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País tem novas regras de doação de sangue; critérios envolvem 70+ e tatuagem
Principais pontos
- Portaria do Ministério da Saúde atualizou diretrizes, reduzindo restrições e permitindo que doadores habituais continuem doando depois dos 70 anos.
- Tatuagem e piercing feitos em condições seguras exigem apenas sete dias de espera até a doação.
- Mudanças acompanham avanços nos exames de sangue e buscam ampliar o número de pessoas aptas a doar sem reduzir a segurança das transfusões.

As regras para doação de sangue mudaram em todo o Brasil. Desde esta quarta-feira, 30, novos critérios permitem que algumas pessoas que antes precisavam passar períodos mais longos sem doar retornem mais cedo aos hemocentros. Doadores habituais também poderão continuar doando depois dos 70 anos.
As mudanças foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde e valem para os serviços de hemoterapia do país. Elas atingem situações que exigiam uma espera maior para doar, como tatuagens, piercings, uso de anabolizantes e viagens a regiões com determinadas doenças.
A atualização também altera critérios para pessoas que tiveram câncer e situações em que houve maior risco de contrair doenças transmissíveis pelo sangue.
Entre as novas regras estão:
- Mais de 70 anos — Doadores regulares poderão continuar doando depois dessa idade, desde que permaneçam saudáveis e sejam considerados aptos na avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia.
- Tatuagem, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos invasivos — Quem fizer tatuagem, maquiagem definitiva, aplicação de botox, preenchimento ou microagulhamento poderá doar sete dias depois, desde que o procedimento tenha sido realizado em condições sanitárias seguras. Quando não for possível garantir essas condições, o prazo será de quatro meses.
- Piercing — O prazo será de sete dias quando for possível comprovar que o procedimento foi realizado em condições sanitárias seguras e de quatro meses quando isso não puder ser assegurado. No caso de piercing na boca ou na região genital, a pessoa poderá doar quatro meses depois da retirada.
- Endoscopia e outros procedimentos endoscópicos — O período sem doar passa de seis para quatro meses.
- Uso de anabolizantes sem prescrição médica — O período sem doar passa de seis para quatro meses. O uso de anabolizantes com acompanhamento médico não impede automaticamente a doação, mas a pessoa precisa atender aos demais critérios da triagem, entre eles os relacionados à hemoglobina.
- Situações de maior risco de adquirir doenças transmissíveis pelo sangue — O período sem doar passa de 12 para quatro meses. O prazo de 12 meses permanece para algumas situações específicas, como ter apresentado uma infecção sexualmente transmissível.
- Transfusão de sangue — Quem receber uma transfusão poderá voltar a doar quatro meses depois, em vez de esperar 12 meses.
- Cirurgia bariátrica — A pessoa poderá doar seis meses depois da cirurgia, desde que esteja com o peso estabilizado e sem anemia. A nova regulamentação também permite avaliar para doação pessoas submetidas a técnicas que anteriormente podiam resultar em impedimento definitivo.
- Câncer — Pessoas que tiveram determinados tipos de câncer poderão se candidatar à doação cinco anos depois de concluir o tratamento, desde que permaneçam em remissão. O impedimento definitivo continua para quem teve melanoma ou câncer do sistema hematopoiético, como leucemias e linfomas.
- Malária — Quem se deslocar para municípios de áreas endêmicas ou tiver exposição em regiões de mata, bosque ou floresta deverá esperar 30 dias para doar. A mudança acompanha a implantação obrigatória do teste para malária na triagem das doações de sangue.
- Permanência na Europa — Deixa de existir a restrição à doação para pessoas que moraram ou fizeram viagens repetidas à Europa, ao Reino Unido ou à República da Irlanda. Permanecem impedimentos específicos relacionados ao risco da variante da doença de Creutzfeldt-Jakob.
Cumprir esses prazos não significa estar automaticamente liberado para doar. Todos os candidatos continuam passando pela triagem antes da coleta, quando são avaliados estado de saúde, histórico médico, medicamentos utilizados e outros fatores que possam representar risco para quem doa ou para quem recebe o sangue.
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Por que as regras mudaram?
A redução de algumas restrições não significa diminuir os cuidados com o sangue usado nas transfusões.
Segundo o Ministério da Saúde, as regras foram atualizadas para acompanhar os avanços nos exames laboratoriais e as mudanças no cenário das doenças no país. Na prática, hoje é possível identificar determinados riscos com mais precisão, o que permite evitar que pessoas saudáveis fiquem impedidas de doar por mais tempo do que o necessário.
No caso dos doadores com mais de 70 anos, a explicação está no aumento da expectativa de vida e no envelhecimento da população brasileira. Em vez de impedir automaticamente a doação pela idade, a nova regra permite que pessoas que já doavam regularmente continuem fazendo isso se estiverem saudáveis e forem aprovadas na avaliação médica.
Mais de 3,2 milhões de coletas em 2025
A ampliação das possibilidades de doação ocorre em um país que precisa receber sangue todos os dias para manter o atendimento nos serviços de saúde.
Em 2025, o SUS registrou 3.264.138 coletas de sangue, o equivalente a 15,29 doações para cada mil habitantes. Foi a maior taxa registrada desde a pandemia e, segundo o Ministério da Saúde, confirma uma recuperação gradual depois da queda observada em 2020.
A necessidade, porém, é contínua. O sangue coletado é separado em diferentes componentes, que têm prazos próprios de validade e são usados em cirurgias, emergências e no tratamento de diversas doenças. Por isso, um bom volume anual de coletas não elimina o risco de períodos de baixa nos estoques.
A atualização das regras também tenta melhorar o aproveitamento do sangue já coletado. As plaquetas poderão ser armazenadas por até sete dias, em vez de cinco, nos serviços que cumprirem os controles de segurança exigidos. A medida pode reduzir perdas e aumentar a disponibilidade desse componente, usado principalmente por pessoas com câncer, pacientes em quimioterapia e pessoas com doenças do sangue.
Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto. Adolescentes a partir dos 16 anos podem se candidatar, desde que tenham autorização do responsável.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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