Com desistências na reta final, direita busca unidade por governos e maioria do Senado

Principais pontos

  • Candidatos de direita desistem de disputar eleições para concentrar votos em nomes do mesmo campo político.
  • Movimento mira principalmente o Senado, com foco em ampliar a bancada bolsonarista e disputar o comando da Casa.
  • Em Sergipe, desistência também unifica a direita na corrida pelo governo estadual contra um aliado de Lula.
Ricardo Salles (Novo-SP): deputado federal e ex-ministro de Bolsonaro desistiu de candidatura ao Senado
Ricardo Salles (Novo-SP): deputado federal e ex-ministro de Bolsonaro desistiu de candidatura ao Senado
Source: AGIF

Em movimento pouco habitual nas eleições gerais brasileiras, concorrentes ao Senado e ao governo de estados relevantes do país decidiram abandonar a candidatura às vésperas do primeiro turno. Os políticos que não estarão mais nas urnas neste domingo, 4, têm em comum o pertencimento ao campo ideológico da direita.

Alinhado à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, este grupo reforça, com o movimento da reta final, a busca por alterar a dinâmica de poder em redutos do presidente Lula (PT) e obter a maioria entre as 54 cadeiras em disputa no Senado.

Bolsonaristas evitam divisão por foco no Senado

O bloco de desistências foi puxado em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, onde Ricardo Salles (Novo) anunciou na segunda-feira, 28, que abdicaria de concorrer à Casa Alta do Congresso em favor das candidaturas de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).

Ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro (PL), o ex-candidato atribuiu a decisão à necessidade de deixar "diferenças de lado" para evitar a "catástrofe" representada por eventual reeleição de Lula. Na campanha, fez duras críticas em especial a Prado, associando-o à ala do PL que se aliou ao petismo em eleições passadas.

RECOMMENDED FOR YOU

O senador Flávio Bolsonaro fala à imprensa após o resultado do primeiro turno, em que ficou à frente de Lula.

Guinada à direita: o que diz a imprensa internacional sobre o 1º turno

Salles, 4º deputado federal mais votado do estado em 2022, era ligado a uma chance de divisão dos votos da direita que poderia favorecer Simone Tebet (PSB) ou Marina Silva (Rede), concorrentes ao cargo no campo lulista.

As principais pesquisas de intenção de voto indicam um cenário de empate técnico entre Derrite, Tebet, Marina e Prado, equação que dá poder decisivo à transferência de eleitores de Salles -- que figurava entre 3% e 4%. Pesou ainda o alinhamento dos dois postulantes remanescentes ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que participou da articulação pela desistência do ex-ministro.

Situação semelhante foi protagonizada no Distrito Federal, onde na mesma data Ronaldo Fonseca (PSD) anunciou a desistência da candidatura ao Senado e o apoio a Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas postulantes do PL às duas vagas em disputa. Na capital federal, a sigla integra o grupo político bolsonarista.

"Decidi desistir para ajudar as candidaturas da direita que estão, hoje, mais bem posicionadas. Eu milito com a direita há muito tempo e agora é a vez das mulheres", afirmou Fonseca ao site g1. O pessedista registrou 2% das intenções de voto em pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, enquanto a ex-primeira-dama liderou o levantamento, com 22%, e a deputada federal pontuou 15%.

Em patamar similar ao da dupla bolsonarista, ficaram a atual senadora Leila do Vôlei (PDT), 19%, e Erika Kokay (PT), 15%, números que colocam em risco em especial a eleição de Kicis para uma das cadeiras.

Os dois movimentos contemplam esforços para unificar o quadro de alianças de Flávio e evitar a divisão de votos no eleitorado à direita, sob o risco de abrir espaço para lulistas conquistarem terreno.

A eleição de senadores é tratada abertamente como prioridade por lideranças bolsonaristas muito antes do início da campanha. A obtenção de maioria absoluta na Casa -- 54 das 81 cadeiras -- coincide com os votos exigidos para abrir e dar continuidade ao processo de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), pauta prioritária deste campo. 

Ao mesmo tempo, o grupo de Flávio busca conquistar a presidência do Senado -- hoje ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP), político mais próximo de Lula --, o que depende de 41 votos no plenário, para destravar pedidos de impedimento já apresentados.

RECOMMENDED FOR YOU

O ministro Alexandre de Moraes

Implicação do STF no Master não é 'crise interna' e revela necessidade de reforma, diz Marsiglia

Do outro lado, a aliança governista trabalha justamente para frear as pretensões da direita, mas falhou em articular gestos de unificação como os do campo opositor. Em estados estratégicos, como Rio de Janeiro e Pará, políticos simpáticos a Lula mantém candidaturas "paralelas" ao Senado apesar do apelo expresso do presidente pela centralização do apoio às chapas oficiais de sua aliança.

Desistência a governo mira reduto lulista

O movimento pela unificação do grupo contrário a Lula também foi registrado em uma disputa por Executivo estadual. No Sergipe, governado por Fábio Mitidieri (PSD), que é aliado do petista, Emanuel Cacho (PSDB) anunciou a desistência da corrida para apoiar Valmir de Francisquinho (Republicanos).

Também nesta semana, Ricardo Marques (PL) teve a candidatura ao cargo indeferida pelo TRE-SE (Tribunal Regional Eleitoral). Com a barreira jurídica e a saída do tucano, a direita concentra seus esforços em Francisquinho como alternativa única do campo.

O cenário deve consolidar o pleito entre o incumbente e concorrente do Republicanos e, naturalmente, favorecer as chances de uma definição ainda em primeiro turno. 

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

Se está acontecendo no Sul Global, está no nosso canal do WhatsApp.

Nós contamos as notícias que você precisa saber.

Inscreva-se agora
Ícone do banner do WhatsApp