O que propõem os seis principais candidatos à Presidência sobre segurança pública

Principais pontos

  • Segurança pública é apontada como principal problema do país, segundo a Quaest, e domina o debate eleitoral.
  • Os seis principais candidatos à Presidência divergem na dosagem entre endurecimento penal, tecnologia, inteligência e prevenção.
  • Veja as propostas dos principais candidatos.
Agentes da Polícia Federal
Agentes da Polícia Federal
Source: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, 8,2% menos do que no ano anterior e o menor número desde o início da série histórica, em 2012. 

Mas o dado, divulgado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, convive com a alta de outros indicadores, como os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenções policiais, enquanto organizações criminosas ampliam sua atuação para além de mercados tradicionais, como o tráfico de drogas, e passam a disputar territórios, controlar serviços e explorar atividades econômicas legais e ilegais. 

Em junho, 30% dos entrevistados pela Quaest apontaram a falta de segurança pública como o principal problema do país.

É nesse cenário que os candidatos apresentam propostas distintas para combater a criminalidade e ampliar ou redefinir o papel da União na segurança pública, com diferentes graus de aposta em endurecimento penal, tecnologia, inteligência e prevenção. 

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Este texto faz parte de uma série sobre as propostas dos candidatos à Presidência. O GSW Brasil reúne as principais medidas para a segurança pública dos seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais. 

Lula e o papel da União 

O programa do petista, que lidera as pesquisas, propõe ampliar a participação do governo federal na segurança pública e aprofundar a integração entre União, estados e municípios. Para isso, defende mudanças constitucionais e legais nas atribuições dos entes federativos e a criação do Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação da PEC 18/2025, a PEC da Segurança Pública. 

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o lançamento oficial de sua campanha no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o lançamento oficial de sua campanha no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).
Source: Ricardo Stuckert

Entre as principais frentes do programa está o combate às organizações criminosas, com a manutenção da estratégia de asfixia financeira de facções e milícias, o fortalecimento do programa Brasil Contra o Crime Organizado e a ampliação das ações contra o tráfico de armas, munições e explosivos e contra a lavagem de dinheiro. O plano também prevê mais investimentos na investigação de homicídios, na retomada de territórios e na segurança do sistema prisional. 

O programa destina ainda R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social para equipamentos e infraestrutura de estados e municípios. A ideia é combinar o enfrentamento direto ao crime com a presença permanente do Estado nos territórios, por meio de urbanização de favelas e periferias, recuperação de espaços públicos e ampliação de serviços.

Entre as demais propostas estão o fortalecimento do sistema penitenciário federal, o aumento das ações de segurança na Amazônia Legal e nas fronteiras e políticas de prevenção da violência voltadas especialmente a jovens e grupos vulneráveis.

Flávio Bolsonaro: endurecimento e vigilância

O filho de Jair Bolsonaro, segundo colocado nas pesquisas, apresenta um plano concentrado no endurecimento da legislação penal, na expansão do sistema prisional, no uso de tecnologia de vigilância e no aumento da presença federal no combate às facções.

Flavio Bolsonaro put security and organised crime at the centre of his presidential bid as he launched his campaign on Rio’s Copacabana beach. Photo: Viory
Flavio Bolsonaro put security and organised crime at the centre of his presidential bid as he launched his campaign on Rio’s Copacabana beach. Photo: Viory
Source: Viory

O candidato propõe classificar determinadas organizações criminosas como terroristas, reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e permitir a responsabilização de adolescentes maiores de 14 anos em crimes considerados de extrema gravidade.

Também defende a construção de novas penitenciárias de segurança máxima e a criação de meio milhão de vagas no sistema prisional em parceria com os estados, além de mudanças nas regras de progressão de pena e reincidência.

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Nas fronteiras, a proposta é ampliar a presença das forças de segurança e das Forças Armadas, inclusive com o emprego de tropas especiais da Marinha e da Aeronáutica contra as rotas internacionais do tráfico. O plano também prevê o chamado Muralha Brasileira, um sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais, além de mais de 1 milhão de novas câmeras em portos, aeroportos e áreas públicas.

Outra medida é redirecionar recursos atualmente destinados às famílias de presos para familiares de vítimas, além de ampliar o monitoramento eletrônico de condenados e reforçar a atuação federal contra o tráfico internacional de drogas.

