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Quem é a senadora racista do Paraguai que atacou Mbappé

Principais pontos

  • A senadora paraguaia Celeste Amarilla gerou repercussão internacional ao publicar ofensas racistas contra Kylian Mbappé após a eliminação do Paraguai pela França na Copa do Mundo.
  • O atacante reagiu chamando a parlamentar de "indigna de sua função" e recebeu apoio do presidente francês Emmanuel Macron; o governo paraguaio reagiu condenando as declarações da senadora.
  • Em sua trajetória política, Celeste já protagonizou polêmicas, entre elas, declarações sobre corrupção no Congresso e a admissão de pagamento de propinas para participar de licitações públicas.

A senadora Celeste Amarilla, do Paraguai, virou centro de uma polêmica mundial após fazer ataques racistas ao jogador francês Kylian Mbappé. Eleita em 2023 pelo Partido Liberal Radical Auténtico, ela usou as redes sociais para cometer racismo contra o atacante após a vitória da França sobre o Paraguai, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

“Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés”, escreveu em seu perfil no X, antigo Twitter. Em outro trecho, a senadora chamou Mbappé de “camaronês colonizado, arrogante, que finge ser francês”.

As postagens geraram críticas dos internautas e fizeram com que o jogador se pronunciasse também nas redes sociais. Mbappé disse que Celeste é uma “mulher desprezível” e “indigna de sua função”. “Você não representa o Paraguai, país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição”, completou.

O presidente da França, Emmanuel Macron, entrou no debate, afirmando que o jogador fez “mais um gol, desta vez contra o racismo”.

Após a resposta de Mbappé, a senadora divulgou uma carta aberta em suas redes, justificando os insultos racistas. Junto com isso, pediu retratação do jogador, alegando que a reação dele seria perseguição ao gênero. Ela ameaçou acionar a justiça contra o atacante.

O governo paraguaio emitiu uma nota de repúdio aos comentários de Celeste. De acordo com o texto, as declarações da senadora são “contrárias aos valores e princípios de convivência pacífica” do país.

A nota destaca ainda que o governo tem “firme compromisso com a promoção dos direitos humanos, da igualdade e do respeito mútuo, bem como com o combate ao racismo, à xenofobia, à intolerância e a todas as formas de ódio ou discriminação”. O texto prossegue, expressando “solidariedade àqueles que possam ter sido afetados por tais declarações e reitera seu respeito pelo povo francês”.

Vale observar que, diferentemente do Brasil, Uruguai e da Venezuela, o Paraguai não possui uma tipificação explícita para o crime de racismo em sua legislação.

Trajetória polêmica

Muito antes do discurso preconceituoso contra o craque francês, a senadora já acumulava polêmicas no cenário político do Paraguai. Em 2022, quando ainda era deputada, foi denunciada após admitir ter pagado propinas para acessar licitações de merendas escolares.

Após o vazamento do vídeo, ela foi denunciada ao Ministério Público por admitir ter conhecimento sobre esquema de corrupção, mas não foi condenada criminalmente.

Celeste já havia acusado colegas de corrupção antes. Em 2020, quando era deputada, ela disse que 70% dos parlamentares paraguaios tinham comprado seus mandatos. Como não apresentou provas, a Câmara dos Deputados aprovou uma suspensão de 60 dias, afirmando que a parlamentar havia ofendido a honra da instituição.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.