Brasil eleva contribuição ao Mercosul e abre negociações com o Japão
Principais pontos
- Brasil aumentará seu aporte anual no Fundo de Infraestrutura do Mercosul (Focem) para US$ 100 milhões por dez anos.
- O bloco deu início formal às negociações comerciais com o Japão e mira conversas com a China.
- Anúncios ocorrem após o Mercosul fechar acordos importantes recentemente, com destaque para a entrada em vigor provisória do tratado com a União Europeia.

O Brasil vai aumentar sua contribuição anual ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), de US$ 70 milhões para US$ 100 milhões, por dez anos. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que aconteceu nesta semana. Na mesma reunião, o bloco lançou formalmente as negociações para um acordo de parceria econômica com o Japão.
Os dois movimentos ocorrem num momento de avanço do Mercosul. Criado em 1991 e após passar um longo período de negociações emperradas, o bloco conseguiu fechar uma série de acordos comerciais em curto espaço de tempo. Em dezembro de 2023, assinou com Singapura. Em setembro de 2025, com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). E, em janeiro deste ano, foi concluído o acordo com a União Europeia, após 26 anos de tratativas.
O texto final foi assinado em 17 de janeiro, também em Assunção. A parte comercial entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio, formando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo – mais de 700 milhões de habitantes e cerca de US$ 22 trilhões em PIB combinado.
Pelo acordo, o Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a UE eliminará tarifas sobre 95% dos produtos do bloco em até 12 anos. A vigência ainda é provisória, pois o Parlamento Europeu solicitou avaliação do Tribunal de Justiça da UE, o que pode levar até dois anos.
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Esse histórico recente dá peso aos anúncios da cúpula. O comércio do Mercosul com o resto do mundo somou US$ 757 bilhões, e a corrente extrazona atingiu US$ 247,3 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o comércio interno do bloco também avança: US$ 51 bilhões em 2025, próximo do recorde histórico de US$ 53 bilhões, de 2011.
Reforço ao Focem
O Focem, criado em 2004 para reduzir desigualdades internas, financia obras de infraestrutura, especialmente em regiões de fronteira. Desde então, segundo o governo brasileiro, o fundo já apoiou mais de mil quilômetros de rodovias, 680 km de ferrovias e 750 km de linhas de transmissão elétrica. Pelas regras atuais, o Brasil responde por cerca de 70% das contribuições, e a Argentina, por 27%.
O novo aporte havia sido antecipado pelo chanceler Mauro Vieira. O governo brasileiro espera que a Argentina, sob Javier Milei, também amplie sua participação, embora o país vizinho defenda um modelo em que se torne beneficiário líquido. Milei não compareceu à cúpula.
A proposta representa uma mudança em relação à posição do próprio governo brasileiro no ano passado, quando chegou a sugerir reduzir o fundo para cerca de US$ 30 milhões anuais. A renovação ainda depende de consenso entre os membros e aprovação nos parlamentos nacionais.
Lula defendeu ainda a inclusão da Bolívia, mais novo membro pleno, entre os beneficiários do fundo.
Avanço na agenda externa
O lançamento das negociações com o Japão se soma aos acordos já fechados com Singapura, EFTA e União Europeia. Lula sinalizou ainda a intenção de iniciar tratativas com a China. Durante o discurso, o presidente citou conversa com Donald Trump, em maio, sobre a presença chinesa em licitações na América do Sul.
O pano de fundo é o avanço do protecionismo global e a reorganização das cadeias de suprimentos. Um dia antes da cúpula, o chanceler Mauro Vieira descreveu o momento como “paradoxal”. Segundo ele, o bloco vive um dilema entre aprofundar a integração regional ou seguir caminhos unilaterais que poderiam enfraquecer seu próprio futuro.
A cúpula marcou o fim da presidência pro tempore do Paraguai e a passagem do comando para o Uruguai no segundo semestre de 2026.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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