Reencontro com Jair Bolsonaro recoloca peso do ex-presidente na campanha de Flávio

Principais pontos

  • Flávio Bolsonaro visitou pai nesta terça-feira, 13, pela primeira vez desde julho, após fim da suspensão judicial das visitas. Encontro ocorreu oito dias antes do segundo turno da eleição.
  • Visita acontece depois de o candidato do PL terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.
  • Ausência de contato direto entre pai e filho durante quase toda a campanha teve origem em decisão de Alexandre de Moraes, após Flávio divulgar carta de apoio do ex-presidente. Autorização para visitas não liberou Jair para fazer manifestações políticas ou eleitorais.
Flávio Bolsonaro (PL) concede entrevista após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na prisão domiciliar em Brasília
Flávio Bolsonaro (PL) concede entrevista após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na prisão domiciliar em Brasília
Source: AFP

A visita de Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar nesta terça-feira, 13, ocorre em um momento decisivo da eleição presidencial. 

Depois de terminar o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT), o senador do PL tenta consolidar sua vantagem até a votação de 25 de outubro, ao mesmo tempo que procura mobilizar o eleitorado identificado com o ex-presidente, que está impedido de participar diretamente da campanha por determinação judicial.

A visita, realizada na residência onde Jair cumpre prisão domiciliar, em Brasília, foi a primeira desde julho. Flávio afirmou, após o encontro, que saiu com as energias renovadas para a reta final da disputa. 

Segundo ele, o pai demonstrou satisfação com o resultado do primeiro turno e com a composição do Congresso eleito para a próxima legislatura.

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O candidato também convocou apoiadores a intensificar a mobilização nas ruas e nas redes sociais e negou que sua campanha esteja em clima de vitória antecipada. As declarações fazem parte da estratégia de manter a militância mobilizada até o segundo turno.

A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), depois do encerramento do prazo de 90 dias de suspensão. A decisão manteve, porém, a proibição de utilizar os encontros para fins político-eleitorais ou divulgar cartas, manifestos e declarações do ex-presidente.

Como começou a proibição das visitas

A suspensão do contato entre Flávio e Jair Bolsonaro foi determinada em 13 de julho, depois que o senador publicou nas redes sociais uma carta escrita pelo pai em apoio a sua candidatura presidencial.

Na ocasião, o ex-presidente estava proibido de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, como parte das medidas cautelares impostas durante a prisão domiciliar. 

Ao analisar o episódio, Moraes entendeu que a divulgação da carta representou uma violação das restrições judiciais e um desvio de finalidade do direito de visita. Por isso, determinou a suspensão dos encontros entre pai e filho por 90 dias. 

Quatro dias depois, em 17 de julho, Moraes também suspendeu por 30 dias as visitas em geral ao ex-presidente, com exceção de atendimentos médicos e jurídicos. O ministro proibiu ainda visitas com finalidade político-eleitoral e a divulgação de manifestações políticas de Bolsonaro, inclusive por terceiros. A decisão atingiu, naquele momento, a possibilidade de receber outros aliados e até o presidente argentino Javier Milei, que havia solicitado um encontro. 

Em 21 de agosto, o ministro autorizou a retomada de visitas de outros familiares e pessoas previamente autorizadas, mas manteve a proibição específica de Flávio encontrar o pai durante o período de 90 dias.

A defesa do ex-presidente voltou a pedir a liberação do encontro após o primeiro turno, em 5 de outubro, quando Flávio havia terminado a apuração na liderança. Moraes solicitou manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) antes de decidir. Com o parecer favorável à retomada e sem novos episódios que justificassem a extensão da punição, o ministro autorizou o retorno das visitas em 12 de outubro. 

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A ausência de Jair virou desafio para campanha

A impossibilidade de encontrar Jair Bolsonaro presencialmente criou uma dificuldade específica para Flávio: como mobilizar o capital político do ex-presidente sem permitir que ele participasse diretamente da campanha?

Jair Bolsonaro continua sendo uma das principais referências do eleitorado bolsonarista, mas as restrições judiciais impediram que ele atuasse publicamente como cabo eleitoral do filho. A situação exigiu que a campanha buscasse outras maneiras de transmitir seu apoio e reforçar a associação entre os dois.

Um dos exemplos mais evidentes ocorreu no lançamento da candidatura de Flávio, em julho. Na ocasião, o ex-presidente apareceu por meio de um avatar criado com inteligência artificial, que declarou apoio ao filho e pediu que os presentes o recebessem como seu substituto político. A iniciativa provocou questionamentos jurídicos sobre o uso da tecnologia para contornar as restrições impostas à comunicação pública de Bolsonaro. 

A carta publicada por Flávio, que desencadeou a suspensão das visitas, já havia sido uma tentativa de tornar explícito o apoio do ex-presidente. O episódio acabou tendo um efeito contrário no plano prático: além de impedir novos encontros durante três meses, reforçou os limites impostos pela Justiça à participação de Jair Bolsonaro na disputa.

A ausência de contato direto também ganhou relevância depois que Flávio se consolidou como candidato competitivo. A vantagem no primeiro turno ampliou a importância de manter unida a base política do pai, embora não seja possível atribuir o resultado eleitoral à suspensão das visitas. O desempenho nas urnas envolve outros fatores, como a transferência de votos dos candidatos derrotados, a abstenção e a composição das alianças políticas.

O que a visita muda no segundo turno

O encontro permite que Flávio retome o contato presencial com o pai durante a reta final, mas não significa que Jair esteja liberado para participar da campanha. A decisão de Moraes preservou expressamente as restrições à divulgação de declarações e manifestações político-eleitorais do ex-presidente.

Para o candidato do PL, o reencontro tem, antes de tudo, valor pessoal e simbólico. Flávio associou a visita à mobilização necessária para os últimos dias da disputa. A convocação para que apoiadores ocupem as ruas e intensifiquem a atuação nas redes também busca evitar acomodação diante da vantagem conquistada no primeiro turno.

Há, ainda, um componente político mais amplo: a candidatura de Flávio representa a tentativa de manter o bolsonarismo no centro da disputa pelo poder, mesmo com Jair fora da eleição e submetido a restrições judiciais. O filho assumiu a posição de candidato presidencial, mas ainda depende da identificação de parte do eleitorado com o legado e a liderança do pai.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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