Venezuela ajuda vítimas de duplo tremor</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/sobrevivente-terremoto-1967-venezuela-ajuda-vitimas</link>
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      <pubDate>Tue, 21 Jul 2026 12:08:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Em 24 de junho, quando dois terremotos atingiram a Venezuela, María Elena Páez Pumar se dedicou a ajudar as vítimas a partir dos Estados Unidos. Fez isso por solidariedade e porque, há 59 anos, ficou presa sob os escombros em outro terremoto.</p>
<p>"Qualquer pessoa nessa situação precisa de ajuda, venha de onde vier", diz sobre os atingidos. "E, tendo passado por isso e recebido tanta ajuda da minha família, dos meus amigos e até de pessoas que nem me conheciam, era o mínimo que eu podia fazer."</p>
<p>Junto com familiares, ela se uniu rapidamente à comunidade venezuelana para arrecadar fundos e apoiar os centros de coleta de ajuda para seu país, onde mais de 5.200 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas após os dois terremotos.</p>
<p>Páez Pumar, de 59 anos, tinha apenas sete meses quando um terremoto atingiu o norte da Venezuela em 29 de julho de 1967.</p>
<p>O tremor, que deixou mais de 200 mortos e cerca de 2 mil feridos, derrubou os andares superiores do edifício onde ela passava o fim de semana em La Guaira, a região costeira mais afetada também pelos terremotos deste ano.</p>
<p>Sua família ficou presa entre os escombros. Segundo relatos que ouviu mais tarde, foi o seu choro que alertou os socorristas para a presença de sobreviventes no apartamento.</p>
<p>"Graças a esse choro, conseguiram chegar até minha mãe, meus irmãos e, finalmente, até mim", conta.</p>
<p>Um de seus irmãos morreu no desabamento. Mas, após uma longa operação de resgate - durante a qual os socorristas chegaram a pegar emprestadas máquinas de uma loja em Caracas -, conseguiram salvar sua mãe, sua irmã e, por fim, ela própria, quase quatro dias após o terremoto.</p>
<p>Todos sofreram sequelas físicas, mas conseguiram seguir em frente.</p>
<p>Sua irmã, que estava prestes a completar três anos, teve um pé amputado durante o resgate e, posteriormente, as pernas, devido à gangrena. María Elena perdeu o antebraço direito, que permaneceu esmagado durante dias pela estrutura do berço onde estava.</p>
<p>Sua mãe não perdeu nenhum membro, mas levou um ano e meio para recuperar os movimentos das mãos.</p>
<h2>Crescer como qualquer outra criança</h2>
<p>Apesar de tudo, teve uma infância muito feliz. Foram anos em que o apoio da família e dos amigos foi fundamental e nos quais ela sempre sentiu que era tratada da mesma forma que as outras crianças.</p>
<p>Agora, enquanto muitos compatriotas enfrentam experiências semelhantes às que ela viveu, espera que recebam o mesmo tratamento.</p>
<p>"Haverá muito mais famílias como a nossa e, por isso, acho que os venezuelanos, como sociedade, os pais e as instituições de ensino precisam compreender isso", afirma. "Não somos algo estranho. Somos apenas pessoas com quem aconteceu alguma coisa, mas isso não significa que deixaremos de ser felizes, de viver e de realizar nossos sonhos."</p>
<p>Desde pequena, Páez Pumar precisou se adaptar ao próprio corpo. Teve dificuldades, por exemplo, para aprender a escrever com a mão esquerda, já que era destra. Mas os desafios que superou ajudaram a formar uma mulher de profunda fé religiosa, que se define como perfeccionista, metódica e forte.</p>
<p>"Desenvolvi métodos para que minha deficiência não seja uma deficiência, mas justamente o contrário, para que eu possa fazer tudo o que quero na vida", afirma.</p>
<p>Após atuar como advogada na Venezuela, Páez Pumar se mudou para os Estados Unidos há 11 anos, onde trabalha como professora do ensino médio.</p>
<p>Aos jovens feridos nos dois terremotos, ela recomenda paciência para superar tanto as feridas físicas quanto as emocionais.</p>
<p>"Cada dia em que avançamos, mesmo que seja um passo muito pequeno, representa uma grande conquista", diz. "Eles precisam estar convencidos de que têm o bem mais precioso, que é estar vivos (...) É preciso seguir em frente, encontrar força. Com paciência, amor e apoio, isso é possível, porque tive uma vida muito feliz e sou eternamente grata."</p>
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        <media:title>Venezuela-terremotos</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[AFP]]></dc:creator>
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      <title>Hábitos saudáveis podem prevenir até 45% do risco de demência, aponta OMS</title>
