Startup brasileira brilha na seleção para 'Davos de Verão' na China
Principais pontos
- O evento "Davos de Verão" começa nesta terça-feira, 23, na China, como a segunda maior conferência do Fórum Econômico Mundial
- Nome oficial do evento é 'Reunião Anual dos Novos Campeões' e terá como tema principal 'Inovando em Escala'
- Comp, startup brasileira de soluções de IA par RH, integra seleto grupo 'Technology Pioneers' que participa do evento

Depois de ser escolhida para integrar a lista de 100 empresas de tecnologia mais promissoras de 2026, a startup brasileira Comp, que oferece soluções de IA para RH, está no seleto grupo conhecido como 'Technology Pioneers', que vai participar do evento ‘Davos do Verão’, do Fórum Econômico Mundial, entre os dias 23 e 25 de junho de 2026, nas cidades portuárias de Dalian e Tianjin, no nordeste da China.
Esse evento é considerado a versão tecnológica do tradicional Fórum Econômico Mundial, que acontece no início do ano em Davos, na Suíça, onde as discussões giram em torno de questões geopolíticas e econômicas mais amplas. No evento ‘Davos do Verão’, que ocorre em junho, na China, o foco das conversas está no futuro, no empreendedorismo, inovação, ciência, tecnologia e transição energética. O tema deste ano é “Inovando em Escala”.
Ao ser selecionada pelo Fórum Econômico Mundial como integrante do grupo 'Technology Pioneers', a startup brasileira Comp. passa a contribuir para as discussões sobre inovação, tecnologia e políticas públicas na comunidade global do Fórum. Geração de empregos e oportunidades para a próxima geração, em tempos de IA, está entre os cinco principais tópicos do evento deste ano na China.
Ganhos que a IA pode trazer para o mercado de trabalho
O Fórum Econômico Mundial estima que 40% dos empregos em todo o mundo estejam, de alguma forma, expostos à inteligência artificial, um indício da magnitude da mudança que se aproxima na força de trabalho. É uma transição que exige mais do que apenas capital. São necessárias infraestrutura, educação, competências e regras adequadas para que novas indústrias se consolidem.
Em publicação recente, o Fórum diz que setores que vão do turismo e agricultura à manufatura avançada e à economia digital têm, todos, potencial real para empregar pessoas, mas somente se governos, empresas e investidores direcionarem o crescimento para a criação de empregos e garantirem que o progresso tecnológico amplie as oportunidades de crescimento. A questão é que a IA está chegando a países que não dispõem das estruturas necessárias para que ela seja implementada de forma responsável.
No estudo ‘Avaliação do Panorama da Inteligência Artificial’ (AILA), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que envolve 50 países em desenvolvimento, mostra que os prazos de implantação de tecnologias como a IA avançam mais rapidamente do que a preparação em termos de governança. É nessa lacuna que a confiança para adoção de tecnologias se desintegra.
De acordo com o levantamento, uma ferramenta de diagnóstico de IA implantada em uma clínica sem ninguém qualificado para avaliar seu desempenho ou contestar seus erros e explicar seus resultados aos pacientes não é um ganho para o desenvolvimento, é um risco. O fator humano não é um luxo que vem depois da adoção. É uma pré-condição para ela.
Empregos do futuro
O artigo do Fórum Econômico Mundial, ‘O investimento em empregos para pessoas determinará quem colherá os benefícios da IA’, destaca que as tecnologias que se expandiram globalmente tiveram um ecossistema humano de apoio que cresceu em torno delas. ‘Os carros não se tornaram universais porque todos aprenderam a construir motores. Eles se tornaram universais porque surgiu um ecossistema coordenado de mecânicos certificados, inspetores de segurança, seguradoras, órgãos de normalização e organizações de testes para torná-los utilizáveis e confiáveis na vida cotidiana. A IA está nesse mesmo ponto de inflexão agora, mas o ecossistema de que precisa ainda não existe.’
O que falta hoje é um mercado secundário estruturado de expertise humana focado no desempenho, segurança e responsabilidade da IA; um mercado que não concorra com os desenvolvedores de IA, mas torne suas ferramentas utilizáveis em instituições e comunidades reais. Esse mercado incluiria pessoas e organizações que testam sistemas de IA em condições locais, avaliam desempenho e viés, integram ferramentas em fluxos de trabalho legados, protegem sistemas de IA contra uso indevido e ajudam as instituições a entenderem o que essas ferramentas estão fazendo e onde falham.
Entre os novos cargos estão auditores e inspetores de IA, desenvolvedores de dados sintéticos, especialistas em segurança cibernética de IA e membros de equipes de simulação de ataques (red-teamers). Essas funções existem atualmente principalmente em países de alta renda. O que ainda não existe é um caminho claro e em escala para que elas surjam globalmente, particularmente nos mercados em desenvolvimento e de médio porte, onde a adoção da IA está se acelerando mais rapidamente, destaca o artigo do Fórum.
O que esperar do Fórum Davos do Verão
Os demais temas do evento são: ‘Como encontrar prosperidade em meio às mudanças nas realidades comerciais e industriais’, ‘Como entender a próxima fase da trajetória econômica da China’, ‘Como a tecnologia pode ser aproveitada para gerar resultados na economia real’ e ‘Como a transição energética e climática pode se tornar uma fonte de competitividade.’ De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o evento terá transmissão ao vivo e poderá ser acompanhado pelo link https://www.weforum.org/meetings/annual-meeting-of-the-new-champions-2026/
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.