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Fumaça faz Manaus registrar pior ar do mundo e gera alerta para a saúde

Principais pontos

  • Desde o início de setembro, sensores registram concentração média de partículas finas no ar superior a 30 microgramas por metro cúbico, mais que o dobro do nível recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
  • Poluição pode causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias e agravar doenças pulmonares e cardiovasculares; crianças, idosos e gestantes estão entre os mais vulneráveis.
  • Pesquisadores relacionam a piora da qualidade do ar às queimadas na região metropolitana de Manaus e aos efeitos do El Niño, que dificultam a dispersão da fumaça.
Manaus registrou 'o pior ar do mundo' no dia 23.
Manaus registrou 'o pior ar do mundo' no dia 23.
Source: Pexels/ K
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A fumaça das queimadas que encobre Manaus desde o início de setembro levou a poluição do ar a níveis preocupantes para a saúde. Na quarta-feira, 23, a capital amazonense chegou a registrar a pior qualidade do ar do mundo em um ranking internacional com avaliação em tempo real.

O levantamento é da plataforma suíça IQAir, cujos indicadores mudam ao longo do dia, de acordo com as medições disponíveis. Por isso, a posição indicou a situação registrada em um momento específico, não significando que Manaus tenha permanentemente o ar mais poluído do planeta.

Já os dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) ajudam a dar uma dimensão mais exata do problema. Pesquisadores da instituição que integram a RedeAr registraram, desde o início do mês, concentração média superior a 30 microgramas por metro cúbico de material particulado fino, conhecido como PM2,5. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a média em um período de 24 horas não ultrapasse 15 microgramas por metro cúbico.

No dia 23, os sensores chegaram a registrar mais de 160 microgramas por metro cúbico, mais de dez vezes o valor recomendado pela OMS para a média de 24 horas.

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Por que a fumaça preocupa a saúde

O material particulado fino é formado por partículas microscópicas presentes na fumaça. Elas são tão pequenas que conseguem chegar às regiões mais profundas dos pulmões e podem alcançar a corrente sanguínea.

A exposição a concentrações elevadas pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse e chiado, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares. O Ministério da Saúde alerta que a exposição prolongada a níveis elevados desse poluente pode aumentar a procura por atendimento médico e as hospitalizações.

Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis. Gestantes também exigem atenção especial durante períodos de exposição intensa à fumaça. Os efeitos já são sentidos pela população. Moradores estão relatando ardência nos olhos, nariz e garganta.

Queimadas avançam perto da cidade

O Ipam relaciona a piora da qualidade do ar principalmente às queimadas na região metropolitana de Manaus. Ela registra, nos últimos dias, "uma alta significativa no número de focos de calor”, explicou Newton Monteiro, analista de pesquisa do instituto.

Segundo ele, o fogo se concentra em áreas ao longo do rio Amazonas, inclusive nas proximidades do chamado Encontro das Águas, e no eixo da BR-319. A consequência é a formação de grandes colunas de fumaça.

Embora a área queimada no Amazonas entre janeiro e agosto tenha caído 26% em comparação com o mesmo período de 2025, municípios próximos da capital tiveram forte aumento.

Em Manacapuru, a menos de 100 quilômetros de Manaus, cerca de dois mil hectares foram atingidos pelo fogo entre janeiro e agosto, alta de 293% em relação ao mesmo período do ano passado. Em Iranduba, a menos de 40 quilômetros da capital, o crescimento foi de 212%, de acordo com dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas, citados pelo Ipam.

El Niño dificulta dispersão da fumaça

Além das queimadas, as condições do tempo ajudam a explicar por que tanta fumaça permanece sobre Manaus.

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Em condições normais, os ventos predominantes na região tendem a carregar a fumaça para oeste, em direção ao Peru. Segundo Monteiro, o El Niño está alterando esse padrão e favorecendo o transporte da fuligem para Manaus e municípios vizinhos.

O Ministério da Saúde também alerta que o El Niño pode favorecer períodos de estiagem, temperaturas elevadas e condições propícias à propagação de incêndios florestais em algumas regiões do país. A baixa umidade pode ainda intensificar os efeitos da fumaça sobre a saúde.

Como se proteger

Nos períodos em que a qualidade do ar estiver comprometida, o Ministério da Saúde recomenda evitar atividades físicas e esforços intensos ao ar livre, beber água regularmente e, sempre que possível, permanecer em ambientes fechados e protegidos da fumaça.

Quando for necessário sair, máscaras N95, PFF2 ou P100 bem ajustadas ao rosto ajudam a reduzir a inalação das partículas presentes no ar.

Em 2025, o Amazonas teve 67 dias com concentração de partículas finas acima dos 15 microgramas por metro cúbico recomendados pela OMS para a média diária. A média anual chegou a 10,67 microgramas por metro cúbico, mais que o dobro dos 5 recomendados pela organização para a exposição de longo prazo, segundo o Ipam.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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