Mulheres lideram pesquisas pelo Senado em 18 estados e podem registrar recorde em outubro

Principais pontos

  • Candidaturas femininas são somente 35% do total em outubro, mas a competitividade em disputas pelo Senado chama atenção.
  • Cenário reflete ascensão de lideranças do gênero, tanto no grupo aliado ao presidente Lula, quanto a Flávio Bolsonaro.
  • Nomes relevantes, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a ex-ministra Simone Tebet, lideram pesquisas pelo cargo.
Simone Tebet (PSB) e Michelle Bolsonaro (PL); ambas pontuam bem nas pesquisas para o Senado.
Simone Tebet (PSB) e Michelle Bolsonaro (PL); ambas pontuam bem nas pesquisas para o Senado.
Source: Montagem/GSW Brasil

Maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres são apenas 35% das concorrentes aos cargos em disputa nas eleições de outubro, com redução de 24% das candidaturas à Câmara dos Deputados e uma mudança drástica de patamar com relação à Presidência. Na corrida pelo Senado, por sua vez, o cenário é outro.

Conforme os levantamentos mais recentes divulgados pela Quaest, candidaturas femininas lideram numericamente as intenções de voto para o cargo em 18 das 27 unidades da federação e são apostas dos principais partidos em estados estratégicos para o pleito. O movimento é demonstrado nas composições das chapas e no investimento nas campanhas.

Além das posições de liderança, mulheres que postulam a Casa Alta do Congresso ainda são competitivas pela segunda vaga em outros estados, incluindo polos relevantes como São Paulo e Distrito Federal, em equação que pode representar uma alteração relevante na composição do Senado em 4 de outubro, quando 54 de suas 81 cadeiras serão renovadas.

Mudança de paradigma

Maior colégio eleitoral do país, com 34,1 milhões de votantes — 21,4% do eleitorado nacional —, São Paulo é uma arena essencial para o embate entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

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No campo governista, a chapa contemplou as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) com candidaturas ao Senado.

Nas simulações mais recentes, a pessedista apareceu na liderança numérica, em empate técnico com a própria Marina e Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), postulantes do campo bolsonarista.

O partido de Lula, aliás, apostou em mulheres para o cargo nos três maiores colégios eleitorais do país. Além do pleito paulista, elas disputam o Senado em Minas Gerais, com a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, e no Rio de Janeiro, com a deputada federal Benedita da Silva. Ambas lideram suas disputas.

Também no campo lulista, a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) aparece na segunda posição em pesquisas pelo Senado no Paraná, enquanto Manuela D’Ávila (PSOL) chega a liderar levantamentos pelo cargo no Rio Grande do Sul.

Nos dois estados, a forte presença direita gera um fenômeno chamado por analistas de “antipetismo de chegada” que ameaça os cenários mapeados atualmente. Como antídoto, os partidos investem fortemente nas candidatas — o PSOL repassou R$ 3,4 milhões à campanha de D’Ávila, enquanto o PT enviou R$ 4,02 milhões para que a ex-presidente do partido peça votos.

O movimento que anaboliza a representação feminina na corrida não se restringe, no entanto, ao campo identificado como progressista — historicamente mais ligado às causas das mulheres. Ainda na região Sul, a bolsonarista Cristina Graeml (PSD) aparece em condições competitivas pela segunda vaga na Casa do Paraná, enquanto a deputada Carol de Toni (PL) ocupou a segunda posição nas simulações para o cargo em Santa Catarina.

No Distrito Federal, o partido de Flávio Bolsonaro ocupou suas duas candidaturas ao cargo com mulheres. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem liderado os levantamentos, enquanto a deputada Bia Kicis oscila entre a terceira e a quarta posições.

Na capital federal, a corrida ainda tem duas representantes femininas no campo aliado a Lula, com a senadora Leila do Vôlei (PDT) e a deputada Erika Kokay (PT).

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Em condição majoritária na região Norte, a direita tem candidaturas femininas competitivas ainda em Roraima e Rondônia.

Historicamente associadas — muitas vezes de forma negativa — à atuação política de familiares homens, as candidatas competitivas ao Senado também dão continuidade a esta espécie de “tradição” com representantes de sobrenomes conhecidos de seus estados.

Em Goiás, a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), que lidera as simulações pelo cargo, é esposa do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), governador do estado por dois mandatos.

No Amapá, a liderança é de Rayssa Furlan (Podemos), que concorre na chapa do marido, o ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD), líder com folga nas pesquisas pelo governo; a composição se reproduz em Alagoas, com Marina JHC (PSDB) como candidata ao Senado na chapa do marido, o ex-prefeito de Maceió e candidato a governador JHC (PSDB) — em levantamentos recentes, ela figurou na terceira posição.

Neta do ex-governador Miguel Arraes e integrante de uma longa linhagem de políticos, a ex-deputada Marília Arraes (PDT) lidera as pesquisas pelo Senado em Pernambuco, enquanto a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que ostenta um dos sobrenomes mais tradicionais da política brasileira, aparece na mesma condição na disputa pelo cargo no Maranhão.

O fenômeno das oligarquias —- famílias que se perpetuam na política ao longo de diversas gerações —, vale registrar, não se restringe às mulheres e também ocorre por meio de centenas de candidaturas masculinas.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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