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      <pubDate>Fri, 17 Jul 2026 15:55:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar a pressão arterial e estimular o cérebro podem ajudar a prevenir ou adiar até 45% do risco de demência, segundo novas diretrizes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira, 15. A recomendação ganha importância diante do avanço da doença, que afeta mais de 57 milhões de pessoas no mundo. O Alzheimer é a forma mais comum do problema e responde por aproximadamente 60% a 70% dos diagnósticos.</p>
<p>"Hoje sabemos muito mais do que antes sobre os fatores que aumentam o risco de demência, e estas diretrizes transformam esse conhecimento em ação", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Segundo ele, os países passam a contar com recomendações baseadas em evidências que podem ser implementadas imediatamente para proteger a saúde cognitiva da população.</p>
<p>A atualização amplia e consolida orientações publicadas pela primeira vez em 2019. Além de reforçar recomendações já conhecidas, como parar de fumar, reduzir o consumo de álcool, praticar atividade física regularmente e manter uma alimentação saudável, a OMS passou a incluir a redução da exposição à poluição do ar como estratégia de prevenção.</p>
<p>O documento também destaca a importância do controle de hipertensão, diabetes e colesterol elevado, da estimulação cognitiva, da participação em atividades sociais e, quando indicado, do uso de aparelhos auditivos.</p>
<p>Em contrapartida, não recomenda o uso de suplementos vitamínicos ou de ômega-3 para prevenir a doença quando não houver deficiência comprovada, por falta de evidências científicas a respeito desse efeito.</p>
<h2>Evidência prática</h2>
<p>Uma pesquisa recente reforça as novas orientações da OMS. Publicado neste mês na revista científica  The Lancet , uma das mais prestigiadas do mundo na área médica, o estudo Latam-Fingers acompanhou durante dois anos 1.065 pessoas entre 60 e 77 anos, em 11 países da América Latina, entre eles o Brasil, para avaliar se mudanças simultâneas no estilo de vida poderiam reduzir o declínio cognitivo. O trabalho contou com especialistas brasileiros, ligados à Universidade de São Paulo (USP) e à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).</p>
<p>Os participantes tinham fatores de risco cardiovasculares e desempenho cognitivo abaixo do esperado para a idade, mas ainda não apresentavam diagnóstico de demência. Eles foram divididos em dois grupos. Um recebeu apenas orientações gerais sobre saúde. O outro participou de um programa estruturado que combinava quatro frentes de intervenção.</p>
<p>A primeira envolvia atividade física supervisionada, com exercícios aeróbicos, musculação, treino de equilíbrio e coordenação realizados quatro vezes por semana. A segunda consistia em orientação nutricional baseada em uma dieta chamada Mind, que prioriza vegetais folhosos verdes, frutas vermelhas, grãos integrais, azeite de oliva, peixes, aves, feijões e oleaginosas, enquanto recomenda limitar carne vermelha, manteiga, queijo, frituras e doces.</p>
<p>É importante esclarecer que a dieta Mind (sigla em inglês para Intervenção Mediterrânea-DASH para Retardo Neurodegenerativo) é um padrão alimentar que combina elementos da dieta mediterrânea com os da dieta DASH, tradicionalmente usada para controlar a pressão arterial, mas voltado especificamente para a saúde do cérebro. O diferencial em relação a outras dietas saudáveis é o foco: ela foi criada e estudada com o objetivo específico de reduzir o risco de declínio cognitivo e Alzheimer, e não apenas para emagrecimento ou saúde cardiovascular em geral.</p>
<p>A terceira frente era formada por treinamento cognitivo computadorizado, com exercícios voltados para memória, atenção e raciocínio. Por fim, os participantes passaram por monitoramento contínuo dos fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e excesso de peso.</p>
<p>Ao final dos dois anos, os participantes do programa estruturado apresentaram desempenho cognitivo global cerca de 55% melhor do que o observado entre aqueles que receberam apenas orientações gerais.</p>
<p>Os ganhos mais expressivos ocorreram na memória episódica — responsável por recordar acontecimentos e experiências pessoais —, seguidos pela função executiva, relacionada ao planejamento e à tomada de decisões, e pela velocidade de processamento das informações.</p>
<p>Outro resultado relevante foi a boa adesão ao programa. Cerca de 72% dos participantes conseguiram manter as mudanças propostas durante todo o estudo, e a taxa de abandono foi menor entre aqueles que receberam acompanhamento intensivo. Os pesquisadores também observaram que a intervenção foi segura: os eventos adversos mais comuns foram dores musculares e articulares associadas ao aumento da atividade física, sem registro de efeitos graves relacionados ao programa.</p>
