EUA concluem retirada militar do Iraque após mais de 20 anos e encerram missão contra o Estado Islâmico
Principais pontos
- Tropas dos EUA concluíram retirada definitiva do Iraque, encerrando duas décadas de presença e missão contra Estado Islâmico.
- Invasão de 2003 derrubou Saddam Hussein, mas abriu caminho para insurgências e ascensão do extremismo no país.

Os Estados Unidos concluíram nesta quarta-feira, 30, a retirada definitiva de suas últimas tropas do Iraque, encerrando uma presença militar contínua iniciada com a invasão de 2003.
O movimento põe fim à missão da coalizão internacional contra o Estado Islâmico em solo iraquiano e transfere de forma integral a responsabilidade pela segurança nacional às forças de Bagdá.
O último contingente americano deixou uma base na região autônoma do Curdistão iraquiano, cumprindo o cronograma estabelecido entre Washington e o governo central. O Pentágono classificou o encerramento como a conclusão de uma campanha de 12 anos contra o grupo extremista, que em 2014 chegou a dominar grandes extensões do território iraquiano.
A saída marca o encerramento de um ciclo militar de mais de duas décadas que redefiniu a política do Iraque e a dinâmica de poder no Oriente Médio. A trajetória começou em março de 2003, quando os EUA e aliados invadiram o país e derrubaram o regime de Saddam Hussein sob a justificativa – posteriormente desmentida – de que Bagdá mantinha armas de destruição em massa.
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A rápida queda do governo foi sucedida por uma intensa insurgência armada e por uma escalada da violência entre grupos sunitas e xiitas, amplificada pela dissolução das antigas instituições estatais e pelo expurgo de integrantes do partido Baath.
Para conter a espiral de violência, Washington promoveu em 2007 um expressivo reforço de tropas, chegando a manter mais de 160 mil militares no país. A estratégia, combinada com a atuação de forças locais e a cooperação de tribos sunitas contra a Al Qaeda no Iraque, reduziu temporariamente os conflitos.
Em 2008, os dois países firmaram o acordo que previa a saída total das forças americanas até o final de 2011, compromisso cumprido pelo governo de Barack Obama. No entanto, a retirada deixou um vácuo de segurança que, somado às divisões sectárias internas e ao estouro da guerra civil na vizinha Síria, criou as condições para a ascensão do Estado Islâmico.
Retorno em 2014 e o reposicionamento das forças no Oriente Médio
O avanço do grupo extremista culminou na tomada de Mossul em meados de 2014 e no colapso de divisões do exército iraquiano, levando o governo de Bagdá a solicitar novamente ajuda militar aos americanos.
Liderando uma coalizão internacional na Operação Inherent Resolve, os EUA retornaram com o objetivo de apoiar as forças locais por meio de cobertura aérea, inteligência, apoio logístico e treinamento.
Embora o Iraque tenha declarado a derrota territorial do grupo em 2017, tropas americanas permaneceram no país com foco progressivo no assessoramento técnico e combate a células clandestinas, até que em 2024 ambos os governos definiram o cronograma para o desmonte final da coalizão.
A saída americana mexe no tabuleiro do Oriente Médio. Enquanto o primeiro-ministro Ali al-Zaidi vende a retirada como vitória da soberania nacional, Bagdá segue refém das milícias pró-Irã, com a promessa de desarmá-las adiada para 2027, além de assumir a segurança sem total autonomia em inteligência e defesa aérea para conter os ataques de guerrilha do Estado Islâmico.
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