Direitos e Empoderamento das Mulheres no Brasil
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Após três anos da lei de igualdade salarial, mulheres recebem até 21% a menos que os homens no Brasil
Principais pontos
- Mulheres recebem salário até 21% inferior ao dos homens
- Presença feminina expande 11% no mercado de trabalho formal
- Ocupação das mulheres negras (pretas e pardas) cresce 29% e totaliza 1 milhão de ocupadas
O mercado de trabalho no Brasil segue marcado pela desigualdade salarial de gênero. As mulheres recebem até 21,3% menos do que os homens no setor privado. Os dados constam no 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, do Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres, relativo a abril de 2026. Os dados têm como base a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e abrangem 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados.
Em 2023, as mulheres recebiam 13,7% a menos no salário mediano de contratação. O último relatório mostra que a diferença subiu para 14,3%. No rendimento médio, a diferença passou de 20,7% para 21,3%. O valor do rendimento contratual mediano é de R$ 2.295,36, enquanto o salário médio é de R$ 4.594,89.
Cresce presença de mulheres negras
Em termos de presença feminina no mercado de trabalho, o número de mulheres empregadas cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões, um aumento de 800 mil trabalhadoras. Desse grupo, o recorte racial mostra uma expansão na ocupação de mulheres negras (pretas e pardas), com crescimento de 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o que representa mais 1 milhão de ocupadas.
O levantamento indica ainda um aumento no número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras, que chegou a 21.759, crescimento de 3,6% em relação a 2023.
As políticas corporativas internas estão apresentando avanços em termos de jornada de trabalho mais flexível. O relatório indica que houve um aumento na oferta de jornada flexível (de 40,6% para 53,9%) e de auxílio-creche (de 22,9% para 38,4%), entre 2023 e 2025. As licenças-maternidade e paternidade estendidas registraram mais adesão (de 20% para 29,9%) entre as empresas avaliadas. A proporção de empresas que afirmam promover mulheres também subiu, passando de 38,8% para 48,7%.
Por outro lado, as ações de contratação de mulheres com deficiência, LGBTQIA+ e chefes de família permaneceram relativamente estáveis.
Desigualdade regional
Com relação às mulheres indígenas, os dados revelam que houve uma expansão na contratação desse grupo, saindo de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025. Outra expansão no número de contratações foi registrado entre as mulheres vítimas de violência, de 5,5% para 10,5%. Empresas dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo são as que mais absorvem mulheres desse grupo. Os setores com maiores parcelas de contratação desse grupo são os serviços de alimentação (17,8%), as atividades de vigilância e segurança (16,2%), os serviços de reparação e manutenção de equipamentos (13,6%) e os serviços para edifícios e paisagismo (13,1%).
No corte regional do relatório, os estados com menor desigualdade são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%). Os com maior desigualdade salarial são Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).
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