<h2>Prevenção ganha protagonismo</h2>
<p>Para os pesquisadores, o principal mérito do Latam-Fingers foi demonstrar que um programa multidisciplinar de prevenção pode ser implementado com sucesso em diferentes contextos sociais e culturais da América Latina, região que reúne alta prevalência de fatores de risco para demência, como hipertensão, diabetes, obesidade e menor escolaridade. Os autores ressaltam que a estratégia não depende de medicamentos, mas da combinação coordenada de mudanças no estilo de vida e do acompanhamento contínuo dos participantes.</p>
<p>Os resultados dialogam diretamente com a nova estratégia da OMS. Sem uma cura amplamente disponível para a demência, a prevenção passa a ocupar papel central nas políticas de saúde pública. Segundo a organização, compreender os fatores de risco e agir precocemente pode ajudar as pessoas a preservar a autonomia, a qualidade de vida e a saúde cognitiva por mais tempo, além de reduzir o impacto econômico da doença, estimado em US$ 1,3 trilhão por ano em todo o mundo.</p>
<h2>Avanço na América Latina</h2>
<p>Outro estudo recente indicou um importante avanço da doença na América Latina e no Caribe. Publicada na segunda-feira, 13, na JAMA Neurology, uma das principais revistas científicas internacionais da área de neurologia, a pesquisa identificou que a prevalência de demência aumentou na região ao longo de duas décadas, na contramão da tendência observada nos Estados Unidos e em boa parte da Europa.</p>
<p>O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade Washington em St. Louis (EUA) e da Universidade de Newcastle (Reino Unido) e comparou duas grandes pesquisas domiciliares realizadas entre 2003 e 2006 e entre 2016 e 2020, nas quais foram avaliados 16.950 idosos com 65 anos ou mais. Cinco países e territórios foram escolhidos para esse estudo: México, Peru, Porto Rico, Cuba e República Dominicana.</p>
<p>Em vez de acompanhar continuamente o mesmo grupo por 20 anos, os cientistas repetiram o levantamento com a mesma metodologia, visitando as casas dos participantes para medir a prevalência da enfermidade. No conjunto dos cinco lugares analisados, a proporção de idosos com demência passou de 10,6% para 16,9%, o equivalente a um salto de um em cada dez para quase um em cada seis.</p>
<p>O aumento foi observado principalmente no México (de 9,6% para 14,5%), Peru (de 7,6% para 11,7%) e Porto Rico (de 10,7% para 15,7%), enquanto Cuba e República Dominicana mantiveram índices estáveis. Os autores apontam a necessidade de pesquisas semelhantes em países como Brasil, Argentina e Chile para verificar se a mesma tendência também ocorre nessas populações.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asz5qHbBaSOz5tDst.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Mulher treina, médica faz avaliação em paciente, mulheres preparam alimentos, homem e criança jogam xadrez e duas mulheres mais velhas conversam."/>
<h1>Cinco pilares para reduzir o risco de declínio cognitivo</h1>
<p>Confira os hábitos adotados no estudo Latam-Fingers, que acompanhou  1.065 pessoas de 11 países, entre 60 e 77 anos, durante dois anos. Em conjunto, essas estratégias melhoraram o desempenho das funções mentais dos participantes.</p>
<p>1. Exercício físico regular</p>
<p>2. Alimentação no padrão Mind</p>
<p>3. Treino cognitivo ativo</p>
<p>4. Controle dos fatores de risco cardiovascular</p>
<p>5. Engajamento social</p>
]]></description>
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        <media:title>mulher dança sozinha e feliz</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Setor privado reforça combate à violência contra a mulher</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/setor-privado-reforca-combate-a-violencia-contra-a-mulher</link>
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      <pubDate>Mon, 29 Jun 2026 21:41:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A violência contra a mulher e os casos de feminicídio no Brasil têm causas que se entrelaçam. É resultado de questões culturais, raciais e institucionais que se reforçam mutuamente na sociedade brasileira. </p>
<p>Os números que avaliam esse cenário conjunto impressionam por si só. Os relatos individuais encontrados nas redes sociais se multiplicam a cada ano e muitas mulheres seguem mal informadas sobre como se proteger de casos de agressão antes que a violência se torne uma estatística de feminicídio. </p>
