Tensão no Estreito de Ormuz: EUA e Irã intensificam disputa pelo controle do canal

Principais pontos

  • Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques militares após o colapso da trégua de 17 de junho, reacendendo a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.
  • Donald Trump anunciou que pretende assumir a segurança da passagem marítima e cobrar uma taxa de 20% sobre as cargas; Teerã afirmou que reagirá a qualquer tentativa de interferência norte-americana.
  • Em meio à escalada, o jornal The New York Times revelou que o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad está em prisão domiciliar por suspeita de colaborar com um plano do Mossad para derrubar o regime iraniano.
Navio das Forças Armadas dos Estados Unidos
Patrulha das forças armadas dos Estados Unidos acompanha cargueiro iraniano M/V Touska no Mar Arábico, em abril passado.
Source: Marinha dos Estados Unidos

Quase cinco meses após o início da guerra, em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Irã estão intensificando o conflito que tem colocado o mundo em alerta. Nesta segunda-feira, 13, com o colapso do cessar-fogo e a volta de ataques militares na região, a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, ganha novas dimensões. A escalada coloca em risco o acordo provisório firmado entre os dois países em 17 de junho, que previa interromper as hostilidades e abrir caminho para negociações de paz.

Os ataques foram retomados na semana passada no entorno do Estreito de Ormuz. No final de semana, novos bombardeios aconteceram. Uma embarcação com bandeira do Chipre foi atingida por uma ofensiva iraniana e um tripulante desapareceu. Os Estados Unidos reagiram e atingiram dezenas de alvos, como instalações militares e locais de lançamento de mísseis e drones.

Na sequência, Teerã realizou ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã. E a região do Golfo voltou a acionar seus sistemas de alarmes. No domingo, 12, o governo iraniano avisou que o canal permaneceria fechado até a redução das tensões.

Nesta segunda-feira, 13, o presidente Donald Trump anunciou a retomada do bloqueio naval contra o Irã e afirmou que os Estados Unidos poderão assumir o controle de Ormuz. Em entrevista à Fox News, ele disse que Washington se tornará o “guardião” da passagem e cobrará uma taxa de 20% sobre todas as cargas que cruzarem a região. O presidente não apresentou detalhes sobre como isso seria operado.

A reação do governo iraniano veio rapidamente. A resposta é que não permitirá qualquer interferência norte-americana na administração do estreito. O Comando Central Khatam al-Anbiya advertiu que as forças armadas iranianas reagirão com severidade a embarcações que circulem fora das rotas autorizadas pelo país. Também ameaçou tratar qualquer apoio logístico regional aos Estados Unidos como participação em uma guerra contra a soberania iraniana.

Após o anúncio de Trump, o petróleo Brent voltou a se aproximar de US$ 80 por barril, acumulando alta de cerca de 5% desde sexta-feira, refletindo o temor de novas interrupções no abastecimento global de energia e de uma nova pressão inflacionária em diversos países.

Desde o início da guerra, o fluxo de embarcações caiu drasticamente. No domingo, 12, apenas 14 navios cruzaram a passagem, o menor movimento registrado em um mês, segundo a consultoria marítima Kpler.

A morte do líder supremo

A guerra começou quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã. No ataque, o líder supremo do país, Ali Khamenei, que comandava o país desde 1989, foi morto. Em resposta, Teerã iniciou ataques com mísseis e drones contra Israel, bases militares norte-americanas e passou a restringir a navegação pelo estreito de Ormuz.

Após meses de confrontos, Washington e Teerã assinaram, em 17 de junho, um memorando de entendimento que estabelecia uma trégua temporária, a reabertura de Ormuz e um prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo de paz. O entendimento, porém, nunca eliminou as divergências sobre quem teria autoridade para controlar o tráfego marítimo na região.

Khamenei foi sepultado na quinta-feira, 9, em sua cidade natal, Mashhad, após dias de cortejo fúnebre pelo país e também pelo Iraque. Multidões tomaram as ruas para a despedida. O sucessor do aiatolá, seu filho Mojtaba Khamenei, teria sido ferido nos primeiros ataques. Como ele não apareceu no sepultamento, novos rumores sobre seu estado de saúde voltaram a circular.

Na mesma entrevista para a Fox News, Trump declarou, sem apresentar evidências, que Mojtaba Khamenei está "90% fora de cena". Ele disse que os principais comandantes militares iranianos haviam sido eliminados e que as capacidades naval, aérea e de defesa antiaérea do país teriam sido praticamente destruídas.

Ex-presidente espião

A crise política iraniana tem mais um capítulo impactante nesta segunda-feira, 13. Segundo o jornal The New York Times, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad foi colocado em prisão domiciliar sob suspeita de ter participado de um plano secreto do serviço de inteligência israelense, o Mossad, para derrubar o regime dos aiatolás.

Segundo a reportagem, baseada em fontes dos governos dos Estados Unidos e do Irã, Ahmadinejad teria fornecido informações a Israel em troca da promessa de retornar ao poder após a queda do governo. O plano, porém, teria fracassado quando o ex-presidente desistiu da operação pouco antes do início da guerra contra o Irã. Até o momento, nem o governo iraniano nem representantes de Ahmadinejad comentaram oficialmente as revelações.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.