Jornalista e candidata a governadora é assassinada durante campanha no Peru

Principais pontos

  • Susy Aponte Polo, de 43 anos, disputava o governo regional de Áncash nas eleições de 4 de outubro e foi assassinada durante uma atividade de campanha.
  • A candidata havia denunciado ameaças em 10 de setembro; o Ministério Público investiga o assassinato como possível crime por encomenda
  • Dois suspeitos estão detidos, enquanto investigadores tentam identificar quem ordenou e financiou o ataque.
Jornalista e candidata a governadora assassinada no Peru
Jornalista e candidata a governadora assassinada no Peru
Source: Reprodução/Instagram

A jornalista peruana Susy Isabel Aponte Polo, de 43 anos, conhecida como China Polo, foi assassinada a tiros no sábado, 19, enquanto fazia campanha em um mercado de Caraz, na região de Áncash, no norte do Peru. Houve feridos no ataque.

China concorria ao governo regional de Áncash pelo Socios por Áncash, um movimento político regional. O cargo equivale ao de governadora. As eleições regionais e municipais do Peru serão realizadas em 4 de outubro.

A jornalista ganhou notoriedade nas redes sociais por denúncias sobre supostos casos de corrupção em prefeituras e outras instituições públicas, entre elas o Ministério Público e a Polícia Nacional do Peru (PNP). Ela conciliava a campanha com a atividade jornalística e havia se afastado temporariamente da apresentação de seu programa, China Polo Dominical.

Ameaças nove dias antes

Em 10 de setembro, nove dias antes do assassinato, a candidata afirmou nas redes sociais ter recebido ligações de três presídios alertando sobre um suposto plano para matá-la. Ela disse que denunciou o caso às autoridades.

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A investigação deverá determinar se as ameaças que recebeu têm ligação com o crime ou se a motivação está em outra frente de sua atuação jornalística ou política.

Crime é investigado como possível assassinato por encomenda

Inicialmente aberta como feminicídio, a investigação passou a tratar o caso como possível sicariato, ou seja, assassinato cometido por encomenda ou mediante pagamento.

O jornal peruano La República informou nesta segunda-feira, 21, citando fontes próximas ao caso, que os investigadores trabalham com essa hipótese. Segundo o diário, o atirador teria acompanhado China pelo mercado e se passado por simpatizante do Socios por Áncash para conseguir se aproximar dela.

China conversava com um repórter local sobre investigações que pretendia apresentar em seu programa quando o atirador sacou a arma e disparou contra ela. Um dos tiros a atingiu na cabeça. O suspeito fugiu e integrantes da segurança da jornalista reagiram a tiros. Ele foi ferido e acabou detido.

O venezuelano Luis Iván Obispo Díaz, de 32 anos, é apontado como autor dos disparos. Com ele, a polícia apreendeu uma pistola Glock 9 × 19 mm vinculada a um suboficial da PNP. De acordo com o La República, a arma havia sido registrada como furtada em 15 de novembro de 2023, em Villa El Salvador, na região de Lima.

Outro suspeito, o peruano Ronald José Toro Artila, de 29 anos, foi detido posteriormente em Surco, na região metropolitana de Lima. A polícia investiga se ele fez a reserva da hospedagem utilizada por Obispo Díaz desde 16 de setembro e se participou de seu deslocamento até Caraz. Os investigadores também apuram se houve participação no financiamento do ataque.

O procurador-geral Tomás Gálvez chegou a informar no domingo, 20, que três pessoas foram detidas, incluindo o suposto atirador, um possível financiador e uma pessoa que teria transportado o executor. Posteriormente, o Ministério Público esclareceu que, até aquele momento, havia dois detidos.

Programa suspenso após assassinato

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A equipe do China Polo Dominical anunciou no Instagram que não exibiria o programa previsto para domingo, 20.

“Após o assassinato de nossa diretora e apresentadora, Susy Ysabel Aponte Polo de Tello, nossa querida China Polo, comunicamos à nossa audiência que o programa previsto para hoje e as reportagens anunciadas não serão exibidos”, informou a equipe.

O post diz ainda que China acompanhava as pautas, fazendo observações e orientando a linha geral do programa mesmo durante as últimas semanas, quando se afastou temporariamente da apresentação por causa da campanha eleitoral.

“As próximas decisões sobre a continuidade do programa serão avaliadas no momento oportuno”, declarou a equipe, que também pediu apoio “na busca por justiça, para que seu assassinato não fique impune e para que todos os responsáveis sejam identificados”.

Federação pede investigação até os mandantes

A Federação de Jornalistas do Peru (FPP) condenou o assassinato em comunicado publicado no próprio sábado e destacou que China havia feito denúncias poucos dias antes de morrer.

A entidade pediu às autoridades uma investigação “célere, séria e transparente” que esclareça as circunstâncias e a motivação do assassinato e determine responsabilidades. Também cobrou que as denúncias e ameaças relatadas anteriormente pela jornalista sejam incorporadas à apuração.

Para a Federação, o assassinato representa “um gravíssimo atentado contra a vida” e atinge diretamente “a liberdade de expressão e o exercício do jornalismo” no país.

O caso ocorre em meio ao aumento da violência contra profissionais da imprensa no Peru. Segundo a Associação Nacional de Jornalistas do Peru, foram registrados 140 ataques contra jornalistas e veículos de comunicação entre janeiro e os primeiros dias de maio de 2026. Em 2025, foram 458 ataques e quatro jornalistas assassinados, o que levou a entidade a classificar aquele ano como o mais letal para o jornalismo peruano neste século.

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A Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) também condenou o assassinato de Aponte e pediu uma investigação exaustiva que considere sua atividade jornalística entre as possíveis motivações do crime, segundo o La República.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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