<p>“A falta de conhecimento dos canais de ajuda leva muitas mulheres a não tomarem medidas de proteção. Daí, os casos podem evoluir para situações fatais. É preciso agir antes, criando uma rede de apoio física ou virtual”, afirma Fabiano Moraes, advogado e cofundador do Assistência Maria, um serviço de apoio à mulher feito por geolocalização e que o agressor não consegue identificar de forma fácil.</p>
<p>Segundo Moraes, a primeira medida do agressor é vasculhar o celular da mulher. “Ele vai em busca de aplicativos, fotos e contatos de homens no WhatsApp. Esse é um comportamento já mapeado.” </p>
<p>O serviço Assistência Maria não é um aplicativo. É um contato no WhatsApp de uma mulher negra que pode ter qualquer nome. A escolha desse perfil, explica Moraes, faz referência ao recorte racial relativo à violência feminina no Brasil: 62,6% das vítimas são negras. </p>
<p>“O agressor não identifica de forma fácil que aquele contato é um canal de assistência que oferece uma gama de serviços à mulher, que vai desde orientação legal, saúde, proteção física dela e dos filhos. O direcionamento é feito por geolocalização, ou seja, direcionado de forma muito específica”, diz. </p>
<p>A ferramenta também possibilita a criação de uma rede de apoio de pessoas que serão acionadas caso a mulher esteja em situação de risco. O serviço é oferecido como um dos benefícios comercializados nos pacotes das seguradoras. Também pode ser contratado junto com a aquisição de uma linha de financiamento habitacional do banco Caixa Econômica Federal. </p>
<p>Moraes ressalta que o risco maior está no ambiente doméstico. Em 2025, quase 70% das agressões ocorreram em casa, sendo 40,76% no lar da vítima e 28,58% em residência compartilhada com o suspeito. Os dados são da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do Ministério das Mulheres, que considerou 155.111 denúncias de violência contra às mulheres. </p>
<h2>Alerta para mulheres</h2>
<p>Para aqueles que já ouviram a antiga expressão “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, a empresária do segmento de varejo Luiza Trajano responde “Eu meto sim.” Esse é o mote de uma campanha lançada pela presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza (Magalu), uma das maiores potências de varejo e tecnologia do Brasil. A companhia fatura cerca de R$ 70 bilhões anualmente, opera mais de 1.250 lojas físicas espalhadas por 21 estados brasileiros e possui um quadro com mais de 40.000 funcionários.</p>
<p>A empresária conta que o Magalu assumiu uma posição firme: em briga de marido e mulher, a gente mete a colher, sim. “Reforçamos a importância dessa luta com um dado alarmante: 75% das mulheres no Brasil desconhecem seus próprios direitos em casos de violência. Elas precisam saber que não estão sozinhas”, diz a empresária no vídeo de divulgação da campanha nas redes sociais. A iniciativa faz parte das medidas adotadas pela varejista a partir da morte de uma gerente da companhia, em 2017. Ela tinha 37 anos e foi assassinada pelo marido dentro de casa, em Campinas, no interior paulista. </p>
<p>A primeira ação do Magalu foi criar o Canal Mulher, uma linha interna sigilosa para que as funcionárias pudessem fazer denúncias. Outra medida foi incluir no aplicativo da rede varejista um botão para que a usuária se conecte ao Ligue 180. Investir em comunicação, orientando as mulheres a reconhecer a escalada de violência foi mais uma iniciativa.</p>
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        <media:title>Celular na mão de mulher </media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Como a vitória de Espriella ressoa na América Latina</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/como-a-vitoria-de-espriella-ressoa-na-america-latina</link>
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      <pubDate>Sat, 27 Jun 2026 15:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A vitória de Abelardo de la Espriella nas eleições presidenciais da Colômbia no último domingo, 21, levou a direita ao comando de sete das 10 nações da América do Sul. Filiado ao Movimento de Salvação Nacional, o advogado de 47 anos tomará posse no cargo em 7 de agosto.</p>
<p>A exemplo do que ocorreu em países vizinhos, Espriella venceu uma eleição acirrada — foram menos de 250 mil votos de vantagem sobre Iván Cepeda, seu adversário no segundo turno — e interrompeu o ciclo da esquerda no poder, com o presidente Gustavo Petro.</p>
<p>Neste texto, o  Global South World Brasil  explica a mudança de rumos na política colombiana e analisa como ela ressoa na bússola ideológica do continente.</p>
