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Um dia sem internet: uma proposta pela saúde
Principais pontos
- Criado pela Outward Bound, rede de educação que oferece experiências ao ar livre, o Dia do Reset, ou Um Dia Sem Internet, propõe reduzir o tempo conectado como forma de estimular hábitos mais saudáveis e uma relação mais equilibrada com a tecnologia.
- No Brasil, a primeira edição será em 26 de setembro e convida os participantes a ficar até 24 horas longe da internet, dedicando o período a atividades e experiências fora das telas.
- A proposta ganha relevância diante dos efeitos associados ao excesso de conexão, como perda de qualidade do sono e de tempo para os estudos entre jovens; um experimento experimento nos EUA também registrou melhora no bem-estar após a redução do uso de redes sociais.

Um movimento que começou nos Estados Unidos se prepara para realizar no Brasil seu primeiro grande evento: o Dia do Reset ou Um Dia Sem Internet. A proposta é passar 24h longe da web – ou parte disso – e refletir sobre o excesso de tempo dedicado às telas. Por aqui, esse dia foi marcado para 26 de setembro.
Nos Estados Unidos, o primeiro Dia do Reset foi em 24 de janeiro deste ano. Mais de 51 mil pessoas participaram do evento e somaram mais de 328 mil horas sem uso de redes.
Embora o conceito possa ser adotado por qualquer um, há uma atenção especial sobre os jovens. O movimento The Reset, criado pela Outward Bound EUA (uma rede de educação focada em experiências ao ar livre), busca ajudar esse público a viver de forma mais saudável, promovendo mais tempo com a natureza e propondo um uso mais equilibrado da tecnologia.
A Outward Bound Brasil (OBB), que está trazendo o Dia do Reset para cá, ressalta que a ideia não é ser contra a tecnologia. É desligar as pessoas do mundo digital por um dia e criar espaço para que elas se conectem com experiências reais: uma caminhada, um encontro em família, uma tarde ao ar livre, sem tela nenhuma no meio.
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Internet faz parte de 70% do nosso tempo da vida
Os brasileiros estão entre os povos mais conectados do mundo. Uma pesquisa da NordVPN, aplicativo de privacidade e segurança digital, realizada em abril deste ano, calculou que passamos, em média, 116 horas e 7 minutos por semana em atividades online. Com base nesse tempo, o estudo estimou que o brasileiro passa 52 anos, nove meses e 16 dias conectado ao longo da vida — o maior período entre os 20 países pesquisados.
Considerando a expectativa de vida média no país, de cerca de 76 anos, esse tempo corresponde a aproximadamente 70% da vida. Em 2022, a mesma pesquisa havia calculado 41 anos, três meses e 13 dias. A NordVPN ressalta, porém, que a comparação entre as duas edições deve ser feita com cautela, porque o levantamento deste ano passou a considerar 15 tipos de atividades online, ante 11 na pesquisa anterior.
Menos redes sociais, mais saúde
E quanto ao público jovem em específico? Neste mês, o Instituto Alana, de defesa da infância e adolescência, divulgou a pesquisa Adolescência Sem Filtro que revelou que 71% dos jovens entrevistados afirmavam que a internet precisava se tornar melhor. E metade considera que passa mais tempo conectado do que gostaria.
De acordo com esse trabalho, perto de 40% dos adolescentes entrevistados disseram que se sentem mais dependentes do celular e da internet do que se sentiam há dois anos. Entre as consequências estão perder a qualidade do sono e o tempo para estudos.
Outro dado se refere ao tempo diário de uso da internet. Quase 80% dos jovens passam mais de 3 horas conectados. Para 22%, a atividade online fica entre 5 e 6 horas. E 15% ultrapassam 8 horas.
Como fazer para quebrar uma rotina dessas? Além de participar de um dia de desconexão para incentivar reflexões, uma ajuda pode estar em um aplicativo que desafia o usuário a diminuir esse consumo e que o bonifica diante de resultados positivos. E pode ser feito envolvendo amigos.
