Eleições no Peru: Keiko Fujimori alcança vantagem irreversível e oposição contesta urnas
Principais pontos
- Com 99,8% das urnas processadas, Keiko Fujimori atingiu uma vantagem de 40 mil votos, diferença classificada pelas autoridades eleitorais como estatisticamente irreversível
- O candidato Roberto Sánchez declarou que não aceita o resultado atual, alegando inconsistências logísticas e de contagem, especialmente nos votos provenientes do exterior
- A atual disputa ocorre em um ambiente de frequentes alterações na chefia do Executivo peruano

O processo eleitoral para a presidência do Peru entrou na fase final de apuração das urnas. Com 99,8% das atas processadas pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a candidata Keiko Fujimori (Fuerza Popular) atingiu uma diferença de aproximadamente 40 mil votos sobre o deputado Roberto Sánchez (Juntos por el Perú), uma margem que as autoridades eleitorais classificam como estatisticamente irreversível para alteração do resultado.
Após a divulgação dos dados parciais na noite de terça-feira, 23, o candidato Roberto Sánchez fez pronunciamentos públicos em que afirmou não aceitar o resultado sob a configuração atual. Sánchez alega a existência de inconsistências na contagem dos votos e demanda a auditoria e anulação de seções eleitorais específicas, com foco nos votos provenientes do exterior.
Sánchez, que exerceu o cargo de ministro durante a gestão do ex-presidente Pedro Castillo, argumenta que modificações logísticas implementadas para a votação de cidadãos fora do país alteraram o equilíbrio do pleito e informou que recorrerá a órgãos internacionais. A representação do Fuerza Popular, por sua vez, emitiu nota solicitando a validação institucional do trabalho dos órgãos eleitorais do país.
O Jurado Nacional de Eleições (JNE), instância máxima da justiça eleitoral no Peru, informou que as atas sob contestação — que somam mais de 80 mil votos — passam por análise técnica. O procedimento conta com o acompanhamento de missões de observação internacional.
A proclamação oficial do candidato eleito está prevista para ocorrer até a primeira quinzena de julho. O início do novo período presidencial está constitucionalmente previsto para o dia 28 de julho.

Oito presidentes em 10 anos
A atual disputa ocorre em um ambiente de frequentes alterações na chefia do Executivo peruano. Desde o ano de 2016, o país teve oito presidentes devido à aplicação recorrente do mecanismo constitucional de "vacância por incapacidade moral permanente" pelo Congresso Nacional.
A última transição formal ocorreu após a destituição de Dina Boluarte, o que levou à presidência interina de José María Balcázar até a realização do pleito atual.
- Pedro Pablo Kuczynski
Início: 28 de julho de 2016
Término: 23 de março de 2018
Motivo da saída: Renunciou ao cargo após a divulgação de vídeos que sugeriam compra de votos no Congresso para evitar um processo de impeachment, em meio a investigações sobre ligações com a empreiteira Odebrecht.
- Martín Vizcarra
Início: 23 de março de 2018
Término: 9 de novembro de 2020
Motivo da saída: Foi destituído pelo Congresso Nacional sob o argumento de "incapacidade moral permanente", decorrente de alegações de recebimento de suborno durante seu mandato como governador da região de Moquegua.
- Manuel Merino
Início: 10 de novembro de 2020
Término: 15 de novembro de 2020
Motivo da saída: Renunciou ao cargo após cinco dias devido à eclosão de protestos sociais em massa em diversas cidades do país, que resultaram na morte de manifestantes e na perda de apoio político no Legislativo.
- Francisco Sagasti
Início: 17 de novembro de 2020
Término: 28 de julho de 2021
Motivo da saída: Concluiu o mandato presidencial interino programado, transmitindo o cargo ao vencedor das eleições gerais regulares de 2021.
- Pedro Castillo
Início: 28 de julho de 2021
Término: 7 de dezembro de 2022
Motivo da saída: Foi destituído pelo Congresso por "incapacidade moral permanente" após anunciar publicamente em rede nacional um decreto de dissolução do Legislativo e a instituição de um governo de exceção.
- Dina Boluarte
Início: 7 de dezembro de 2022
Término: 10 de outubro de 2025
Motivo da saída: Teve a vacância aprovada pelo Congresso do Peru sob a justificativa de "incapacidade moral", encerrando um período marcado por protestos sociais e investigações internas sobre sua gestão.
- José Jerí
Início: 10 de outubro de 2025
Término: 17 de fevereiro de 2026
Motivo da saída: Foi destituído após quatro meses no cargo. Jerí é investigado pelo Ministério Público em dois casos de suposto tráfico de influência.
- José María Balcázar
Início: Fevereiro de 2026
* Atual presidente interino responsável por guiar a transição governamental até a posse da nova liderança eleita.
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