Avanço de Flávio nas pesquisas antecipa articulações com Centrão por 2º turno
Principais pontos
- União Brasil e PP já negociam apoio ao senador, enquanto Republicanos e PSD mantêm cautela sobre uma decisão nacional.
- Lula tenta preservar alianças nos estados e evitar que eventual adesão do Centrão a Flávio ocorra de forma unificada.

O avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas últimas pesquisas, que passaram a mostrar um cenário de empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno, já leva partidos do Centrão a antecipar movimentos em relação à disputa.
Legendas que adotaram neutralidade no primeiro turno a fim de preservar arranjos regionais e aguardar o resultado das urnas já discutem a possibilidade de apoiar o senador na segunda etapa do pleito, enquanto Lula tenta manter parte desse grupo ao seu lado ou, ao menos, evitar uma adesão em bloco ao candidato do ‘Zero Um’.
Para a campanha de Flávio, terminar o primeiro turno à frente de Lula seria um trunfo nas negociações com os partidos que ainda não escolheram um lado. Aliados do senador avaliam que a liderança nas urnas na votação de 4 de outubro fortaleceria sua posição para atrair o Centrão e reunir setores que hoje mantêm neutralidade em torno de sua candidatura.
O jornal Folha de S. Paulo reportou que Flávio já costura acordos com dirigentes partidários e, nesta semana, encontrou o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, e Antonio Rueda, do União Brasil, para lograr o apoio das siglas à candidatura em eventual segundo turno.
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A federação avalia a possibilidade, mas a negociação envolve garantias de espaço em um eventual governo bolsonarista e, principalmente, na eleição para a presidência do Senado em fevereiro de 2027.
A permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) no comando da Casa é defendida pelos partidos, mas o senador tem mantido diálogo com o governo Lula e é contrário ao avanço de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, pauta cara ao bolsonarismo.
Os cálculos dos partidos
A movimentação do PP também passa pela situação de Ciro Nogueira, que disputa a reeleição ao Senado pelo Piauí e vinha defendendo a neutralidade do partido no primeiro turno, mas acabou se aproximando da possibilidade de apoiar Flávio depois que a relação com Lula se desgastou em razão do nível de apoio do presidente a outros candidatos na disputa pelas duas vagas ao Senado do estado -- Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).
Enquanto a federação União-PP se reaproxima de Flávio, os demais partidos do Centrão mantêm maior cautela. No Republicanos, lideranças avaliam que a eleição continua aberta e trabalham para preservar a distância da disputa presidencial, deixando para depois do primeiro turno a decisão sobre eventual apoio.
A legenda, que tem uma bancada significativa no Congresso e interesses eleitorais espalhados por diferentes estados, também precisa considerar as alianças regionais antes de aderir a qualquer candidato.
No PSD, aliados de Lula tentam garantir a neutralidade do partido no segundo turno, enquanto Ronaldo Caiado, candidato da legenda à Presidência, tende a apoiar Flávio caso fique de fora da disputa definitiva. O presidente nacional do partido e vice de Caiado na chapa, Gilberto Kassab, deve ficar neutro e pode dificultar uma decisão nacional de apoio ao candidato do PL.
O partido ainda reúne uma ala importante no Nordeste, onde lideranças têm maior proximidade com Lula, o que aumenta a dificuldade de construir uma posição única para a legenda.
A movimentação de Flávio também recalibrou a estratégia da campanha de Lula, que passou a concentrar esforços menos na tentativa de conter uma aproximação nacional das siglas com o candidato do PL e mais na preservação de suas alianças regionais.
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O petista busca dissidências entre governadores, senadores, deputados e outras lideranças de cada estado, mantendo canais com nomes como Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, e Alcolumbre, numa tentativa de preservar nos estados alianças que podem não acompanhar uma eventual decisão nacional dos partidos pelo candidato do PL.
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