Discord: seis jovens são detidos em nova fase da investigação sobre morte de adolescente
Principais pontos
- A Polícia Civil apreendeu 6 adolescentes investigados por coagir e induzir jovem de 13 anos ao suicídio.
- Grupos virtuais atraíam vítimas e disputavam prestígio por meio de intimidações e atos violentos.
- Transmissões no Discord foram suspensas no Brasil. A rede nega omissão e diz cooperar com o caso.

As dinâmicas de chantagem e terror psicológico no ambiente virtual voltaram ao centro de uma ofensiva policial articulada em cinco unidades da federação, após suicídio de jovem envolvendo o aplicativo Discord.
A morte de Lívia, de apenas 13 anos, teria sido buscada pelos investigados como o ápice desse engajamento mórbido. O desdobramento do caso gerou forte comoção e desdobramentos institucionais em Brasília.
Com o objetivo de coibir a prática da chamada "escravidão digital" e conter grupos que induzem jovens ao suicídio e à automutilação, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, em cooperação com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e autoridades locais, deflagrou a segunda etapa da Operação Lívia.
A ação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão que detiveram seis adolescentes com idades entre 14 e 17 anos no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
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O avanço das apurações decorre do exame minucioso do material tecnológico apreendido no início de agosto, quando a primeira fase da operação foi deflagrada.
De acordo com a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, a extração de dados de computadores e celulares revelou a identidade de moderadores e administradores de comunidades clandestinas conhecidas como “panelas”.
Perfis falsos e incitação à violência
Esses núcleos virtuais disputavam prestígio interno por meio da criação de conteúdos violentos e hostis.
A estratégia de aproximação envolvia perfis falsos que simulavam a mesma faixa etária ou gênero das vítimas para angariar confiança antes de dar início a táticas agressivas de coerção, extorsão e intimidação mediante o uso de dados de familiares.
O Ministério da Justiça, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) cobraram esclarecimentos e adotaram medidas operacionais que culminaram no bloqueio dos recursos de transmissão de áudio e vídeo em tempo real da plataforma Discord no Brasil, mantendo ativos apenas os canais de texto e chamadas telefônicas.
As autoridades policiais alertam pais e responsáveis para a importância de fiscalizar o acesso de menores a salas fechadas e fóruns restritos em aplicativos de conversação, enquanto buscam mapear e prestar apoio a outras possíveis vítimas coagidas pela rede.
Em manifestação enviada sobre os recentes acontecimentos, o Discord negou qualquer conduta omissa, ressaltou ter apresentado propostas de acordo à AGU e afirmou que o episódio fatídico ocorreu em outro aplicativo, após dados compartilhados pelas próprias instâncias governamentais.
A empresa sustentou que atua preventivamente na remoção de perfis nocivos e que eliminou o espaço restrito associado aos suspeitos antes do desfecho trágico: "O Discord investigou um servidor privado no qual acredita-se que indivíduos envolvidos em atividades criminosas tenham incentivado a automutilação e o desativou antes da morte da adolescente. O acesso ao servidor privado dependia de convite, e ele não podia ser encontrado por outros usuários", declarou a empresa.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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