Acirramento no Nordeste e vantagem para Flávio no Sudeste: as disputas pelos governos
Principais pontos
- Rodada mais recente das pesquisas Datafolha e Quaest situou cenário nos 8 maiores colégios eleitorais do país a pouco mais de uma semana para o primeiro turno das eleições.
- Números mostram aliados de Flavio Bolsonaro à frente em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
- Apenas no Rio de Janeiro, um apoiador de Lula tem a dianteira. Nos demais estados, líderes pregam neutralidade.

A pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições, a rodada mais recente das pesquisas de intenção de voto de Datafolha e Quaest revelou um mapa heterogêneo da corrida pelos governos de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará -- os oito maiores colégios eleitorais do país.
Na reta final para a definição da disputa presidencial, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) têm vantagem em quatro estados, enquanto apenas um apoiador do presidente Lula (PT) liderou levantamentos de seu certame. Nos três pleitos restantes, quem está na dianteira não se alinhou a nenhum dos presidenciáveis mais competitivos.
Veja os números dessa rodada
São Paulo: Tarcísio abre 20 pontos sobre Haddad
Em São Paulo, o atual governador pontuou 50%, em condições de liquidar a fatura ainda em 4 de outubro contra o ex-ministro da Fazenda, a quem também derrotou no segundo turno da última eleição pelo Palácio dos Bandeirantes.
O Datafolha indicou 56% dos votos válidos para Tarcísio e 34% para Haddad. O levantamento ouviu 1.610 eleitores em 65 cidades paulistas entre 22 e 24 de setembro.
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A disputa paulista tem dimensão nacional. Tarcísio foi oficializado candidato à reeleição ao lado de Flávio Bolsonaro e tem aumentado a frequência de gestos em direção ao aliado, enquanto Haddad foi convencido a concorrer novamente ao cargo por Lula.
Mesmo com as dificuldades locais, o principal objetivo da candidatura petista, segundo integrantes do grupo, é garantir que o presidente tenha uma votação expressiva no maior colégio eleitoral do país, feito decisivo para sua vitória nas urnas em 2022.
Minas Gerais: Cleitinho consolida ponta com 40%
Em Minas, a dianteira de Cleitinho é acompanhada a certa distância por Patrus e Kalil, que estão empatados tecnicamente no limite da margem de erro. Embora o petista dê palanque a Lula no estado, o ex-prefeito de Belo Horizonte conta com o eleitorado lulista -- a quem apoiou na última eleição -- e, para isso, tem apostado na estratégia de comunicar que tem melhores condições de derrotar o líder das pesquisas em provável segundo turno.
A liderança isolada do senador, aliás, ajuda a explicar as performances abaixo da média de Simões, que postula a reeleição, e Roscoe, que dá palanque oficialmente a Flavio Bolsonaro no estado. Mesmo assim, a popularidade de Cleitinho -- que apoia o presidenciável do PL -- dá indicativos de ser capaz de se superar acordos partidários para garantir o voto da direita.
O Datafolha ouviu 1.204 eleitores entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais. Na rodada anterior, Cleitinho tinha 37%, Patrus, 13%, e Kalil, 11%.
Rio de Janeiro: Paes lidera, mas Ruas reduz diferença
No Rio, apesar de manter a liderança, o ex-prefeito da capital viu sua distância em relação a Douglas Ruas cair de 18 para 13 pontos percentuais em duas semanas. O candidato do PL, que é deputado estadual e foi secretário do governo Cláudio Castro (PL), tem apostado em associar Paes ao presidente Lula -- o PT faz parte de sua aliança -- em um estado que deu sucessivas vitórias ao grupo bolsonarista.
Por sua vez, o único aliado do petista a liderar a corrida no grupo analisado pelo GSW Brasil tem apostado cada vez mais em atacar o adversário e firmar alianças fora da capital, onde sofre maior rejeição histórica -- Paes, vale lembrar, perdeu uma eleição para o governo do estado após largar como favorito em 2018.
Bahia: ACM Neto e Jerônimo seguem empatados
Na Bahia, a disputa promete ser acirrada até o fechamento das urnas. Em liderança numérica, o ex-prefeito de Salvador está tecnicamente empatado -- a margem de erro é de três pontos -- com o atual governador, que o derrotou no segundo turno de 2022.
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A disputa baiana tem uma particularidade em relação aos demais estados. Jerônimo é um dos principais palanques de Lula no Nordeste. ACM Neto, por sua vez, declarou apoio a Ronaldo Caiado (PSD) na disputa presidencial, embora não tenha feito campanha nacional para o governador de Goiás.
Isso não impede, porém, a tentativa de setores ligados a Neto de conquistar eleitores de Lula. O jornal Folha de S. Paulo registrou a existência do chamado voto "LuNeto", movimento de eleitores que pretendem combinar o voto no presidente petista com o ex-prefeito de Salvador. A campanha petista, naturalmente, tenta coibir esse movimento.
Paraná: Moro lidera, mas há dois adversários com 20%
No Paraná, a Quaest registrou o ex-juiz da Lava Jato ainda na dianteira, mas distante dos cenários anteriores que chegaram a indicar possibilidade de vitória em primeiro turno. O principal dilema, no momento, é pela definição de quem Moro enfrentará: Requião Filho e Sando Alex estão numericamente empatados.
Moro dá palanque a Flávio Bolsonaro no estado. Requião, por outro lado, conta com o apoio de Lula. Mas a polarização ganha um novo elemento na política paranaense: Alex é o candidato à sucessão de Ratinho Júnior (PSD), governador que encerra seu segundo mandato com índices de aprovação popular superiores a 80%.
Rio Grande do Sul: Zucco e Brizola no limite da margem de erro
No Rio Grande do Sul, o candidato do PL aparece numericamente à frente, com 29%, seguido por Juliana Brizola, com 23%. A diferença é seis pontos, exatamente o dobro da margem de erro de três pontos. Por isso, os dois estão empatados no limite dessa margem.
O cenário também reproduz a divisão nacional: Zucco é o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro, enquanto a pedetista tem Edegar Pretto (PT) como vice e apoio de Lula. Mais distante da dualidade, o vice-governador Gabriel Souza disputa na raia do centro a manutenção do grupo do governador Eduardo Leite (PSD) no poder.
Pernambuco: Raquel e João Campos em empate técnico
Em outra disputa que promete acirramento, a atual governadora e o ex-prefeito do Recife estão em empate técnico, com viés de alta para João Campos. O pessebista é o candidato de Lula e, para se opor ao poder de máquina da adversária, tem apostado na associação ao presidente num estado que lhe deu 66,93% dos votos no segundo turno de 2022.
Justamente por esta conjuntura, mesmo sem o apoio do petista, a governadora faz gestos simpáticos a ele e evita explorar associações à direita. Sem candidatura ao Executivo no estado, Flávio Bolsonaro não fez orientações públicas aos aliados, que demonstram maior propensão a apoiar a reeleição de Lyra.
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Ceará: Ciro mantém liderança, mas Elmano reduz distância
Com 47% das intenções de voto, o ex-presidenciável viu sua vantagem em relação ao atual governador se dissipar desde agosto, quando chegou a ter 52% contra 33% do petista, e ficar próxima do limite da margem de erro.
Elmano é um dos palanques estaduais de Lula e tem utilizado a associação com o presidente em sua campanha em um reduto petista. Ciente disso, Ciro não declarou voto em Flávio, diz que seu foco é no estado e, mesmo com apoio do PL local, chegou a levar à propaganda eleitoral a lembrança de que foi ministro de Lula.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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