Brasil entra com disputa na OMC contra tarifas impostas pelos Estados Unidos
Principais pontos
- O governo brasileiro informou que acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas de 25% e 12,5% impostas pelo governo de Donald Trump
- O Brasil considera que as tarifas são injustificadas e incompatíveis com as obrigações assumidas pelos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e das regras que disciplinam o mecanismo de solução de controvérsias da OMC
- O pedido de consultas feito pelo governo brasileiro à OMC é a primeira etapa formal do sistema de soluções de constrovérsias da OMC

O governo brasileiro informou na noite de segunda-feira, dia 27/07, que acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas de 25% e 12,5% impostas pelo governo de Donald Trump a um conjunto de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
De acordo com a nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil considera que as tarifas são injustificadas e incompatíveis com as obrigações assumidas pelos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e das regras que disciplinam o mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
Na OMC, o governo brasileiro entrou com um pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da OMC, contestando duas medidas tarifárias adotadas pelo país norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Investigação
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 foi o mecanismo usado pelos EUA para iniciar uma investigação específica sobre o Brasil. Nesse processo, os EUA indagaram temas como comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, aplicação da legislação anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. A conclusão desse processo levou o governo norte-americano a impor tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Com relação à taxação de 12,5%, a decisão foi resultado de uma investigação conduzida com mais de 60 economias pelos EUA. Nesse caso, o foco foi a existência e a aplicação de restrições à importação de bens produzidos, total ou parcialmente, com trabalho forçado.
OMC
O pedido de consultas feito pelo governo brasileiro à OMC é a primeira etapa formal do sistema de soluções de constrovérsias da OMC. Nesse estágios, os países buscam negociar uma solução para o conflito. Caso não cheguem a um acordo, a OMC segue para o estágio seguinte que é a instalação de um painel para analisar o caso. De acordo com o Itamaraty, a iniciativa busca contestar a compatibilidade das medidas tarifárias norte-americanas com as normas multilaterais de comércio.
Tarifaço
Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) calcula que as novas tarifas americanas vão afetar em US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. O MDIC indica que a sobretaxa acumulada de 37,5% atinge 16,5% do total exportado pelo Brasil aos EUA. Entre os itens atingidos estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
Cálculo das tarifas
O governo dos EUA anunciou no dia 15 de julho de 2026 que aplicaria uma tarifa adicional de 25%, com entrada em vigor no dia 22 de julho;
Depois, impôs outra de 12,5%, que foi anunciada no dia 23 de julho e entrou em vigor no dia 24 de julho;
Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a alíquota chega a 37,5%.
Na prática:
• 25% da investigação específica sobre o Brasil;
• 12,5% da investigação sobre trabalho forçado;
• 37,5% de tarifa total quando ambas incidem sobre o mesmo produto.
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