Tarifa de 25% dos EUA deve reduzir competitividade e causar queda de 7,1% nas exportações brasileiras de calçados em 2026

Principais pontos

  • Abicalçados: com a aplicação da tarifa, as exportações totais de calçados devem ter uma queda média de 7,1% ao fim de 2026.
  • Empresas americanas do setor calçadista chegaram a manifestar contrariedade à aplicação da tarifa sobre calçados brasileiros nas reuniões técnicas que aconteceram antes da decisão do USTR.
  • Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões de pares, volume equivalente a aproximadamente 1% de seu consumo interno.
Tarifas de 25% dos EUA vão prejudicar exportações de calçados, prevê associação do setor
Tarifas de 25% dos EUA vão prejudicar exportações de calçados, prevê associação do setor
Source: Pixabay

O setor calçadista está entre os afetados pela nova tarifa sobre produtos importados brasileiros de 25%, imposta pelos Estados Unidos na quarta-feira, 15/07, e que entra em vigor no dia 22 de julho. O calçado brasileiro destinado aos Estados Unidos é o principal destino do setor no exterior. Com a aplicação da tarifa, as exportações totais de calçados devem ter uma queda média de 7,1% ao fim de 2026. A projeção é da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).  

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados emitiu nota para manifestar a preocupação com a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25%. A decisão foi tomada no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da lei de Comércio dos EUA. 

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirma que a aplicação da tarifa representa um retrocesso para uma relação comercial construída ao longo de décadas. “A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países”, afirma. 

Segunda rodada de tarifa 

Os calçados brasileiros já tinham sofrido aplicação de tarifa adicional de 40% dos Estados Unidos no ano passado, que caiu em fevereiro deste ano. Na época, a projeção da Abicalçados indicava retração média de 3,6% nas exportações totais de calçados ao fim de 2026. A expectativa era de estabilidade no segundo semestre deste ano, compensando parcialmente a queda registrada na primeira parte do ano. 

Com o anúncio da nova tarifa, a Abicalçados revisou sua projeção para o ano. Agora, a associação estima queda média de 7,1% ao fim de 2026, para as exportações totais de calçados, o que representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior. 

Empresas americanas manifestaram apoio ao Brasil

Empresas americanas do setor calçadista chegaram a manifestar contrariedade à aplicação da tarifa sobre calçados brasileiros nas reuniões técnicas que aconteceram antes da decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), de acordo com a Abicalçados. 

Entre elas, a Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), da American Apparel & Footwear Association (AAFA), da United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos, representados pelo JPT Group LLC, Bernardo Footwear e Dillard’s Inc. 

De acordo com a Abicalçados, o mercado norte-americano é dependente de importação de calçados. Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões de pares, volume equivalente a aproximadamente 1% de seu consumo interno. O principal exportador para o mercado americano é a região da Ásia. 

Para Haroldo Ferreira, “o diferencial tarifário que se amplia entre o calçado exportado pelo Brasil e demais países exportadores reforçará a concentração das compras norte-americanas em origens já dominantes, especialmente asiáticas, em sentido contrário aos interesses dos Estados Unidos de diversificação, resiliência e segurança das cadeias de suprimentos”.  

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.