Nova disputa eleitoral: a batalha pelas multidões nas ruas

Principais pontos

  • Realizada no domingo, 11, a Marcha pela Democracia, ato pela reeleição de Lula, ocupou de maneira massiva a avenida Paulista, em São Paulo, e contou com o presidente; mobilizações populares aconteceram em outras cidades.
  • A organização do ato estima que a manifestação reuniu um milhão de pessoas, mas não houve aferição técnica independente do público presente. As cenas do ato tomaram as redes sociais.
  • Flávio Bolsonaro convocou apoiadores para ocupar a mesma Paulista no dia 18; Nikolas Ferreira divulgou uma agenda de manifestações até a véspera do segundo turno.


Uma multidão tomou a Paulista. Palanque foi montado diante do Masp para Lula falar com o público presente no ato do domingo, 11.
Uma multidão tomou a Paulista. Palanque foi montado diante do Masp para Lula falar com o público presente no ato do domingo, 11.
Source: AFP/ Miguel Schincariol

Depois da massiva manifestação pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo, 11, na avenida Paulista, o senador Flávio Bolsonaro (PL) fez uma convocação pelas redes para tomar o mesmo espaço no domingo, 18, em uma disputa pelas imagens de mobilização de eleitores. A chamada foi proposta com a ajuda do deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG), que confirmou o ato e apresentou uma lista de “bloquinhos” pelo país até a véspera da votação do segundo turno, em 25 de outubro.

As cenas da Paulista pintada de vermelho, cor do PT, e marcada por bandeiras gigantescas, entre elas, uma do Brasil, invadiram as redes sociais. A organização do ato estima que a multidão foi de um milhão de pessoas. Mas não há aferições técnicas a respeito do tamanho do público presente. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não autorizou o sobrevoo de drone do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP/Cebrap, que faz esse tipo de avaliação.

Mas drones foram permitidos pela organização, que teve o apoio de movimentos como o MST, fandoms (comunidades de fãs, como as de astros da música) e de entidades de estudantes. As imagens aéreas da “Marcha pela Democracia” exibidas pela campanha e pela Mídia Ninja demonstraram a extensão da manifestação pró-Lula, que compreendeu cerca de dez quarteirões. No mesmo dia, outras cidades realizaram manifestações pela reeleição do presidente, caso do Recife.

Antes disso, outras capitais também reuniram multidões de eleitores do petista, em especial à noite. Foi o que ocorreu em Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira, 12, apoiadores de Lula ocuparam a praia de Copacabana, com um ato que se estendeu por cerca de sete quarteirões.

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Novo encontro em São Paulo já está marcado. Nesta terça-feira, 13, a campanha está convocando a militância para um ato no Largo da Batata, às 18h, com a presença de Fernando Haddad.

Os “bloquinhos” de Flávio Bolsonaro, conforme a lista divulgada por Nikolas, passam pelas capitais Vitória, Salvador e Teresina (os três no sábado, 17), Belo Horizonte (domingo, 18), Manaus (segunda, 19), Aracaju (terça, 20), São Luís (quarta, 21), Recife (quinta, 22), Fortaleza (sexta, 23) e Rio de Janeiro (sábado, 24).

Discurso aos jovens

Durante o ato na Paulista, Lula se dirigiu aos jovens na manifestação, um público que se destacou na multidão. “Esse país não pode perder a democracia”, disse o presidente. Em seguida, pontuou que, para mantê-la, é preciso envolvimento constante da sociedade, especialmente das novas gerações. “Ou vocês participam da vida política, ou ela não tem conserto”, declarou, incentivando os jovens a participar da atividade política. Lula salientou ainda que a juventude deve ser mais ouvida.

À imprensa, o presidente criticou decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que havia determinado a derrubada do canal "Exército do Lula", criado no WhatsApp, atendendo a pedido da campanha de Flávio.

Aberto pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), ele já reunia mais de três milhões de pessoas. "Acho que nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral, porque já há alguns dias estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", disse Lula.

Horas depois da decisão de Nunes Marques, o ministro do TSE Ricardo Villas Bôas Cueva cancelou a suspensão. Relator do processo, ele determinou o envio do caso ao plenário do TSE.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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