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<h2>Abre alas para a ‘nova direita’</h2>
<p>Natural de Bogotá, pai de quatro filhos e fortemente ligado às raízes folclóricas colombianas, Espriella construiu carreira como advogado de causas complexas e midiáticas antes de ingressar na política. Na carreira jurídica, ganhou reconhecimento popular e enriqueceu.</p>
<p>A mudança de rumos foi gestada pelo atentado contra o jornalista e então pré-candidato Miguel Uribe Turbay, alvo de dois tiros na cabeça em Bogotá em junho de 2025 — ele faleceu após mais de dois meses de internação.</p>
<p>O atentado reforçou a percepção popular de aumento da violência e desgastou Petro. Na contramão do clamor pelo endurecimento do combate ao narcotráfico, o mandatário de esquerda apostou em um plano de “paz total”, desmobilizando iniciativas de enfrentamento às facções e promovendo tentativas de negociação. Os números revelam o fracasso: aumento de 3,7% nos homicídios dolosos em 2025 na comparação com 2022, primeiro ano do governo.</p>
<p>Mesmo com índices econômicos positivos — crescimento de 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025, patamar similar ao brasileiro —, a insegurança somou-se à percepção de piora no poder de compra — parcialmente explicada pela elevada taxa de juros, de 11,25% ao ano atualmente — para criar um cenário propício à alternância de poder.</p>
<p>Diante do esgotamento de personagens tradicionais da direita local, majoritariamente ligados a Álvaro Uribe, presidente de 2002 a 2010, o caldo tornaria na ascensão de uma liderança antissistema. Conhecido nas redes sociais como ‘El Tigre’ — apelido que nasceu de uma frase de Uribe, que disse em 2024 que a Colômbia precisava de um “tigre” no poder —, Espriella se projetou após o atentado contra Turbay prometendo endurecer o combate ao narcotráfico e romper com o domínio tradicional das instituições locais.</p>
<p>Do pano de fundo à cartilha, o roteiro é similar aos que levaram, nos últimos anos, Javier Milei, de 55 anos, e José Antonio Kast, de 60, a imporem derrotas à esquerda, respectivamente, na Argentina e no Chile. A eleição colombiana consolida a nova fase da direita latina.</p>
<p>É como avalia Regiane Bressan, professora de relações internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). “Trata-se de uma vertente de líderes radicais, de matriz midiática e populista. Uma direita que não se confunde com o conservadorismo tradicional de Uribe”, disse ao  GSW Brasil.</p>
<p>“Milei introduziu a estética do ‘rockstar’ libertário, Bukele o modelo do millenial tecnocrático autoritário. Espriella representa um advogado ostentador e influenciador digital, ‘El Tigre’. A principal interseção desses três fenômenos é a espetacularização como resposta aos anseios da população”, concluiu.</p>
<h2>Brasil isolado e Trump mais influente</h2>
<p>Na fronteira ao Sul dos colombianos, o Brasil, maior país do continente em tanto demográfica quanto economicamente, segue governado por Luiz Inácio Lula da Silva, 79 anos, principal liderança de esquerda do continente.</p>
<p>O mandatário chegou ao Palácio do Planalto pela primeira vez em 2003, mesmo período em que uma série de vitórias eleitorais tornava a esquerda majoritária no continente — a chamada “onda rosa”, que também levou ao poder personagens como Cristina Kirchner, na Argentina, e Evo Morales, na Bolívia. O quadro é oposto ao atual, em que somente os brasileiros, uruguaios — com Yamandú Orsi — e venezuelanos — com Delcy Rodríguez — são governados por este espectro político.</p>
<p>A minoria progressista é vista com bons olhos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que do alto de seus 77 anos é reverenciado pelos líderes da renovação da direita latina. Defensor declarado do expansionismo americano, o chefe da Casa Branca chamou de “grande vitória” a eleição de Espriella e compartilhou, nas redes sociais, um artigo que aponta oito vitórias suas na América Latina.</p>
<p>Para Tomaz Paoliello,  vice-coordenador do mestrado em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), a troca de poder na Colômbia marca um ponto na “reaproximação da região com os EUA” e tem potencial para reforçar as perspectivas de influência americana na política do continente — incluindo o Brasil.</p>
<p>“O efeito geopolítico mais imediato é a criação de um corredor estratégico de alinhamento a Washington na América do Sul, isolando a diplomacia do governo Lula — baseada no multilateralismo — na região”, acrescentou Regiane Bressan.</p>
