Lula participa de desfile de 7 de Setembro ao lado dos presidentes do STF, da Câmara e do Senado

Principais pontos

  • Lula comandou o 7 de Setembro em Brasília ao lado dos chefes dos Três Poderes, projetando coesão institucional em uma cerimônia marcada pelo tema da soberania nacional.
  • O governo manteve o desfile em tom institucional, enquanto Lula reforçou em pronunciamento a defesa da soberania e fez alusão à redução da jornada e ao fim da escala 6x1.
  • A celebração contrastou com o 7 de Setembro de Bolsonaro em 2022, quando houve uso eleitoral das comemorações do Bicentenário, posteriormente reconhecido e punido pelo TSE.
Presidente Luiz Inacio Lula da Silva chega ao desfile de Sete de Setembro (Evaristo Sa / AFP)
Presidente Luiz Inacio Lula da Silva chega ao desfile de Sete de Setembro (Evaristo Sa / AFP)
Source: AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu nesta segunda-feira (7) as comemorações da Independência do Brasil, em Brasília, em uma cerimônia que projetou uma imagem de coesão institucional após as turbulências provocadas por novas denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. A mensagem foi reforçada pela presença dos líderes dos Três Poderes: o presidente do STF, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, acompanharam Lula no palanque montado para o desfile cívico-militar.

A presença feminina ganhou destaque em uma parada organizada em torno de três eixos: soberania nacional, combate à violência contra a mulher e a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. O governo também reforçou, ainda que indiretamente, sua posição diante dos recentes atritos com os Estados Unidos. Em meio às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump e às divergências entre Brasília e Washington, a cerimônia adotou como tema “Soberania, a força que une o Brasil”.

Limites institucionais

Em ano eleitoral, Lula e integrantes do governo procuraram manter o desfile dentro dos limites institucionais e evitar elementos que pudessem caracterizar propaganda eleitoral. O tom político ficou mais evidente no pronunciamento de Lula pelo 7 de Setembro, transmitido em rede nacional de rádio e televisão. “Um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de qualquer interesse estrangeiro”, afirmou o presidente.

Lula também fez uma alusão a uma das bandeiras de sua campanha pela reeleição: a redução da jornada de trabalho. Ao falar sobre o significado da independência para os brasileiros, defendeu que trabalhadores tenham mais tempo para ficar com suas famílias, em uma referência à discussão sobre o fim da escala 6x1. Durante o desfile, integrantes do público também fizeram manifestações em defesa da proposta.

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Contraposição a Bolsonaro

O tom sóbrio da celebração em Brasília marcou um contraste com o 7 de Setembro de 2022, quando Jair Bolsonaro também disputava a reeleição. Naquele ano, as comemorações tinham um significado especial por marcar o Bicentenário da Independência e contaram, em Brasília, com a presença do então presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Bolsonaro, porém, participou após a cerimônia oficial de um ato de forte caráter eleitoral, no qual discursou ao lado de apoiadores.

Entre eles estavam o empresário Luciano Hang, dono da Havan, e o pastor Silas Malafaia, que também discursaram no evento. Bolsonaro fez referências diretas à eleição, pediu apoio à sua reeleição e apresentou afirmações posteriormente classificadas como falsas ou distorcidas por agências de checagem. Hang também ocupou lugar de destaque na tribuna de honra durante o desfile oficial, chegando a ficar entre Bolsonaro e o presidente português.

A utilização política das comemorações de 2022 teve consequências posteriores na Justiça Eleitoral. Em outubro de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral concluiu que Bolsonaro e seu então candidato a vice, Walter Braga Netto, cometeram abuso de poder político e econômico nas celebrações do Bicentenário em Brasília e no Rio de Janeiro. O tribunal considerou comprovado o desvio de finalidade eleitoral de bens, recursos e serviços públicos empregados nos eventos e declarou ambos inelegíveis por oito anos, contados a partir das eleições de 2022.

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