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Cortes de verba ameaçam avanços e deixam 5,8 milhões de crianças refugiadas fora da escola, diz agência da ONU

Principais pontos

  • A evasão escolar se acentua no ensino médio e atinge principalmente as meninas, pressionadas pelo trabalho e tarefas domésticas.
  • No Brasil, o acesso ao ensino superior avança via apoio universitário, mas a falta de recursos ameaça a continuidade das ações.
Estudantes refugiados da República Centro-Africana em Gado-Badzéré, na região Leste dos Camarões, que acolhe milhares de refugiados que fugiram da violência. O ACNUR trabalha com o governo de Camarões e parceiros da área de educação para garantir que as crianças refugiadas tenham acesso ao ensino fundamental, aprendam em ambientes seguros e se integrem às escolas locais.
Estudantes refugiados da República Centro-Africana em Gado-Badzéré, na região Leste dos Camarões, que acolhe milhares de refugiados que fugiram da violência. O ACNUR trabalha com o governo de Camarões e parceiros da área de educação para garantir que as crianças refugiadas tenham acesso ao ensino fundamental, aprendam em ambientes seguros e se integrem às escolas locais.
Source: ACNUR/Charity Nzomo
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Quase 6 milhões de crianças e adolescentes refugiados em todo o mundo estiveram fora da sala de aula no último ano, o que representa 44% dos 13,1 milhões de deslocados em idade escolar.

O dado faz parte do relatório anual da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), intitulado Caminhos para o Futuro: Educação, Oportunidade e Autossuficiência, que alerta para como os cortes no financiamento internacional ameaçam interromper avanços das últimas décadas e deixar uma geração de jovens sem acesso ao ensino.

Gargalo no ensino médio e barreira de gênero

A transição entre os ciclos de ensino permanece como o principal entrave para esses estudantes. Embora 65% das crianças refugiadas tenham se matriculado no ensino fundamental, apenas 32% avançaram para o ensino médio, em uma queda que atinge principalmente as meninas. Com o passar dos anos, a pobreza, os riscos de violência, o casamento infantil e outras pressões do deslocamento levam ao abandono escolar entre as adolescentes.

No Brasil, os desafios combinam questões financeiras e operacionais para a permanência na escola.

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"A permanência segue sendo um grande desafio, pois muitos precisam apoiar com a geração de renda familiar e encontram dificuldades em conciliar trabalho e estudos", diz William Laureano Da Rosa, associado de Proteção do ACNUR no Brasil.

No caso das meninas, os obstáculos na adolescência se multiplicam. "Meninas enfrentam barreiras adicionais, incluindo responsabilidades domésticas, preocupações com segurança, casamento precoce e gravidez", afirma Da Rosa.

Em contrapartida, os dados do ensino superior mostram resultados positivos de políticas contínuas. A taxa de matrícula de refugiados em universidades e cursos técnicos atingiu o recorde de 11%, com o ingresso de mais de 450 mil pessoas no sistema universitário no último ano. A meta global é chegar a 15% até 2030, embora a diferença ainda seja grande entre os países: em nações de baixa renda ou em conflito, o acesso dessa população ao ensino superior é de apenas 2%, contra 13% entre os nacionais.

No Brasil, a integração ocorre por meio da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, iniciativa do ACNUR presente em 54 universidades de 17 estados e do Distrito Federal. O programa oferece acesso à graduação e pós-graduação, aulas de português, revalidação de diplomas e apoio jurídico.

A estrutura busca reduzir as dificuldades de ingresso nos exames nacionais "com vagas e editais específicos para que jovens refugiados possam acessar a universidade no Brasil", diz Da Rosa.

A continuidade dessas ações, no entanto, depende do orçamento disponível para os países que acolhem essa população. No contexto brasileiro, a falta de verbas limita a atuação da agência.

"Com apenas 22% das necessidades financeiras da operação financiadas até o final de agosto de 2026, o ACNUR tem sido obrigado a fazer escolhas cada vez mais difíceis", afirma Da Rosa, ressaltando que "o apoio contínuo e flexível dos doadores é mais importante do que nunca" para manter o atendimento.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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