<p>Mesmo após sinais de entendimento de ambos os lados, Lula e Trump tornaram claras suas diferenças nos últimos meses. O petista afinou o discurso da soberania e, em reação à postura insubmissa do homólogo, o republicano impôs novas tarifas sobre produtos comercializados pelo Brasil — sua munição econômica na cruzada contra governantes que não se alinham automaticamente às pretensões da Casa Branca. Em janeiro de 2026, sinais mais claros foram enviados ao continente com o rapto e deposição de Nicolás Maduro, ex-chefe do regime autoritário da Venezuela.</p>
<p>Paoliello ponderou, contudo, que a leitura do movimento deve superar as fronteiras continentais. “É importante compreender as ‘ondas’ políticas com cuidado. Vivemos um momento de adesão crescente a ideias e lideranças de direita que não se restringe à América Latina, bem como de crise das democracias liberais”, disse ao  GSW Brasil.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ redes sociais</media:credit>
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      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Brasileiros de mudança para o Paraguai batem recorde histórico</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/brasileiros-de-mudanca-para-o-paraguai-batem-recorde-historico</link>
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      <pubDate>Fri, 19 Jun 2026 22:11:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O volume de cidadãos brasileiros que decidem se mudar para o Paraguai vem crescendo a cada ano. Dados oficiais da Direção Nacional de Migrações do Paraguai revelam que as concessões de residência para brasileiros mais do que dobraram nos últimos cinco anos.</p>
<p>De acordo com o levantamento das autoridades paraguaias, houve um aumento de 37,3% apenas entre 2024 e 2025:</p>
<p>●      2020: 10.039 residências aprovadas</p>
<p>●      2021: 12.413 residências aprovadas</p>
<p>●      2022: 12.409 residências aprovadas</p>
<p>●      2023: 14.365 residências aprovadas</p>
<p>●      2024: 17.139 residências aprovadas</p>
<p>●      2025: 23.526 residências aprovadas</p>
<p>Segundo o governo paraguaio, no ano passado foram concedidas 40,6 mil autorizações de residência para estrangeiros de todas as nacionalidades. Desse total, os brasileiros responderam por mais de 57%, deixando os argentinos em um distante segundo lugar, com 4,3 mil registros.</p>
<p>A tendência permanece aquecida. O balanço do primeiro trimestre indica que, até março, 9.195 brasileiros já tiveram seus pedidos aprovados.</p>
<p>Grande parte desse fluxo recente se concentra na modalidade de Residência Temporária, impulsionada por mutirões de regularização em regiões de fronteira, como Ciudad del Este. Pela legislação local, a permanência definitiva só pode ser pleiteada após dois anos de vigência do visto temporário.</p>
<h2>Paraguai é o 3º destino mais buscado por brasileiros</h2>
<p>O impacto acumulado desse fluxo recente consolida o Paraguai como um dos principais refúgios da imigração brasileira no mundo. Segundo o último balanço estatístico do Ministério das Relações Exteriores, referente a 2024, o país vizinho já abriga a terceira maior comunidade brasileira no exterior.</p>
<p>Ao todo, 248.200 brasileiros vivem oficialmente em território paraguaio. O número coloca o Paraguai à frente de destinos tradicionais de migração na Europa e na Ásia, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e de Portugal na preferência nacional.</p>
<p>A migração de brasileiros para o Paraguai é impulsionada por um ambiente econômico altamente favorável, destacando-se o sistema tributário simplificado com impostos fixados em 10% (regime "Triple 10") e incentivos fiscais para indústrias. </p>
<p>Além disso, o baixo custo de vida — potencializado por uma das energias elétricas mais baratas da América Latina —, o acesso facilitado e econômico a cursos de Medicina sem vestibular, o preço competitivo de terras férteis para o agronegócio e a desburocratização migratória pelo acordo do Mercosul transformaram o país em um polo de oportunidades financeiras, acadêmicas e empresariais.</p>
<h2>Onde estão as maiores comunidades brasileiras no exterior:</h2>
<p>●      Estados Unidos: 2.120.000</p>
<p>●      Portugal: 570.000</p>
<p>●      Paraguai: 248.200</p>
<p>●      Reino Unido: 230.000</p>
<p>●      Japão: 211.857</p>
<p>●      Espanha: 192.779</p>
<p>●      Alemanha: 186.581</p>
<p>●      Itália: 159.000</p>
<p>●      Canadá: 148.000</p>
<p>●      França: 95.000</p>
]]></description>
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        <media:title>Ponte da Amizade</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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