Abstenção cresce no país e chega a 21% do eleitorado; no exterior, supera 62%

Principais pontos

  • Neste ano, 33,4 milhões de brasileiros não foram às urnas, 700 mil a mais do que em 2022; taxa foi a maior em uma eleição geral desde 1998.
  • Mato Grosso do Sul teve a maior abstenção entre os estados, com 23,88%, seguido por Rio de Janeiro (23,33%).
  • No exterior, a ausência cresceu 6,5 pontos percentuais em quatro anos, enquanto o número de eleitores cadastrados aumentou 31,8%.
Eleitores votam em seções eleitorais na UERJ, no campus Maracanã.
Eleitores votam em seções eleitorais na UERJ, no campus Maracanã. O Rio foi o segundo estado com maior índice de abstenção.
Source: Agência Brasil/ Fernando Frazão

A abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 chegou a 33,4 milhões de pessoas, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Em 2022, 32,7 milhões de eleitores não compareceram às urnas, ou 20,95%. A diferença supera os 700 mil eleitores. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O primeiro turno deste ano tinha 158,7 milhões de eleitores aptos a votar. Cerca de 125,2 milhões compareceram às urnas. Na prática, aproximadamente dois em cada dez eleitores deixaram de votar.

A taxa de 21,08% registrada neste domingo, 4, foi a maior em um primeiro turno de eleição geral desde 1998, quando 21,49% do eleitorado não compareceu às urnas.

Nas eleições municipais de 2024, a abstenção havia sido ainda maior: 21,68%, ou 33,8 milhões de eleitores. A comparação, porém, envolve tipos diferentes de eleição, já que o pleito municipal não inclui eleitores do exterior, do Distrito Federal e de Fernando de Noronha.

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Entre os que compareceram às urnas neste ano, 2,3 milhões votaram em branco para presidente, o equivalente a 1,84%, enquanto 3,6 milhões anularam o voto presidencial, ou 2,93%.

MS e Rio têm maiores taxas entre os estados

Mato Grosso do Sul registrou a maior taxa de abstenção entre os estados no primeiro turno, com 23,88%. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com 23,33%.

Minas Gerais teve abstenção de 22,82%. Em São Paulo o índice chegou a 22,56%. Nos quatro estados, a proporção de eleitores que não compareceram às urnas ficou acima da média nacional, de 21,08%.

Abstenção supera 62% no exterior

A ausência às urnas foi muito maior entre os brasileiros que votam no exterior. Dos 916.534 eleitores considerados na totalização, 341.766 compareceram às seções eleitorais. A abstenção chegou a 62,69%, com 574.345 eleitores que não votaram.

O percentual aumentou em relação ao primeiro turno de 2022, quando a abstenção no exterior foi de 56,2%. A diferença é de cerca de 6,5 pontos percentuais em quatro anos.

O aumento ocorreu em um período de forte expansão do eleitorado brasileiro fora do país. O número de pessoas cadastradas para votar no exterior passou de 697.078 em 2022 para 918.876 em 2026, crescimento de 31,8%. O total de cadastrados é ligeiramente superior aos 916.534 eleitores considerados na totalização deste primeiro turno.

Fora do Brasil, os eleitores votam apenas para presidente e vice-presidente da República.

Quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja com o título regular. Para a Justiça Eleitoral, cada turno é considerado uma eleição independente.

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