OMS alerta para colapso da saúde na Venezuela enquanto 50 mil seguem desaparecidos

Principais pontos

  • Venezuela chega a 1.943 mortos e 50 mil desaparecidos seis dias após o terremoto duplo; OMS declara colapso do sistema de saúde
  • Brasil envia quinto voo humanitário e ministro da Defesa a Caracas para articular reconstrução
  • País acumula mais de 600 réplicas sísmicas desde 24 de junho
Serviço de buscas segue trabalhando na Venezuela em busca de desaparecidos.
Serviço de buscas segue trabalhando na Venezuela em busca de desaparecidos.
Source: Ministéririo das Comunicações da Venezuela/Reprodução

O balanço da tarde desta terça-feira, 30, contabiliza 1.943 mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira, 24. Os dados foram divulgados por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez. Cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas. 

Os feridos quase dobraram em relação ao balanço anterior e somam 10.571. Segundo o governo, 6.461 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros.

Hospitais operam no limite

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta terça que o sistema de saúde venezuelano está em colapso. Os terremotos danificaram ou comprometeram 38 hospitais em todo o país. A OMS avaliou 21 dessas unidades até o momento: três deixaram de funcionar completamente, outras seis sofreram danos parciais e as demais operam sob forte sobrecarga.

Segundo o porta-voz Christian Lindmeier, as unidades de saúde enfrentam superlotação, fila crescente de cirurgias e colapso das medidas de biossegurança. Em La Guaira, o estado mais afetado, pacientes são tratados no estacionamento de um hospital. O porto da cidade se tornou um necrotério improvisado, com filas de corpos nas ruas aguardando identificação.

Profissionais de saúde especializados em atendimento materno continuam desaparecidos sob os escombros em La Guaira, comprometendo a assistência obstétrica na cidade.

A OMS alertou que as interrupções nos serviços de saúde e nas redes de abastecimento de água e saneamento, somadas ao deslocamento da população, podem favorecer surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria e coqueluche, além de febre amarela, dengue e malária — riscos potencializados pela baixa cobertura vacinal do país.

Brasil reforça ajuda humanitária

A Embaixada do Brasil em Caracas orientou os brasileiros no país a evitarem La Guaira, estado decretado zona de desastre pelo governo venezuelano. A nota pede que a população não atrapalhe o trabalho dos socorristas e convoca doações de sangue. Treze brasileiros que estavam de passagem no país retornaram ao Brasil no domingo (28), em voo da Força Aérea Brasileira (FAB). Dois brasileiros morreram nos terremotos: o pastor Romildo Batista de Lima, de Uberlândia (MG), e Vanessa Zacarias da Silva, do Distrito Federal.

O ministro da Defesa, José Múcio, viajou a Caracas nesta terça-feira (30) para se reunir com o ministro da Defesa venezuelano, Gustavo González López, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acompanham a comitiva a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês da Silva Magalhães, e o secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo, que devem discutir apoio à reconstrução das áreas atingidas.

O Brasil enviou nesta terça o quinto voo humanitário da FAB à Venezuela, com 45 militares da Marinha e 5,5 toneladas de insumos do Ministério da Saúde. A carga vai ampliar o hospital de campanha já instalado em La Guaira, que passará a ter 900 m² e capacidade para 20 pacientes internados simultaneamente. Ao todo, a cooperação brasileira já soma 71 bombeiros militares, técnicos da Anatel e da Defesa Civil, e 100 purificadores de água com painel solar.

Réplicas mantêm população em alerta

A Venezuela registrou um novo tremor de magnitude 4,6 na manhã da segunda-feira (29), com epicentro a cerca de 27 km ao norte de Caraballeda, em La Guaira, a profundidade de 10 km. A Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis) mediu a intensidade em 4,2. O abalo foi sentido em Caracas e levou moradores a deixar casas e prédios às pressas, mas não causou novos danos estruturais, segundo o governo.

Desde o terremoto duplo de 24 de junho, o país já contabiliza mais de 600 réplicas, a maioria com magnitude abaixo de 4. Sismólogos explicam que esses tremores secundários ocorrem porque a crosta terrestre continua se ajustando à nova distribuição de tensões provocada pelo evento principal, e tendem a perder força e frequência com o tempo. Outro abalo, de magnitude 4,9, havia atingido a costa norte do país na sexta-feira (26).

A região epicentral, na falha de San Sebastián, é apontada por estudos sismológicos como a de maior potencial sísmico do norte da Venezuela.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.