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Cacique Raoni, 94 anos, enfrenta câncer agressivo e recebe cuidados paliativos

Principais pontos

  • Líder indígena foi diagnosticado com um tumor maligno no aparelho digestivo após passar por cirurgia em junho.
  • Raoni está em Peixoto de Azevedo (MT), onde recebe assistência domiciliar e acompanhamento de equipes de saúde.
  • Referência mundial na defesa da Amazônia, cacique tem quase sete décadas de atuação pelos direitos dos povos indígenas.
A condição de saúde do cacique Raoni, diagnosticado com câncer no aparelho digestivo, é considerada delicada e exige acompanhamento contínuo.
A condição de saúde do cacique Raoni, diagnosticado com câncer no aparelho digestivo, é considerada delicada e exige acompanhamento contínuo.
Source: Reprodução/ Facebook - Instituto Raoni
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O cacique Raoni Metuktire, uma das mais conhecidas lideranças indígenas do Brasil e do mundo, enfrenta um câncer agressivo no aparelho digestivo e recebe cuidados paliativos. Ele está em Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso, próximo da família. Aos 94 anos, ele conta com assistência domiciliar, segundo informações divulgadas pelo Instituto Raoni.

A condição de saúde é considerada delicada e exige acompanhamento contínuo. Os cuidados são voltados ao controle da dor e de outros sintomas, alimentação, hidratação, fisioterapia, administração de medicamentos e monitoramento de possíveis complicações.

Raoni passou por sucessivas internações ao longo de 2026. Os primeiros sinais que levaram à investigação surgiram após o cacique apresentar dores abdominais persistentes. Exames de imagem identificaram uma alteração na região abaixo do fígado, com suspeita de um processo expansivo intestinal ou hepático em estágio avançado.

O quadro se agravou em junho. No dia 13 daquele mês, Raoni começou a apresentar vômitos intensos e, após atendimento em Peixoto de Azevedo, foi transferido para Sinop. Os exames identificaram uma obstrução no duodeno provocada pelo tumor.

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Além da obstrução, o cacique enfrentou desidratação, alterações renais, infecção e pneumonia aspirativa. Diante da complexidade do quadro, médicos de Mato Grosso e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) decidiram transferi-lo para São Paulo.

Cirurgia confirmou câncer

Raoni chegou à capital paulista em 19 de junho e, no dia seguinte, passou por uma cirurgia no Hospital São Paulo. Como o tumor estava bloqueando a passagem dos alimentos, os médicos criaram um desvio para contornar a obstrução. O objetivo era permitir que ele voltasse a se alimentar e tivesse mais conforto.

Exames realizados depois da cirurgia confirmaram um tumor agressivo no aparelho digestivo. Diante da idade de Raoni e de outros problemas de saúde, os médicos avaliaram que tratamentos mais agressivos, como uma nova cirurgia de grande porte ou quimioterapia, representariam riscos elevados.

O cacique tem problemas cardíacos, usa marcapasso e também apresenta uma doença pulmonar crônica. Por isso, a equipe optou pelos cuidados paliativos.

O que são cuidados paliativos

A partir dessa avaliação, a assistência passou a priorizar os cuidados paliativos. Esse tipo de cuidado não significa interromper a assistência médica. O objetivo é aliviar a dor e outros sintomas, reduzir desconfortos e preservar, tanto quanto possível, a autonomia e a qualidade de vida do paciente.

No caso de Raoni, a estratégia permite ainda que ele permaneça próximo de seu povo, não apenas da família.  

Depois de receber alta do Hospital São Paulo em 14 de julho, o cacique voltou a Peixoto de Azevedo no dia seguinte. Foi montada uma estrutura de atendimento domiciliar com técnicos de enfermagem e fisioterapeuta, além de apoio de nutricionista e supervisão de enfermagem da Casa de Saúde Indígena (Casai).

O Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas da Unifesp também passou a prestar suporte por telessaúde.

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No fim de julho, Raoni voltou a ser internado após sofrer uma hemorragia digestiva que provocou perda significativa de sangue. O tratamento incluiu medicamentos e transfusões. Depois de mais de 72 horas sem novos sinais de sangramento ativo, seu estado voltou a ser considerado estável.

O acompanhamento médico é realizado em conjunto com práticas tradicionais escolhidas pelo cacique e por sua família. Raoni é pajé e tem recebido a presença de outros pajés de sua confiança durante o tratamento.

“Neste momento, nossa prioridade é que o Cacique Raoni esteja bem cuidado, confortável e próximo de sua família e de seu povo. Queremos compartilhar essas informações com transparência, mas também pedimos respeito à sua privacidade, ao seu descanso e às decisões de sua família”, afirmou o Instituto Raoni.

Quase sete décadas de luta

Conhecido internacionalmente pela defesa dos povos indígenas e da Amazônia, Raoni construiu uma trajetória de quase sete décadas de atuação.

Nascido no início da década de 1930, no nordeste de Mato Grosso, tornou-se uma das principais vozes indígenas do país. Sua projeção internacional cresceu a partir do fim dos anos 1970 e ganhou novo impulso na década seguinte, quando seu encontro com o músico britânico Sting ajudou a ampliar a visibilidade internacional da defesa da Amazônia.

Raoni também participou das mobilizações indígenas durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988 e, em 1989, esteve no centro do histórico encontro de Altamira, que reuniu povos indígenas e apoiadores contra projetos de grandes hidrelétricas no rio Xingu.

Em abril de 2025, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à aldeia Piaraçú, na Terra Indígena Capoto/ Jarinã, em reconhecimento à sua trajetória na defesa dos povos indígenas, da Amazônia e do meio ambiente.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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