Nova mistura de etanol à gasolina em meio a disputa com os EUA  

Principais pontos

  • Reunião vai definir aprovação da ampliação da mistura de etanol anidro à gasolina
  • Ampliação de mistura ao diesel vira polêmica
  • Etanol está entre os tópicos da imposição tarifária dos EUA sobre o Brasil
Mão segura bomba de gasolina para abastecer carro
Bomba de gasolina abastece carro com combustível
Source: Pixabay

O governo brasileiro deverá fortalecer sua política de biocombustíveis na próxima semana com a aprovação da ampliação da mistura de etanol anidro à gasolina. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) marcou para 24, próxima quarta-feira, uma reunião para votar o aumento de 30% para 32% da mistura de etanol anidro à gasolina (E32). 

A definição da data para o aumento do percentual da mistura à gasolina era amplamente aguardada por representantes das principais entidades e empresas do setor sucroenergético brasileiro, após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, no no dia 9 junho. 

Na ocasião, o ministro Alexandre Silveira disse que a ampliação da mistura permitirá ampliar o consumo de combustível renovável produzido no país, fortalecer a segurança energética nacional e reduzir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 454 milhões de litros. A ampliação também contribuirá para evitar a emissão de cerca de 552 mil toneladas de CO₂ equivalente, informou o MME. 

A perspectiva de ampliação da mistura de etanol anidro à gasolina encontra respaldo no momento positivo da bioenergia nacional. A expectativa para a safra de etanol em 2026/2027 é recorde. 

O Brasil deve alcançar uma produção total de 40,69 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, volume que, se confirmado, representará aumento de 8,5% na comparação com a safra anterior. Os dados fazem parte do 1º Levantamento de Cana-de-açúcar para a temporada, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

Polêmica com o diesel

O aumento da mistura do etanol de anidro à gasolina foi citado pelo presidente Lula no fim de abril deste ano, em evento público. Na ocasião, Lula disse que o governo anunciaria o aumento do percentual de etanol e biodiesel na mistura da gasolina e do diesel, respectivamente.  

O aumento da mistura de biodiesel ao diesel, de 15% (B15) para 16% (B16), no entanto, passa por avaliação pelos próprios técnicos do governo. A razão é que a ampliação do percentual depende da conclusão da fase de testes obrigatórios com esse teor de mistura. 

Segundo o ministro Alexandre Silveira, o avanço dos biocombustíveis no Brasil precisa ser conduzido com responsabilidade e previsibilidade. “Por isso, seguimos rigorosamente o plano de testes aprovado, garantindo segurança jurídica e regulatória ao setor, preservando a qualidade do combustível que chega ao consumidor e assegurando que a evolução das misturas ocorra sem impactos para a frota brasileira. Nosso objetivo é pavimentar o caminho definitivo rumo ao B25”, afirmou o ministro. 

Os produtores do setor de biocombustível fazem pressão para que a mistura seja aprovada de forma mais acelerada, argumento que o país está com capacidade ociosa. 

Em entrevista ao programa Rural Notícias, Donizete Tokarski, diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), diz que o setor está preparado para atender ao aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil. “Atualmente existem cerca de 60 indústrias de biodiesel com capacidade ociosa no país, ao mesmo tempo em que o Brasil segue importando diesel fóssil”, disse o diretor ao programa. 

Etanol na mira dos EUA

O etanol está entre os tópicos relacionados pelos Estados Unidos como motivo para a recomendação de imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil. A contestação foi feita pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em relação ao acesso do etanol estadunidense ao mercado brasileiro, após concluir que políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano. 

A investigação avaliou práticas nas áreas de comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, como o Pix; concessão de tarifas preferenciais; proteção de propriedade intelectual; combate à corrupção; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal. 

O USTR afirma que, nesses pontos, haveria prejuízo para empresas e exportações dos EUA e, como consequência, o Brasil poderia enfrentar punições, com a aplicação de tarifa adicional de 25%.  

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.