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Brasil atinge menor taxa de analfabetismo da história, mas corre para alcançar vizinhos
Principais pontos
- Taxa de analfabetismo chega a 4,9% em 2025, a menor da série histórica da PNAD Contínua, com 8,4 milhões de analfabetos
- Mais da metade dos analfabetos ainda vive no Nordeste, onde a taxa chega a 10,6%.
- Países vizinhos como Argentina e Uruguai apresentam taxas bem mais baixas

Pela primeira vez desde o início da série histórica da PNAD Contínua do IBGE, o Brasil registrou uma taxa de analfabetismo inferior a 5% entre a população de 15 anos ou mais. Os dados divulgados mostram que o índice chegou a 4,9% – o equivalente a 8,4 milhões de pessoas que ainda não sabem ler e escrever um bilhete simples. O montante representa uma redução de 592 mil cidadãos em relação ao ano anterior.
O número consolida um avanço estrutural de longo prazo e um marco altamente simbólico, mas expõe desigualdades internas e o quanto o maior país da América Latina ainda caminha atrás de alguns vizinhos em termos de equidade educacional.
Transição demográfica
A redução do índice reflete a expansão da escolarização básica nas últimas décadas e a transição demográfica. Quando isolada a população de 15 a 59 anos, a taxa de analfabetismo cai para 2,6%, provando que o fluxo de novas gerações tem garantido a alfabetização na idade certa.
O analfabetismo no Brasil hoje tem idade e está concentrado nos mais velhos. Mais da metade de quem ainda não sabe ler e escrever no país – cerca de 58%, ou 4,9 milhões de pessoas – tem 60 anos ou mais. Mas é justamente nesse grupo que os dados mostram uma virada histórica importante.
Pela primeira vez na pesquisa, as mulheres idosas registraram uma taxa de analfabetismo menor (13,7%) do que os homens da mesma idade (14,1%).
A barreira racial, contudo, permanece rígida. Entre os idosos, a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos atinge alarmantes 20,6%, um patamar quase três vezes superior à observada entre brancos (7,3%).
Comparação com os vizinhos
Geograficamente, o analfabetismo continua com endereço no Brasil. O Nordeste concentra mais da metade de todos os analfabetos do país (4,8 milhões de pessoas), mantendo uma taxa regional de 10,6%, mais que o dobro da média nacional. O Norte registra 5,7%, enquanto o Centro-Oeste fica em 3,3%, o Sul em 2,4% e o Sudeste assume a menor taxa, com 2,3%.
É nessa assimetria que o Brasil perde força na comparação com os vizinhos de continente. Conforme os dados de monitoramento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da UNESCO, países com economias menores ou trajetórias sociais distintas conseguiram universalizar a alfabetização de forma muito mais uniforme.
Enquanto o Brasil celebra romper a barreira dos 5% de analfabetismo (o que significa uma taxa de alfabetização de 95,1%), nações vizinhas operam em patamares mais próximos da erradicação total:
- Argentina, Uruguai sustentam taxas de analfabetismo na faixa dos 2% na população adulta, enquanto Cuba lidera o índice na América Latina com menos de 1%.
- Colômbia e Peru mantêm índices equivalentes ao brasileiro, próximos a 5%.
A marca de 4,9% alcançada sinaliza um progresso real, mas carrega um gosto de atraso. Isso porque o Plano Nacional de Educação (PNE) estipulava a erradicação completa do analfabetismo até 2024, meta que acabou descumprida.
Para o Brasil acelerar o passo e se alinhar aos líderes da região, o desafio exige políticas focadas na busca ativa e alfabetização da população idosa vulnerável, além do combate severo à evasão escolar de jovens nas periferias e áreas rurais do Norte e Nordeste.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.