'Nobel alternativo' premia mulheres na luta contra violência patriarcal

Principais pontos

  • Jalila Haider foi premiada pela atuação contra perseguições étnicas, estatais e patriarcais no Paquistão.
  • Rural Women’s Assembly recebeu reconhecimento por defender direitos de mulheres agricultoras em 11 países da África Austral.
  • Timnit Gebru foi homenageada pela defesa de uma inteligência artificial mais ética e justa.
 Jalila Haider
Jalila Haider
Source: State Department/ Freddie Everett/ Public Domain

A advogada paquistanesa Jalila Haider e a Rural Women’s Assembly, movimento de mulheres agricultoras da África Austral, foram reconhecidas pelo Right Livelihood Award 2026, conhecido como “Nobel alternativo”, por suas atuações na defesa de direitos e no enfrentamento de desigualdades e da violência contra mulheres. A premiação também reconheceu a pesquisadora norte-americana Timnit Gebru, por questionar a concentração de poder na inteligência artificial e defender tecnologias digitais baseadas na justiça.

Primeira mulher advogada da comunidade hazara, no Paquistão, Haider foi premiada por sua atuação contra perseguições étnicas, estatais e patriarcais. Seu trabalho combina atuação jurídica, mobilização social e iniciativas de fortalecimento de comunidades vulneráveis.

Em 2018, Haider liderou uma greve de fome de sete dias contra os assassinatos direcionados à população hazara. Segundo a Right Livelihood Foundation, a mobilização levou a negociações diretas entre o comandante do Exército paquistanês e mulheres da comunidade e foi seguida por uma redução sustentada dos ataques contra os hazaras.

A advogada também atua na defesa de minorias étnicas e religiosas, mulheres e refugiados. De acordo com a fundação, seu escritório ajudou a recuperar a liberdade de circulação de mais de 600 ativistas políticos e defensores dos direitos humanos.

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Haider é uma das fundadoras da Women’s Democratic Front e participou da organização da primeira Marcha das Mulheres do Baluchistão, mobilização que levou discussões sobre feminismo a uma região marcada por estruturas patriarcais.

Por meio da organização We the Humans, fundada por ela, Haider também ajudou mais de 400 viúvas de vítimas de terrorismo a conquistar independência financeira.

Movimento reúne 178 mil mulheres agricultoras

A Rural Women’s Assembly (RWA) também foi reconhecida pelo trabalho realizado com mulheres que vivem da agricultura em países da África Austral. O movimento reúne mais de 178 mil pequenas agricultoras de 11 países da região.

A organização atua na mobilização de mulheres em defesa de direitos como o acesso à terra e às sementes, além de enfrentar desigualdades relacionadas ao gênero e ao poder das grandes empresas sobre a produção agrícola.

O reconhecimento coloca em evidência iniciativas lideradas por mulheres que atuam em contextos distintos, mas têm em comum a defesa de direitos e o enfrentamento de estruturas de desigualdade.

Timnit Gebru é premiada por defesa de uma IA ética

A pesquisadora norte-americana Timnit Gebru, que já trabalhou no Google, recebeu o Right Livelihood Award por questionar a concentração de poder na inteligência artificial e abrir caminho para tecnologias digitais baseadas na justiça, na experiência das pessoas e na autonomia humana.

Em 2017, Gebru cofundou a Black in AI, organização que busca ampliar a presença e a visibilidade de pessoas negras na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial.

Em 2020, quando fazia parte da equipe de ética em IA do Google, Gebru foi uma das autoras de um artigo que discutia riscos relacionados a vieses raciais e de gênero em modelos de linguagem. Segundo o júri do Right Livelihood Award, o Google pediu que ela se retratasse do trabalho, o que ela recusou. O episódio terminou com sua saída da empresa, em uma decisão cuja circunstância foi objeto de controvérsia pública.

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Depois de deixar o Google, Gebru fundou o Distributed AI Research Institute (DAIR), centro de pesquisa independente dedicado a investigar os impactos sociais da inteligência artificial. Os trabalhos da instituição abordam, entre outros temas, os vieses presentes nos sistemas de IA e seus efeitos sobre pessoas e comunidades sujeitas à discriminação e à exclusão.

A trajetória de Gebru também está relacionada ao debate sobre quem desenvolve sistemas de inteligência artificial, quais interesses influenciam essas tecnologias e como seus impactos são distribuídos entre diferentes grupos da sociedade.

Organização de direitos humanos da Geórgia também é premiada

A Georgian Young Lawyers’ Association (GYLA) foi outra organização reconhecida pelo Right Livelihood Award. Segundo o júri, a entidade contribuiu para construir e preservar a democracia na Geórgia.

A organização é descrita pela fundação como uma das mais antigas e importantes entidades de direitos humanos do país.

O que é o Nobel alternativo?

O Right Livelihood Award foi criado em 1980 pelo filantropo alemão-sueco Jakob von Uexküll. A premiação surgiu depois que a Fundação Nobel rejeitou sua proposta de criar dois novos prêmios voltados ao meio ambiente e ao desenvolvimento.

Desde então, o prêmio reconhece pessoas e organizações envolvidas em iniciativas relacionadas a direitos humanos, justiça social, proteção ambiental e outros desafios contemporâneos.

Apesar de ser conhecido como “Nobel alternativo”, o Right Livelihood Award não faz parte oficialmente dos Prêmios Nobel.

*Com informações da AFP

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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