O que os seis principais candidatos à Presidência propõem para a educação

Principais pontos

  • Candidatos priorizam alfabetização, ensino integral, formação de professores e educação técnica, com diferentes estratégias para melhorar a aprendizagem.
  • Lula e Cury destacam políticas públicas e desenvolvimento socioemocional, enquanto Caiado e Zema dão mais peso à avaliação e ao desempenho.
  • Flávio Bolsonaro propõe vouchers e escolas cívico-militares, enquanto Renan Santos defende maior disciplina e foco em português e matemática.
Na educação infantil e até o 5º ano do ensino fundamental, os alunos não poderão usar ferramentas de IA sozinhos.
Na educação infantil e até o 5º ano do ensino fundamental, os alunos não poderão usar ferramentas de IA sozinhos.
Source: Agência Brasil/ Tomaz Silva

O Brasil chega à eleição de 2026 depois de registrar melhora nos principais indicadores da educação básica. O Ideb de 2025 chegou a 6,3 nos anos iniciais do ensino fundamental, 5,3 nos anos finais e 4,5 no ensino médio, os maiores resultados da série histórica iniciada em 2005. Considerando apenas a rede pública, os índices foram de 6,1, 5,0 e 4,3, respectivamente.

Os avanços, entretanto, não eliminaram as diferenças de aprendizagem entre etapas, redes e territórios. O próprio governo federal identificou 442 municípios com Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais, mantendo alfabetização, qualidade da aprendizagem e desigualdade educacional entre os principais desafios da educação brasileira.

Este texto faz parte de uma série sobre os planos de quem deseja governar o Brasil. O GSW Brasil reúne e examina as principais propostas para a educação dos seis candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas eleitorais.

Lula prega continuidade

Lula propõe dar continuidade às políticas de alfabetização e estabelecer uma estratégia nacional para enfrentar o analfabetismo entre adultos. O plano prevê ampliar a educação em tempo integral e universalizar progressivamente os serviços educacionais associados à primeira infância.

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No ensino médio, o candidato promete implementar a legislação aprovada durante o atual governo e fortalecer o Pé-de-Meia como política de permanência dos estudantes.

O programa também prevê ampliar a educação profissional e tecnológica e aproximá-la das oportunidades de trabalho e das estratégias de desenvolvimento regional.

O documento defende ainda investimentos na formação e valorização dos professores, expansão do ensino superior público e das políticas de permanência, além de apoio à pesquisa científica, às universidades e aos institutos federais.

Flávio Bolsonaro quer expandir ensino privado

Flávio Bolsonaro propõe priorizar o método fônico na alfabetização e criar mecanismos de recuperação para alunos que apresentem dificuldades ao longo do ensino fundamental.

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O plano prevê ampliar escolas cívico-militares, levar robótica, computadores, tablets e internet às escolas e aumentar a oferta de educação técnica no ensino médio. Também propõe atividades de esporte, arte, música e literatura durante as férias escolares.

Quando não houver vagas suficientes na rede pública, o candidato pretende adotar vouchers educacionais para financiar o atendimento em instituições privadas.

No ensino superior, o programa propõe transferir sua governança para outra estrutura ministerial e reformular o financiamento estudantil, com adoção de um modelo de empréstimo contingente à renda, no qual o estudante começa a pagar depois de atingir determinado nível de rendimento.

Augusto Cury e o desenvolvimento socioemocional

Augusto Cury apresenta a educação como um dos projetos centrais de seu programa e propõe uma reforma que combina desempenho acadêmico e desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

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Augusto Cury durante sabatina no Jornal Nacional
Augusto Cury durante sabatina no Jornal Nacional
Source: Reprodução/TV Globo

O plano prevê programas de gestão da emoção para alunos, professores e famílias, capacitação dos educadores e mudanças nas práticas pedagógicas para estimular pensamento crítico, criatividade, capacidade de formular perguntas e resolução de conflitos.

A proposta inclui valorização e formação dos professores, fortalecimento da pesquisa nas universidades e políticas para reduzir a evasão e melhorar o desempenho educacional.

Cury também relaciona a educação às políticas de saúde emocional, prevenção do bullying e do cyberbullying e uso responsável das tecnologias e das redes sociais.

Ronaldo Caiado: avaliação da aprendizagem

Caiado estabelece como prioridades a alfabetização na idade certa, a redução do número de estudantes abaixo dos níveis básicos de aprendizagem e a universalização da pré-escola, além da ampliação das creches em regiões vulneráveis.

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O programa prevê expansão da educação integral, com prioridade para áreas de maior vulnerabilidade, e políticas específicas de prevenção à violência escolar.

Também propõe fortalecer o Saeb e o Ideb, desenvolver avaliações formativas com resultados mais rápidos e garantir infraestrutura digital às escolas, com internet, equipamentos compartilhados e plataformas interoperáveis.

No ensino superior e técnico, Caiado defende maior articulação entre instituições de ensino e setor produtivo, além de mestrados profissionais, residências tecnológicas e mecanismos de cooperação com empresas.

Renan Santos quer imposição de disciplina

Renan Santos propõe concentrar a educação básica em disciplinas fundamentais, com atenção especial a língua portuguesa e matemática, e estabelecer uma ordem disciplinar mais rígida nas escolas.

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O programa prevê um código nacional de conduta para estudantes e um ranking oficial de disciplina escolar, que seria utilizado na distribuição de parte dos recursos federais vinculados ao Valor Aluno Ano Resultado.

Outra proposta é criar um programa nacional de retenção de talentos para reduzir a saída de profissionais qualificados do país. Para o ensino superior, o plano prevê uma reforma que modifica o atual modelo de autonomia universitária.

O programa também cita experiências educacionais do Ceará como referência e propõe incorporar políticas consideradas bem-sucedidas no estado.

Zema defende expansão do ensino integral

Zema propõe ampliar vagas em creches e pré-escolas, especialmente para famílias vulneráveis, e fortalecer sistemas de avaliação da educação infantil e básica.

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O plano prevê ampliar o ensino integral com foco na aprendizagem, reforçar o Saeb e outros instrumentos de avaliação e desenvolver indicadores que permitam acompanhar o desempenho de escolas e estudantes.

Na carreira docente, Zema propõe aproximar a formação universitária da prática escolar, fortalecer a gestão e a liderança das escolas e criar diretrizes nacionais de carreira baseadas em desempenho e desenvolvimento profissional.

O programa também pretende ampliar cursos técnicos e profissionalizantes e modificar o Pé-de-Meia para vincular parte dos incentivos ao aprendizado, além da frequência escolar.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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