Fim da 6×1: Sebrae lança simulador para pequenas empresas

Principais pontos

  • Ferramenta gratuita permite que micro e pequenas empresas simulem mudanças nas jornadas de trabalho e avaliem os impactos financeiros da escala 5×2.
  • A jornada máxima cai para 42 horas semanais em 16 de dezembro de 2026 e para 40 horas em 16 de dezembro de 2027, sem redução salarial.
  • Comércio, alimentação, turismo e serviços estão entre os setores que exigem maior atenção na adaptação.
O simulador utiliza informações sobre o setor de atuação, o número de empregados, os salários, os horários de funcionamento e o faturamento do negócio.
O simulador utiliza informações sobre o setor de atuação, o número de empregados, os salários, os horários de funcionamento e o faturamento do negócio.
Source: Depositphotos

Com o fim da escala 6×1 previsto para 16 de dezembro, micro e pequenas empresas ganharam uma ferramenta para reorganizar as jornadas de seus funcionários. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou recentemente o Escala Sebrae, um simulador gratuito que permite avaliar diferentes formas de distribuir as equipes e calcular os possíveis impactos financeiros.

A mudança foi definida pela emenda constitucional promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro e adota a escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.

Quais são os prazos para a mudança?

A transição será gradual, em duas etapas, sem redução dos salários:

  • 16 de dezembro de 2026: a jornada máxima semanal passa de 44 para 42 horas. A partir dessa data, os trabalhadores também terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana.
  • 16 de dezembro de 2027: a jornada máxima cai para 40 horas semanais, mantidos os dois dias de descanso remunerado.

O cronograma dá tempo para as empresas reorganizarem as equipes e planejarem eventuais mudanças nos custos.

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Como funciona o simulador

Desenvolvido para microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), o Escala Sebrae usa informações sobre o setor de atuação, o número de empregados, os salários, os horários de funcionamento e o faturamento do negócio.

Com esses dados, a ferramenta apresenta alternativas para adequar a operação à nova jornada: reorganizar os turnos, redistribuir as folgas, contratar funcionários, recorrer a profissionais autônomos ou usar horas extras. Neste último caso, o empresário precisa ter cuidado: substituir um empregado por autônomo pode gerar questionamentos trabalhistas se a relação de trabalho continuar com as mesmas características.

O objetivo é ajudar o empresário a encontrar soluções que preservem a eficiência da operação e levem em conta os custos. O Sebrae também recomenda revisar processos internos, identificar os horários de maior movimento e buscar ganhos de produtividade com os recursos disponíveis.

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, a redução da jornada, além de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, estimula os pequenos negócios, já que atividades como turismo, bares e restaurantes podem ser beneficiadas pelo aumento do tempo livre.

Quais setores serão mais afetados?

Segundo análise do Sebrae, atividades que dependem de escalas de trabalho, atendimento presencial ou operação contínua exigem mais atenção. A entidade cita comércio, supermercados, bares, restaurantes, padarias, hotéis, pousadas, logística, transporte, agropecuária e serviços como pet shops, oficinas mecânicas e postos de combustível.

Nesses estabelecimentos, a reorganização pode exigir uma distribuição diferente dos funcionários ao longo da semana, principalmente nos horários de maior movimento.

O Sebrae recomenda analisar os resultados dos últimos 12 meses para identificar os períodos de maior demanda, revisar processos que possam ser automatizados e avaliar os custos com salários, horas extras e contratações.

Como usar o Escala Sebrae

O acesso é gratuito, pelo site do Sebrae, no botão “Abrir Escala Sebrae”. Também é possível acessar diretamente o simulador. O preenchimento tem cinco etapas:

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  1. Escolha o setor de atividade. Informe se a empresa atua no comércio varejista, indústria, saúde, beleza e bem-estar, hospedagem, turismo ou outro segmento disponível.
  2. Cadastre a equipe. Insira os cargos, a quantidade de funcionários e os salários. O sistema estima os custos salariais.
  3. Informe a jornada atual. Registre os dias de trabalho, as folgas e a duração dos turnos de cada grupo.
  4. Preencha o faturamento. Informe a receita por dia, semana ou a média mensal e clique em “Simular”.
  5. Compare os cenários. A ferramenta mostra alternativas, como manter o quadro, contratar ou recorrer a autônomos, e sugere uma distribuição das equipes e dos dias de descanso.

Ao final, é possível baixar os resultados em PDF ou planilha.

O simulador é um apoio ao planejamento. As sugestões precisam ser avaliadas conforme as características de cada negócio e as exigências da legislação trabalhista.

Com informações da Agência Sebrae, reportagem de André Gomes.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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