Empresário que conduziu homem acorrentado em ato bolsonarista acumula dívidas fiscais de R$ 1 milhão

Principais pontos

Empresário foi filmado conduzindo um homem negro acorrentado durante um ato de campanha de Flávio Bolsonaro

De acordo com o levantamento feito a partir dos registros da Receita Federal, as empresas de Carlos Eduardo Martins acumulam dívidas que chegam a R$ 1 milhão.

Em retratação, o empresário declarou que o ato não teve teor racista e se tratava de uma "sátira" política em alusão à figura do diabo.

Empresário conduz homem acorrentado em manifestação bolsonarista no Rio de Janeiro
Empresário conduz homem acorrentado em manifestação bolsonarista no Rio de Janeiro
Source: Reprodução/Redes Sociais

O empresário carioca Carlos Eduardo Martins, filmado conduzindo um homem negro acorrentado durante um ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro, acumula dívidas fiscais que ultrapassam R$ 1 milhão. As pendências financeiras envolvem débitos previdenciários, tributos estaduais e pendências junto ao Simples Nacional ligadas a duas empresas das quais é sócio.

As informações foram publicadas inicialmente pela agência Alma Preta e confirmadas pela reportagem do GSW Brasil.

De acordo com o levantamento feito a partir dos registros da Receita Federal, Martins integra o quadro societário da Cem Locação de Bens Móveis e Serviços LTDA e da Top Gran Comércio de Granitos e Mármores LTDA, ambas sediadas no mesmo endereço em Guaratiba, na zona oeste do Rio. Somente a Top Gran responde por um passivo superior a R$ 666 mil, enquanto a Cem Locação acumula débitos que superam os R$ 386 mil.

As imagens do episódio, gravadas durante manifestações na reta final da disputa eleitoral, ganharam repercussão nacional após divulgação inicial pelo portal UOL. Na cena, o empresário aparece vestido de verde e amarelo segurando correntes presas a um homem negro fantasiado com trajes vermelhos, máscara, chifres e um tridente, carregando uma menção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Após as críticas e a ampla circulação do registro nas redes sociais, o Ministério da Igualdade Racial acionou o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro para que seja instaurada uma apuração criminal por crime de racismo. No ofício, o ministério argumenta que o episódio se enquadra na Lei 7.716/1989, cujas penalidades podem chegar a cinco anos de reclusão quando as condutas são veiculadas em ambientes digitais.

Em retratação publicada em suas redes sociais, Martins declarou que o ato não teve teor racista e se tratava de uma "sátira" política em alusão à figura do diabo. Ao lado do homem que estava acorrentado -- identificado por ele apenas como Sérgio e descrito como seu amigo --, o empresário pediu desculpas públicas e afirmou que a intenção "nunca foi ofender os brasileiros".

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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