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Ciclista afegã que se disfarçava de homem ganha prata nos Jogos Asiáticos 2026
Principais pontos
- Ciclista afegã que precisava se passar por homem no passado conquista prata histórica no Japão.
- Atacada e treinada em segredo, Fariba Hashimi fugiu do Talibã para viver e treinar na Itália.
- Ela dedicou a medalha às mulheres afegãs e disse que planeja disputar os Jogos Olímpicos de 2028.

Uma ciclista afegã que se disfarçava de homem para perseguir seus sonhos esportivos conquistou a medalha de prata nos Jogos Asiáticos, Japão, nesta terça-feira (22).
Fariba Hashimi, de 23 anos e radicada na Itália, arrancou forte para cruzar a linha de chegada em segundo lugar na prova de estrada feminina perto de Nagoya, no Japão, definindo o triunfo como "algo especial".
Ela disse que espera que o feito inspire outras mulheres, em um país onde as autoridades do Talibã restringiram severamente as liberdades delas.
"Não consigo explicar meus sentimentos agora", disse a atleta, antes de relembrar como foi atacada com pedras e treinava disfarçada de homem quando começou no esporte, ainda adolescente, ao lado da irmã Yulduz, que hoje também é ciclista profissional.
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"Nasci em um país onde as mulheres que sonham são atacadas, e estou muito feliz por ter lutado contra isso", disse ela. "Espero que a próxima geração venha aqui e represente seu país sem medo."
As autoridades do Talibã retornaram ao poder em 2021 e, desde então, impuseram uma série de regras que limitam o acesso das mulheres à educação e à vida pública, incluindo o esporte.
"Eles tiraram nossa liberdade, tiraram tudo de nós", disse Hashimi, que é natural da província de Faryab, no norte do Afeganistão, e deixou o país após a tomada de poder pelo Talibã.
"Esta medalha de prata pode mostrar muita resiliência das mulheres afegãs, e estou muito feliz. Não estou sozinha, sei que, atrás de mim, milhões de mulheres, de vários países, têm o mesmo sonho e estão ao meu lado", declarou.
Após fugir do Afeganistão com a ajuda da ex-campeã mundial italiana Alessandra Cappellotto, Hashimi mudou-se para a Itália, onde agora vive e treina. Ela e sua irmã competiram nos Jogos Olímpicos de Paris há dois anos, e os Jogos de Los Angeles 2028 já despontam no horizonte.
"Eu nunca quero desistir e, com sorte, poderemos ver (o que pode acontecer) novamente em Los Angeles", disse ela.
Hashimi reservou um agradecimento especial à equipe japonesa, por ter desempenhado um papel em sua medalha de prata. "Estou aqui sem mecânico, sem nenhuma preparação. Trouxemos um rapaz conosco da federação nacional, e ele apenas dirigiu o carro", disse ela.
"Nós mesmas estávamos consertando a bicicleta. Eu fui minha própria mecânica. Eu mesma lavava a bicicleta. Obrigada à equipe japonesa. Eles foram muito, muito legais comigo, consertaram minha bicicleta."
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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