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Guerras e crises deixam 93 milhões de crianças fora da escola, diz ONU

Principais pontos

  • Guerras e crises distanciam crianças do ambiente escolar.
  • Ataques contra a educação subiram mais de 50% em 2024 e 2025.
  • Mais de 10,6 mil estudantes e educadores foram mortos, feridos ou sequestrados em conflitos pelo mundo.
Uma jovem participante acompanha a cerimônia do Prêmio da ONU para a População de 2026.
Uma jovem participante acompanha a cerimônia do Prêmio da ONU para a População de 2026.
Source: UN Photo/Manuel Elías
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Guerras, conflitos e outras crises mantêm cerca de 93 milhões de crianças fora da escola em todo o mundo, segundo dados divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas).

O cenário se agrava com o aumento dos ataques contra a educação, que chegaram a 9.259 em 2024 e 2025, mais de 50% acima do registrado nos dois anos anteriores, segundo levantamento da Education Cannot Wait, fundo global para educação em situações de emergência.

Mais de 3.600 desses ataques tiveram escolas como alvo. O levantamento, que considera 28 países, aponta ainda que mais de 10.600 estudantes e profissionais da educação foram mortos, feridos ou sequestrados no período.

Os ataques foram registrados em 28 países e deixaram mais de 10.600 estudantes e profissionais da educação mortos, feridos ou sequestrados. O uso militar de escolas também quase dobrou no período, segundo o levantamento.

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Educação na linha de frente

O avanço da violência ocorre em um contexto em que 258 milhões de crianças e adolescentes em 87 países têm a educação afetada por crises. O número cresceu em 21 milhões em apenas 18 meses. Dos afetados, 93 milhões estão completamente fora da escola.

Dos 93 milhões de crianças que estão fora da escola em razão de crises, cerca de 74 milhões vivem em apenas 20 países. São quase 80% do total, em um grupo formado principalmente por crianças refugiadas, deslocadas dentro de seus próprios países e com deficiência.

Para Maysa Jalbout, diretora da Education Cannot Wait, a interrupção prolongada da educação aumenta a exposição de crianças a recrutamento por grupos armados e ao tráfico de pessoas. Segundo ela, manter crianças na escola em situações de emergência também significa oferecer proteção, estabilidade e uma perspectiva de futuro.

A UNESCO ressaltou que escolas e universidades devem ser protegidas durante conflitos e que todas as partes envolvidas em guerras têm a obrigação de respeitar o direito internacional. Apenas em 2025, a agência verificou 1.680 ataques contra escolas, alta de 33% em relação aos 1.265 registrados no ano anterior.

Crianças entre os alvos

O agravamento dos ataques contra a educação ocorre paralelamente ao aumento da violência contra crianças em zonas de guerra. Dados da ONU registraram 38.558 violações graves contra crianças em 2025, afetando 24.174 menores, o maior número desde o início do monitoramento, há três décadas.

Entre as violações, 14.224 crianças foram mortas ou mutiladas. Também foram registrados casos de recrutamento e uso de menores em conflitos, sequestros e impedimento do acesso à ajuda humanitária. Segundo a ONU, os combates têm ocorrido cada vez mais em áreas densamente povoadas, expondo crianças a ataques aéreos, artilharia e drones.

Os maiores números de violações graves foram registrados em Israel e no território palestino ocupado, seguidos por República Democrática do Congo, Nigéria, Mianmar e Somália. Pela primeira vez desde o início do levantamento, forças governamentais responderam pela maioria das violações verificadas.

Diante do cenário, a Education Cannot Wait lançou uma campanha para arrecadar US$ 600 milhões e garantir acesso a uma educação segura e de qualidade para 10 milhões de crianças que vivem nas regiões mais afetadas por crises.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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