O Nomo (No Missing Out) cria desafios em grupo para que todos se motivem. A aplicação nasceu de um trabalho feito nos Estados Unidos e sob a liderança de um brasileiro, Leonardo Bursztyn. Em outubro de 2024, um experimento-piloto realizado na Universidade de Chicago envolveu 808 estudantes de graduação. O objetivo principal era reduzir o uso do Instagram e do TikTok por meio de um limite diário combinado de 60 minutos, durante duas semanas.
Os participantes do experimento reduziram significativamente o uso diário dessas redes em 30,6 minutos, cerca de 50% em relação ao período anterior ao projeto. Após as duas semanas, a incidência de sintomas de depressão caiu quase pela metade, de 38,7% para 20,7%.
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Relatos de ansiedade também diminuíram, de 59,1% para 55%, e a proporção de participantes que se sentiam facilmente distraídos caiu de 47,9% para 36,8%. Ao mesmo tempo, a satisfação com a vida subiu de 61,1% para 70,6%.
De acordo com os pesquisadores, esses resultados indicam que reduzir o tempo nas redes sociais contribuiu para que os participantes se sentissem mais saudáveis, felizes e focados.
O Nomo é um aplicativo que aparece nas recomendações dos organizadores do Dia do Reset no Brasil (que coincide com a segunda edição da data nos Estados Unidos).
O que fazer?
Os realizadores do movimento no Brasil dizem que ninguém precisa ir a um parque distante. O tempo fora das telas pode ser apreciado como uma caminhada pelo bairro, uma ida à praia, uma visita a um espaço comunitário ou um dia de dedicação a um projeto social. Também pode ser relaxar em um jardim ou mesmo na varanda, com um livro. Ou a ida a uma cafeteria. O fundamental é não se conectar – a duração desse período desligado quem decide é a própria pessoa.
Planejamento para o dia
Como observa a rede OBB, ficar sem o celular pode parecer estranho no início. Para facilitar a vida, é importante fazer um planejamento para o Dia do Reset. As dicas são:
- Faça uma lista dos lugares que deseja visitar (e anote os endereços e horários, caso vá encontrar outras pessoas).
- Imprima o trajeto ou as instruções de como chegar ao local.
- Se você costuma pagar usando o celular, leve dinheiro, cartão de débito ou cartão de crédito.
- Sempre que possível, escolha destinos que possam ser alcançados a pé.
- Convide um amigo ou familiar para participar e planejem a experiência juntos.
- Pode-se levar o celular para casos de emergência. Mas é bom mantê-lo bem guardado.
- Para eventos em grupo, considere criar um ponto de guardar celulares ou incentive os participantes a deixarem seus aparelhos no modo avião durante a atividade.
- Outra ideia é organizar um almoço colaborativo, convidando pessoas para passar o tempo junto com você. Os celulares também podem ficar guardados durante as horas de preparo, almoço e pós-almoço.
Quer guardar lembranças da experiência?
- Se o grupo quiser registrar a experiência, vale escolher uma pessoa para ser a fotógrafa oficial do evento. Também é possível revezar a função entre os demais.
- Caso utilize um smartphone apenas para fotografar, considere ativar o Tempo de Uso (iPhone), o Bem-estar Digital (Android) ou utilizar o aplicativo Nomo, que ajuda a reduzir o tempo nas redes sociais por meio de desafios e períodos de desconexão, nos quais o usuário ganha “Momentos”.
- Outra forma de registrar a experiência é anotar tudo em um caderno, escrevendo os momentos mais marcantes do dia. E não é necessário escrever. Desenhos também contam.
- Câmeras fotográficas, inclusive as digitais, são boas opções.
- Uma dica é tirar uma foto antes de iniciar o desafio e outra ao final do dia.
- Faça um desenho, uma colagem ou uma criação inspirada na natureza.
Para viver um bom Dia de Reset é importante aproveitar o tempo offline para brincar, explorar, descansar e descobrir lugares. Para compartilhar com amigos como foi a experiência, dá para recorrer às redes sociais, sim. Mas no dia seguinte.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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