O futuro da educação no Brasil

Uma comunidade para mães, professores e famílias que acompanham as escolas do Brasil — com histórias para compartilhar e conversar no WhatsApp.

Nova lei de educação no Brasil: o que você precisa saber

Principais pontos

  • Sancionado com 19 objetivos e fiscalização bienal pelo INEP, o novo PNE busca superar o fracasso do plano anterior através de mecanismos mais rígidos de prestação de contas.
  • A lei determina que o investimento em educação salte dos atuais 5,5% do PIB para 7,5% em sete anos, atingindo a ousada meta de 10% do PIB ao final de uma década.
  • O plano prioriza a expansão de creches e o suporte a comunidades indígenas, quilombolas e rurais, exigindo que as redes monitorem e reduzam ativamente as disparidades regionais e raciais.
 As próximas gerações do Brasil se preparando para a vida na economia global.
As próximas gerações do Brasil se preparando para a vida na economia global.
Source: Arquivo pessoal
Entre na nossa comunidade

O Brasil sancionou um novo Plano Nacional de Educação (PNE), que define as prioridades educacionais do país para a próxima década. Ao todo, o plano estabelece 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias que vão desde a expansão de vagas em creches até o acesso ao ensino superior. Aqui está o que você precisa saber.

Por que isso importa?

A sanção se deu depois de dois anos de consultas públicas, debates em uma Conferência Nacional de Educação e aprovação nas duas casas do Congresso. O fato de ter sido aprovado já é um ponto positivo. O Brasil teve um PNE anterior (2014-2024), mas não cumpriu a maioria de suas metas. Esta nova versão foi elaborada com mecanismos de prestação de contas mais rigorosos.

Qual é o compromisso principal?

Recursos financeiros. O Brasil atualmente investe cerca de 5,5% do PIB em educação. A nova lei estabelece que esse percentual suba para 7,5% em sete anos e chegue a 10% em uma década. Se cumprir essa meta, o país passará a gastar mais em educação, em proporção da economia, do que a grande maioria dos países do mundo.

O Brasil já fez promessas como essa antes?

Sim. O PNE anterior também tinha metas ambiciosas de investimento e não as cumpriu. Essa é a grande tensão da nova lei: as metas são ousadas, mas o sistema federativo brasileiro — em que estados e municípios controlam grande parte do que acontece nas salas de aula — torna a execução difícil de cobrar. Agora, todos os estados e municípios terão de elaborar seus próprios planos decenais em conformidade com o marco nacional. O progresso será monitorado a cada dois anos pelo INEP.

RECOMMENDED FOR YOU

A polipílula reúne remédios para hipertensão e colesterol, dois dos principais fatores de risco para o AVC.

Pesquisa de polipílula para prevenir o AVC busca voluntários

O que diz sobre desigualdade?

Muito. O plano foca especialmente em comunidades indígenas, quilombolas e rurais — grupos em que meninas enfrentam barreiras múltiplas de pobreza, racismo e localização geográfica. Ele reforça a obrigatoriedade já existente de ensinar história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas e determina que as redes de ensino monitorem e reduzam as diferenças de desempenho entre os diversos grupos sociais, e não apenas apresentem médias nacionais.

O que significa para a educação infantil?

Esta é uma das áreas em que o Brasil mais precisa avançar. Dados recentes do IBGE mostram que, no Norte, 44,5% das crianças de 2 a 3 anos que estão fora da creche simplesmente não têm vaga disponível por perto. O PNE estabelece metas de expansão, mas o Nordeste e o Norte — onde a demanda é maior — são justamente as regiões com orçamentos municipais mais apertados.

Então, isso é uma boa notícia?

No papel, sim. A taxa de analfabetismo funcional do Brasil caiu abaixo de 5% pela primeira vez — um avanço real. A matrícula escolar é praticamente universal na idade obrigatória. O novo PNE se apoia nesses progressos. No entanto, o plano anterior também ampliou o acesso e ainda assim falhou na maior parte das metas. O verdadeiro teste desta lei não está no que ela promete, mas se o dinheiro vai de fato chegar e se as comunidades mais vulneráveis — no Nordeste, em territórios indígenas e nas comunidades — sentirão diferença dentro da sala de aula.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

Se está acontecendo no Sul Global, está no nosso canal do WhatsApp.

Nós contamos as notícias que você precisa saber.

Inscreva-se agora
Ícone do banner do WhatsApp