Irã ameaça com mais ataques e aguarda resposta dos Estados Unidos sobre Ormuz
Principais pontos
- O Irã ameaçou atacar infraestruturas no Oriente Médio caso a sua segurança e vendas de petróleo não sejam garantidas.
- Teerã aguarda resposta dos EUA à proposta de reabrir o Estreito de Ormuz sob condições impostas pelos iranianos.
- Entre as exigências do Irã estão um cessar-fogo de 7 dias na região, liberação de ativos e fim do bloqueio naval.

O Irã intensificou sua retórica, nesta terça-feira (29), com mais ameaças de ataques contra instalações em todo o Oriente Médio, enquanto aguarda uma resposta dos Estados Unidos sobre seu plano para reabrir o Estreito de Ormuz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a proposta de Teerã. Mas, o ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou na segunda-feira (28) que espera uma resposta oficial nos próximos dias.
Os combates diminuíram nas últimas semanas, apesar dos ataques de Teerã contra navios no estreito. Washington, por sua vez, privilegia a pressão econômica contra a República Islâmica.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta terça-feira que nenhuma infraestrutura da região estará a salvo de ataques se a segurança do país não for garantida.
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"Em uma região na qual não possamos vender petróleo, ninguém mais venderá. Ou, se não garantirem nossa segurança, nenhuma infraestrutura permanecerá a salvo", declarou Ghalibaf, que também preside o Parlamento iraniano, em um vídeo divulgado pela televisão estatal.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que espera uma resposta formal dos Estados Unidos à proposta de seu país de reabrir Ormuz, segundo informe da imprensa estatal.
O Irã bloqueia o tráfego marítimo comercial através de Ormuz desde que a guerra começou, no fim de fevereiro, com os ataques dos EUA e de Israel contra seu território. Antes do conflito bélico, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam por esta via.
Washington respondeu com um contrabloqueio aos portos iranianos, em uma tentativa de impedir que Teerã transporte petróleo.
Condições impostas pelo Irã
Na segunda-feira, Araghci declarou que os intermediários do Catar "apresentaram ideias e nós as discutimos; eles pretendem apresentar mais uma vez o assunto aos Estados Unidos, e depois nos comunicarão a resposta definitiva" de Washington.
O chefe da diplomacia iraniana afirmou que "os cataris esperam que isto seja resolvido" nesta terça-feira.
"A abordagem atual se concentra exclusivamente no Estreito de Ormuz. A reabertura do estreito depende do cumprimento de certas condições, que comunicamos à outra parte", acrescentou.
Na semana passada, Araghchi e os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner participaram de conversações, mas com resultados limitados.
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Entre as condições prévias, o Irã exige um cessar-fogo de sete dias em todo o Oriente Médio, incluindo o Líbano, onde Israel bombardeia com frequência o movimento pró-iraniano Hezbollah.
Também exige o desbloqueio dos ativos iranianos congelados no exterior, a suspensão das sanções sobre seu setor petrolífero e o fim do bloqueio naval dos EUA contra seus portos.
As duas partes afirmam controlar Ormuz. O governo dos Estados Unidos diz que os petroleiros conseguem atravessar o estreito, mas Teerã nega.
"Fazer passar às escondidas algumas poucas centenas de barris de petróleo (...) não significa que o estreito esteja aberto", declarou nesta terça‑feira Hossein Mohebi, porta‑voz da Guarda Revolucionária iraniana, o braço ideológico das Forças Armadas do país.
"Um estreito verdadeiramente aberto é aquele pelo qual passariam pelo menos 125 navios por dia, como no passado, transportando no mínimo 20 milhões de barris de petróleo e derivados", disse.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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