Baixa adesão às vacinas contra gripe e Covid-19 amplia vulnerabilidade de gestantes e bebês

Principais pontos

  • Baixa vacinação contra gripe e covid-19 em gestantes eleva risco de casos graves e mortes de mães e bebês no Brasil.
  • Imunização na gravidez gera anticorpos via placenta e protege recém-nascidos antes das primeiras doses infantis.
  • SUS oferece reforço contra coqueluche e VSR, reduzindo hospitalizações em lactentes com busca ativa no pré-natal.
O receio contra vacinas durante a gestação tem gerado graves consequências para a saúde materna e infantil no Brasil. 

Embora o acompanhamento pré-natal rígido e a vacinação completa garantam a proteção de mulheres, parcela significativa das grávidas no Brasil não alcança a imunização adequada. Particularmente no caso de gripe e Covid-19.
O receio contra vacinas durante a gestação tem gerado graves consequências para a saúde materna e infantil no Brasil.
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O receio contra vacinas durante a gestação tem gerado graves consequências para a saúde materna e infantil no Brasil.

Embora o acompanhamento pré-natal rígido e a vacinação completa garantam a proteção de mulheres, parcela significativa das grávidas no Brasil não alcança a imunização adequada. Particularmente no caso de gripe e Covid-19.

Levantamentos do Ministério da Saúde indicam um cenário preocupante. A cobertura vacinal de gestantes contra a Covid-19 permaneceu estagnada em 55% em 2025 e nos dados preliminares deste ano.

Já no caso da Influenza, o índice atingiu 63% no ano passado e subiu para 76% nos registros parciais atuais. Ambas as taxas continuam distantes da meta oficial de 90%.

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Como se proteger

O Sistema Único de Saúde disponibiliza um calendário específico para gestantes, que inclui, além de gripe e Covid-19, imunizantes contra hepatite B, tétano e difteria (dT), coqueluche (dTpa) e vírus sincicial respiratório (VSR), além da indicação pontual para febre amarela em áreas de risco. Confira:

Ao saber da gravidez:

. Hepatite B (3 doses). dT - difteria e tétano (3 doses). Influenza (1 dose). Covid-19 (1 dose)

A partir da 20ª semana:

. dTpa - difteria, tétano e coqueluche (1 dose)

A partir da 28ª semana:

. VSR - vírus sincicial respiratório (1 dose)

Impacto clínico

A baixa cobertura resulta em complicações severas. Entre 2023 e o início de agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes e puérperas evoluíram para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) decorrente de Influenza, culminando em 25 óbitos (sete deles registrados este ano).

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No mesmo intervalo, a Covid-19 ocasionou 205 quadros graves e 21 mortes nesse grupo. Durante o ápice da pandemia (2020 a 2022), o vírus provocou 3.547 diagnósticos de SRAG e 811 mortes entre gestantes e puérperas — uma letalidade próxima a 25%.

Embora os índices gerais tenham recuado com o progresso da imunização, as duas enfermidades ainda respondem por cerca de 30% dos episódios de SRAG gestacional em 2026, e por mais de metade dos óbitos registrados da síndrome.

Especialistas apontam que a desinformação e a subestimação do risco explicam os números. Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que há negligência quanto à gravidade da gripe e persistência de mitos infundados sobre a segurança dos imunizantes de Covid-19.

A médica desfaz esses mitos e reforça que a tecnologia empregada nessas vacinas conta com respaldo de segurança global.

Transferência de imunidade

O cuidado redobrado durante a gravidez justifica-se por alterações fisiológicas do organismo.

Segundo Giuliane Lajos, médica da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, a adaptação do sistema imunológico da mulher para evitar a rejeição do feto, somada à diminuição do espaço pulmonar no terço final da gestação, eleva a suscetibilidade a infecções e a casos graves.

Níveis severos de infecção podem gerar estresse metabólico, afetar o funcionamento da placenta e precipitar partos prematuros.

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Além de resguardar a mãe, as vacinas asseguram a proteção dos recém-nascidos nos primeiros meses de vida, via transferência placentária de anticorpos. Isso porque esquemas vacinais para Covid-19 e influenza, nos bebês, só começa aos 6 meses de idade.

Estudos indicam que a imunização materna contra a gripe reduz em até 70% as infecções nos lactentes e que a concentração de anticorpos específicos contra Covid-19 no cordão umbilical chega a superar a do sangue materno.

A vulnerabilidade dos lactentes sem proteção é evidenciada pelos números do Ministério da Saúde.

Até setembro deste ano, a Influenza causou quase 4 mil casos graves de SRAG e 55 mortes em crianças menores de 2 anos.

No mesmo período, a Covid-19 vitimou 18 crianças nessa faixa etária, somando 808 hospitalizações graves.

VSR e Coqueluche

O impacto da vacinação materna reflete-se no controle do VSR e da coqueluche:

  • VSR: A introdução do imunizante para grávidas (com 86% de cobertura estimada) aliada ao uso de anticorpos monoclonais em bebês de alto risco reduziu as internações graves por VSR em crianças de até 6 meses para 6.674 no primeiro semestre de 2026 - enquanto em 2025, no mesmo período, foram 14.061 casos.
  • Coqueluche: A oferta da vacina dTpa para gestantes, iniciada em 2014 para resguardar recém-nascidos antes da primeira dose do calendário infantil (aplicada aos 2 meses), atingiu 94% de cobertura em 2025 e 88% nos dados parciais deste ano. As infecções caíram de 7.747 em 2024 para 401 até setembro de 2026. Das 11 mortes registradas pela doença neste ano, nove ocorreram em crianças menores de 1 ano, demonstrando a necessidade de manter elevadas as taxas de vacinação materna.

A importância da prevenção

Especialistas e profissionais de saúde reforçam que as vacinas recomendadas na gestação são seguras e isentas de riscos de malformações ou sequelas fetais.

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Contudo, barreiras de informação persistem tanto entre a população quanto entre parte dos profissionais médicos.

Na atenção básica, estratégias de integração têm mostrado eficiência para elevar a cobertura.

Na rede municipal de saúde do Rio de Janeiro, por exemplo, a verificação do cartão de vacina é realizada no acolhimento do pré-natal, com aplicação imediata das doses no mesmo dia da consulta.

A busca ativa executada por agentes comunitários de saúde e a abordagem do tema em grupos de gestantes auxiliam na checagem do calendário e no combate a receios sobre a segurança dos imunizantes.

Com informações da Agência Brasil.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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