Augusto Cury aposta na tecnologia 

Augusto Cury, que vem se consolidando em terceiro lugar nas pesquisas, apresenta o projeto FATO, sigla para Força Alerta Total, definido como uma política de “Segurança 4.0”.

Augusto Cury durante sabatina no Jornal Nacional
Augusto Cury durante sabatina no Jornal Nacional
Source: Reprodução/TV Globo

O plano prevê a integração de bancos de dados, monitoramento inteligente, sistemas de alerta e maior capacidade de resposta às ocorrências, além de investimentos em equipamentos e treinamento permanente dos profissionais, de assistência psicológica, acompanhamento da saúde emocional e mecanismos de valorização das forças de segurança.

A prevenção aparece associada ao uso de tecnologia e ao chamado policiamento inteligente, com a ideia de antecipar situações de risco em vez de atuar apenas depois que os crimes acontecem. 

Entre os resultados esperados pelo programa estão a redução da criminalidade, maior integração entre os governos e respostas mais rápidas às ocorrências.

Ronaldo Caiado quer comando centralizado

Caiado propõe, assim como Lula, criar um Ministério da Segurança Pública e colocar a coordenação nacional da área diretamente sob a Presidência. A estrutura seria acompanhada por um Conselho Estratégico Nacional de Segurança Pública e por um Sistema Integrado de Proteção à Soberania Nacional.

Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência, durante evento em São Paulo
Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência, durante evento em São Paulo
Source: Leonardo Rodrigues/GSW Brasil

O plano prevê ainda um Sistema Nacional de Inteligência Criminal e um Comando Nacional de Proteção de Fronteiras e Corredores Logísticos, reunindo Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e forças estaduais. A proposta inclui centros integrados de comando em áreas consideradas críticas, principalmente na Amazônia e nas fronteiras.

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Para enfrentar as organizações criminosas, Caiado defende um regime jurídico mais rigoroso para lideranças, recrutadores e integrantes das cadeias de comando. O programa também cria a chamada reincidência qualificada, com penas mínimas maiores e regime inicial fechado obrigatório em determinadas situações.

A proposta inclui ainda uma Rede Nacional de Presídios de Segurança Máxima, a modernização de laboratórios de genética, balística e informática forense e a criação de um sistema nacional para crimes digitais. 

Na área de proteção a grupos vulneráveis, o candidato propõe uma Secretaria Nacional da Segurança da Mulher, da Criança e Minorias e também defende a redução da maioridade penal.

Renan Santos e o Direito Penal do Inimigo

Renan Santos propõe diferenciar, no tratamento penal, criminosos comuns de integrantes de organizações criminosas que classifica como estruturas de domínio territorial. 

Renan Santos (Missão), candidato à Presidência da República e fundador do MBL
Renan Santos (Missão), candidato à Presidência da República e fundador do MBL
Source: Reprodução/Redes sociais

Para esse segundo grupo — sobretudo quem exerce funções de comando —, o programa prevê penas maiores, condições mais rígidas de encarceramento e maior capacidade do Estado de atingir financeiramente as organizações, com o argumento de esvaziar a capacidade das facções de manter comando dentro e fora dos presídios. 

O candidato também propõe reforçar a coordenação federal da segurança pública, associando a política criminal a uma reforma mais ampla do Estado e do pacto federativo. 

Romeu Zema: mais prisões e maiores penas

O plano de Romeu Zema combina alterações na legislação penal e processual com a expansão do encarceramento e mudanças nas audiências de custódia.

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Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência da República
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Source: Caiuá Maia/Divulgação

Entre as propostas está a ampliação das hipóteses de prisão obrigatória após essas audiências, além da redução da maioridade penal para 16 anos ou menos em determinadas circunstâncias.

O candidato também propõe substituir o atual modelo de regimes de cumprimento de pena por um sistema no qual uma parcela maior da condenação seja efetivamente cumprida na prisão, seguida de liberdade condicional. O programa ainda prevê a revisão de regras que, segundo Zema, facilitam a soltura de reincidentes.

Na atuação policial, o plano defende maior proteção jurídica aos agentes em situações caracterizadas como legítima defesa. 

Para crimes contra mulheres, propõe ampliar a rede de delegacias especializadas com atendimento 24 horas e equipes preferencialmente femininas, além de aperfeiçoar os canais de denúncia.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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