Segurança pública ganha protagonismo na largada das campanhas de Lula e Flávio

Principais pontos

  • Lula defendeu o combate ao crime organizado com retomada de territórios e atuação coordenada do Estado, sem “pirotecnia”.
  • Flávio Bolsonaro adotou discurso de confronto direto, prometendo endurecer o combate às facções e classificá-las como grupos terroristas.
  • Outros candidatos como Renan Santos, Zema, Caiado e Cury também tiveram agendas no sábado, na véspera do primeiro debate.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PT) em agendas no Rio. 22/08/2026
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PT) em agendas no Rio. 22/08/2026
Source: Divulgação

Os dois candidatos à Presidência que mais pontuam nas pesquisas de intenção de voto travaram uma “disputa” de propostas sobre segurança pública em agendas simultâneas no Rio de Janeiro neste sábado, 22.

Lula (PT) cumpriu agenda em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ao lado de Eduardo Paes (PSD), seu aliado e que disputa o governo do Estado. Flávio Bolsonaro (PL) esteve no Maracanãzinho, na Zona Norte da capital fluminense, durante o lançamento da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao Palácio Guanabara.

O petista afirmou, em seu discurso, que pretende recuperar as áreas do Rio dominadas por facções criminosas e defendeu uma atuação “firme” contra os infratores. 

“Vamos tirar o bandido da terra de vocês”, afirmou Lula, em referência às regiões sob influência de facções e grupos criminosos. O petista também voltou a defender medidas estruturais, como investimentos em educação e saúde, além do avanço da proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública.

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A poucos quilômetros dali, Flávio Bolsonaro adotou retórica mais dura afirmando que, se eleito, pretende declarar guerra às organizações criminosas a partir de janeiro de 2027.

Flávio deu até o fim deste ano para que os que ele chamou de “narcoterroristas” deixem o país e afirmou que seu governo classificará facções como o Comando Vermelho e o PCC como grupos terroristas. A proposta já aparece no plano de governo registrado pela campanha.

“Não vou baixar a cabeça para bandido”, declarou. O ‘01’ também afirmou que criminosos que enfrentarem as forças de segurança serão “neutralizados” e defendeu o endurecimento das punições para diferentes tipos de crime.

Segurança como eixo das campanhas

O combate à violência e ao crime organizado aparece entre as principais preocupações dos eleitores para 2026 e passou a ocupar espaço cada vez maior nos discursos e planos de governo dos candidatos. Pesquisa Nexus/BTG divulgada no fim de julho apontou que 30% dos entrevistados citavam segurança pública, violência ou criminalidade entre os temas mais importantes para a eleição – à frente de saúde pública e corrupção. 

No discurso de Flávio, o tema apareceu associado à necessidade de uma resposta mais agressiva do Estado contra as facções. O candidato citou ainda o uso de drones com explosivos por criminosos e afirmou que crianças estariam sendo recrutadas pelo tráfico para operar esses equipamentos.

O candidato do PL também defendeu a castração química para condenados por crimes sexuais e mudanças na legislação penal, além da ampliação das punições para determinados delitos.

Ao lado de Flávio, Douglas Ruas também colocou a segurança entre as prioridades de sua candidatura ao governo do Rio. O candidato criticou a utilização de recursos públicos em camarotes de grandes eventos e afirmou que sua gestão priorizaria áreas como segurança, saúde e educação.

O ato no Maracanãzinho marcou oficialmente o lançamento da candidatura de Ruas e reuniu lideranças do PL e apoiadores da campanha. Segundo a organização, mais de 18 mil pessoas participaram do evento.

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Do outro lado, Lula aproveitou o primeiro grande ato de sua campanha no Rio para reforçar a aliança com Paes e apresentar a segurança como uma questão que exige atuação coordenada entre União, Estado e municípios.

Os dois movimentos acontecem em um momento de disputa apertada pela Presidência. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) apontou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Em um eventual segundo turno, o levantamento registrou 47% para Lula e 43% para o candidato do PL.

Outros nomes da corrida presidencial também percorreram diferentes regiões do país neste sábado (22). Renan Santos (Missão) realizou, em São Paulo, um ato para apresentar seu projeto de “desfavelização” e afirmou que o PCC teria tentado impedir a realização do evento. “O PCC deu um salve para que a gente não fizesse um evento hoje. Mas fizemos mesmo assim”, disse o candidato nas redes sociais, vestindo um colete balístico. A declaração ocorre em meio a outros relatos de Renan sobre ameaças de facções durante a campanha.

Romeu Zema (Novo) esteve na região central de São Paulo, onde conversou com aposentados e pensionistas e voltou a defender mudanças na Previdência. Ronaldo Caiado (PSD) cumpriu compromissos políticos em Campinas e disse não ter “dificuldade em aceitar redução da carga de trabalho”, em meio ao debate sobre o fim da escala 6x1.

As agendas aconteceram na véspera do primeiro debate entre os candidatos, que reúne neste domingo (23) Caiado, Renan Santos e Cury. Lula, Flávio e Zema não devem comparecer, segundo suas campanhas.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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