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TDAH pode mudar com a idade e hiperatividade pode se tornar menos visível na vida adulta
Principais pontos
- Os sintomas do TDAH podem mudar ao longo da vida e se tornar menos visíveis na idade adulta.
- A hiperatividade física pode dar lugar à inquietação mental, dispersão e busca constante por estímulos.
- Ambiente familiar, escolar e profissional pode influenciar a intensidade e a manifestação dos sintomas.

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode se manifestar de maneiras diferentes ao longo da vida. A agitação física facilmente percebida em algumas crianças pode dar lugar, na idade adulta, a sinais menos evidentes, como inquietação mental, dificuldade para manter o foco, dispersão e necessidade constante de estímulos e atividades.
Em entrevista ao site francês Atlantico, publicada na quinta-feira (1º), o psiquiatra Patrick Hourdé afirma que a evolução dos sintomas pode estar relacionada não apenas ao desenvolvimento individual, mas também aos ambientes familiar, escolar e profissional. Segundo ele, algumas crianças hiperativas conseguem se adaptar melhor a determinados contextos, enquanto outras enfrentam dificuldades quando seu modo de funcionamento não corresponde às exigências da escola.
Na vida adulta, a hiperatividade pode deixar de aparecer principalmente como movimento físico e assumir outras formas. Hourdé cita comportamentos como mudanças frequentes de emprego, dificuldade para permanecer por longos períodos na mesma atividade, dispersão e tentativa de realizar várias tarefas simultaneamente. Em alguns casos, segundo ele, essa busca constante por estímulos também pode estar associada a comportamentos compulsivos.
O ambiente em que a pessoa vive ou trabalha pode contribuir para acentuar ou reduzir essas dificuldades. Profissões que envolvem mudanças rápidas, grande volume de estímulos e necessidade constante de ação podem acomodar melhor determinadas características associadas à hiperatividade. Já funções mais repetitivas ou que exigem longos períodos de concentração podem tornar alguns sintomas mais perceptíveis.
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A família também pode ter papel importante na identificação precoce de dificuldades. Mudanças constantes de foco, dificuldade para manter a atenção ou reter determinadas informações podem levar pais e responsáveis a procurar avaliação profissional. Hourdé destaca, porém, a necessidade de distinguir diferentes condições que podem apresentar características semelhantes ou coexistir.
Nesse ponto, o especialista relaciona parte dos casos de hiperatividade a características do transtorno do espectro autista (TEA). A associação exige cautela: TDAH e TEA são transtornos distintos, embora possam coexistir em uma mesma pessoa e compartilhar algumas características comportamentais. Por isso, a avaliação clínica individual é importante para estabelecer o diagnóstico e definir o acompanhamento adequado.
Estudos sobre o desenvolvimento cerebral também procuram entender por que os sintomas diminuem em algumas pessoas e persistem em outras. Hourdé cita pesquisas que identificaram diferenças em regiões como o hipocampo e o estriado, estruturas relacionadas, entre outras funções, à memória, aprendizagem, atenção e controle do comportamento. Ele ressalta, no entanto, que ainda há limitações no conhecimento sobre os mecanismos envolvidos e que essas diferenças não explicam isoladamente a trajetória de cada pessoa.
O diagnóstico na idade adulta pode representar um desafio adicional porque os sinais nem sempre são tão evidentes quanto na infância. Em vez de uma hiperatividade física claramente observável, adultos podem apresentar uma combinação de desatenção, inquietação interna e busca constante por estímulos. Em alguns casos, as dificuldades só passam a ser reconhecidas quando começam a interferir de maneira significativa na vida profissional, social ou pessoal.
A trajetória do TDAH, portanto, não é necessariamente igual ao longo de toda a vida. A intensidade e a forma dos sintomas podem mudar de acordo com a idade, as circunstâncias e as exigências impostas pelo ambiente. A identificação dessas mudanças e uma avaliação profissional adequada podem ajudar a diferenciar características individuais de sintomas que exigem acompanhamento especializado.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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